Morar sozinho ou com alguém?

Esta é a reinvenção da terceira idade: sixtyle up!

1
       

Não é raro escutarmos que “fulana, com 82 anos, mora sozinha sem nenhuma assistência dos filhos”. E daí criarmos rapidamente um julgamento de valor: “puxa! que filho ingrato”. Só que muitas vezes, não!

A cada dia muitas pessoas a partir dos 60 anos decidem morar sozinhas desejando respeitar a vida dos filhos e assumir suas próprias aventuras em idade longeva.

Há pouco tempo atrás eu achava que devíamos envelhecer de forma a nos tornar fortes espiritualmente afim de aceitar os cuidados dos filhos perante o reconhecimento social como “idosa” ou “idoso”.

Porém, a própria palavra “idoso” vem transitando pela linguagem e sendo ressignificada. Já percebemos que entre “idoso” e “terceira idade” já existe uma grande diferença.

Com o surgimento dos “idosos jovens”, ou melhor, dos gerolescentes, a expressão terceira idade ganha lugar em nosso dicionário e passa a conceituar uma classe de pessoas  acima dos 60, saudáveis e ativas, capazes de contribuírem socialmente, portanto, com muita autonomia .

E estas pessoas querem depender dos filhos, principalmente para serem cuidadas? A resposta é não.  Afinal, seria um desperdício de vida! Para os filhos, e para ela.

Numa fase onde a “parte pesada” da vida, o alicerce, as paredes e a laje foram assentados… eis o momento do acabamento e decoração: a vida a partir dos 60!

Esses “novos senhores” estão envelhecendo sem um modelo ideal do que seria isso. (Eis a origem dos conflitos!) Como até então estávamos acostumados com a vovó ou o vovô protegidos, sentadinhos dentro de casa sendo cuidados pelos nossos tios, quando a vó chega e fala “quero morar sozinha”… a gente pira!

Calma! Vamos dar uma chance para a confiança ao destino e escolha alheia e vamos observar como estas pessoas se saem. Aliás, já temos visto muitos casos bem sucedidos. Ufa!

Viajamos nas nossas fantasias antecipando as incapacidades da vovó. Ou achando que ela está com a “cabeça fraca” ou que ela está com raiva do mundo, se sentindo abandonada e que por isso, quer “chamar a atenção” querendo morar sozinha.

Ah! Deixa disso e dá um crédito, vai!

Minha vó perdeu a companhia do meu avô aos 85 anos e não quiz sair da casa dela, onde por mais de 30 anos viveu ativamente com todas as suas panelas, seus queijos e galinhas, sua horta e fogão de lenha… seus doces em calda, biscoito de polvilho e curau.

Viveu assim, sozinha, até os 92. Sem abrir mão de sua rotina e vida privada. Claro! Nossa família se adaptou. Minha mãe passou a visitá-la mais vezes (mas não toda semana). Meu tio que morava muito próximo, sim! Na verdade todos os dias “passava para tomar bença”. Ele fez isso a vida toda, mesmo depois de casado.

Mas desdobramos o olhar sobre a vó sem fazê-la se sentir uma inútil ou “velhinha” assim… Ninguém gosta de  ser “velhinha” (mesmo sendo uma). Isso porquê a alma é jovial, cheia de vontade de fazer conexões.

Cheia de vida!!  Assim surgem diversas possibilidades para morar melhor, enquanto acima dos 60.

Então vamos conhecer umas opções interessantes?

Abaixo deixo alguns links para que pesquisem e forme sua opinião.

Decidindo por morar sozinho ou com alguém que compartilhe de seu “estilo de vida 60+” (o que acabo de chamar de sixtyle up – contração de “sixty style up”) compartilhe com a gente suas experiências. Vamos adorar saber de seu sucesso através de sua boa escolha.

E viva la vida!

 

Pesquise:

www.morar.com.vc

www.maiorde60.com.br

www.50emais.com.br

abraços mil!

gal TI

Gal Rosa

Terapeuta Ocupacional Gerontóloga

social media do www.aterceiraidade.net

email: gal@aterceiraidade.com

Youtube: A Terceira Idade com Gal Rosa

Leia também:

Envelhecimento com qualidade de vida

10 capacidades que devem ser conquistadas antes dos 60 para um envelhecimento mais saudável

Livres na Terceira Idade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Condição de moradia dos idosos nos anos 1960. Início da mudança

As pesquisas sobre a relação entre os idosos e seus familiares, desenvolvidas no final dos anos 1960, mostram que os estereótipos de isolamento e de abandono não expressam a condição da totalidade dos idosos, nem mesmo nos países de capitalismo avançado. A pesquisa comparativa de Shanas et alli (1968), feita na Inglaterra, Dinamarca e Estados Unidos, era bastante reveladora nesse sentido. Conclui que, se para os idosos há uma retração das “relações periféricas” – colegas de profissão e outros contatos –, há poucas modificações no que diz respeito às relações com filhos adultos.

Uma proporção expressiva de idosos vive com pelo menos um deles (20% na Dinamarca, 28% nos Estados Unidos e 42% na Inglaterra). Entre os que não moram com os filhos, boa parte reside a uma distância de cerca de 30 minutos da casa deles (40% na Inglaterra, 49% nos Estados Unidos e 55% na Dinamarca).

Cresce o número de idosos que moram separados dos filhos

Pesquisas recentes mostram que a proporção de idosos morando com os filhos tende a diminuir nos Estados Unidos e nos países europeu; entretanto essa tendência deve ser tratada com cuidado.

Wall (1989), analisando arranjos de moradia entre os idosos, na Europa dos anos 1980, ressalta a diversidade de arranjos ainda presentes. Mostra que, na Europa Ocidental, a tendência geral é de que os idosos passem cada vez mais a morar em unidades domésticas separadas das dos filhos.

Idosos morando sós. Um novo tipo de arranjo

Outros estudos sugerem que a tendência de os idosos morarem sós não tem de ser, necessariamente, percebida como reflexo de um abandono por parte de seus familiares. Ela pode significar um novo tipo de arranjo, uma nova forma da família extensa, na qual a troca e a assistência ocorrem de maneira intensa. Para Rosenmayr e Koeckeis (1963), trata-se de uma “intimidade à distância”. Esse novo tipo de relação, facilitado pelo aumento da mobilidade e pelo aperfeiçoamento das formas de comunicação à distância, que beneficiaram as diferentes classes sociais, não implicaria uma mudança qualitativa nas relações entre as gerações na família.

Além disso, o fato de os idosos viverem com os filhos não é garantia da presença do respeito e prestígio nem da ausência de maus-tratos. As denúncias de violência física contra idosos aparecem nos casos em que diferentes gerações convivem na mesma unidade doméstica. Assim sendo, a persistência de unidades domésticas plurigeracionais não pode ser necessariamente vista como garantia de uma velhice bem-sucedida, nem o fato de moraram juntos um sinal de relações mais amistosas entre os idosos e seus filhos (Evandrou e Victor, 1989).

Comunidades de idosos ampliam a satisfação na velhice

Em outra direção caminha uma série de estudos sobre novas formas de arranjos residenciais, que tendem a dissolver a ideia de que o bem-estar na velhice estaria ligado à intensidade das relações familiares ou ao convívio intergeracional. Mais do que a convivência num espaço heterogêneo, do ponto de vista da idade cronológica, é a segregação espacial dos idosos que permite a ampliação de sua rede de relações sociais, o aumento do número de atividades desenvolvidas e a satisfação na velhice.

É essa, em geral, a conclusão a que chegam os estudos sobre idosos vivendo em conjuntos residenciais segregados ou em condomínios fechados com serviços e outras facilidades ou, ainda, em hotéis ou congregate housings. Os títulos das obras sobre o tema, que envolvem tanto pesquisas quantitativas quanto qualitativas com entrevistas em profundidade e observação participante, deixam claro o que o conjunto de dados levantados revela: The Unexpected Community: Old People, New Lifes; Retirement Communities; Networks as Adaptation; Living Together; If I live to Be 100…

Novas comunidades ampliam redes de solidariedade e de trocas de afeto

Novas comunidades são criadas, o conjunto de papéis sociais anteriormente perdidos são reencontrados, redes de solidariedade, de trocas e de afeto são desenvolvidas de maneira intensa e gratificante, promovendo uma experiência de envelhecimento positiva, mesmo para aqueles cujos vínculos com os filhos e parentes são tênues. As diferenças de gênero são apagadas ou, quando mantidas, ganham outros significados. Relações interétnicas tornam-se mais harmônicas, uns ajudam outros, de modo que a independência de cada um posse ser mantida a institucionalização evitada. Enfim, a segregação espacial do idoso é defendida como a solução mais adequada a um envelhecimento bem-sucedido.

O papel ativo dos idosos na criação das novas mudanças

Ao fazer um balanço dos trabalhos de cunho antropológico sobre as novas comunidades dos idosos, Keith (1980) mostra, com razão, que eles redirecionam a reflexão sobre a velhice. Por um lado, oferecem elementos para uma revisão da ideia dos idosos como sendo sujeitos passivos de um conjunto de mudanças sociais, apontando, ao contrário, o seu papel ativo como criador dessas mudanças, fazendo novos arranjos sociais em resposta às transformações da sociedade.

A família e as novas formas de sociabilidade na velhice

Os motivos que conduzem à criação das comunidades de idosos são os mesmos que levam à formação de comunidades de outros grupos em diferentes faixas etárias, como, por exemplo, a ameaça exterior, a homogeneidade, a interdependência. As identidades criadas no interior dessas comunidades, como em outras de faixas etárias distintas, são uma forma ativa de rejeição a um conjunto de valores que acabam por colocar certos setores nos degraus mais baixos da hierarquia social. Se no caso dos idosos é a unidade cronológica que estabelece um ele entre os residentes, ela passa a ser irrelevante para definir o status da pessoa na experiência comunitária. Há uma reciclagem das identidades anteriores e a criação de uma nova comunidade. Além disso, esses estudos alertam para o fato de que a família não é um mundo social total adequado para os idosos nem para qualquer um depois da infância. As novas formas de sociabilidade na velhice não deveriam, assim, ser pensadas como substitutas das relações familiares, mas como esferas distintas de relações.

No entanto, se nesses trabalhos a tendência é relativizar a importância das relações familiares para o bem-estar na velhice, outras pesquisas enfatizam que as relações familiares ainda são fundamentais na assistência ao idoso e nas expectativas em relação ao processo de envelhecimento.

Interação entre idosos e criatividade grupal

Pensar na relação entre o idoso e a família é ora fazer um retrato trágico da experiência de envelhecimento, ora minimizar o conjunto de transformações ocorridas nas relações familiares. Pensar na interação entre idosos é, pelo contrário, traçar um quadro em que um conjunto de mudanças e a criatividade grupal seriam capazes de minimizar ou mesmo negar os inconvenientes trazidos pelo avanço da idade.

(*) O site Longevidade ADunicamp é desenvolvido pela Associação de Docentes da Unicamp, que se propõe a divulgar e debater informações sobre os fatores relacionados ao aumento na expectativa de vida no século 21, fenômeno conhecido como Revolução da Longevidade, assim como o impacto da Revolução Digital, nas áreas de trabalho, saúde, educação, acesso à informação, e lazer: Acesse o site Aqui u

       
1 comentário
  1. Dona Euclides Diz

    Olha só, achei top!!!!!!!

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.