Osteoporose, Osteopenia e fatores de risco

saber para prevenir e tratar

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Por ser a mulher a incidir significativamente doenças esqueléticas, pesquisamos sobre osteopenia, osteoporose e suas relações com as mudanças fisiológicas do corpo feminino.

Com o grande aumento de pessoas que chegam até os 80 anos de idade na pirâmide etária maior incidência de fraturas osteoporóticas é um cálculo esperado pelos profissionais da saúde. Esta faixa populacional está, desde 1995, passando de 8,9 milhões de mulheres e 4,5 milhões de homens a 26,4 milhões de mulheres e 17,4 milhões de homens em 2050.

O Brasil, ao lado de países da América Latina, da África e da Ásia, deparam com novas epidemias de doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT), dentre elas, a osteoporose.

Esse processo está sujeito a se tornar ainda pior, à medida que a população aumenta e envelhece. Contudo, essa problemática não pode ser abordada somente com tratamento médico e cirúrgico mas sim mudança de hábitos como alimentação e rotina funcional.

Assim, é imprescindível aliar esforços, recursos e atribuições, do governo, de organismos multilaterais, de sociedades científicas, de movimentos populares, de pesquisadores, do setor privado, etc.

 

O que é Osteoporose?

A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica, caracterizada por massa óssea baixa e deterioração microarquitetural do tecido ósseo, conduzindo à fragilidade do osso e ao aumento do risco de fratura.

A osteoporose é uma doença metabólica do tecido ósseo, caracterizada por perda gradual de massa, enfraquecendo os ossos por deterioração da microarquitetura tecidual, tornando-os frágeis e suscetíveis às fraturas.

Do ponto de vista epidemiológico e clínico observamos que as fraturas osteoporóticas mais importantes são as de vértebras, colo do fêmur e radio distal. Estas estão associadas a elevadas taxas de co-morbidades, particularmente em mulheres acima dos 50 anos de idade. No caso das fraturas de colo do fêmur, não apenas a uma maior morbi-mortalidade, mas também a um aumento substancial nos custos da assistência à saúde. As microfraturas  de vértebras são geralmente assintomáticas, porém as pacientes que as apresentam têm maior chance de evoluir para fraturas completas com dor significativa e diminuição da mobilidade.

Fatores de risco

  • Idade

Indiscutivelmente, no desfecho da osteoporose, a idade é de longe o mais importante determinante de massa óssea.

O pico de massa óssea geralmente não é alcançado antes de 30 anos e o estilo de vida é um importante determinante da probabilidade de desenvolver mais tarde osteoporose.

A diminuição da densidade óssea com a idade reflete o efeito somatório de vários processos, os quais ocorrem universalmente, porém, em proporções diferentes de acordo com variações individuais.

Não se sabe com certeza em que idade começa a perda óssea, mas acredita-se que, entre 40 anos e a menopausa, as mulheres perdem aproximadamente 0,3% a 0,5% de sua massa de osso cortical por ano; após a menopausa, este ritmo acelera para 2% a 3% ao ano.

  • Menopausa

Na menopausa aumenta a renovação e diminui a formação óssea em cada unidade de remodelação, o que conduz a uma perda de massa óssea.

Nesta fase a principal alteração biológica é o cessar da ovulação, confirmada quando a menstruação se interrompe por pelo menos um ano.

Após a menopausa, os ovários tornam-se inativos e ocorre mínima ou nenhuma liberação de estrogênio, coincidindo com a redução da absorção de cálcio pelo intestino, devido à baixa produção de calcitonina, hormônio que inibe a desmineralização óssea.

O déficit de estrogênio é um determinante importante na perda óssea durante a menopausa.

Quando a menopausa é precoce, o risco é muito maior e há efeitos positivos ao associar estrogênio com um consumo de cálcio adequado.

A osteoporose na pós-menopausa uma enfermidade multicausal.

  • Inatividade física

A ausência de atividade física regular e de terapia de reposição hormonal, bem como fatores genéticos e os relativos à dieta.

O exercício transmite carga ao esqueleto mediante o impacto direto e a contração muscular.

A falta de atividade física adequada pode influenciar negativamente o pico de massa óssea, havendo a necessidade de incentivo à prática esportiva para mulheres em todas as idades.

  • Tabagismo e o álcool

O efeito do álcool sobre a função osteoplástica está vinculado às disfunções hepáticas, como esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose, ocasionadas pelo consumo exagerado, enquanto a ação do tabagismo está relacionada ao efeito inibidor direto do tabaco nos osteoblastos (células construtoras dos ossos) e à menopausa mais precoce entre as mulheres fumantes.

tabagismo, ausência de atividade física na juventude e atualmente, consumo de álcool na juventude e atualmente, história familiar de osteoporose, não adoção de terapia de reposição hormonal e nãoexposição ao sol: alto risco para osteoporose.

 

Sol x Vitamina D

A importância da exposição ao sol está relacionada à Vitamina D, que é obtida com a alimentação e através da síntese cutânea na presença da radiação ultravioleta da luz solar.

A Vitamina D se converte em calcidiol no fígado. A forma biologicamente ativa da Vitamina D (vitamina D3, calcitriol), se forma no rim a partir do calcidiol, o qual estimula a reabsorção óssea e a absorção intestinal do cálcio, conduzindo a um incremento da concentração do cálcio sérico.

No entanto, o aumento da concentração de cálcio sérico freia a produção do hormônio paratireóide e a síntese de calcitriol, produzindo uma maior excreção urinária de cálcio e a redução tanto da reabsorção óssea quanto da absorção intestinal de cálcio.

A deficiência de vitamina D nas pessoas de idade avançada pode não ser puramente decorrente de um aporte insuficiente, mas da diminuição da síntese renal de calcidiol (ligante de cálcio), provocando excessiva perda urinária de cálcio.

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Nutrição x Osteoporose

Tem-se demonstrado que uma alta ingestão de fosfato através dos alimentos conduz a um aumento da excreção do hormônio paratireóide, apresentando um efeito inibidor sobre a formação óssea.

Cuidado! Coisas que reduzem a absorção de cálcio

  • As gorduras (particularmente triglicerídeos e ácidos graxos saturados), formam sabões insolúveis com o cálcio dietético, aumentando sua excreção fecal e conseqüentemente reduzindo sua absorção.
  • O ácido oxálico, presente em alguns vegetais (beterraba, espinafre, semente de tomate, aspargo) e também no cacau, chocolate, gérmen de trigo, nozes e feijões, forma complexos com o cálcio ingerido, os quais precipitam no lúmen intestinal e são excretados pelas fezes.
  • Os fitatos representam compostos formados durante o processo de maturação de sementes e grãos de cereais integrais e feijões, podendo se complexar com minerais como o cálcio, o ferro, o zinco e com as proteínas.

Em virtude da presença de fitato, o balanço de cálcio tem sido alterado por dietas ricas em fibras. Por isso é muito importante deixar grãos de molho trocando a água por pelo menos 8 horas e torrar a aveia para consumo, afim de retirar tal composto.

Segundo Harris & Dawson-Hughes (1994), uma ingestão ótima de cálcio por mulheres na pós-menopausa poderia proteger contra os efeitos danosos da cafeína no osso.

Por outro lado, de acordo com Weaver et al. (1999), um copo de 240mL de café reduz, em média, a retenção de cálcio em 2-3mg, o que não conduziria ao comprometimento da massa óssea.

Classificação da Osteoporose

A classificação estabelece as seguintes categorias:

  • Normal: valor  de  BMD (densidade mineral óssea)  maior  do que 1DP inclusive;
  • Osteopenia (massa óssea reduzida): valor de BMD entre 2,5DP inclusive e 1DP exclusive;
  • Osteoporose: valor de BMD menor que 2,5DP exclusive;
  • Osteoporose severa (osteoporose estabelecida): valor de BMD menor que 2,5 DP, com presença de uma ou mais fraturas.

Ingestão de lácteos

A indicação de ingestão de produtos lácteos para a população brasileira, encontrada nos guias alimentares (Philippi et al., 1999), é de três porções diárias.

Um copo médio de leite (200mL) contém 228mg de cálcio; 15 gramas de queijo, 95,25mg; 120mL de iogurte, 144mg (Franco, 1998).

Assim, para atingir os 1000mg a 1500mg seria necessária a ingestão de seis a dez porções diárias de alimentos lácteos, as quais somariam aproximadamente 42 a 70 gramas de proteínas.

Deve-se tomar cuidado com as quantidades ingeridas de produtos lácteos, pois a elevação indiscriminada do número de porções poderia levar à ingestão protéica excessiva.

Dietas hiperprotéicas podem aumentar a perda de cálcio urinário e, portanto, seriam perigosas por causa do potencial para acelerar a progressão da osteoporose

A Cultura Corporal

Ao longo da evolução biológica do homem, a corporeidade e a motricidade foram fatores, inerentes à existência, que sofreram perdas irreparáveis. Na Idade Média, a “Santa Inquisição” promoveu diversas atrocidades, como negar o corpo para elevar o espírito.

O abstracionismo, pelo culto à salvação da alma, tornou a atividade física (AF) inexpressiva, utilizada somente para a preparação militar, como nas cruzadas e nas guerras santas, organizadas pela Igreja.

A Educação Física , no Brasil, foi iniciada e amplamente incentivada pelos militares, durante a tendência de ensino higienista e militarista, em que apenas a parcela da população dita “saudável”, apta a defender a pátria, praticava exercícios físicos. Esta tendência, seguida pelas escolas, onde a Educação Física era seletiva e restrita às equipes esportivas, omitiu o  direito à atividade física a crianças, jovens e adultos.

A falta de cultura corporal da população, aliada à necessidade de conhecimento dos profissionais de Educação Física da área de saúde, sobre o valor da atividade física, em uma perspectiva existencial, têm contribuído, de forma negativa, para a evolução da humanidade.

As mulheres, na fase de pré-menopausa, vêm sofrendo várias conseqüências por essa falta de cultura.

Os profissionais de Educação Física e áreas afins devem cada vez mais atuar como agentes multiplicadores, transmitindo e alertando as mulheres sobre a importância de um diagnóstico prematuro, para que o tratamento preventivo seja efetuado, utilizando a atividade física como recurso.

É recomendado a atividade física regular para todas as idades, principalmente com sobrecarga corporal para prevenção e tratamento da osteopenia, a fim de evitar a osteoporose.

O avanço tecnológico, também, favoreceu o imobilismo motor. Com isso, as novas tecnologias, as instituições supracitadas, bem como a não consolidação da EF na escola e na universidade, proporcionaram, à motricidade, falta de cultura de AF que viabilizasse a humanidade, a saúde e o lazer, através de conhecimentos que minimizassem as carências existenciais, físicas e emocionais.

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créditos pixabay

Exercício Físico x Osteoporose

Exercícios de força e de carga de alto impacto garantem melhores resultados, em comparação com os de treinamento de resistência. Se o exercício está vinculado ao suplemento de cálcio, atingindo um consumo diário de aproximadamente 1800 mg/dia, reduz-se significativamente a perda óssea nos quadris.

No entanto, não existe nenhuma evidência de que o exercício sozinho possa reduzir a perda óssea associada à redução dos hormônios reprodutivos na menopausa.

O que é Osteopenia?

A osteopenia e a osteoporose consideradas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como uma doença crônica degenerativa.

Há indícios que a AF minimiza a osteopenia decorrente do avançar da idade e do declínio da liberação endógena dos esteróides sexuais.

A osteopenia é a diminuição de massa óssea, causada pela perda de cálcio, podendo ter, como conseqüência, a osteoporose.

Dessa forma, segundo a OMS (NIH, 2001), quando comparadas a mulheres entre 20 e 29 anos de idade, são consideradas normais aquelas com perda de cálcio de até 10%; entre 10 a 25% são classificadas como osteopenia; e acima de 25%,com osteoporose.

Vários fatores de risco estão associados à osteopenia, como a história prévia de fratura, o baixo peso, o sexo feminino, a hereditariedade caucasiana, os fatores genéticos, os fatores ambientais (atividade física, consumo abusivo de álcool, cafeína, tabagismo e drogas), além da baixa ingestão de cálcio, do estado menstrual (menopausa precoce, menarca tardia ou amenorréias) e as doenças endócrinas.

Densitometria óssea

A densitometria óssea é recomendada para mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, adultos com história de fratura por fragilidade, adultos com doenças relacionadas à baixa densidade mineral óssea (BMD), adultos usando medicamentos associados também à baixa BMD, dentre outros.

O método utilizado pela Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica (SBDens) é o DXA, considerado bastante eficiente na apuração.

A osteopenia x hipocinesia 

Durante o processo de evolução, a humanidade necessitou locomover-se na posição bípede. Nesta postura, o aparelho locomotor propiciou ao homem uma visão diferente e mais apurada de suas necessidades.

Nesse processo, a estrutura óssea ficou cada vez mais compacta, pois a transposição de obstáculos, assim como a locomoção apurada, fizeram do corpo uma estrutura naturalmente forte. Entretanto, a inteligência evoluiu a uma velocidade astronômica, auxiliada pelo uso dos membros superiores, aperfeiçoando tecnologias que facilitaram a vida diária.

A hipótese, que o homem é evolutivamente programado para AF, o que poderá elucidar a associação entre a gênese das disfunções metabólicas e a inatividade física.

A partir do século XX, muito se tem falado sobre doenças do mundo moderno, causadas por uma inevitável necessidade de acompanhar os avanços tecnológicos.

A tecnologia, ao longo do tempo, nos proporcionou um melhoramento na vida, mas serviu, também, para deixá-la hipocinética.

A osteoporose é uma doença que tem despertado grande interesse em saúde pública, pois a tecnologia médica evolui com fármacos que favorecem a longevidade, porém, também avança no sentido de deixar a população cada vez mais hipocinética (Ministério da Saúde, 2005).

Segundo Dantas(2005), o desempenho físico pode influenciar na condição de autonomia funcional durante a vida, sendo mais uma conseqüência das condições de trabalho e do hábito de vida, do que de incapacidade biológica.

dança
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Prevenção e no tratamento da osteopenia

De acordo com Ministério da Saúde (2005), a atividade física é recomendada pelo menos por 30min, regulares, de forma intensa ou moderada, afim de prevenir as enfermidades e melhorar o estado funcional nas diferentes fases da vida.

Com isso, Franchi e Montenegro (2005) afirmam que:

pessoas ativas têm menos possibilidades de adquirir limitações ao longo da vida.

 

Dentre os inúmeros benefícios que a atividade física promove, um dos principais é a proteção da capacidade funcional em todas as idades.

Programas de multi-exercícios, com baixa adversidade, são viáveis para mulheres sedentárias. Esses achados têm importância na prevenção em longo prazo de quedas, doenças de fraturas induzidas e de inserção à instituição prematuramente.

Um estudo semelhante, concluiu que as performances com o treinamento balanceado foram eficientes na melhoria da mobilidade e do equilíbrio estático e funcional, além de reduzir as quedas.

As atividades mais recomendadas são as que proporcionam impactos nas epífeses dos ossos, pois ativam os osteoblastos, equilibrando o processo de remodelação, responsável pelo fortalecimento ósseo, além da produção de cálcio no mesmo. Caminhadas vigorosas, programas de multi-exercícios e musculação têm sido bastante recomendados.

Contudo, mulheres com osteopenia e osteoporose necessitam de acompanhamento multi e inter-profissional, pois os mesmos são capacitados a orientá-las a enfrentar essa problemática como um desafio do novo milênio.

Estudos mostram que mulheres que caminham pelo menos 8 horas por semana podem ter uma redução de 55% no risco de fraturas quando comparadas com aquelas consideradas sedentárias (menos que uma hora semanal de caminhadas).

 

Osteoporose x Qualidade de Vida

Autores de estudos espanhóis concluem que as pacientes com osteoporose apresentavam baixa qualidade de vida, sobretudo nas áreas físicas, quando comparada com valores da população em geral.

De fato, a osteoporose é uma doença silenciosa até a ocorrência de fraturas, principalmente as de quadril ou múltiplas de coluna, que podem repercutir negativamente sobre o bem estar (dores e insegurança vulnerabilizam quem tem).

 

Artigos consultados:

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QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES COM  BAIXA MASSA ÓSSEA NA PÓS-MENOPAUSA 

PREVALÊNCIA DE OSTEOPOROSE E FRATURAS VERTEBRAIS EM MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA ATENDIDAS EM 
SERVIÇOS DE REFERÊNCIA

Base: Google Scholar/ Sielo/ Rev Científicas

 

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