Qual o sangue mais raro do mundo? Veja aqui!

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Se você já se perguntou qual o sangue mais raro do mundo e sua resposta foi o “O-”, sinto lhe informar, mas você está equivocado.

Conhecido popularmente como “sangue dourado”, o nome soa como uma espécie de charlatanismo médico, entretanto, o nome é, na verdade, o apelido do Rh-nulo, o tipo de sangue mais raro do mundo.

São oito tipos sanguíneos mais comuns. E se tudo o que você souber sobre esse assunto para por aí, então tudo o que vier a seguir vai aumentar drasticamente seus conhecimentos.

Existe uma variedade quase infinita de tipos sanguíneos e, dentre tantos, o mais incomum é distribuído entre menos de 45 pessoas no mundo.

Para saber mais sobre qual o sangue mais raro do mundo e suas características, continue lendo o artigo!

Um breve histórico do sangue

Nossos antepassados entendiam pouco sobre sangue. Mesmo o mais básico conhecimento sobre sangue escapou da compreensão da humanidade por um número considerável de séculos.

Na ausência desse conhecimento, nossos ancestrais criaram teorias pouco científicas sobre o que era o sangue, teorias que variavam descontroladamente ao longo do tempo e da cultura.

A descoberta da circulação do sangue por William Harvey em 1628 colocaria a medicina em seu caminho para a hematologia moderna. Logo após a descoberta de Harvey, as primeiras transfusões de sangue foram tentadas, mas apenas em 1665 o médico britânico Richard Lower realizaria a primeira transfusão de sangue bem-sucedida entre dois cães.

Entretanto, a primeira transfusão de sangue bem-sucedida entre duas pessoas não seria realizada até 1818, quando o obstetra britânico James Blundell conseguiu tratar uma hemorragia pós-parto. Porém, nas décadas seguintes, muitos pacientes, após passarem por uma transfusão de sangue, continuaram a morrer misteriosamente.

Apenas em 1901, o médico austríaco Karl Landsteiner começou seu trabalho para classificar os grupos sanguíneos.

Explorando o trabalho de Leonard Landois – o fisiologista que descobriu que, quando os glóbulos vermelhos de um animal são introduzidos em um animal diferente, eles se aglutinam –, Landsteiner achou que uma reação semelhante poderia ocorrer em transfusões entre dois humanos, o que explicaria por que o sucesso da transfusão era tão irregular até aquele momento.

Landsteiner comprovou que havia diferenças no sangue de diversos indivíduos. Colhendo amostras de diversas pessoas, conseguiu isolar os glóbulos vermelhos e fazer diferentes combinações entre o plasma e os glóbulos vermelhos, chegando a resultados de aglutinação em alguns casos e outros não.

Chegou à conclusão dos motivos que levavam algumas pessoas a morrerem após a transfusão, e outras não. Ele classificou os grupos sanguíneos A, B, AB e O, e recebeu o Prêmio Nobel de 1930 em Fisiologia ou Medicina por seu trabalho.

Foi em 1901 que deu-se início o trabalho de classificação de tipos sanguíneos.

Sangue dourado

Agora que você já sabe qual o sangue mais raro do mundo, o Rh-nulo, saiba que ele também é conhecido como “sangue dourado”.

O sangue Rh-nulo foi descrito pela primeira vez em 1961, em uma mulher australiana aborígene. Até então, os médicos haviam assumido que um embrião, sem todos os antígenos das células do sangue Rh, não sobreviveria, muito menos se tornaria um adulto normal e próspero.

Em 2010, quase cinco décadas depois, foram relatados casos de apenas cerca de 43 pessoas com sangue do tipo Rh-nulo em todo o mundo.

O fenótipo Rh-nulo é formado por um grupo sanguíneo raro com uma frequência relatada de aproximadamente 1 em 6 milhões de indivíduos. Uma das principais características do fenótipo Rh-nulo é a falta de todos os antígenos Rh nos glóbulos vermelhos.

Mas o que torna o Rh-nulo tão raro?

Na verdade, os oito tipos comuns de sangue são uma simplificação excessiva de como os tipos sanguíneos realmente funcionam.

Cada um desses oito tipos pode ser subdividido em muitas variedades distintas, resultando em milhões de diferentes tipos de sangue, cada um classificado em uma infinidade de combinações de antígenos.

A proteína RhD refere-se apenas a uma das 61 proteínas potenciais no sistema Rh. O sangue é considerado Rh-nulo quando não possui todos os 61 antígenos possíveis no sistema Rh.

O sangue dourado é incrivelmente importante para a medicina, mas também é muito perigoso e complicado ter esse tipo de sangue.

Se um portador do tipo Rh-nulo precisar de uma transfusão, será muito difícil localizar um doador e, além disso, o sangue também é notoriamente difícil de transportar internacionalmente.

Isto porque, para se fazer uma transfusão, além do tipo sanguíneo ser o mesmo, como em qualquer transfusão, o doador também deve ter o Rh-nulo. Ou seja, as chances são sempre mínimas.

Tipos sanguíneos mais comuns

       

Existem 4 grupos sanguíneos principais: A, B, AB e O, dos quais o grupo O e A são os mais comuns no Brasil.

Juntos, envolvem cerca de 87% da população, enquanto o tipo B envolve 10% e o AB apenas 3%.

Doador e receptor universal

O sangue doador universal é o O- e o sangue receptor universal é o AB+.

O- é o sangue doador universal, enquanto AB+ é o sangue receptor universal.

O sangue O+ é raro?

Definitivamente não. O sangue O+ é o tipo mais comum do mundo, estando presente em 1 a cada 3 pessoas, que representa cerca de 37,4% da população.

A proporção entre cada grupo étnico é diferente, representado em 37% de caucasianos, 47% em descendentes de africanos, 53% em hispânicos e 39% em asiáticos.

O sangue B+ é raro?

O sangue do tipo B é um dos mais raros pois contém anticorpos contra o tipo A, conhecido como anti-A, e só é capaz de receber o sangue de pessoas do tipo B ou do tipo O, que é universal.

Por esse motivo, é considerado que o grupo B é raro. Entretanto, dentre o B+ e B-, o primeiro é mais comum. Isso porque os tipos negativos de sangue, quase que sempre, são minoria se comparados com os positivos de mesmo tipo.

Os tipos de sangue que combinam

Explicado qual o sangue mais raro do mundo, é hora de entender como os tipos de sangue mais comuns combinam entre si.

Os tipos sanguíneos são definidos pela existência ou falta de determinados antígenos – substâncias que desencadeiam uma reação de imunidade quando são desconhecidas ao corpo.

Visto que alguns antígenos são capazes de estimular o sistema imunológico de um paciente para combater o sangue transfundido, a segurança das transfusões de sangue vai depender de uma cuidadosa tipagem sanguínea e correspondência cruzada.

São quatro os principais grupos sanguíneos estabelecidos pela existência ou falta de dois antígenos (A e B) no exterior dos glóbulos vermelhos.

Além dos antígenos A e B, existe uma proteína chamada fator Rh, que pode estar presente (+) ou ausente (-), criando os 8 tipos sanguíneos mais comuns: A+, A-, B +, B-, O+, O-, AB+, AB-).

Existem maneiras muito específicas em que os padrões de sangue devem ser combinados para uma transfusão segura. Além disso, o sangue Rh-negativo é ministrado aos pacientes que também possuem o Rh-negativo, enquanto aqueles que possuem o Rh-positivo podem receber os sangues com Rh-negativo e Rh-positivo.

Para realizar com segurança uma transfusão de sangue, é essencial que o paciente receba um tipo de sangue compatível com o seu.

Se o tipo de sangue for incompatível, os glóbulos vermelhos podem se aglomerar, produzindo coágulos que bloqueiam os vasos sanguíneos, podendo ocasionar em morte.

A incompatibilidade sanguínea durante uma transfusão pode levar à morte.

Geralmente, para o agrupamento ABO, as transfusões de sangue seguem estas regras:

  • Uma pessoa com sangue tipo A pode doar para uma pessoa com o tipo A ou AB;
  • Uma pessoa com sangue tipo B pode doar para uma pessoa com o tipo B ou AB;
  • Uma pessoa com sangue tipo AB só pode doar para uma pessoa com o tipo AB. No entanto, uma pessoa com sangue tipo AB pode receber sangue de qualquer pessoa, sendo o receptor universal;
  • Uma pessoa com sangue tipo O pode doar para qualquer pessoa, sendo o doador universal. Isso ocorre porque o sangue tipo O não tem antígeno na superfície de seus glóbulos vermelhos. No entanto, pessoas com sangue tipo O só podem receber o tipo O.

Pessoas com sangue Rh positivo podem receber doações tanto positivas quanto negativas, mas aquelas que têm sangue Rh negativo só podem receber sangue Rh negativo.

Os médicos testarão seu sangue antes de você poder doar ou receber. No entanto, em caso de emergência, quando o tipo de sangue do paciente é desconhecido, o sangue do tipo O poderá ser usado.

É importante notar que existem mais de 600 outros antígenos conhecidos, cuja presença ou ausência cria “tipos sanguíneos raros”.

O grupo ABO funciona muito bem para a maioria das pessoas, mas em alguns casos raros, certos tipos de sangue podem ser exclusivos para grupos étnicos ou raciais específicos.

Qual o sangue mais raro do mundo? Sim, é realmente o Rh-nulo!

Quando alguém pergunta qual o sangue mais raro do mundo, logo respondem ser o O negativo ou o AB positivo. Mas ao longo do artigo explicamos que, dentre todas as combinações possíveis, o tipo de sangue mais raro é o Rh-nulo, que é quando o sangue não é nem positivo e nem negativo.

Por ser altamente valorizado na medicina, ele é dado aos pacientes que necessitam da transfusão somente em situações extremas. Devido a essas circunstâncias, e depois de uma análise muito cuidadosa, aí sim o sangue é concedido ao paciente.

       

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