Pneumonia em idosos provoca confusão mental e consequências graves

Problema na melhor idade pode provocar dificuldade para se localizar no tempo e espaço, além de levar a complicações como abcessos pulmonares.

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Com o avanço da idade, o corpo não é mais o mesmo. Sua força diminui, a capacidade imunológica cai e as doenças se tornam mais comuns. Outros problemas, ainda que também recorrentes na juventude, se agravam na melhor idade, e podem levar a consequências mais perigosas. É o que acontece, por exemplo, no caso da pneumonia em idosos. Como afeta os pulmões, órgãos fundamentais à respiração, a enfermidade é algo que merece atenção. Principalmente quando ocorre em idosos, pois às vezes nem mesmo apresenta sintomas.

Você conhece as causas da pneumonia? E seus efeitos? Sabe como evita-la, especialmente nos idosos? Descubra neste texto!

Os pulmões e a pneumonia

O organismo do ser humano conta com dois pulmões. Cada um deles é localizado num dos lados da caixa torácica, e por isso o peitoral se mexe ao respirarmos de fora mais profunda.

Os pulmões são os principais responsáveis pela respiração do indivíduo. No entanto, o sistema respiratório é formado também pelo nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. O caminho realizado pelo ar é exatamente esse: ele entra no organismo pelo nariz, onde tem a maioria das impurezas filtradas, e então chegam aos alvéolos.

Os alvéolos são pequenas bolsas em que ocorre a troca gasosa. Altamente vascularizadas, estas estruturas distribuem o oxigênio pelo corpo por meio do sangue, e também recebem o gás carbônico liberado pelas células, eliminando-o pela expiração.

A pneumonia é uma doença que atinge estes alvéolos. O problema pode ocorrer ainda nos chamados interstícios, espaços entre um alvéolo e outro. Nas crianças e idosos, a pneumonia é mais grave e pode levar mais facilmente ao óbito.

Pneumonia: como acontece?

A pneumonia pode ser causada por uma bactéria, fungo ou ainda por vírus. Ela ocorre quando um destes agentes, por meio do ar, penetra no espaço alveolar. Como é um corpo estranho, o organismo inicia seu combate, provocando então uma reação inflamatória. Essa reação é a pneumonia.

Os casos mais comuns de pneumonia são causados por bactérias, e podem ser tratados por antibióticos específicos. Quando o agente causador é um vírus, corpo tende a eliminar o corpo estranho e curar a doença sozinho.

Vírus, bactéria ou fungo?

Determinar o agente causador da pneumonia é parte importante da cura da doença. Afinal, apenas dessa forma o médico poderá oferecer o tratamento mais adequado ao problema. De qualquer forma, a maior preocupação costuma ser em casos de pneumonia bacteriana. Por isso, após a suspeita de ocorrência da doença, o especialista pode receitar antibiótico contra o streptococcus pneumoniae, clamídia, microplasma e hemophilus. As bactérias são as responsáveis mais recorrentes do problema.

No caso das pneumonias por fungos, o paciente costuma ter tido alguma doença recente prévia, o que manteve o sistema imunológico debilitado. As ocorrências, no entanto, são mais raras.

Sintomas da doença

Os primeiros sintomas da pneumonia são semelhantes àqueles ocorridos durante uma gripe. Há tosse, febre acima de 38º e secreção esverdeada ou amarela, que sai pelo nariz ou boca. Associados a estes sintomas, no entanto, há diversos outros sinais. A pessoa com infecção pulmonar pode apresentar também alterações na pressão arterial, fraqueza e mal-estar por todo o corpo. Também é comum confusão mental e falta de ar.

Outro sintoma característico é a dor torácica. Assim, no simples movimento de respiração, de esvaziar e encher os pulmões, o paciente sente uma dor semelhante à queimação ou uma pancada no abdômen. Essa dor ocorre porque os órgãos estão inflamados, tentando combater o agente infeccioso. Há ainda a possibilidade de suores intensos, especialmente durante o período de sono.

Nas crianças, a doença causa reações mais específicas. O indivíduo jovem afetado pela pneumonia tem a respiração acelerada e ruidosa, dor no abdômen e perda do apetite. Há ainda os sinais comuns à gripo, como tosse e febre.

É importante destacar que os sintomas da pneumonia não aparecem de forma gradual, mas de repente. Assim, o indivíduo pode apresentar plena saúde num momento, e em poucas horas começar a tossir, a ter febre, a escarrar ou sentir dores no peito. Por isso, quando há o aparecimento destes sintomas, é importante acompanhar sua evolução por no máximo um dia. Caso eles se intensifiquem, o ideal é procurar atendimento médico.

A pneumonia nos idosos

A pneumonia em idosos é uma das principais causas de internação desses indivíduos no Sistema Único de Saúde brasileiro. Ela é também fator frequente do óbito entre idosos. Com estes dados, é possível perceber que a enfermidade é perigosa à população na velhice. Algo que piora este risco é a dificuldade em descobrir a doença: devido a outros problemas já existentes e o uso de remédios, os sinais da presença da doença são diferentes nesse grupo de pessoas.

Apesar da tosse ser frequente, em idosos ela se apresenta de forma mais seca. Da mesma forma, há a recusa em se alimentar e a prostração do corpo, inclusive para atividades que o indivíduo costuma gostar.  Moleza, fraqueza, é igualmente habitual.

Os principais sintomas da pneumonia em idosos, entretanto, dizem respeito a alterações comportamentais. O paciente mais velho tende a desenvolver um discurso incoerente, confusão mental e perda de memória. O idoso frequentemente ainda manifesta confusão em relação ao tempo ou espaço, são conseguir perceber sozinho onde está ou o dia da semana ou mês do momento.

Os pacientes idosos são normalmente sofrem internação hospitalar, pois o quadro da doença requer aplicação do antibiótico de modo intravenoso. Esta aplicação costuma ser feita por período entre 48 e 72 horas.

Os indivíduos que apresentam febre alta ou outros problemas decorrentes da pneumonia em idosos, como o comprometimento da função dos rins, alterações da pressão arterial e dificuldade de respiração também são indicados ao tratamento médico hospitalar.

Possíveis complicações

Como o corpo idoso tem tendência a ter o sistema imunológico mais fraco e a capacidade de cura mais difícil, não é incomum que surjam complicações da pneumonia. Uma das complicações mais grave é chamada bacteremia. O problema ocorre quando as bactérias que afetaram o pulmão invadem a corrente sanguínea, e assim é levada a outros órgãos. Quando a condição ocorre, novas infecções podem surgir pelo corpo.

Outro risco é a ocorrência do abscesso pulmonar. O abcesso tem como efeito a morte de células do pulmão, e a criação de bolsas de pus na região. Em situações mais graves, este abcesso se rompe e pode rebentar vasos sanguíneos, causando hemorragia, e ainda encher o pulmão de líquido, prejudicando muito a respiração.

       

Por último, há a possibilidade de derrame pleural. A complicação é causada pelo acúmulo de líquidos entre as membranas da pleura, membrana que recobre o pulmão. O líquido acumulado vem infectado de bactérias, acumula pus e pode até mesmo necessitar de um procedimento cirúrgico para a retirada dos fluidos.

Fatores de risco

Maus hábitos de vida são os fatores que provocam maior propensão ao desenvolvimento da pneumonia em idosos ou outros públicos. Por isso, indivíduos tabagistas, ou que fumaram durante a vida, ficam suscetíveis ao desenvolvimento da doença. Primeiro porque o tabaco, sozinho, provoca uma reação inflamatória. Ele também favorece a entrada de agentes infecciosos nos pulmões, e destrói estruturas do órgão.

O consumo contínuo e excessivo de álcool é tal qual perigoso. O indivíduo que bebe desenvolve uma capacidade respiratória diferente, e tem sua imunidade diminuída ao longo do tempo.

Doenças como a diabetes, câncer, doença hepática crônica e problemas pulmonares prévios, como a bronquite crônica também aumentam o risco de desenvolvimento da enfermidade. Finalmente, o uso de medicamentos sedativos e a realização de cirurgia recente também podem favorecer o aparecimento de problemas.

Cuidado com o frio!

O saber popular, muitas vezes, tem razão. Por isso, quando alguém diz “coloque um casaco, senão você vai pegar pneumonia!”, é melhor ouvir o conselho. O clima frio pode levar a resfriados e gripe, que aumentam o risco de ocorrência da inflamação nos pulmões.

Expor o corpo a mudanças bruscas de temperatura também não é saudável. Basta refletir: quantas vezes, durante a vida, você viu o tempo mudar e logo ficou doente? Ou quantas vezes saiu de um ambiente quente e sofreu um choque térmico, e logo seu nariz começou a escorrer? As respostas provavelmente são: “muitas vezes!”.

O corpo não é tão bem preparado para mudanças climáticas, e por isso é importante tomar cuidado com essas situações. Do contrário, a imunidade do organismo baixa e torna o indivíduo mais suscetível a doenças respiratórias.

Os perigos do ar condicionado

Um fator comum também ao desenvolvimento da pneumonia em idosos ou outros indivíduos é a utilização constante do ar condicionado. Não só porque ao aparelho eletrônico oferece um ambiente, por vezes, frio demais e bem diferente do clima de fora, provocando o choque térmico. Ele é um fator comum também porque favorece a circulação de agentes infecciosos pelo ar. Afinal, o ar condicionado circula o mesmo ar pelo ambiente infinitamente, e assim desloca bactérias, vírus e ouros germes pelo espaço. Os agentes, então, são disseminados de forma mais fácil.

Deste modo, é importante manter a hidratação do corpo em dia, bebendo pelo menos dois litros de água diariamente. Esta prática potencializa a produção de muco, presente especialmente no nariz, que protege o corpo contra elementos estranhos que estejam presentes no ar.

Diagnóstico da pneumonia

O diagnóstico de uma inflamação pulmonar é feito, incialmente, pelo exame clínico. Nessa etapa, o médico busca escutar o pulmão, pois quando o órgão está infeccionado faz um som característico durante a respiração. Na conversa com o paciente, o especialista também buscará conhecer seus sintomas e poderá verificar também se eles são característicos de uma pneumonia ou não. Quando o indivíduo é idoso, o ideal é que um cuidador ou um familiar, que tenha percebido alterações de comportamento e confusão mental, acompanhe o paciente à consulta.

Em seguida, são realizados exames de imagem. A mais comum é a tomografia, que oferece uma visualização clara da inflamação na região dos alvéolos. Por meio das imagens, o profissional pode verificar também se há acúmulo de líquido no pulmão. Neste caso, é possível ainda verificar a gravidade do problema, e se há a necessidade de tratamento mais incisivo ou não.

Tratamento do problema

O tratamento da pneumonia pode se realizada em casa ou no hospital. No ambiente hospitalar, ela é indicada quando o quadro é mais grave ou a pessoa é idosa. Nestas situações, o paciente recebe antibiótico na veia, hidratação por solo e acompanhamento de sua evolução clínica.

No caso da pneumonia bacteriana, o tratamento realizado em casa pode ser feito por antibióticos como o amoxicilina, fluimucil e cafalotina. O medicamento mais eficaz só pode ser indicado pelo médico, e a automedicação nunca é uma boa opção. Quando realiza a prática, o indivíduo fica suscetível ao fortalecimento da bactéria causadora e agravamento da doença. Dependendo da gravidade da doença, o tratamento pode ainda ser iniciado no hospital, e continuar em casa.

As pneumonias mais fáceis à cura costumam ser causadas por vírus. Habitualmente, ok indivíduo consegue eliminar a infecção sozinho, e só precisa que o indivíduo mantenha uma alimentação equilibrada e a hidratação correta. Nos primeiros dias, se possível, o repouso também potencializa a força de combate dos anticorpos.

A inflamação causada por fungos é tratada por meio de medicamentos antifúngicos.

Para acelerar o tratamento, seja qual for o agente causador da doença, o paciente deve evitar sair de casa durante o tratamento e se hidratar bastante, inclusive pelo uso do soro caseiro ou bebidas isotônicas. Também não é indicado o uso de remédio para tosse ou qualquer outro que não tenha indicação médica. As substâncias podem afetar a cura.

Fundamental ainda evitar choques térmicos ao corpo, e tossir ou espirrar apenas sobre o braço ou um lenço. Afinal, apesar de na maioria das vezes não ser contagiosa, quando é causada por vírus a pneumonia pode ter seus agentes causadores expelidos e levados ao ar durante a tosse.

Prevenção da doença

A prevenção à ocorrência da doença consiste, basicamente, na manutenção de hábitos saudáveis. Isso significa que é essencial que o indivíduo tenha uma alimentação saudável, mantenha-se hidratado, pratique exercícios físicos e evite o consumo de álcool. As técnicas são eficazes em qualquer idade.

É importante também manter as mãos limpas. Lave-as após ir ao banheiro, assoar o nariz, ao chegar da rua, trocar fraldas, e antes de comer ou preparar refeições.

Outro método interessante é a conservação do cartão de vacinas em dia. A vacina contra a gripe, por exemplo, é oferecida aos idosos anualmente e de forma gratuita pelo Sistema único de Saúde. Ela previne a pneumonia e vários outros problemas causados pelo vírus influenza. Já a vacina pneumocócica reduz a possibilidade de contrair a doença pela bactéria Streptococcus pneumoniae.

O idoso ou indivíduo que já sofre de doenças respiratórias, como a asma e rinite, deve ter atenção redobrada. As condições favorecem o aparecimento da pneumonia em idosos. Por isso, é essencial que estes indivíduos mantenham o acompanhamento médico regular.

Comparecer o médico regulamente, aliás, é um hábito mais que indispensável à população idosa. Apenas com visitas frequentes ao consultório é possível verificar a evolução da saúde do paciente. Possível detectar ainda a presença de agentes infecciosos e doenças, que quanto mais rapidamente descobertas e tratadas, mais chances possuem de cura.

 

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