Combate à violência contra idosos

Revista Opinião De Fato ed 2012

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Os idosos estão cada vez mais fazendo parte de nosso dia a dia e este é um fenômeno mundial. Em 2000 as pesquisas apontaram 9% de pessoas consideradas da terceira idade no Brasil.

Em 2012 as mesmas pesquisas nos apontaram cerca de 13%, o que representam 21 milhões de brasileiros. Em 2030, o número de idosos poderá ultrapassar o total de crianças entre zero e 14 anos. Em pouco tempo teremos um aumento de mais de 50% da população idosa. Em Itabira, onde a entrevista foi realizada, há 11.780 idosos, aproximadamente 11% de sua população.

idosa sentada

Como lidamos com o envelhecimento no Brasil

Como lidamos hoje com a qualidade do envelhecimento e seu tratamento no Brasil nos projeta para o um futuro de famílias com alto nível de estresse pelas dificuldades em conjugar trabalho, controle financeiro e cuidados aos seus idosos, aumento da violência contra o idoso, falta de leitos hospitalares e espaços para cuidados específicos além de altos gastos com a saúde pública refletindo um desespero e depressão social ao reconhecermos a perda da dignidade na última etapa da vida.Estamos muito pouco preparados para lidar com o envelhecimento e seus impactos afetivos, muito menos sociais e econômicos.

Fatores do envelhecimento da população

Vários fatores estão envolvidos na discussão sobre “o envelhecimento da população mundial”, o que também é a realidade em muitas cidades como a de Itabira MG:
Podemos pensar nas diferentes formas de envelhecimento e como nos individualizamos a partir da aposentadoria, uma vez que as regras sociais do mundo do trabalho não mais regem nossa vida coletiva e então ficamos “soltos” (mas não livres) para fazermos escolhas.

A liberdade não é vivenciada de forma saudável na fase madura, pois o tempo livre que surge neste período apresenta-se de forma vazia e adoecedora, uma vez que ainda não desenvolvemos a cultura “do tempo livre” ou o “lazer” como espaço criativo, de reafirmação da identidade e auto reflexão onde revelamos o propósito da vida.

Equilíbrio entre tempo livre e atividades

Mas também podemos pensar no equilíbrio que é necessário entre “tempo livre” e “ as inúmeras atividades que existem atualmente para a terceira idade”.

Pois uma vez que a tecnologia nos traz mais anos de vida fazendo com que a terceira idade tenha energia para o lazer, qual seria a melhor forma de inserção social destas pessoas?

Pois apenas fazendo tais atividades não significa que estas pessoas estão inseridas.

Poderão estar apenas inseridas em seus próprios grupos, mas não poderemos dizer que isto é inserção social.

Há também um sentimento de vazio quando a forma de se olhar para a vida é apenas através do lazer.

Praticar somente atividades lazerosas também não dão sentido algum pra vida. Se a criatividade e senso de propósito para a vida podem ser encontrados em momentos de lazer, a grandeza do ser humano consiste em praticar ações úteis para o coletivo, pois é através destas que o indivíduo ganha espaço social.

Este equilíbrio entre “ser e fazer” permite uma vida mais saudável.

Não comentarei aqui sobre um outro perfil que é daqueles que se aposentam e assumem compromissos sociais e com a família em demasia numa tentativa de “afastar a velhice” mas acabam ficando doentes.

Cartão campanha coordenada por nossa amiga Gal Rosa
Cartão campanha coordenada por  Gal Rosa

Aspectos psicológicos, relacionamentos familiares e sociais

Podemos pensar nas modificações dos relacionamentos familiares quando as pessoas da terceira idade atingem uma idade ainda mais avançada podendo simplesmente por desgaste físico necessitarem de uma atenção exclusiva do familiar, muitas vezes gerando uma inversão de papéis onde “o filho assume o lugar do pai”.

Os aspectos psicológicos são alterados repentinamente e a qualidade de vida não só do idoso mas também dos filhos se abala.

Podemos pensar nas crianças desta geração que podem ser educadas para um olhar diferente sobre o envelhecimento: não que esta fase tenha que ser vista com “olhos de Alice” mas sim, de forma natural e aceitável quanto às condições humanas de se existir.

Com certeza elas envelhecerão com mais segurança pessoal, menos medo da vida, o que fará com que seus aspectos psicológicos sejam mais saudáveis, bem como a saúde como um todo. Também acredito que estas crianças se tornarão adultos mais produtivos e concentrados uma vez que não perderão tempo com pensamentos inúteis e pessimistas com relação ao passado ou ao futuro, pois ao falarmos sobre envelhecimento inexoravelmente falamos de valores humanos e morais.

Podemos pensar na questão financeira social bem como poderíamos mudar a visão de que “o velho só consome…” pois quanto a isto o “velho” não produzirá com sua própria força mas produzirá com sua própria velhice: quantos profissionais especializados seriam necessários para cuidar deles? Só não podemos ter uma visão reducionista em perceber que o “idoso não produz dinheiro e ainda por cima gastar o meu dinheiro com ele”… isso me dá uma sensação de cegueira: cegos quando novos não vermos o nosso futuro, cegos quando vemos um futuro não muito agradável bem à nossa frente e não trabalharmos por ele.

Podemos pensar que “já nascemos 9 meses mais velhos” e que este assunto é de todos nós: para saber do meu futuro basta olhar pro meu presente: qual a atenção dada a cada escolha, a cada ação, cada pensamento que tenho? Estes fatores fazem parte dos tópicos que mensuram nossa qualidade de vida.

Podemos pensar que um envelhecimento bem sucedido é uma conquista de toda uma sociedade: civis e governantes. O dever de cuidar da própria saúde é primeiro do indivíduo, e as garantias para estes cuidados, do governo. Para isso uma ação em parceria entre sociedade e governo é facilmente vista como o ideal. Esta prática é possível desde que paremos um pouco para pensar sobre isso e então visualizar o futuro que queremos.

Cuidador Familiar
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Experiências estrangeiras valem para o Brasil?

Existem boas experiências em alguns países europeus que lidam com a questão do envelhecimento a mais tempo que a gente. Guardo a visão de um projeto inglês desde a época da faculdade onde um bairro com várias moradias para idosos é monitorado por uma central, através da qual eles recebem assistência para a saúde e auxílios para o gerenciamento do lar, bem como iniciativas onde a população e governo mantém residências para idosos com uma qualidade de atendimento que preserva a identidade e a experiência de uma vida vivida em domicílio e não em uma instituição.

Um tipo de atendimento que não diferencia classe social onde os recursos sociais e públicos sejam distribuídos de forma democrática.

No Brasil temos vários projetos para melhor qualidade de vida muito bons mas ainda podemos sentir a morosidade para melhorias dos serviços e políticas para idosos. Acredito ser por vários fatores: além de ainda não sabermos o que fazer com o idoso, o assunto torna-se complexo quando reconhecemos que é preciso mexer em uma cadeia de processos, desde a educação, até a prevenção, tratamento e cuidados. E ainda temos poucos jovens atuando nestas questões.

A percepção de estarmos adoecendo muito a cada dia me faz acreditar ser este o momento certo para praticarmos uma vida mais saudável a partir de reflexões em vários nichos sociais sobre como podemos atingir a idade madura mais saudáveis e principalmente felizes.

 

 

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