Menstruação Irregular: Adolescência, Gravidez, Escura

Em algum ponto da vida adulta, a menstruação irregular se torna uma preocupação para a maior parte das mulheres.

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Em algum ponto da vida adulta, a menstruação irregular se torna uma preocupação para a maior parte das mulheres. Principalmente quando ainda não houve consulta médica e é algo novo, isso pode ocasionar muitas dúvidas.

Durante toda a sua vida, você provavelmente terá mais de 400 períodos menstruais. É claro que você provavelmente se acostumará a certos padrões depois de alguns anos, mas sair um pouco deles não é necessariamente preocupante.

Mudanças na sua alimentação, meio-ambiente ou até nas atividades físicas podem tornar a sua menstruação irregular mais de uma vez neste longo intervalo de tempo. Por isso, respondemos aqui algumas das questões mais comuns sobre menstruação irregular para que você saiba quando é algo natural e quando pode ser um sinal de alerta para algo mais sério que demanda acompanhamento médico.

Acompanhe nosso texto para saber um pouco mais sobre como o fluxo menstrual funciona e as diversas razões que podem ocasionar algum tipo de irregularidade nele.

O que é menstruação irregular?

O período menstrual de uma mulher pode variar muito de acordo com cada organismo. Os sangramentos costumam durar entre 3 e 7 dias e os ciclos costumam ter, em média, 28 dias. Porém, estes números não são imutáveis. Assim como as cores do sangue podem variar.

Você apenas terá certeza da regularidade do seu ciclo conhecendo seu corpo e ficando alerta ao funcionamento dele. Claro, tudo isso somado às consultas regulares com o seu ginecologista. Isto porque, apesar dos números apresentados no parágrafo anterior, pode ser que não se considere uma menstruação irregular mesmo com ciclos de 40 dias.

Geralmente, a menstruação é considerada irregular quando não obedece nenhum padrão individual que possa ser acompanhado. Ela pode aparecer muito antes da data esperada, por vezes mais de uma vez no mesmo mês ou pode mesmo ficar ausente por vários meses.

Além disso, durante a puberdade, a perimenopausa e a menopausa, que representam o início e o final da sua vida fértil, também é muito comum que haja alteração da cor e que os intervalos sejam imprecisos e difíceis de se acompanhar.

Porém, se sua menstruação costuma ter um ciclo regular e de tonalidades constantes e se tornou subitamente irregular sem que você esteja na puberdade ou próxima à menopausa, algumas das causas podem ser:

  • Ansiedade;
  • Estresse;
  • Uso de algum medicamento (incluindo controle hormonal, anticoncepcional e pílula do dia seguinte);
  • Sono irregular;
  • Enfermidades;
  • Exercício físico excessivo ou completamente ausente;
  • Mudança brusca de peso;
  • Má alimentação;
  • Nova convivência prolongada com outras mulheres (considerada apenas se não existir uso de anticoncepcional).

Por outro lado, se ela é irregular por algum tempo, as causas podem mais preocupantes.

Por isso, é sempre muito importante ter acompanhamento médico regular. Assim, você e seu ginecologista podem encontrar o motivo exato e as possíveis soluções para anormalidades antes que elas se tornem um problema maior.

Dito isso, saiba que a menstruação irregular duradoura pode ser causada por:

  • DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis);
  • Diabetes;
  • Síndrome do Ovário Policístico;
  • Gravidez;
  • Distúrbios da tireoide;
  • Tumores benignos;
  • Endometriose;
  • Problemas de coagulação no sangue;
  • Outras causas crônicas.

Pode ser gravidez?

Menstruação irregular pode, sim, ser sintoma de gravidez. Porém, é necessário muito cuidado ao usar a irregularidade da menstruação como sintoma, já que tanto a ausência quanto um sangramento fora de hora podem estar relacionados à gestação.

Entretanto, o mais indicado na suspeita de gravidez é procurar um médico o quanto antes para saber o motivo do atraso ou, então, para o início do acompanhamento pré-natal.

A consulta no caso da menor suspeita é importante porque a interrupção completa do fluxo menstrual, na verdade, nem sempre acontece durante os primeiros meses de gravidez – além de não ser incomum que aconteça um escape de sangue quando o óvulo adere ao útero, o que geralmente ocorre em um período que pode levar de dois a três dias após a relação sexual sem proteção.

Mais adiante explicaremos com mais detalhes as fases que compõem o ciclo menstrual e a possibilidade do escape de sangue nesta fase ficará mais clara.

É muito importante ter em mente que não basta confiar apenas na presença ou ausência da sua menstruação se a gravidez for uma hipótese. Este não é um sinal definitivo e, em qualquer um dos casos, o acompanhamento médico pode ser importante.

Fluxo menstrual irregular durante a adolescência

A primeira menstruação, também chamada de menarca, normalmente acontece entre os 8 e 18 anos, mas é mais frequente que inicie entre os 11 e 13.

Daí, dá-se início aos primeiros anos da puberdade, fase que, frequentemente, acontece na adolescência, e onde é perfeitamente normal e até bastante costumeiro ter a menstruação irregular.

Se uma irregularidade já foi verificada, fique alerta para hábitos como má alimentação, prática de muitos exercícios físicos e sono irregular. Eles também podem afetar a periodicidade da sua menstruação porque podem ocasionar uma alteração na produção de hormônios, resultando em interrupções e atrasos do seu ciclo.

Porém, é importante alertar que mesmo que a adolescente ainda não tenha relações sexuais, o acompanhamento médico é necessário.

Por estar ainda no início da vida reprodutiva, a menstruação irregular pode ser considerada normal. Por outro lado, se houver algum outro sintoma que aponte para causas mais preocupantes, com a ajuda da paciente, o médico pode ser capaz de identificar precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes.

Menstruação irregular após parar de usar anticoncepcional

O número de mulheres que têm optado por deixar de usar a pílula anticoncepcional é cada vez maior. Algumas optam por desejar engravidar, outras por considerarem o risco de possíveis efeitos colaterais muito grande. Seja qual for o seu caso, saiba que anticoncepcionais geralmente provocam grandes alterações hormonais, e esta é a causa mais frequente de irregularidades na menstruação.  

Quando você toma a pílula anticoncepcional, seus ovários agem como se você estivesse grávida. É por isso que durante o início do uso da pílula, você pode ter sentido inchaço dos seios, enjoo e outros sintomas semelhantes aos da gravidez.

Isso acontece porque a pílula contém estrogênio e progesterona sintéticos. Eles enganam seu corpo e seu ciclo é “pausado” em uma fase que antecede a liberação de um novo óvulo.

Portanto, seu corpo necessitará de um certo período de adaptação à produção natural de hormônios após interromper o uso de anticoncepcional, principalmente se este uso for prolongado.

O período de menstruação irregular pode variar muito de mulher para mulher. Há quem fique ainda cerca de três meses sem sequer menstruar depois da interrupção. Tem quem volte a menstruar normalmente assim que deixa de usar a medicação. E ainda há quem sofra com a irregularidade do ciclo por diversos meses.

Além disso, você notará outros efeitos colaterais. Alguns positivos, outros não. Com o retomar do ciclo natural, seus hormônios não estarão mais tão balanceados. Isso quer dizer que você poderá ter cólicas menstruais. Em compensação, a sua libido vai aumentar.

Isso porque ao usar os hormônios sintéticos da pílula, seus ovários deixaram de funcionar normalmente e, consequentemente, seu corpo já não produz tanta testosterona quanto antes.

Apesar de você provavelmente conhecer este nome e associá-lo a algo exclusivamente masculino, saiba que ele também é responsável pelo seu desejo. Assim que você deixa de tomar anticoncepcionais, o corpo volta a produzir a testosterona e o seu desejo também tende a aumentar.

Entre outras diferenças que você pode notar com a interrupção do anticoncepcional está o aumento do fluxo, que pode também ser considerado uma irregularidade. Outras partes do seu corpo serão igualmente afetadas, como uma diminuição considerável das dores de cabeça ou o aumento da oleosidade da pele.  

De qualquer forma, é sempre uma boa ideia consultar o seu médico e fazer um acompanhamento da saúde do seu sistema reprodutor quando tomar a decisão de iniciar ou interromper os anticoncepcionais.

Dependendo das reações do seu organismo, o profissional de saúde poderá também indicar um tratamento hormonal que ajude a menstruação ter um ciclo regular novamente.

Menstruação irregular durante uso de anticoncepcional

       

Como citado anteriormente, a pílula anticoncepcional provoca alterações hormonais significativas no corpo. Alguns medicamentos podem interromper o seu fluxo por muitos meses ou até anos.

A pílula anticoncepcional é desenvolvida para que seus ovários parem de liberar óvulos. Elas liberam certos hormônios para que isso aconteça e não haja risco de engravidar e a reação de cada organismo pode variar muito.

Algumas mulheres podem experienciar o que é conhecido por “hemorragia de privação”, que acontece durante o período de pausa do anticoncepcional ou ainda durante o uso de pílulas que sirvam para este fim.

Embora essa hemorragia possa se assemelhar a uma menstruação, não é a mesma coisa. Ela também não é uma necessidade do seu corpo e só existe porque, com a invenção da pílula anticoncepcional, algumas mulheres diziam que preferiam que existisse este sangramento ocasional.

O que realmente deve causar preocupação é se houver algum tipo de sangramento durante o período ativo, ou seja, enquanto se toma o anticoncepcional e longe das datas de pausas.

Isso pode dizer que seu corpo não está se adaptando aos hormônios ingeridos ou, ainda, algum tipo de irregularidade com o seu útero. Portanto, marque um ginecologista o quanto antes e informe qualquer outro tipo de alteração que tenha notado.

Como calcular o ciclo menstrual?

O ciclo menstrual dura, em média, 28 dias. Porém, este número pode ser maior ou menor de acordo com cada mulher e também pode variar muito ao longo da vida.

O cálculo dele é relativamente fácil e, para um resultado conclusivo, é importante que mantenha registro de datas por cerca de um ano.

Começa-se a contar um ciclo a partir do primeiro dia de sangramento e ele dura até o dia anterior ao próximo sangramento. Com base no número de dias do seu ciclo menstrual, você também poderá saber, aproximadamente, quando ocorrerá seu preríodo fértil. Ele deve ser calculado com aproximadamente dois a três dias antes a dois ou três dias depois da ovulação.

Estima-se que a fase lútea (sobre a qual você lerá mais detalhadamente abaixo) dure cerca de 14 dias. Para calcular o período fértil, o ideal seria subtrair estes 14 dias do total do seu ciclo e considerar, então, dois dias anteriores e posteriores a ele.

Se seu ciclo, regulado, tiver apenas 21 dias, por exemplo, o cálculo seria 21-14=7. Isso quer dizer que o seu período fértil seria entre o quinto e o décimo primeiro dia do ciclo menstrual.  

É claro que esses cálculos são muito mais eficazes quando o ciclo é regular, já que dependemos de estimativas de ciclos anteriores para fazê-los.

Embora você possa fazer todos estes cálculos manualmente, atualmente é possível contar com diversas alternativas como, por exemplo, o uso de apps e sites que fazem os cálculos automaticamente.

Além de contar com um registro facilitado e preciso, você ainda poderá receber alertas e previsões de futuros inícios de ciclo, além de ter uma ideia mais clara de quando ocorrerá seu período fértil.

Para melhor compreensão, o ideal seria conhecer melhor todas as fases que compõem seu ciclo, como explicaremos a seguir.

A TPM e o início do ciclo menstrual

O ciclo menstrual começa com o primeiro dia da menstruação. O sangue expelido é resultado do rompimento de uma membrana do útero conhecida como endométrio, que é renovada sempre que seu organismo identifica que não ocorreu a fecundação de um óvulo.

Ou seja: a cada vez que você não engravida, seu corpo libera hormônios que ocasionam o rompimento e liberação do sangue e do tecido intrauterino que se preparava para receber um bebê.

Fase folicular e a diminuição dos sintomas da TPM

A fase folicular tem duração aproximada de entre 12 e 14 dias. Este período causa baixa no estrogênio, uma das principais causas da cólica menstrual. É nele também que a fase de maturação de óvulos (folículo) é mais intensa para que um deles seja liberado no útero.

Também é quando a camada interna do útero, o endométrio, começa a engrossar novamente com a ajuda da liberação do estrogênio. Isso serve para que, caso haja fecundação, o óvulo seja recebido ali, onde também se formará a placenta.

Gradativamente, a liberação de estrogênio faz o endométrio engrossar, o que também fará com que você se sinta melhor, aumentará sua libido e reduzirá a cólica.

Normalmente, a cada mês, ao menos um óvulo fica pronto para ser fertilizado e é liberado para o útero, dando início à próxima fase.

Fase ovulatória

Quando o folículo que ficou pronto é liberado para o útero, dá-se início à fase ovulatória. O óvulo liberado passa então para as trompas e viaja em média de três a quatro dias até ser liberado para o útero.

Tenha em mente que o óvulo é muito pequeno e, para ele, essa é uma longa viagem. Durante este período, o endométrio é estimulado a engrossar cada vez mais, se preparando para uma possível fecundação. Ao chegar no útero, um óvulo leva cerca de 24 horas aguardando a fertilização antes de começar o processo de degeneração.

Embora seja muito difícil de precisar a fase ovulatória quando se tem uma menstruação irregular, isso tudo ocorre geralmente entre o décimo primeiro e décimo quarto dia do ciclo. É também o que chamamos de “período fértil”, citado anteriormente, que é quando o óvulo está pronto para ser fecundado.

Algumas mulheres ocasionalmente liberam mais de um óvulo e, quando isso acontece, caso haja fertilização de ambos, pode gerar gêmeos bivitelinos (ou não-idênticos).

Fase lútea

Este é o período onde o corpo passa a produzir mais estrogênio e progesterona. Isso contribui para que a camada interna do útero engrosse ainda mais para se preparar para uma gravidez.

Se acontece de o óvulo ser realmente fecundado, ele é recebido pelo endométrio, onde se prende, e é ali que posteriormente é formada a placenta. Nesse período, o corpo continua produzindo progesterona para que o endométrio cresça, para manter a nutrição do bebê e evitar contrações uterinas.

Quando o óvulo não é fecundado, dá-se início a uma nova fase de descamação para renovar o endométrio e, assim, inicia-se um novo ciclo menstrual. Ocorre a perda de estrogênio e a descamação daquela camada uterina que se preparou para receber um bebê.

Ciclo menstrual de 18 dias é normal?

Se acontecer ocasionalmente, não é motivo para preocupação, Porém, se for recorrente, é altamente recomendável procurar um médico caso o seu ciclo menstrual dure menos de 21 dias. Apenas ele poderá fazer os exames necessários e encontrar o que está ocasionando um ciclo menstrual tão curto.

Geralmente o problema está, novamente, na produção de algum hormônio e há muitas causas para que ela apresente alterações. Desde mudanças ambientais, causas emocionais ou até doenças consideradas mais preocupantes.

Por isso, o acompanhamento médico é importante, já que de acordo com o seu histórico e exames, vocês poderão encontrar se há algo de errado. No caso de uma resposta afirmativa, também poderão buscar as alternativas para um tratamento o quanto antes.

Considerações finais

Embora existam muitos motivos que possam ocasionar uma menstruação irregular, se o caso for eventual, não há motivo para preocupação.

Lembre-se, porém, de manter suas visitas ao ginecologista em dia e alertá-lo sobre qualquer coisa que considerar fora do normal, incluindo menstruação irregular. Isso pode ajudar a iniciar um tratamento cedo e evitar maiores complicações.

O mais importante é observar e conhecer bem o seu corpo.

Tenha sempre um controle do intervalo aproximado entre uma menstruação e outra, uma ideia da quantidade e aspecto do sangue e quantos dias a menstruação dura. Assim você poderá passar ao ginecologista todas as informações relevantes a respeito da sua menstruação irregular em busca de um diagnóstico assertivo.

       

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