O Que é Gravidez Ectópica? Abdominal, Ultrassom, Cirurgia, Tratamento

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Você sabe o que é gravidez ectópica? A gravidez ectópica ou tubária é uma gestação equivocada e sem chances de ser levada adiante. Na maior parte dos casos, isso acontece dentro das trompas de Falópio ou em outras estruturas, quando o óvulo fecundado não consegue chegar ao útero para que o embrião se instale em suas paredes e se desenvolva de maneira adequada.

Em geral, apenas cerca de 1 a 2% de todas as mulheres engravidam dessa forma. No entanto, o Brasil já chegou a registrar mais de nove mil internações devido à gravidez ectópica, segundo o Ministério da Saúde.

A condição é extremamente grave e necessita de tratamento imediato, pois pode danificar as estruturas uterinas e levar à morte. Até o início do século passado, a sua taxa de mortalidade era de 50%, porém com os avanços em seu diagnóstico e tratamentos, hoje essa estimativa caiu para menos de 0,05%.

No entanto, para evitar o pior e preservar a saúde da mulher, a gravidez ectópica deve ser diagnosticada, através de ultrassonografia transvaginal, assim que surgirem os primeiros sintomas, normalmente, ao redor da 8ª e 10ª semana de gravidez.

O perigo está quando os sinais não são logo percebidos, e muitas vezes confundidos com sintomas normais de gravidez (dores abdominais, irregularidade menstrual, mal-estar e náuseas).

Dentre as principais causas e fatores de risco para a gravidez ectópica estão infecções, inflamações ou anormalidades nas trompas, além do uso de DIU, endometriose, clamídia ou laqueadura, que podem dificultar o percurso do embrião até o útero.

Para que não hajam dúvidas, vamos esclarecer abaixo o que é gravidez ectópica, suas causas, sintomas e tratamentos disponíveis. Confira!

O Que é Gravidez Ectópica?

O que é gravidez ectópica: A gravidez ectópica é uma gestação fora do útero.
O que é gravidez ectópica: A gravidez ectópica é uma gestação fora do útero.

Para entender o que é gravidez ectópica , o importante é primeiro esclarecer o processo normal de uma gestação desde a sua concepção. Durante a ovulação no ciclo menstrual da mulher, o óvulo migra para as trompas de Falópio onde se encontra com um espermatozóide que irá fecundá-lo.

Após a fecundação, este óvulo fecundado deve migrar das trompas em direção ao útero, para ser implantado nas paredes do útero, e ali começar a se desenvolver. Pois é apenas no útero que se tem as condições adequadas para levar a gestação adiante.

Assim, no caso da gravidez ectópica, algo ocorre de errado nesse processo fazendo com que o óvulo fecundado não chegue até o útero. Em 95% a 98% dos casos, o óvulo fecundado se aloja nas paredes das trompas, dando início ao que chamamos de gravidez tubária. No restante, a implantação do óvulo ocorre em outras estruturas, como ovário, colo do útero ou cavidade abdominal.

De qualquer maneira, uma gravidez ectópica (fora do útero), seja onde for, não pode seguir adiante normalmente. Nessas condições, o embrião não sobrevive por muito tempo sendo abortado espontaneamente, ou o feto em crescimento pode destruir as estruturas uterinas e levar ao risco de hemorragias fatais quando não tratada.

O diagnóstico de uma gravidez ectópica é feito próximo da 8ª semana de gestação, podendo se estender apenas até a 12ª ou 14ª semana no máximo para evitar danos maiores.

Isso porque o embrião demora aproximadamente 5 dias, após a fecundação, para se fixar na trompa, e o seu rompimento pode acontecer em torno da 6ª ou 7ª semana de gravidez.

Portanto, o diagnóstico precoce da gravidez ectópica é extremamente importante para preservar a saúde da mulher e a sua fertilidade.

Leia mais: Como saber se estou grávida? Guia Completo!

Tipos de Gravidez Ectópica

Apenas 1 ou 2% das gestações de tornam ectópicas, portanto é uma condição rara de acontecer. No entanto, quando ocorre, o mais comum é a gravidez em uma das trompas de Falópio, porém pode também ocorrer em outros locais do sistema reprodutor da mulher.

Como por exemplo, gravidez ectópica no ovário, gravidez ectópica abdominal ou gravidez ectópica cervical, entre outras. Sendo assim, os tipos de gravidez ectópicas podem ser a seguir:

1 – Gravidez ectópica intersticial:

Esse tipo de gravidez ectópica ocorre quando o embrião se desenvolve no segmento intersticial das trompas, acarretando no aumento do nível de Beta hCG no sangue. O seu tratamento é medicamentoso e várias doses de cloreto de potássio.

2 – Gravidez cervical:

Esse tipo de gravidez ectópica ocorre quando o embrião se desenvolve no colo do útero, podendo gerar hemorragia intensa. O tratamento pode ser feito com embolização, curetagem ou injeção local de metotrexato, por exemplo.

3 – Gravidez ectópica na cicatriz da cesárea:

Embora esse tipo de gravidez ectópica seja muito raro, o seu tratamento é feito com remédios metotrexato e ácido folínico, durante cerca de 1 semana.

4 – Gravidez ovariana:

Na maioria dos casos, esse tipo de gravidez ectópica só é descoberta durante a curetagem e por isso não é usado o metotrexato como tratamento.

5 – Gravidez heterotópica:

Esse tipo de gravidez ectópica ocorre quando o embrião se desenvolve entre o útero e a trompa. No entanto, só é diagnosticada depois do rompimento da trompa, acarretando em cirurgia.

6 – Gravidez ectópica abdominal:

Esse tipo de gravidez ectópica ocorre quando o embrião se desenvolve no peritônio, entre os órgãos reprodutores. É bastante perigosa, pois o crescimento do bebê é prejudicado e os órgãos da mãe são comprimidos, com o risco de rompimento dos vasos sanguíneos e óbito.

Embora seja uma condição muito rara e complicada, há casos em que a gestação pode chegar às 38ª semana de gestação com a realização de uma cesariana.

Causas e Fatores de Risco da Gravidez Ectópica

O que é gravidez ectópica:
Gravidez ectópica possui vários fatores de risco que aumentam suas chances.

Todas as mulheres podem desenvolver uma gravidez ectópica, mas sabemos que ela é causada, principalmente, por lesões ou complicações nas trompas de Falópio, que bloqueiam ou dificultam a passagem do óvulo fertilizado ao útero, fazendo-o ficar estacionado por lá ou em outros locais.

No entanto, não se sabe ao certo porque isso ocorre, mas existem diversos fatores que podem aumentar o risco disso acontecer. São eles:

  • Tabagismo ou alcoolismo;
  • Doenças inflamatórias pélvicas surgidas a partir de infecções por clamídia ou gonorreia, por exemplo;
  • Inflamação, má formação ou deformação das trompas de Falópio (Salpingite) ou cicatrizes nas trompas;
  • Condições médicas que afetam o formato e a condição das trompas e dos órgãos reprodutivos (útero invertido, bicorno, unicorno, didelfo ou septado);
  • Cicatriz de uma cirurgia pélvica;
  • Uso inadequado de dispositivo intrauterino (DIU);
  • Tratamentos para infertilidade;
  • Cirurgias tubárias;
  • Laqueadura;
  • Fatores hormonais;
  • Anomalias genéticas e defeitos congênitos;
  • Endometriose (crescimento do tecido do endométrio fora do útero);
  • Gravidez ectópica anterior.

Outros fatores que aumentam o risco também é a idade, menos que 18 anos e superior a 35 anos, tratamento de fertilização “in vitro” e relações sexuais desprotegidas e com parceiros diferentes, que possam provocar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Todos esses fatores podem contribuir para uma gravidez ectópica, mas alguns possuem um maior risco, outros riscos moderados a leves.

1. Fatores de riscos elevados:

  • Inflamação ou infecção ativa da trompa de Falópio (salpingite);
  • Lesões estruturais nas trompas de Falópio por inflamações prévias;
  • Cirurgia prévia das trompas;
  • Falhas da ligadura de trompa;
  • Episódio de gravidez ectópica prévia, reincidência de 30%;
  • Uso incorreto do DIU;
  • Deformações estruturais da trompa;
  • Histórico de abortos, tanto naturais quanto induzidos.

2. Fatores de riscos moderados:

  • Tabagismo;
  • Engravidar com tratamento para infertilidade;
  • Histórico de DSTs ou infecção ginecológica prévia por clamídia ou gonorreia;
  • Já ter tido um quadro de doença inflamatória pélvica (DIP);
  • História de múltiplos parceiros sexuais.

3. Fatores de riscos leves:

  • Cirurgia abdominal ou pélvica prévia;
  • Costume de realizar ducha vaginal;
  • Gravidez antes dos 18 anos e depois dos 40 anos.

DSTs vs. Gravidez Ectópica

Um dos principais agentes causadores da doença inflamatória pélvica é a clamídia, que também está diretamente relacionada à infertilidade feminina. O perigo está no silêncio dos seus sintomas, que no início não são perceptíveis.

Na maioria dos casos, as bactérias migram em direção às trompas e a mulher não sente nenhum desconforto, demorando para se conscientizar da doença até resolver engravidar e constatar que está infértil.

Em outros casos, a inflamação causada pelas bactérias persistente e a cicatrização das trompas de falópio causam dores pélvicas crônicas ou um aumento dos riscos de uma gravidez ectópica.

Sintomas da Gravidez Ectópica

O que é gravidez ectópica:  Os sintomas da gravidez ectópica são semelhantes aos da gravidez normal.
Os sintomas da gravidez ectópica são semelhantes aos da gravidez normal.

Para algumas mulheres, os sintomas iniciais da gravidez ectópica são muito parecidos com os sintomas gerados por gravidez normal, como atraso ou total ausência de menstruação, enjoos, fadiga, náusea, sensibilidade e aumento dos seios e da micção.

O teste de gravidez é capaz de detectar a gestação, mas não é possível saber se é uma gravidez ectópica. Só mesmo os sintomas agravados após a 6ª ou 8ª semanas de gestação que podem aumentar a desconfiança.

Apenas o exame de ultrassom transvaginal para verificar exatamente onde o embrião está localizado. Os primeiros sinais de uma gravidez ectópica podem incluir:

  • Hemorragia ou sangramento vaginal leve
  • Dor abdominal ou pélvica
  • Atraso menstrual.

No caso de uma gravidez ectópica, a sua progressão durante a 6ª e a 8ª semana de gravidez pode provocar outros sintomas como:

  • Dor abdominal ou pélvica, unilateral que piora com o movimento ou esforço, se espalhando por toda a região pélvica;
  • Hemorragia vaginal moderada ou intensa;
  • Dor durante o coito ou durante exame pélvico;
  • Tonturas, vertigens ou desmaios causados por hemorragia interna;
  • Sinais de choque hipovolêmico;
  • Dor no ombro causada por hemorragia no abdômen sobre o diafragma.

Características dos sintomas

Em geral, essa dor abdominal é unilateral, mas também pode ser difusa, apenas com uma maior intensidade do lado da trompa afetada, variando de moderada à grande, dependendo do grau de evolução da gestação. Durante o exame físico, nota-se uma massa na região inguinal (virilha).

Já o sangramento vaginal costuma ser leve, de coloração variando entre vermelho vivo e escuro, normalmente diferente do sangramento menstrual.

Em casos de sangramento pela trompa, a dor pode irradiar para o ombro e provocar vontade intensa de evacuar. Caso haja rotura da trompa (gravidez ectópica rota), a dor se intensifica ainda mais, provocando sintomas de peritonite (inflamação do peritônio, membrana que recobre os órgãos intra-abdominais) e sangramento volumoso com risco de entrar em choque circulatório.

Importante: Caso haja suspeita de gravidez ectópica, procure atendimento médico imediatamente, para evitar complicações mais sérias e até o óbito.

Diagnóstico e Exames de Gravidez Ectópica

O que é gravidez ectópica:  diagnóstico
A ultrassonografia pode detectar uma gravidez ectópica.

Não é possível estabelecer o diagnóstico de gravidez ectópica apenas pelos sintomas apresentados, já que os mais comuns são de uma gravidez normal.

Sendo assim, a maioria das gestações ectópicas são detectadas através de um exame pélvico ginecológico, ultrassonografia transvaginal e exames de sangue.

Um nível de Beta hCG positivo com elevação mais lenta que o habitual, e a ausência de embrião dentro do útero, por exemplo, podem indicar a possibilidade de gestação ectópica.

       

É importante também ter em mente, que quando a gravidez é ainda muito precoce, nem sempre é fácil identificar a localização do embrião. Portanto, é preciso esperar algumas semanas de gestação para definir um diagnóstico preciso.

Procure a emergência ou marque uma consulta médica com urgência, caso apresente qualquer um destes sintomas, após a 6ª ou 8ª semana de gestação:

  • Tonturas ou vertigens;
  • Desmaios ou perda da consciência;
  • Sangramento vaginal intenso;
  • Dor súbita e intensa na barriga ou na pélvis.

Exames para o diagnóstico

Para o diagnóstico, podem ser realizados os seguintes exames:

  • Teste de urina para confirmação de gravidez;
  • Um exame pélvico para detectar obstrução nas trompas, alargamento do útero menor do que o esperado para uma gravidez normal ou massa na região pélvica;
  • Ultrassonografia pélvica transvaginal para localizar o embrião;
  • Dois ou mais exames de sangue para medição dos níveis de beta-hCG (hormônio da gravidez), realizados com 48 horas de intervalo. Em uma gravidez normal, as primeiras semanas apresentam elevação rápida nos níveis de beta-hCG (o dobro a cada 2 dias). No caso de uma gravidez ectópica, os níveis são mais baixos ou apresentam elevação lenta, sugerindo uma gravidez anormal ou um aborto espontâneo.

Em caso de níveis de beta-hCG anormalmente baixos ou falha em diagnosticar a gravidez ectópica, são realizados mais alguns exames para descobrir a causa. Como por exemplo, punção do fundo do saco vaginal com agulha grossa para determinar a presença de sangue dentro da cavidade abdominal; ou uma laparoscopia diagnóstica, um procedimento cirúrgico mais utilizado para o tratamento da gravidez ectópica do que para diagnosticá-la de fato.

Importante: Caso esteja grávida, fique atenta aos sintomas que podem evidenciar uma gravidez ectópica, especialmente se você faz parte de algum grupo de risco. Caso apresente algum sintoma de gravidez ectópica ou está em tratamento, evite atividades extenuantes até você seja examinada por um médico.

Tratamento para Gravidez Ectópica

No caso da confirmação de uma gravidez ectópica, infelizmente, não há como levar adiante a gestação, sendo a única alternativa a retirada do embrião antes que provoque maiores complicações e riscos à saúde da mulher.

Portanto, os tratamentos disponíveis para gravidez ectópica podem seguir de duas formas dependendo do tamanho do saco gestacional (embrião).

Na maioria dos casos, o procedimento mais recomendado é o cirúrgico via laparoscopia para remover o embrião e reparar a trompa danificada ou a sua remoção, dependendo do caso e do grau de avanço da gestação.

Em alguns casos específicos de baixos riscos, há a possibilidade de um tratamento clínico medicamentoso com metotrexato para induzir o aborto espontâneo ou tentar promover uma reabsorção do embrião pelo organismo, preservando a trompa de Falópio.

Em ambos os casos, o tratamento é iniciado imediatamente após o diagnóstico para evitar uma ruptura dos tecidos e hemorragias. Podendo escolher entre o tratamento medicamentoso ou cirúrgico, se detectada no início.

Já quando o diagnóstico é feito apenas em um estágio de gestação mais avançada, a única opção é seguir imediatamente com a cirurgia para interromper a gravidez.

Tratamento Medicamentoso para Gravidez Ectópica

No caso de um diagnóstico precoce (antes da 8ª semana de gestação) de gravidez ectópica, é possível administrar um tratamento medicamentoso com remédios que impeçam o desenvolvimento do embrião, obrigando a sua reabsorção ou expulsão natural pelo organismo através da menstruação. Porém, pode causar efeitos colaterais.

Em geral, o remédio utilizado é a injeção de metotrexato 50 mg via intramuscular em dose única, porém sob algumas indicações:

  • Embrião com menos de 4 cm e ausência de batimento cardíaco;
  • Ausência de sinais de ruptura da trompa;
  • Beta hCG com valor inferior a 5.000 mUI/ml.

Após a aplicação da injeção, o ginecologista/obstetra deve acompanhar a paciente com dosagens seriadas do beta hCG até que este seja indetectável, podendo durar até 3 semanas.

Assim, o exame de Beta hCG é repetido após 24 horas e depois a cada 48 horas para verificar se os níveis continuam baixando gradualmente até chegarem a zero. Caso a primeira injeção não apresentar essa baixa, uma segunda dose de metotrexato é administrada.

Efeitos colaterais

O tratamento medicamentoso com metotrexato pode causar alguns efeitos colaterais variados ou não, sendo os mais comuns as náuseas e a indigestão. Caso aconteçam, tente seguir as dicas abaixo para controlar esses efeitos:

  • Em caso de náuseas: consulte o médico a respeito de medicamentos, tente fazer pequenas refeições com mais frequência, elimine odores fortes ao seu redor, não use drogas e esteróides, beba muita água para evitar desidratação e repouse.
  • Em caso de fadiga: descanse mais durante o dia e peça ajuda de familiares e amigos.
  • Em caso de tontura ou vertigem: descanse com frequência, ao se levantar movimente-se lentamente e peça ajuda enquanto estiver andando, se necessário.
  • Em caso de ferida na boca e garganta (estomatite): evite tomar café e alimentos condimentados, salgados ou frutas cítricas, optando por alimentos leves e frios. Além disso, faça gargarejos com água salgada morna a cada 2 horas, sem engolir para não irritar o estômago.
  • Em caso de diarreia: consuma alimentos leves, evitando os picantes, álcool, café e produtos lácteos, bebendo sempre muita água para evitar a desidratação.

Recomendações pós tratamento:

  • Não fazer exame de toque vaginal para evitar ruptura dos tecidos;
  • Não manter relações sexuais;
  • Evitar a exposição solar para evitar manchar a pele;
  • Não tomar anti-inflamatórios sob o risco de anemia e problemas gastrointestinais.

É possível que o médico peça um exame de ultrassom 1 vez por semana para verificar o desaparecimento da massa e certificar-se, evitando a possibilidade de ruptura da trompa.

Caso os níveis de Beta hCG não diminuírem ou o sangramento continuar mesmo com as doses de metotrexato, a cirurgia de emergência é recomendada.

Tratamento Cirúrgico para Gravidez Ectópica

No caso de uma gravidez ectópica que não respondeu ao tratamento medicamentoso e que ainda está causando sintomas graves, sangramento ou altos níveis de hCG, a única opção é a cirurgia de emergência para evitar a ruptura da trompa.

Na verdade, o tratamento da gravidez ectópica sempre foi feito através de cirurgia para remover o embrião desenvolvido fora do útero. Sendo que, atualmente é o tratamento escolhido em cerca de 60% dos casos.

Na maior parte dos casos, a cirurgia é feita por laparoscopia, com o objetivo de remover o embrião e reparar a área danificada da trompa. No entanto, em casos emergenciais, sob sangramento volumoso ou ruptura da trompa, a cirurgia aberta tradicional (laparotomia) é mais indicada. Em ambos os casos, o embrião não irá sobreviver e não poderá ser reimplantado no útero.

Existem casos ainda em que não é possível reparar os danos na trompa, podendo a mesma ter que ser removida para controlar a situação, não apresentando perigo da mulher não engravidar posteriormente, caso a outra trompa esteja saudável.

A cirurgia para retirada do embrião é indicada quando o embrião tem mais de 4 cm de diâmetro, o exame Beta hCG continua superior a 5000 mUI/ml ou quando há evidências de ruptura da trompa, colocando em risco a vida da mulher.  

Exames Pós-Tratamento: Conduta Expectante

Durante algumas semanas que sucedem o tratamento da gravidez ectópica, o médico continua medindo os níveis de beta hCG no sangue para verificar a sua queda progressiva, como sinal de término da gravidez.

Isso porque no início do tratamento, os níveis de hCG costumam subir antes de começarem a descer logo em seguida. Há casos em que o teste de hCG continua positivo por semanas, até que os níveis caiam por completo.

No caso de uma gravidez ectópica com sinais de aborto espontâneo, o tratamento pode não ser necessário, mas deverá manter um acompanhamento médico para certificar de que os níveis de hCG estão diminuindo. No caso da cirurgia, é possível que você tenha que tomar o metotrexato no pós operatório.

Possíveis Complicações

A principal complicação que uma gravidez ectópica pode trazer é física, como a possível ruptura da trompa de Falópio, que leva ao sangramento intenso, podendo causar uma hemorragia com riscos de vida à mulher.

A única forma de evitar essa complicação é diagnosticando a gravidez ectópica cedo, pois quanto mais tempo passar, mais aumentam os riscos de uma ruptura na trompa afetada.

Como a cirurgia é a única opção no caso de um diagnóstico tardio, saiba que o procedimento pode danificar as trompas e aumentar o risco de reincidência de gravidez ectópica.

Caso isso aconteça, somente os tratamentos de fertilidade poderão viabilizar uma futura gravidez, sendo mais difícil ou impossível engravidar por vias naturais, caso as trompas tenham que ser removidas.

Outra complicação comum é quanto ao impacto emocional pela perda da gravidez, provocando sintomas físicos e emocionais, como por exemplo:

  • Cansaço;
  • Falta de apetite;
  • Dificuldade de concentração;
  • Culpa;
  • Choque;
  • Raiva direcionada ao parceiro ou a outros que passaram por gestações bem sucedidas;
  • Tristeza;
  • Insônia.

Todos esses sintomas podem variar para cada pessoa, podendo ser apresentados individualmente ou de forma combinada, sendo piores entre a 4ª e 6ª semana após a perda, melhorando gradualmente.

Prognóstico / Fertilidade: Chances de Futura Gravidez

Normalmente, o prognóstico de uma gravidez ectópica é determinado pela extensão dos danos causados pela condição e pela fertilidade da mulher antes dela. Sendo assim, se após o tratamento, cirúrgico ou medicamentoso, ambas as trompas estejam intactas, a chance de ocorrer uma gravidez normal no futuro permanecem iguais.

Muitas mulheres que passaram por uma gravidez ectópica engravidaram normalmente no futuro sem que a fertilidade seja alterada qualitativamente. Mas caso tenha ocorrido algum dano na tromba, como lesão ou rompimento, as chances de uma gravidez futura diminuem.

Principalmente, se a outra trompa também for comprometida por doenças inflamatórias, endometriose ou problemas reprodutivos existentes. Neste caso, a solução mais viável é a fertilização in vitro.

Porém, há casos em que mesmo com a trompa comprometida retirada, a gravidez se torna possível se a outra trompa permanece saudável. Tanto é que 65% das mulheres engravidam de novo após um ano e meio da gravidez ectópica, seja de forma espontânea ou por meio dos tratamentos de fertilização in vitro.

No caso da gravidez natural, a chance de ocorrer outra gravidez ectópica pode ser um pouco maior comparado à mulheres que não sofreram do mesmo episódio.

Importante: caso você esteja tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso, procure o seu médico para fazer um exame de histerossalpingografia, um raio-x da cavidade uterina e das trompas, realizado com uma injeção de iodo pelo colo do útero. Um cateter irá marcar o formato do útero e das trompas e verificar a comunicação entre eles.

Convivendo com o problema

É normal a mulher se preocupar com a próxima gestação após enfrentar uma gravidez ectópica. A relação do casal também merece atenção durante o período de luto. Por esta razão, recomenda-se aconselhamento médico e um tratamento psicológico.

Existem muitos grupos de suporte para mulheres que sofreram a perda de uma gravidez que podem ajudar nesse processo.

O melhor a fazer é dar um tempo para que ambos se recuperem, antes de tentar novamente. Quando estiverem prontos, conversem com o médico para que ele possa aconselhá-los e responder à todas as dúvidas com base nos seus fatores de risco específicos.

No caso de uma depressão que se estenda por mais de duas semanas, procure a assistência de um psicólogo.

Prevenção da Gravidez Ectópica

Infelizmente não é possível prevenir uma gravidez ectópica, visto que não se sabe a sua causa aparente, porém é possível diminuir os seus fatores de risco.

Por exemplo, sempre manter relações sexuais seguras para evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e reduzir o risco de doença inflamatória pélvica, além de usar métodos anticoncepcionais adequados e fazer o planejamento familiar de gravidez em idade entre os 20 e 40 anos.

Caso já tenha histórico de gravidez ectópica, não deixe de conversar com seu médico antes de engravidar novamente, para que ele possa monitorar cuidadosamente a sua gestação com um preventivo adequado.

Se já estiver grávida, faça exames periódicos para verificar as condições do feto logo nos primeiros meses, como exames de sangue e ultrassonografias capazes de detectar precocemente a gravidez ectópica ou garantir que a sua gravidez está se desenvolvendo normalmente.

Referências externas:

American College of Obstetricians and Gynecologists

Mayo Clinic

American Pregnancy Association

OMS – Organização Mundial de Saúde

MD Saúde

       

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