O descanso do cuidador familiar

as complexidades de uma tarefa que envolve tanto corpo quanto mente

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O descanso do cuidador familiar é tão importante porque é vital. Sim. Esta figura tem uma rotina emendada por tarefas ininterruptas que muito facilmente levam ao desgaste físico e mental. Podemos dizer que um dos principais causadores disso é a descarga emocional envolvida no dia a dia.

Quando a Gal me deu essa sugestão de tema para escrever, logo pensei na dificuldade que o cuidador familiar, em sua maioria, tem para descansar. É um assunto até complexo, porque o que de fato seria considerado como descanso?

Aliás, o que seria mais necessário? Descansar o corpo ou a mente?

sofa

O QUE É DESCANSAR?

De acordo com o dicionário, descansar seria livrar-se de uma atividade que causa fadiga. Ou ainda, obter tranquilidade, livrar-se do receio, das preocupações. Existem até algumas sugestões sobre como descansar: tirar um cochilo, dormir, depositar confiança em, estar apoiado, deixar de empregar toda a energia para alcançar algo.

Será que o cuidador familiar descansa?

Vamos por partes. Sei que é impossível para o cuidador familiar livrar-se totalmente da atividade de cuidar, que seria a grande causadora da sua fadiga. Aliás, o perfil desse cuidador não é o de ser uma pessoa que abandonaria o ente querido por esse motivo. No entanto, esse livrar-se poderia ser algo momentâneo ou mesmo, circunstancial.

Esse descanso poderia ter dia e hora para acontecer, de preferência com uma frequência já pré-determinada. Esse é o caso de uma cuidadora que conheci que toda quarta-feira à tarde encontra-se com as suas amigas. Como tem sido difícil reunir-me com as minhas! Não sei se é da idade, mas as minhas amigas têm uma agenda bem concorrida. Gostaria de encontrá-las com maior frequência.

Praticamente todos os finais de semana vou para o sítio. Não é um momento de descanso físico, pois trabalho muito ali, mas como renova as minhas energias! Como nada é perfeito, o sítio dificulta a minha vida social com as pessoas mais urbanas.

Por isso o almoço durante a semana tem sido uma boa oportunidade para alimentar essas interações. Durante à noite é mais difícil sair porque essa é a hora em que fico com a minha mãe.

QUALIDADE DE VIDA X DINHEIRO

Para quem tem dificuldade para sair de casa por não poder gastar dinheiro com isso, existem outras possibilidades para o cuidador familiar. Ainda bem! Também configura como descanso atividades simples como assistir à televisão, ao Netflix, ouvir uma música, fazer um trabalho manual, conversar com os amigos ou levar o cachorro para passear.

É preciso ter planejamento financeiro e apoio humano para que a situação descanso possa acontecer. O que, infelizmente não é possível para as cuidadoras que além de não possuírem meios financeiros para bancar essa “pequena aventura”, também não contam com a solidariedade de amigos e familiares.

money

Aí aparece uma pergunta: é possível ter qualidade de vida sem ter dinheiro? O que vocês acham? Talvez realmente seja muito mais difícil fazer isso sem dinheiro. Dinheiro que paga uma consulta médica de urgência, que compra medicações caras e que paga o descanso do cuidador.

Geralmente o cuidador familiar vive somente da renda do familiar doente. Como o tratamento é muito caro, sobra pouco para despesas com o descanso ou o lazer. A família poderia ajudar nesse momento, complementando a renda para trazer uma tranquilidade para o cuidador familiar. No entanto, muitas vezes essa ajuda tem um preço muito alto, vem acompanhada de cobranças e estresse. Então muitos cuidadores acabam dispensando esse apoio financeiro por prezarem a sua paz de espírito. No entanto, o seu descanso se torna cada vez mais difícil.

UM DESAFIO PARA O CUIDADOR FAMILIAR DORMIR BEM

Como livrar-se da fadiga quando a sua mãe não te deixa dormir a cinco dias? Eu ainda não consigo me imaginar vivendo essa luta. Talvez as jovens mães possam compreender essa dificuldade, ao se verem às voltas com um bebê em casa. Dizem que uma mãe nunca mais dorme direito? Será verdade que a filha também?

O que ando ouvindo é que também o cuidador familiar não dorme. Vive escravo do relógio. Sendo um descanso programado, muitas vezes de curta duração, que teima em parecer pequeno, frente ao tamanho do cansaço. Realmente viramos mães de nossos pais, principalmente por vivenciarmos o que era antes uma função deles.

MANUAL CUIDANDO DE MIM TAMBÉM

 

O que posso dizer sobre a minha experiência com o dormir é que ele acontece em função do dormir de minha mãe. Ela dorme muito cedo, por volta das 19 horas. A partir dessa hora sinto-me livre para fazer as minhas atividades com tranquilidade. Seja assistir um pouco de televisão, seja ler, escrever ou pesquisar assuntos de meu interesse.

No entanto, essa liberdade não deve ultrapassar a meia-noite. É um fato que eu preciso de cerca de 8 horas de sono por noite para sentir-me em pleno vigor físico. E também é fato que por volta de 6 horas da manhã a minha mãe irá querer começar a acordar.

Em alguns dias, consigo distraí-la até cerca de 7:30 ou 8:00. Mas, em outros dias como hoje mesmo, todos os meus esforços são em vão. Hoje 6:40 foi o horário limite do meu sono. E eu, inocentemente, só espero que esses horários permaneçam constantes por ainda um bom tempo. Porque corro o risco, de em um futuro em breve, ter que começar a dormir as 19:00 para conseguir acompanhar o pique da minha mãe logo cedo.

Imaginem a cena: são 6:00 horas da manhã, mamãe abre a porta do meu quarto com um estardalhaço para verificar se ainda estou dormindo. Dá gargalhadas, pequenos pulos, convicta de que já é hora de levantar. Com batidinhas na porta da sala, sinaliza que o meu descanso acabou. Um pouco contrariada, levanto-me para fazer o nosso café da manhã. Começou o dia!

descanso no sofá

O PODER DO COCHILO PARA O CUIDADOR FAMILIAR (The power-nap)

O cochilo é uma estratégia válida caso o cansaço foi maior do que a noite de sono. Não costumo lançar mão dessa ferramenta com frequência. Mas se algum resfriado me rodeia, quero logo tirar uma soneca. Não me faço de forte, pego uma coberta e vou para a cama mesmo.

No entanto, a cama só é possível se a minha mãe estiver junto ou se tiver alguém em casa para ficar com ela. Sempre que não estou sozinha a opção mais próxima se torna o sofá. Descansar enquanto o cuidador familiar faz companhia e zela pelo bem estar do parente é muito comum.

E a gente tem que se desdobrar para conseguir namorar, que também é uma forma de descanso. Entre uma dormida e outra isso pode até acontecer. Tem companheiro que lida melhor com a situação, outros preferem dar um apoio mais de longe. Compreender a nossa entrega já é uma grande sabedoria.

UM TEMPO SÓ MEU

O meu consolo é saber que as manhãs ainda são minhas. Depois do café e do acompanhamento às atividades maternas do banho e do vestir, posso voltar o olhar para o que é importante para mim naquele momento.

Pela manhã busco uma rotina mais lenta, com tempo para ginástica, Reiki, conversas, banho, etc. Sei que sou uma afortunada por poder ter essas horinhas para mim. Por isso me sinto abençoada. Mas também me sinto incomodada, por ter tanta gente bacana precisando desse tempinho e sem nenhuma possibilidade de pagar por isso.

À noite, o meu próprio relógio biológico me manda parar. Chega uma hora em que o trabalho não rende. Assim, mesmo que queira muito concluir alguma tarefa, acabo por deixá-la para o outro dia. E essa é uma forma de descanso para o cuidador familiar, não é?

Atualmente o meu descanso tem sido direcionado para a minha saúde e bem-estar. Prometi em outros textos me cuidar melhor. Assim, desde Agosto comecei a me tratar com um médico que possui uma visão mais holística da saúde.

Tudo começou com uma série de exames que me fizeram compreender que o meu corpo precisa se alinhar. Afinal, fica até difícil ter lazer ou descansar se o cansaço não sai da gente. Imagina dormir 10 horas em uma noite e continuar cansada. Pois é… Era assim que me sentia.

Com pouco mais de um mês de tratamento sinto algumas mudanças. A disposição anda melhor, a energia. Tenho feito uma mudança grande que inclui medicações (vitaminas e florais) e mudanças na alimentação. Quero tratar o meu corpo melhor, com produtos mais naturais.

tempo pra mim

MUDANDO PARA MELHOR

 

Cuidador familiar tem que se empenhar para manter a forma e a saúde!

As adaptações na minha alimentação acontecem pelo menos de segunda a sexta. Fora de casa não fico tão radical porque às vezes onde estou não tem como manter. Ainda não cheguei ao ponto de fazer a minha marmita. Mas se achar que preciso fazer, o farei. Hoje não existe mais tanto preconceito por levar a sua própria comida. Ainda bem!

vem vida

Esses foram alguns hábitos que escolhi adotar por recomendação médica e também devido a pesquisas sobre o assunto:

  • A eliminação do consumo do glúten para melhorar o metabolismo e preservar os neurônios;
  • A adoção da biomassa de banana verde para melhorar a imunidade e trazer mais estabilidade para o emocional;
  • A inclusão do suco verde para trazer energia e imunidade;
  • A redução do açúcar branco para reduzir os níveis de glicose;
  • A inserção de alguns produtos orgânicos para evitar a intoxicação por agrotóxicos;
  • A eliminação do cafezinho e a adoção da laranja depois do almoço para aumentar a assimilação do ferro.

Ainda estou aprendendo a não empregar toda a minha energia nas atividades que faço. Os meus níveis de vitamina D estavam baixíssimos, então hoje faço uma reposição. Não é uma novidade isso, porque meio mundo está com carência de vitamina D, não é?

O que acontece é que essa vitamina D me traz uma força incrível. É tomar e sair por aí varrendo, limpando, etc. O problema é que uso toda a energia de uma vez só em mil atividades diferentes. Resultado, o médico pediu para tomá-la antes de dormir. Como é importante aprender a escolher bem aonde será gasta a nossa energia! O foco no que realmente é importante ajuda a não dissipar essas energias.

Vamos ver o resultado…

Com carinho,

Julia Bello

foto julia bello 2018

Cuidadora Familiar e Consultora de Imagem

Site: www.juliabello.com.br

E-mail: julia@juliabello.com.br

 

 

 

 

 

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