Reinvenção profissional após a aposentadoria

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Em tempos de revolução demográfica e aumento da expectativa de vida vem a pergunta que não quer calar: devemos continuar trabalhando depois de aposentados?

A questão é complexa e não tem resposta simples, nem alternativa única. Muitas pessoas irão continuar se pautando pelo velho paradigma da aposentadoria: voltar aos aposentos ou dependurar as chuteiras.

Um percentual expressivo de pessoas que se aposentam manifesta, cada vez mais, o  desejo e a necessidade de continuar trabalhando. É verdade que isso pode decorrer das próprias limitações impostas pelo valor reduzido ou insuficiente das pensões. Mas notamos que a necessidade não é apenas financeira. As pessoas percebem que têm pela frente um horizonte de vida significativo. E que sem uma forma de se sentirem contributivas, dificilmente se sentirão realizadas.

E qual é a grande dificuldade? Chama-se preconceito, e está infiltrado nas empresas e na sociedade.

Durante muitas décadas a sociedade industrial nos ensinou que ao envelhecermos nos tornamos menos produtivos. E por isso pessoas que ultrapassam a faixa dos 40-45 anos continuam sendo marginalizadas das oportunidades de trabalho.

Esse quadro traz grandes desafios para empresas e pessoas que estão completando seu primeiro ciclo de vida e trabalho e querem continuar na ativa.

As empresas terão que aprender a valorizar a contribuição dos seniores e a gerir uma realidade intergeracional.

As pessoas terão que aprender a se reinventar para continuar trabalhando. Redescobrindo suas potencialidades e encontrando formas de dar expressão à sua individualidade. Além de realizar sonhos que foram cultivando na primeira metade da vida.

Acha isso impossível? Já está acontecendo!

O encontro LAB60+2016 trouxe a discussão sobre a iniciativa Reinvenção do Trabalho 60+. A iniciativa apresentada foi desenhada para impactar coletivamente, transformar o ambiente e abrir oportunidades de realização pelo trabalho na maturidade.

O evento uniu diferentes setores para a conversa, com a presença de grandes organizações como o SESI, empresas como o Grupo Unite e os próprios participantes da iniciativa.

O encontro foi um marco ao reunir essa diversidade de setores para discutir o tema, e lançar o programa “Como se Reinventar Profissionalmente” da iniciativa.

Neste início do ano está com inscrições abertas para sua 3ª turma. O programa teve as duas primeiras edições lotadas de pessoas ansiosas para encontrarem possibilidades de realização na segunda fase da vida.

Veronique Forat, participante da segunda turma do programa, é um exemplo de como as pessoas buscam e tem conseguido se redescobrir:

Veronique criou, com uma sócia, uma empresa de Internet voltada para o público sênior.

O projeto foi selecionado para apresentação a um júri de investidores, diante de uma platéia muito jovem, tipica do mundo das “startups”. Contrariando a estatística e comprovando quanto talento, experiência e determinação existem neste público mais “velho”. Veronique foi lá e seu projeto foi vice-campeão!

Podemos afirmar que um dos segredos da reinvenção profissional, na segunda metade da vida, é não esperar que o novo ciclo de trabalho seja uma mera continuidade do primeiro.

Olhe para o horizonte de vida a sua frente e vislumbre a oportunidade de realizar seus sonhos!

Trabalhando não para os outros, no sentido de fazer o que se espera de você. Mas de fazer aquilo que pode te realizar e conferir sentido para sua vida.

 

Rafael Sanches Neto

Desenvolvedor do Projeto Reinvenção do Trabalho 60+

envie seu email para saber mais: lab60@viagutenberg.com