Livres na Terceira Idade

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Sempre me interessei pelo assunto envelhecimento porque internamente a impressão que eu tenho é de que existe uma certa liberdade vivenciada ao se atingir uma idade mais avançada. Sermos livres na terceira idade!

Sem devaneios ou utopias tenho consciência das perdas e dos limites. Envelhecer não é fácil, nem bonito, nem prazeroso. Mas isso não significa que devemos aceitar esta situação sem usar nossa inteligência para reduzir os impactos e aumentar o bem estar “enquanto amadurecemos à medida que envelhecemos”. Envelhecer sem amadurecer deve ser como estar em uma bela festa apenas olhando as pessoas bebendo, comendo e dançando sem poder fazer nada disso. Se você fosse convidado para uma festa sem ter nenhuma condição de interagir com seus elementos você iria? Provavelmente não! A não ser que fosse por algo muito especial, que lhe valesse o sacrifício.

Desenvolvendo um pouco mais o assunto, não é da liberdade física a qual me refiro, pois esta incontestavelmente vai se restringindo com o passar do tempo proporcionalmente à saúde e estilo de vida de cada um. Refiro-me à liberdade para virtudes, valores, ética e moral e também me refiro à liberdade espiritual.  Porém não significa que todos os seniores que conheço lidam com esta liberdade com elegância e sabedoria. Na verdade, bem poucos. Observo que tem pessoas que ficam velhas sem amadurecer e penso que isso deve ser muito triste.



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Quanto às virtudes estas deveriam estar mais consolidadas e visivelmente praticadas, o que pode libertar qualquer indivíduo de qualquer sofrimento: ser paciente, ser amoroso, tolerante, forte, compreensivo, respeitoso, gentil, benevolente… não nascemos assim, nos tornamos assim. Para os valores, ética e moral considero a oportunidade de se ter o olhar maduro às atitudes e comportamentos mais importantes para a proteção, manutenção e harmonia dos relacionamentos sociais, culturais e ambientais, podendo libertar o indivíduo de inúmeras doenças. Quanto à espiritualidade, a liberdade vem através de uma consciência que deveria estar mais plena de conquistas não materiais, coisas que estarão marcadas pela eternidade de alguma maneira e que ninguém poderá roubar ou destruir, nem mesmo o tempo.

       

Contudo, acredito que podemos aproveitar todas as fases de nossa vida inclusive o envelhecimento e considero que o maior medo que deveria existir é o de não envelhecermos. Então já que o envelhecimento inexoravelmente dá continuidade à vida segundo após segundo, e que chega uma hora depois de “adultecermos” experimentamos “envelhecermos de fato” desejo que a velhice nos venha com as honras que merecemos, conforme contribuirmos para isso.

Assim sendo, a liberdade na terceira idade acontece ao nos voltarmos para uma prática de vida que ao mesmo tempo encontra o mundo físico, ao mesmo tempo transcende o mundo físico. Ao mesmo tempo vivencia tumultos, impactos, avanços tecnológicos, diferenças, novidades, relacionamentos sociais sem se deixar influenciar por eles reagindo aos seus movimentos, mas interagindo de forma complementar, segura, confiante e proveitosa. Pegando o que é pra si e soltando o que não interessa, com a consciência de quem já trilhou uma grande jornada e sabe muito bem lidar com os desafios sem adoecer tanto, sem se queixar tanto. Sentindo gratidão por tantas oportunidades que só alguém na idade avançada pode dizer que já teve na vida.

Liberdade na terceira idade é não se impressionar com “o que será do futuro” e o sentimento de vazio que esta pergunta pode causar, mas se envolver completamente no AGORA de tal forma que quando o futuro vier seja ele qual for, deverá haver um sentimento de que nada foi perdido e de que nada mais está errado. Livre de qualquer desgosto e arrependimento e cheio de felicidade!

 

Abraços

Gal Rosa

       

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