Micose: Sintomas, Tratamento, Tipos, Unha, Virilha Perna

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A micose é um nome genérico bastante popular que damos à vários tipos de infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos. Neste artigo vamos explicar quais são os tipos de micoses superficiais existentes mais comuns, seus sintomas e tratamentos.

Micose: O que é

micose de pele
Micose: existem dois tipos de micoses causadas por fungos, as superficiais e as subcutâneas.

A micose é uma doença de pele causada por fungos que afeta a pele em diversos locais diferentes do corpo, unhas, couro cabeludo, boca e virilha. Embora existam cerca de 230 mil tipos de fungos, apenas 100 tipos de fungos aproximadamente são responsáveis pela infecção. Mesmo assim, como os fungos estão em toda a parte, é inevitável a exposição a eles.

Geralmente, a micose é bastante frequente em países tropicais ou próximos aos trópicos, onde as condições de calor e umidade são bastante favoráveis ao desenvolvimento dos fungos. Ou seja, sob essas condições, os fungos se reproduzem rapidamente e dão origem a um processo infeccioso que, dependendo do fungo ou do local afetado, pode ser superficial ou profundo. Como por exemplo, as micoses superficiais pitiríase versicolor, tineas, candidíase e onicomicoses.

A doença costuma se manifestar de diferentes formas, dependendo do tipo de micose e do local afetado, sendo que em todas elas é necessário o tratamento imediato para evitar a proliferação e complicações. O seu tratamento costuma ser simples, através de medicamentos via oral e de uso tópico. Sendo que a duração pode variar bastante de acordo com o tipo e grau de infecção. Remédios caseiros para o tratamento de micoses são menos eficazes, mas podem complementar o combate à micose.

Sintomas de micose

Dependendo do tipo de micose e infecção que ela traz, os sintomas podem variar podendo aparecer em qualquer parte do corpo. No entanto, a maioria irá trazer:

  • Coceira;
  • Pele descamativa;
  • Lesão na pele que descama e coça, geralmente nos pés, entre os dedos (frieira);
  • Lesão arredondada, com bordas levemente avermelhada que coçam e descamam (impingem).

Tipos de micose

ombro com micose de praia
Micose: existem vários tipos de micoses causados por diversos fungos.

Normalmente as micoses podem ser do tipo superficial e subcutâneas. As micoses superficiais são mais comuns e responsáveis por 10 a 20% das consultas dermatológicas. Elas costumam acometer mais os homens, jovens e obesos. Nesse tipo de micose, os fungos se localizam na parte externa da pele, ao redor dos pêlos ou nas unhas, alimentando-se de gordura e (ou) da proteína queratina.

Já as micoses subcutâneas ocorrem durante algum ferimento com plantas, madeira, pedras ou terra. São mais comuns nas extremidades do corpo, como pés, braços, pernas e mãos. Algumas dessas infecções podem crescer a ponto de deformar ossos e articulações. São mais comuns entre homens que vivem em contato constante à natureza como agricultores, jardineiros ou entre crianças que costumam brincar com terra e plantas.

Micoses superficiais

As micoses superficiais são tipos de micose causadas por um grupo de fungos que se apresentam na parte externa da pele, ao redor dos pelos, no couro cabeludo e na unha.

1 – Pitiríase Versicolor ou micose de praia

A pitiríase versicolor, é uma micose de pele muito comum, especialmente entre jovens de pele oleosa. É popularmente conhecida como “pano branco” e vulgarmente chamada de “micose de praia”, por conta da descoloração que deixa na pele. A pitiríase versicolor é causada por fungos do gênero levedura de espécies de Malassezia.

A doença possui evolução crônica e recorrente, deixando manchas na pele com uma cor diferente (branca, rosada ou marrom), descamativas, agrupadas ou isoladas e mais visíveis na pele bronzeada. Ocasionalmente, pode se apresentar com manchas escuras ou avermelhadas, e normalmente surgem na parte superior dos braços, tronco, pescoço e rosto. A pitiríase versicolor ou micose de praia, causa coceira descamação na pele.

2 – Dermatofitoses ou Tineas (tinhas)

São micoses causadas por fungos que vivem às custas da queratina da pele, cabelos e unhas. Estes fungos podem ser encontrados em animais, no solo e nas pessoas, sendo causadas por Microsporum, Trichophyton ou Epidermophyton, transmitidos por tecidos contaminados ou contato direto.

Costumam se manifestar como manchas vermelhas de superfície escamosa, crescem de dentro para fora, com bordas bem delimitadas, apresentando pequenas bolhas e crostas. O principal sintoma é coceira, e a cura pode levar vários meses.

  • Tinea pedis ou pé-de-atleta: popularmente conhecida por frieira e extremamente comum. Costuma atingir a pele entre os dedos do pé, e pode vir acompanhada de uma infecção bacteriana;
  • Tinea unguium ou Onicomicose: é a famosa micose de unha, extremamente frequente entre adultos com mais de 60 anos, particularmente nas unhas dos pés e das mãos. Costuma engrossar a unha, descolorir e descamar, podendo até se descolar do leito ungueal;
  • Tinea capitis ou Tinha do couro cabeludo: esse tipo de micose é mais comum em crianças. Ela se aloja no couro cabeludo deixando os fios de cabelo frágeis causando a sua perda;
  • Tinea corporis e Tinea Cruris: esse tipo de micose de pele apresenta lesões circulares com bordas vermelhas e escamosas, inflamadas. Crescem, causam coceira e persistem com o tempo. São mais comuns em adultos e transmitida por esporos ou por contato;
  • Tinha negra (Tinea nigra): esse tipo de micose de pele é causada pelo fungo da espécie Hortaea werneckii e deixa manchas marrons ou negras nas palmas das mãos ou na planta dos pés.

3 – Candidíase

A infecção de fungo por cândida é causada pela candida albicans (maioria dos casos) ou outras espécies. Costuma comprometer isoladamente ou conjuntamente a pele, mucosas e unhas. É um fungo que se desenvolve sob baixa da imunidade, uso prolongado de antibióticos, diabetes e em locais úmidos e quentes.

Geralmente infectam as dobras da pele, como axilas, inguinal, debaixo dos seios e glúteos. Pode se manifestar de diversas formas, como placas esbranquiçadas na mucosa oral, comum em recém-nascidos (“sapinho”). Assim como apresentar lesões fissuradas no canto da boca (queilite angular) mais comum no idoso; placas vermelhas e fissuras localizadas nas dobras naturais (inframamária, axilar e inguinal).

E até mesmo, envolver a região genital feminina (vaginite) ou masculina (balanite). Costuma provocar coceira, manchas vermelhas, úmidas, irregulares, e secreção vaginal esbranquiçada. Pode ser curada em poucos dias.

Micose: Transmissão ou formas de contágio

micose de unha
Micose: as micoses são transmitidas por fungos pelo contato direto com umidade.

Os fungos são os principais causadores de micoses na pele, no entanto, para que a doença se desenvolva, é necessário que se reúnam outras condições, como deficiências do sistema imunológico e locais onde o ambiente é úmido e quente. Além disso, na maioria dos casos é necessário haver contágio.

A infecção pode aparecer com mais frequência após uso frequente de antibióticos, que diminuem as bactérias presentes na pele, facilitando a proliferação dos fungos. A sua transmissão é feita por meio de contato íntimo ou esporos, podendo ser mais facilmente transmitidas quando:

  • Temos contato muito próximo com animais de estimação;
  • Andamos descalço em locais públicos e úmidos como praias, piscinas, banheiros, chuveiros públicos, lava-pés ou saunas;
  • Temos má circulação sanguínea;
  • Apresentamos lesões na unha;
  • Temos relações sexuais desprotegidas;
  • Tomamos banhos em excesso e não enxugamos a pele ou os dedos direito;
  • Suamos muito;
  • Usamos calçados e roupas apertadas;
  • Frequentamos locais demasiado úmidos e quentes, sem ventilação adequada;
  • Compartilhamos objetos pessoais como toalhas, roupas, botas, luvas;
  • Compartilhamos objetos de manicure como alicates de cutículas, tesouras e lixas não-esterilizadas;
  • Usamos roupas úmidas ou sapatos por tempo prolongado.

Micose: Como tratar as micoses superficiais

Para tratar as micoses superficiais faz-se o uso de tratamentos tópicos como cremes, pomadas e loções. Em alguns casos, também faz-se uso de medicamentos orais, de acordo com a severidade de cada caso, sempre receitados por um médico.

O tempo de tratamento pode variar de acordo com cada caso, sendo normal o desaparecimento dos sintomas antes da completa remissão da doença.

Portanto é necessário fazer o tratamento completo, de forma adequada e não abandonar o tratamento antes da liberação do médico, pois pode haver ressurgimento.

Como tratar micose de unha

micose nas unhas
Micose: a micose de unha é tratada com remédio antifúngico oral ou tópico.

Também conhecida por onicomicose, a micose de unha deixa a unha amarelada, deformada e grossa. Costuma se alastrar para áreas em torno da unha ou para outras unhas, e é mais frequente nas unhas dos pés.

O seu tratamento é difícil e prolongado. Pode ser feito com remédios via oral em forma de comprimidos, sempre receitados pelo dermatologista. Exemplos comuns são o Fluconazol ou o Itraconazol. Há casos em que o tratamento tópico pode funcionar através de pomadas ou esmalte para a micose de unha, como o Loceryl, a Micolamina ou o Fungirox. Outra opção é o uso de laser, que elimina o fungo da micose através de raios infravermelhos e.

A duração do tratamento para micose de unha é longa, pois o fungo só é totalmente eliminado com o crescimento da unha. Por isso, o tratamento costuma durar 6 meses para a micose das unhas das mãos e 12 meses para a micose das unhas dos pés.

       

Como tratar candidíase

boca com micose candidiase
Micose: a candidíase oral é muito comum em bebê e facilmente tratada.

A candidíase é uma infecção provocada pelo fungo candida albicans que se manifesta na boca, nos genitais femininos ou masculinos.

A candidíase do tipo vaginal é muito comum nas mulheres devido ao aumento da população deste fungo, normalmente presente na flora da região íntima da mulher. Ela costuma se desenvolver em casos de imunidade baixa, diabetes, falta de higiene ou após tratamento com alguns antibióticos ou corticóides. Já a candidíase oral afeta principalmente bebês, devido a imunidade ainda pouco desenvolvida, ou adultos com baixa imunidade devido a gripes, doenças crônicas ou HIV, por exemplo.

O tratamento para a candidíase oral é feito com a aplicação de antifúngicos na forma de gel, líquido ou enxaguante bucal, como a Nistatina, durante 5 a 7 dias. No entanto, casos mais graves devem ser tratados com remédios antifúngicos orais, como o Fluconazol, segundo indicação do médico. No caso da candidíase genital, o tratamento é feito através de pomadas e comprimidos orais ou tópicos, como o fluconazol, clorimazol ou cetoconazol.

Como tratar pitiríase versicolor ou micose de praia

mulher com as costas com micose de praia
Micose: o tratamento da micose de praia pode ser via oral ou tópica e costuma ser longo.

A micose de pele também conhecida por pano branco ou micose de praia, é um tipo de micose causado pelo fungo Malassezia furfur, que produz uma substância que impede a pele de produzir melanina quando exposta ao sol. Assim, onde há a presença do fungo, a pele não escurece e aparecem pequenas manchas brancas.

O tratamento para a micose de praia faz-se com o uso de remédios como Fluconazol, ou antifúngicos aplicados no local, como cremes, pomadas, loções ou sprays, dependendo do grau de comprometimento da pele. É comum a micose voltar logo após o tratamento, neste caso, deve-se consultar o dermatologista para um tratamento específico.

Como tratar pé-de-atleta ou frieira

dedos com micose do tipo frieira
Micose: a frieira ou pé de atleta é uma micose superficial muito comum.

A tinha pedis ou frieira, é um tipo de micose de pele causada pelos fungos Trichophyton, Mycrosporon ou Epidermophyton, que afetam principalmente a sola e entre os dedos do pé.

Normalmente, o seu tratamento consiste na aplicação de cremes ou pomadas antifúngicas, porém, em alguns casos, os sintomas podem não apresentar melhora. Nestes casos, é possível que o médico receite comprimidos antifúngicos de Itraconazol, Fluconazol ou Terbinafina, por cerca de 3 meses.

Como tratar micose na virilha

A micose na virilha também é chamada de tinha crural, sendo causada pelo fungo Tinea cruris. Este tipo de micose de pele é mais frequente em pessoas obesas, atletas ou quem costuma usar roupas apertadas demais que não transpiram. Pois a proliferação do fungo é favorável nesses locais onde não há respiração adequada da pele. O seu tratamento consiste na aplicação de cremes ou pomadas antifúngicas como clotrimazol ou econazol.

Como tratar tinha do couro cabeludo

A micose de couro cabeludo é também conhecida por Tinea capitis, e pode ser causada por diferentes fungos, provocando queda de cabelo, psoríase do couro cabeludo, dermatite atópica, alopécia areata, entre outros.

O seu tratamento consiste no uso de shampoos ou loções com alcatrão ou ácido salicílico ou à base de propionato de clobetasol. O tratamento também pode ser complementado com antifúngicos, como por exemplo o cetoconazol.

Como tratar impingem

micose impingem no pulso
Micose: a impingem é um tipo de micose que se apresenta em manchas vermelhas por todo corpo.

A impingem é uma micose de pele, também conhecida por tinha corporis, que se desenvolve em qualquer região do corpo, e caracteriza-se por uma erupção cutânea vermelha com uma pele mais clara no meio.

Na maior parte dos casos, o seu tratamento é feito com a aplicação de cremes e pomadas antifúngicas como clotrimazol, cetoconazol, miconazol ou terbinafina. No entanto, caso os sintomas não apresentarem melhora, deve-se consultar um médico para um tratamento mais específico com comprimidos antifúngicos como fluconazol ou terbinafina por exemplo.

Atenção: em casos de micose, é necessário consultar um médico de confiança. Os dermatologistas possuem treinamento especializado para diagnosticar e tratar micoses de forma eficaz.

Antifúngicos comuns no tratamento das micoses

1. Anfotericina B: antifúngico injetável eficiente contra uma ampla variedade de fungos. No entanto, é tóxico para os rins e possui muitos efeitos colaterais. Mesmo assim, é muito usado para tratar micoses graves, quando outros medicamentos não são eficazes. Como por exemplo, no tratamento criptococose meníngea e candidíase sistêmica combinado à Flucitosina.

2. Nistatina: antifúngico e antibiótico usado para tratar candidíases superficiais ou em tubo digestivo.

3. Derivados do Imidazol: antifúngico, todos terminados com “azol”, usados para tratar micoses superficiais.

4. Cetoconazol: hepatotóxico oral usado em cremes contra dermatófitos e candidíase.

5. Miconazol: medicamento oral ou tópico, útil contra micose oral ou intestinal.

6. Derivados do Triazol: medicamentos via oral muito usados para tratar micoses subcutâneas.

7. Fluconazol: também muito usado para tratar uma meningite fúngica, pois penetra bem no líquido cefalorraquidiano.

8. Itraconazol: medicamento muito eficaz no tratamento de dermatófitos (fungos responsáveis pela micose de unha). No entanto, costuma causar danos no fígado e deve ser evitado por pacientes com doença hepática.

9. Voriconazol: antifúngico que pode ser usado para tratar micoses disseminadas.

10. Antibióticos: alguns bactericidas também podem atuar como antifúngicos.

11. Griseofulvina: fungostático usado para tratar tinhas.

12. Cotrimoxazol: remédio usado para tratar micoses pulmonares, como pneumocistose.

13. Terbinafina: medicamento oral usado para tratar onicomicose ou micose de unha.

14. Capsofungina: medicamento intravenoso contra micoses sistêmicas por Aspergillus ou Candida.

15. Flucitosina: remédio antifúngico utilizado para tratar a candidíase grave.

Micose: Medidas Preventivas

micose-bons hábitos de higiene
Micose: bons hábitos de higiene são a melhor prevenção.

Como os fungos estão em todos os lugares, e não há como evitar o contato com eles, a prevenção e a adoção de algumas medidas preventivas é o melhor tratamento para evitar o contágio.

  • Ter bons cuidados de higiene;
  • Sempre fazer uso de sandálias em locais públicos;
  • Evitar andar descalço em pisos úmidos;
  • Nunca use toalhas compartilhadas, especialmente se estiverem úmidas ou mal lavadas;
  • Se enxugar bem após o banho enxugue-se bem, principalmente nas áreas de dobras, como axilas, o espaço entre os dedos dos pés e virilha;
  • Usar somente o próprio material de manicure, ou verificar se os objetos são esterilizados;
  • Evitar o contato prolongado com água e sabão;
  • Usar roupas íntimas de fibras naturais como o algodão, para não prejudicar a transpiração;
  • Evitar roupas muito quentes e justas em tecidos sintéticos, que não absorvem o suor e prejudicam a transpiração da pele;
  • Use luvas e enxague as mãos toda vez que usar esponja;
  • Evite utilizar objetos pessoais de outras pessoas;
  • Evite ficar com roupas molhadas por muito tempo;
  • Não usar calçados fechados por longos períodos e optar por mais largos e ventilados.
       

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