Sintomas da Intolerância à Lactose: Conheça todos!

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De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, cerca de 35% da população brasileira sofre com os sintomas da intolerância a lactose. Uma condição causada pela deficiência na produção de uma enzima (lactase) responsável por ajudar na digestão do açúcar presente no leite e seus derivados.

A lactase é particularmente fundamental para que os bebês consigam digerir o leite materno, já que esta é a sua única forma de alimento. No entanto, à medida que ficamos adultos e passamos a ingerir outros alimentos, a produção de lactase diminui, pois a ingestão de alimentos que contêm lactose já não é na mesma proporção e tão necessária ao organismo.

Mesmo assim, algumas pessoas também podem desenvolver sintomas da intolerância à lactose em vários níveis, desde o nascimento à ao longo da vida, devido ao envelhecimento, por resultado de alguma doença (infecções virais ou bacterianas) ou após uma cirurgia.

Além dos sintomas da intolerância a lactose serem muito desconfortáveis, a condição impõe limitações na dieta que quando ignoradas, podem acarretar reações ainda mais intensas, além de outras complicações provocadas ​​pela má absorção de lactose.

No artigo abaixo você vai aprender o que é lactose e como identificar os seus sintomas para o seu diagnóstico e tratamento adequados.

Confira!

Lactose: O que é?

sintomas da intolerância à lactose: o que é?
A lactose é um carboidrato (açúcar) presente no leite e seus derivados.

A lactose é um carboidrato (açúcar) dissacarídeo formado pela junção de dois monossacarídeos, a glucose e a galactose, normalmente encontrado no leite de animais mamíferos e seus derivados.

Quando ingerimos alimentos que contêm essa substância, o intestino delgado produz uma enzima conhecida por lactase, responsável pela quebra das moléculas desse açúcar novamente em glucose e galactose, para que o organismo possa absorvê-la mais facilmente.

A incapacidade de digerir a lactose presente nesses alimentos lácteos se dá por conta de uma deficiência na produção de lactase, que quando diminui ou é quase nula, faz com que o organismo não consiga absorver a lactose adequadamente, podendo acarretar em diversos sintomas.

Em geral, a pessoa que desenvolve essa condição apresenta diversos níveis de sintomas da intolerância à lactose, sendo uns mais intensos do que outros. Como por exemplo, diarreias, enjoos e cólicas abdominais.

A intolerância à lactose não tem cura, mas há tratamentos disponíveis que podem ajudar a amenizar todos os sintomas e permitir que a pessoa possa conviver melhor com a condição.

Tipos de intolerância à lactose

sintomas da intolerância à lactose: tipos
Os tipos de intolerância à lactose variam de acordo com a causa ou origem.

A intolerância à lactose pode se apresentar de 4 formas diferentes, dependendo da sua origem, sendo que seus sintomas serão os mesmos, são elas:

  • Intolerância à lactose primária: envelhecimento, mais comum na idade avançada;
  • Intolerância à lactose secundária: doença ou ferimento;
  • Intolerância à lactose congênita: hereditariedade;
  • Intolerância à lactose desenvolvimental: prematuridade.

1 – Intolerância à lactose primária

Este é o tipo mais comum de intolerância à lactose, acarretada principalmente pelo envelhecimento natural do organismo. Em geral, o indivíduo nasce com uma quantidade suficiente de lactase para ser capaz de digerir o leite materno, já que esta é a única forma de nutrição após o nascimento.

À medida que a pessoa cresce, essa quantidade de produção de lactase diminui devido ao menor consumo de alimentos lácteos e variedade na dieta que não depende do leite e seus derivados. Essa diminuição de produção acaba levando à alguns sintomas da intolerância à lactose, caso o consumo desses produtos seja maior que a produção na enzima.

Leia mais: Intolerância à lactose na terceira idade: 3 coisas para deixar o seu dia mais leve

2 – Intolerância à lactose secundária

Este outro tipo de intolerância à lactose ocorre quando o intestino deixa de produzir uma quantidade normal de lactase devido alguma doença intestinal, cirurgia ou machucado. Como por exemplo, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, gastroenterite, doença de Crohn, ou uma cirurgia ou lesão no intestino delgado.

Nestes casos, a intolerância à lactose desaparece e os níveis de lactase podem ser restaurados ao tratar a condição inicial causadora da deficiência na produção de lactase. Caso contrário, o organismo permanece intolerante.

3 – Intolerância à lactose congênita

Este tipo de intolerância à lactose tem sua origem na hereditariedade, isto é, ela é herdada no nascimento. A condição é considerada uma herança autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais precisam transmitir esse gene para que a criança adquira a condição.

Neste caso, a criança herda um gene defeituoso de seus pais, desenvolvendo uma incapacidade de produzir a enzima lactase acarretando na sua completa ausência fazendo com que o bebê seja intolerante ao leite materno.

Apesar ser um tipo muito raro, a intolerância à lactose congênita deve ser diagnosticada e tratada precocemente, para que não se torne uma condição fatal.

4 – Intolerância à lactose desenvolvimental

Já este tipo de intolerância à lactose ocorre em casos de bebês prematuros, devido a imaturidade na produção de lactase que começa apenas na 34⁰ semana de gravidez. Sendo assim, não costuma ocorrer com frequência e, geralmente desaparece sozinha um tempo depois do nascimento.

Diferença entre Intolerância e alergia a lactose

sintomas da intolerância à lactose: diferença entre alergia e intolerância
Os sintomas da intolerância à lactose podem ser parecidos com alergia ao leite.

Muita gente não sabe, mas intolerância à lactose não é o mesmo que ter alergia à lactose. Além disso, embora não estejam relacionadas, ambas ocorrem juntas, dificultando ainda mais o diagnóstico.

Como vimos, a intolerância à lactose é uma deficiência na produção de lactase, a enzima responsável pela quebra desse açúcar no organismo. Por outro lado, a alergia ao leite é causada por uma reação do organismo à caseína, a principal proteína presente no leite, que quando em ingerida através do leite de vaca, provoca uma reação do sistema imune como se estivesse sendo atacado por algum microorganismo estranho.

A alergia à laticínios e a certas proteínas do leite de vaca e seus derivados costuma afetar aproximadamente 5% das pessoas, sendo mais comum em crianças. Quem possui alergia a lactose deve evitar todos os alimentos que contenham leite e derivados. Já os intolerantes podem consumir pequenas quantidades desses alimentos sem provocar perigo à saúde.

Apesar dos sintomas de alergia serem muito semelhantes aos sintomas da intolerância a lactose, suas reações podem ser fatais. Além de vômitos, cólicas, diarréias, dores abdominais, prisão de ventre, sangue nas fezes e refluxo, a alergia ao leite também pode causar erupção cutânea, urticária, dermatite atópica, eczema, dor de estômago, asma, chiado, rinite e anafilaxia.

Já os sintomas da intolerância à lactose costumam ser menos graves, dependendo da quantidade consumida e podem variar de pessoa para pessoa.

Fatores de risco

sintomas da intolerância à lactose: fatores de risco
Existem alguns fatores de risco para desenvolver os sintomas da intolerância à lactose.

Embora qualquer pessoa, em qualquer idade e sexo, possa desenvolver intolerância à lactose, alguns fatores são considerados de risco, como por exemplo:

  • Idade avançada: as chances aumentam conforme a pessoa envelhece;
  • Hereditariedade: fatores genéticos podem levar à intolerância à lactose;
  • Etnia: é mais comum em negros, asiáticos, hispânicos e indígenas;
  • Prematuridade: bebês prematuros têm mais chances devido a menor quantidade de lactase no organismo;
  • Doenças gastrointestinais:condições que afetam o intestino delgado podem alterar a produção de lactase.

Idade avançada

O envelhecimento natural do organismo pode levar ao desenvolvimento de sintomas da intolerância à lactose à medida que vamos variando a nossa dieta. Isso porque a produção de lactase vai diminuindo com o tempo, fazendo com que a condição seja mais comum na idade mais avançada.

Hereditariedade

Fatores genéticos podem influenciar no aparecimento de sintomas da intolerância à lactose congênita, caso os pais da criança sejam portadores do gene que causa a deficiência.

Etnia

As chances de desenvolver sintomas da intolerância à lactose são muito maiores entre pessoas de descendências asiáticas, negras, hispânicas e indígenas, devido à falta de hábito no consumo leite após a infância.

Os povos nórdicos, por exemplo, estão mais acostumados a consumir leite e seus derivados há muitas gerações, diminuindo a incidência da condição entre essas pessoas por seleção natural.

Ou seja, no passado os indivíduos de cultura ao consumo do leite e seus derivados não desenvolveram intolerância à lactose e não propagaram genes deficientes, assim viveram mais do que indivíduos intolerantes que passaram seus genes adiante.

Prematuridade

Em geral, os bebês prematuros costumam apresentar uma quantidade menor ou nula de lactase no organismo, devido à imaturidade do organismo na produção da enzima, que costuma ocorrer apenas após o terceiro trimestre de gestação.

Doenças gastrointestinais

Algumas doenças gastrointestinais também podem causar intolerância à lactose devido aos distúrbios causados no intestino que afetam a produção da lactase. Como por exemplo abaixo:

1 – Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença inflamatória do trato gastrointestinal que afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado e grosso, causando uma redução nos níveis de lactase no organismo acarretando na intolerância à lactose. Os principais sintomas da intolerância a lactose pela doença são: diarréia, cólica abdominal, sangramento retal e febre.

2 – Gastroenterite

A gastroenterite é outra doença que causa uma inflamação aguda no intestino, comprometendo o sistema gastrointestinal em geral e reduzindo os níveis de lactase no organismo. É mais comum ocorrer no verão em locais sem tratamento de água, rede de esgoto e água encanada.

3 – Doença celíaca

A doença celíaca é uma doença autoimune relacionada à intolerância ao glúten que acarreta na inflamação do organismo em uma reação exagerada à essa substância, deixando inclusive o intestino mais sensível à outras substâncias, como a lactose. Seus principais sintomas da intolerância à lactose incluem diarréia, vômito, anemia e dores intestinais.

Principais Sintomas da Intolerância à Lactose

sintomas da intolerância à lactose: sintomas
Os sintomas da intolerância à lactose podem variar para cada pessoa.

Os sintomas da intolerância à lactose costumam ser bastante desagradáveis, porém variando de intensidade de acordo com a quantidade de alimento ingerida.

Normalmente, costumam se apresentar de forma amena entre trinta minutos a duas horas após a ingestão de alimentos ou bebidas que contenham lactose. Dentre os principais estão:

  • Diarreia;
  • Náusea e vômito;
  • Dores abdominais;
  • Inchaço abdominal;
  • Flatulência;
  • Azia estomacal;
  • Distúrbios intestinais (prisão de ventre, por exemplo).

Existem também relatos da presença de fezes mais ácidas que podem provocar ardência ao evacuar e assaduras. Normalmente, as crianças apresentam também perda de peso e crescimento mais lento em comparação às demais.

Lembre-se: No caso de qualquer um dos sintomas da intolerância à lactose citados acima, procure um médico para avaliar melhor a situação.

1. Diarreia

A diarreia é um dos sintomas da intolerância à lactose mais comuns, devido à deficiência na digestão desse açúcar que acaba chegando intacto ao intestino acarretando uma reação fisiológica intestinal caracterizada pelo aumento da frequência de evacuação, textura ou volume das fezes.

Isso porque o intestino possui diversas bactérias em sua flora intestinal que fermentam a lactose, transformando-a em ácido lático e gases não absorvíveis. Estes, por sua vez, agridem as paredes internas do intestino fazendo com que o corpo reaja induzindo a diarreia para eliminar mais rapidamente as substâncias que estão prejudicando o organismo.

Para piorar a situação, a lactose é uma substância osmótica que atrai água, fazendo com que o intestino aumente a quantidade de água no cólon, contribuindo ainda mais para esse aumento de conteúdo líquido nas fezes e da formação da diarreia.

Vale lembrar também que é preciso ingerir uma grande quantidade de lactose para provocar a diarreia e nem todos os carboidratos que causam isso são da lactose.

2. Náuseas e Vômitos

Normalmente, náuseas e vômitos se apresentam como sintomas da intolerância à lactose em pessoas que rejeitam o açúcar do leite logo nas primeiras etapas da digestão. Nestes casos, a dieta restritiva à lactose deve ser seguida à risca para evitar refluxo gastroesofágico.

3. Dores abdominais

As dores abdominais e inchaço são sintomas de intolerância à lactose mais comuns, devido a incapacidade de quebrar a lactose, que passa pelo intestino intacta até atingir o cólon não sendo absorvidas pelas células de suas paredes.

A flora intestinal, por sua vez, liberam suas bactérias naturais que fermentam e degradam a lactose transformando-a em ácido lático. Nesse processo, são liberados ácidos graxos de cadeia curta, assim como os gases hidrogênio, metano e dióxido de carbono, que provocam o aumento de ácidos e gases acarretando em dores no estômago e cãibras ao redor do umbigo e na parte inferior da barriga.

Essas dores abdominais podem ser:

  • leves: desencadeiam leve desconforto e passam rapidamente;
  • médias: facilmente amenizadas por analgésico e antiespasmódico;
  • intensas: podem exigir medicamento por via endovenosa.

4. Inchaço abdominal

       

Os inchaços abdominais acontecem por conta de uma maior quantidade de gases produzidos pela fermentação do açúcar e um aumento de água no cólon, fazendo com que a parede do intestino seja esticada (distensão abdominal).

Em alguns casos, o inchaço e a dor abdominal podem provocar náusea e até vômito, porém estão mais associados à sensibilidade e não à quantidade de lactose que foi ingerida. Sendo assim, a frequência e gravidade dos sintomas da intolerância à lactose vai variar significativamente para cada pessoa.

5. Flatulência

Como já dissemos, o aumento de gases ocorre devido à fermentação da lactose pela flora intestinal no cólon, que provoca um aumento na produção dos gases hidrogênio, metano e dióxido de carbono, aumentando ainda mais a flatulência (sem odor), dependendo do indivíduo.

6. Distúrbios intestinais

Distúrbios intestinais como a prisão de ventre também podem ocorrer, apesar de ser um sintoma oposto à diarreia e menos comum. Porém, nesses casos, os movimentos intestinais são prejudicados pela lactose não digerida que produz gás metano e dificulta a evacuação.

Em geral, prisão de ventre é caracterizada por menos de três evacuações em uma semana, sendo comuns as fezes duras e pouco frequentes, sensação de evacuações incompletas, desconforto estomacal, inchaço e esforço excessivo.

7. Azia estomacal

A azia estomacal pode estar presente entre os sintomas da intolerância à lactose deivdo a má digestão do açúcar e acúmulo de ácidos no estômago que acabam provocando esse refluxo e sensação de queimação.

8. Outros sintomas relacionados

É verdade que os sintomas da intolerância à lactose mais comuns são de natureza gastrointestinal, porém há relatos de outros sintomas como dores de cabeça, fadiga, perda de concentração, dores musculares e articulares, úlceras na boca, problemas para urinar, eczema, mesmo podendo ter outras causas.

Como se faz para diagnosticar a intolerância à lactose?

sintomas da intolerância à lactose: diagnóstico
O diagnóstico da intolerância à lactose é rápido e simples.

O diagnóstico da intolerância à lactose é feito através de uma avaliação clínica rápida, através do relato e análise dos sintomas descritos pelo paciente.

O médico procurará saber se você ingeriu algum alimento ou bebida que continha leite em sua composição, quais os sintomas apresentados, quando começaram e a sua frequência, por exemplo.

É importante ressaltar que os sintomas da intolerância a lactose também são comuns a outras doenças. Por isso, é importante conseguir indicar todos os alimentos que você costuma ingerir com certa frequência, horário, quantidade e reações para ajudar no diagnóstico.

Caso haja suspeita, a primeira providência é manter uma dieta sem lactose por duas semanas, para observar se os sintomas melhoram. Caso haja uma melhora, é bastante provável que a pessoa tenha uma intolerância à lactose.

No entanto, apenas essa avaliação pode não ser suficiente para diagnosticar a doença. Neste caso, o médico poderá pedir também exames laboratoriais, como por exemplo o Teste de Intolerância à Lactose para uma melhor confirmação, além de outros exames. Como os abaixo, por exemplo:

1 – Teste de tolerância à lactose

O teste de intolerância à lactose é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), podendo ser feito em qualquer unidade de pronto atendimento à saúde pública.

Para fazer o exame, o paciente deve colher o seu sangue em jejum, e depois ingerir uma solução rica em lactose, realizando após algumas horas outras coletas de sangue (no mínimo 4 vezes) em intervalos de meia hora a fim de comparar os níveis de glicose na corrente sanguínea.

Em pacientes normais, as quantidades de glicose costumam subir em relação à primeira dosagem, pois na digestão da lactose o carboidrato é quebrado em glicose. Já os pacientes com intolerância à lactose, ou seja, deficiência de lactase, os níveis de glicose permanecerão inalterados ou até poderão diminuir, indicando que o açúcar não está sendo digerido, nem absorvido pelo intestino ou transformado em glicose.

2 – Teste de respiração com hidrogênio

No organismo humano, somente as bactérias no cólon do intestino podem produzir hidrogênio quando expostas à alimentos não absorvidos pelo organismo, especialmente os açúcares e os carboidratos.

Quando isso acontece, uma certa quantidade do hidrogênio produzido por essas bactérias é absorvida pela corrente sanguínea através de suas paredes e transportada para os pulmões, onde é liberado na respiração, podendo assim ser medido.

No caso de um paciente com intolerância à lactose, o organismo expõe a lactose não digerida à essas bactérias, fazendo com que elas produzam hidrogênio. Para fazer o teste, basta estar em jejum de 12 horas, e assoprar num aparelho portátil que mede a concentração inicial de hidrogênio nos pulmões.

Em seguida, o paciente deve ingerir uma solução rica em lactose para medir novamente os níveis de hidrogênio no ar expirado no aparelho. Caso os níveis de hidrogênio sejam altos, isso indicará indícios de intolerância à lactose confirmando seus sintomas.

3 – Teste de acidez nas fezes

Apesar de menos utilizado, o teste de acidez nas fezes pode ser realizado a partir das fezes recém eliminadas pelo paciente, no caso de crianças, pois o teste de intolerância à lactose e testes de respiração com hidrogênio não são adequados.

Neste caso, quando as fezes apresentam altos níveis de acetato e outros ácidos graxos, isso pode ser um sinal de intolerância à lactose.

4 – Medidor de ácidos

Como já dissemos, quando a lactose ingerida não é digerida corretamente, o organismo a transforma em ácido láctico, que pode ser identificado por meio de um medidor de ácidos.

5 – Biópsia do intestino delgado

Há casos em que os sintomas da intolerância à lactose são provocados por doenças subjacentes, como por exemplo a doença celíaca. Em casos de suspeita de doenças dessa natureza, o médico poderá indicar uma biópsia do intestino delgado, na qual retira-se uma amostra de tecido do seu revestimento para teste em um procedimento cirúrgico.

6 – Teste genético

O teste genético para intolerância à lactose é o mais preciso, porém o mais caro e portanto mais difícil de ser realizado. O teste visa analisar diretamente o genoma do paciente para averiguar a existência de algum tipo de intolerância.

O teste genético tem a vantagem de ser menos invasivo e não precisar ingerir nenhuma quantidade de lactose, podendo ser feito de duas maneiras: por amostra oral através de uma simples raspagem da parte interna da boca por um coletor ou por amostras de sangue.

Tratamento de intolerância à lactose

sintomas da intolerância à lactose: tratamento
O tratamento para os sintomas da intolerância à lactose é simples.

Infelizmente a intolerância à lactose não tem cura. No entanto, existem formas para controlar e evitar o aparecimento dos seus sintomas. Sendo assim, o seu tratamento consiste basicamente em evitar alimentos que contenham lactose em sua composição, adicionar lactase ao leite normal ou ingerir suplementos de lactase em forma de cápsulas e comprimidos mastigáveis para ajudar na sua decomposição.

Alguns especialistas ainda sugerem seguir uma dieta sem lactose por 2 semanas, para em seguida, ir introduzindo aos poucos os alimentos com lactose, a fim de avaliar os níveis de tolerância. Segundo eles, é possível consumir 12 gramas de lactose de uma vez sem qualquer efeito, mesmo sendo intolerante. Isso pode até aumentar a tolerância a longo prazo.

Isso porque a maioria das pessoas com baixos níveis de lactase pode tolerar de 55 a 115 gramas de leite de uma só vez (até meia xícara) sem apresentar sintomas. Já quantidades maiores (225 gramas) podem causar maiores desconfortos para quem tem deficiência de lactase.

Suplementos enzimáticos

Uma das formas de se tratar a intolerância à lactose é através da ingestão de suplementos enzimáticos como a lactase exógena, a enzima responsável por quebrar a lactose, para ajudar a consumir alimentos lácteos evitando os efeitos colaterais.

Assim que o diagnóstico é feito, suspende-se a ingestão de alimentos que contenham leite e seus derivados para promover um alívio dos sintomas. Em seguida, esses alimentos são reintroduzidos na dieta aos poucos até que seja possível identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos.

O tratamento é uma boa opção para manter o cálcio na alimentação, já que ele junto com a vitamina D, são nutrientes indispensáveis para uma formação óssea saudável.

Pouco tempo depois, o paciente pode começar a tomar suplementos de lactase antes das refeições que incluam leites e derivados sem apresentar os sintomas da intolerância.

É importante ressaltar, porém, que a ingestão constante de lactase exógena não faz mal à saúde. No entanto, existem muitas marcas no mercado com diferentes quantidades da enzima. Sendo assim, é necessário consultar um médico antes de tomar o medicamento, para avaliar com precisão o grau de intolerância, para que uma dieta adequada seja elaborada.

Recomenda-se apenas recorrer à enzima industrializada nos casos em que a ingestão de laticínios ultrapasse o limite diário recomendado pelo nutricionista. Ou seja, se você não sabe a quantidade de lactase produzida naturalmente pelo seu organismo nem o que isso representa em termos de lactose permitida em uma refeição, possivelmente irá errar na dose e acabar ingerindo mais lácteos que enzimas.

Dieta restritiva

Para não precisar se privar dos benefícios que o leite pode trazer, são recomendados o consumo de alimentos especiais, como leites com baixo teor de lactose, na dieta para que a ingestão de cálcio não seja comprometida.

Além disso, um bom nutricionista poderá elaborar uma dieta saudável e equilibrada para evitar ou controlar os níveis de lactose no organismo. Sem falar que alguns produtos lácteos podem ser mais fáceis de digerir por conterem menos lactose do que o leite comum. No entanto, consuma-os com cautela e moderação, já eles também que podem causar reações, são eles:

  • Manteiga de búfala e queijos brancos (eles têm menos lactose do que o leite)
  • Produtos lácteos fermentados (iogurtes)
  • Leite de cabra (ingerido com as refeições e suplementado com aminoácidos essenciais e vitaminas no caso de crianças)
  • Sorvete, milk-shakes e queijos envelhecidos ou duros
  • Leite e produtos lácteos sem lactose
  • Leite de vaca tratado com lactase para crianças maiores e adultos
  • Fórmulas de soja para crianças com menos de dois anos

Probióticos e prebióticos

Utilizam-se também os probióticos no tratamento dos sintomas da intolerância à lactose, pois essas culturas vivas ou ativas presentes em suplementos, vegetais fermentados e kefir podem ajudar estimular a produção de lactase no organismo.

Os probióticos são microorganismos que podem proporcionar diversos benefícios para a saúde. Já os prebióticos, são um tipo de fibra que funcionam como alimento para essas bactérias. Quando agem em conjunto, os sintomas da intolerância à lactose podem ser reduzidos.

Quais alimentos devemos evitar no caso de intolerância?

A maioria dos produtos laticínios contêm lactose e muitos alimentos processados ​​contêm leite e derivados lácteos.

Assim, qualquer alimento que contenha leite, sólidos de leite, soro de leite, coalhada, nata, proteína de soro, caseína de leite, açúcar de leite, subprodutos do leite, leite em pó seco com ou sem gordura como ingredientes significa que terá lactose.

Outra coisa importante é saber ler os rótulos dos alimentos, pois alguns alimentos podem conter “lactose disfarçada”. Como por exemplo, os pães, cereais matinais, margarina, sopas instantâneas, doces cozidos, presunto fatiado, molhos para salada, maionese, entre outros.

Alguns medicamentos também podem conter lactose, por isso é importante SEMPRE consultar o médico antes de tomá-los e NUNCA se automedicar sem antes procurar saber sobre o medicamento.

Mas não se preocupe, se você desenvolveu sintomas da intolerância à lactose, há diversas alternativas para o leite de vaca (leite de amêndoas, linhaça, coco, arroz ou soja) que podem substituir perfeitamente o leite de vaca.

No entanto, como o leite de vaca e seus derivados são alimentos ricos em nutrientes como cálcio, proteína, vitaminas A, vitamina B12 e vitamina D. Por isso, é preciso repor esses nutrientes todos através de substituições para evitar a desnutrição.

Substituições para o leite de vaca

Já que a intolerância à lactose é um problema que não tem cura e muitas vezes não pode ser evitado, controlar os seus sintomas com a ingestão de menos laticínios faz parte do seu tratamento.

Além disso, outros alimentos com baixo teor de gordura, sem gordura ou lactose removida também podem ser incorporados na dieta para ajudar a diminuir os sintomas da intolerância à lactose.

  • Cálcio: para repor, consuma algas, nozes e sementes, melaço, feijão, laranja, figo, quinoa, amaranto, folhas verdes, ostras, sardinhas, salmão, camarão, couve, quiabo, brócolis, folhas de dente de leão, produtos fortificados e leites de origem vegetal.
  • Vitamina A: reponha consumindo cenouras, brócolis, batata-doce, óleo de fígado de bacalhau, fígado, espinafre, abóbora, melão, ovo, damasco, mamão , manga e ervilhas.
  • Vitamina D: se exposnha à luz solar natural e consuma peixe gordo, ovos, óleos de fígado de peixe e alguns leites vegetais fortificados e outros produtos fortificados.

Complicações possíveis

A intolerância à lactose não causa muitas complicações, além dos desconfortos dos seus sintomas. Mesmo assim, é preciso tomar algumas medidas para o controle da condição, pois a falta de nutrientes presentes no leite pode levar à deficiência de cálcio, vitamina D, riboflavina e proteína, nutrientes essenciais para a saúde. Por exemplo, a ausência de cálcio e vitamina D no organismo podem causar problemas ósseos, como a osteoporose.

Assim, como vimos acima, é necessário fazer substituições adequadas ou suplementar para acrescentar o cálcio e os demais nutrientes à sua dieta (são necessários 1.200 a 1.500 mg de cálcio por dia),

  • Ovo cozido: uma porção de 100g de ovo de galinha cozido contém cerca de 54mg de cálcio;
  • Brócolis: 100g de brócolis crus contém cerca de 400mg de cálcio, 100g de brócolis cozido contém cerca de 130mg de cálcio;
  • Agrião: 100g de agrião contém cerca de 168mg de cálcio;
  • Espinafre: uma porção (4 colheres de sopa) de espinafre cozido contém 160mg de cálcio;
  • Couve: 2 colheres (sopa) de couve refogada contém 164mg de cálcio;
  • Amêndoas: 100g de amêndoas contém 254mg de cálcio;
  • Açaí: 200g de açaí contém 236mg de cálcio;
  • Ameixa seca: 100g de ameixa seca contém 62mg de cálcio.

Como prevenir a intolerância à lactose

Assim como não possui cura, a intolerância à lactose também não pode ser prevenida, principalmente se estiver relacionada a fatores genéticos. O que se pode fazer é evitar ou restringir a quantidade de produtos lácteos na dieta para reduzir ou prevenir os sintomas da intolerância à lactose.

Apesar de afetar a vida da pessoa de diferentes maneiras, a intolerância à lactose não chega a trazer grandes complicações quando tratada adequadamente. O máximo que pode acontecer é ter de mudar os hábitos alimentares e substituir os alimentos em sua dieta, para evitar expor o organismo aos sintomas e desconfortos causados pela condição e repor todos os nutrientes necessários para uma vida saudável.

Você acha que pode ter intolerância à lactose? Não deixe de procurar um médico para o seu diagnóstico preciso, e caso esteja vivenciando sintomas da intolerância à lactose, procure um bom nutricionista, ele poderá ajudar você a viver uma vida normal e bastante tranquila.

Referências:

Ministério da Saúde
Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia

       

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