Leucemia Tem Cura? Em Idosos, Tratamentos, etc.

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A leucemia é um dos cânceres do sangue mais conhecidos. Na verdade, a leucemia é um conjunto de doenças malignas diferentes entre si. Assim, leucemias possuem vários tipos, mas que em todos os casos acomete tecidos formadores de sangue, incluindo a medula óssea. Apesar de muitos tipos, a leucemia tem cura, e os seus tratamentos são complexos, podendo variar muito dependendo do seu tipo e da evolução da doença.

Normalmente, a leucemia ataca os leucócitos, fabricados dentro da medula óssea a partir de uma célula-tronco. Os leucócitos são os glóbulos brancos do sangue presentes nos gânglios linfáticos e na corrente sanguínea responsáveis por grande parte do nosso sistema imunológico. Algumas leucemias possuem crescimento lento, já outras são mais agressivas.

Os tratamentos podem variar desde apenas monitoramento à quimioterapia, seguida por radioterapia e até transplante de células-tronco. Atualmente no Brasil, a leucemia é o 9º câncer mais comum entre homens e o 11º entre as mulheres, acometendo crianças e idosos.

Apesar de ser um câncer e uma doença que costuma apavorar a todos, muitas vezes não é uma sentença de morte. Felizmente, a leucemia tem cura e muita gente já venceu essa terrível doença! Até quem não teve a sorte de se curar, na maioria dos casos, teve a sua expectativa de vida aumentada com qualidade através dos recursos terapêuticos disponíveis. No artigo abaixo, vamos explicar quais são todos os tipos de leucemia existentes, seus sintomas e tratamentos disponíveis.

O que é Leucemia?

leucemia tem cura: células de sangue normais misturadas a células anormais de leucemia
Leucemia tem cura: a leucemia é um tipo de câncer no sangue que ataca o sistema imunológico.

A leucemia tem cura, mas é um tipo de câncer que acomete os tecidos formadores de sangue, incluindo a medula óssea, líquido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos que produz os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas.

Os glóbulos vermelhos possuem a função de transportar oxigênio para órgãos e tecidos do nosso organismo. Já as plaquetas são responsáveis pela coagulação do sangue, evitando hemorragias. E os glóbulos brancos têm a função de combater as infecções no organismo.

Portanto, na presença da leucemia, os glóbulos brancos perdem essa função de defesa e passam a se produzir de maneira descontrolada. Com isso, reduzem o espaço na medula óssea para a fabricação das outras células do sangue, fazendo com que caiam na corrente sanguínea antes de estarem preparadas para exercer suas funções.

Ou seja, além do organismo ficar com o sistema imunológico completamente indefeso, todo o organismo fica vulnerável sem oxigenação e coagulação adequadas, comprometendo assim várias funções vitais.

Tipos de Leucemia

leucemia tem cura: glóbulos brancos do sangue com leucemia
Leucemia tem cura: há vários tipos de leucemia, podendo ser crônica ou aguda.

As causas da leucemia são desconhecidas, mas existem alguns tipos diferentes, pois são várias as linhagens celulares que derivam da medula óssea. A sua classificação baseia-se de acordo com a sua evolução e nos tipos de defeitos que afetam os glóbulos brancos. Assim, as leucemias se dividem em: leucemia mielóide e leucemia linfóide.

Isto é, as leucemias que afetam as células linfóides são chamadas de: leucemia linfóide, linfocítica ou linfoblástica, sendo mais frequente em crianças. Já as que afetam as células mieloides são chamadas de leucemia mieloide ou mieloblástica, sendo mais comum em adultos.

Ambas podem ser tanto agudas, quando há o crescimento rápido de células imaturas, causando uma enfermidade agressiva; quanto crônicas, quando a transformação maligna ocorre em células-tronco mais maduras, porém anormais. Nesse caso, a doença costuma evoluir mais lentamente, com complicações que podem levar meses ou anos para ocorrer.

Sintomas da Leucemia

Geralmente em todos os tipos da doença, os primeiros sintomas de leucemia aparecem quando a medula óssea deixa de produzir células sanguíneas normais. Leucemias do tipo crônicas, ou seja, de evolução lenta, podem ser completamente assintomáticas, e demorar anos para apresentarem algum sintoma.

Já as leucemias agudas, mais agressivas, os sintomas surgem em forma de anemia, fraqueza, cansaço, sangramentos nasais e nas gengivas, manchas roxas e vermelhas na pele, gânglios inchados, febre, sudorese noturna, infecções, dores nos ossos e nas articulações, podendo variar a cada defeito nos glóbulos brancos.

É importante, que no dia da consulta o seu médico saiba sobre cada um dos sintomas, e sobre os medicamentos dos quais fez ou ainda faz uso. A leucemia tem cura, mas tudo isso pode ajudar muito na investigação da doença.

Diagnóstico da Leucemia

leucemia tem cura: menino tomando vacina após quimioterapia
Leucemia tem cura: a leucemia tem vários tipos de tratamento de acordo com a evolução da doença e tipo de leucemia.

Leucemia tem cura, e normalmente, o diagnóstico da doença é feito através de um hemograma. Um exame indicado para avaliar as condições em que se encontram as várias composições do sangue.

No caso de alterações indicativas da doença, o mielograma permite a análise direta do local afetado para identificar o tipo de célula anormal que impede a fabricação dos outros elementos do sangue. Leucemias crônicas, por exemplo, às vezes são diagnosticadas em um exame de sangue de rotina.

Em seguida, é feito uma biópsia da medula óssea para determinar a confirmação definitiva do diagnóstico. Além disso, podem também ser pedidos, dependendo do tipo de leucemia constatado: exames citogenéticos, testes moleculares e exame de PCR.

Na maioria dos casos, ser diagnosticado com qualquer tipo de leucemia definitivamente não é uma sentença de morte. No entanto, o diagnóstico precoce é fundamental. Quanto antes a doença for descoberta, melhor serão os resultados durante o tratamento. Com todos os avanços na ciência, hoje os tratamentos possibilitam a remissão completa da doença e uma vida normal.

Todos os exames estão disponíveis no SUS – Sistema Único de Saúde, exceto o FISH. Porém, ele pode ser feito através de um plano de saúde. Caso você enfrente alguma dificuldade, saiba que a Abrale (Associação brasileira de Linfoma e Leucemia) oferece gratuitamente um Apoio Jurídico

Hemograma completo

Normalmente, o hemograma completo (exame de sangue) é o primeiro exame a ser pedido pelo médico, pois a doença provoca aumento significativo dos glóbulos brancos, podendo também atingir os glóbulos vermelhos e as plaquetas. Assim, todas essas alterações serão constatadas neste exame já que o exame mede os níveis de todos esses elementos.

O hemograma também costuma ser pedido para verificar a melhora da doença durante o seu monitoramento, resposta hematológica (RH). Na resposta hematológica completa (RHC), a contagem de leucócitos (um tipo de glóbulo branco) não se apresenta elevada e a contagem de plaquetas, normal. Isso costuma acontecer após três meses de tratamento.

Mielograma

O mielograma é feito através de uma amostra de sangue da medula óssea retirada por uma agulha. O exame é fundamental para a investigação completa das anormalidades registradas no hemograma e diagnóstico preciso da doença.

Biópsia da medula

A biópsia da medula consiste na retirada de um fragmento do osso da região lombar para avaliação em laboratório. A partir disso, a leucemia é constatada de forma definitiva.

Exames citogenéticos

Os exames de citogenética são feitos através de uma amostra de sangue ou da medula óssea para medir o cromossomo Philadelphia (Ph+) e fechar o diagnóstico. São dois os tipos de testes citogenéticos:

  • Cariótipo – usado para identificar anormalidades cromossômicas em um pequeno número de células;
  • FISH (Hibridização In Situ por Fluorescência) – teste mais sensível, que detecta uma célula anormal em meio a 700 células normais.

A resposta citogenética completa (RCC) acontece quando nenhuma célula anormal, com o cromossomo Ph+, são identificadas. Ela pode durar até um ano ou mais (18 meses), então esses testes podem ser repetidos a cada três ou seis meses.

Testes moleculares

Há ainda o teste molecular de reação em cadeia da polimerase (PCR), utilizado para o diagnóstico e uma das principais ferramentas para o acompanhamento da doença. Por meio de uma amostra de sangue ou da medula óssea, o PCR é capaz de encontrar aproximadamente uma célula anormal em meio a um milhão de células.

No caso da leucemia LMC, ele mede a quantidade do gene de fusão causador da doença, o BCR-ABL. O exame é bastante sensível na detecção do BCR-ABL, pois amplia em pequenas quantidades de pedaços específicos o DNA deste gene.

Ele deve ser realizado a cada três meses, até o paciente atingir a resposta molecular maior (RMM), ou 18 meses de tratamento. Após isso, monitora-se a cada seis meses. O objetivo é manter o BCR-ABL em níveis baixos ou o mais baixo possível.

Quando a resposta molecular é completa, significa que o exame não encontrou o gene BCR-ABL no sangue. Já a resposta molecular maior significa que a quantidade do gene no sangue é 1/1000 (ou menos) do que o esperado em alguém com leucemia mieloide crônica não tratada.

Leucemia tem cura: Tratamentos da Leucemia

leucemia tem cura: mulher com leucemia em cadeira de rodas no hospital para tratamento
leucemia tem cura: a leucemia pode ser tratada com vários tipos de tratamentos eficazes.

A leucemia tem cura, e em termos gerais, o tratamento para leucemias é dividido em duas etapas. A primeira é chamada de indução da remissão, e tem por objetivo eliminar as células defeituosas, denominadas blastos, muito sensíveis à quimioterapia.

Em uma segunda fase, são introduzidas estratégias de consolidação para combater possíveis focos residuais da doença. No caso de pacientes que não respondem a essas tentativas terapêuticas, há a chance de recorrer ao transplante de medula óssea.

Em todos os casos, é fundamental seguir com o tratamento ininterruptamente, e sempre ser acompanhado por um especialista. Converse abertamente com seu médico a respeito de todos os exames e tratamentos disponíveis, assim como tirar todas as suas dúvidas. Como por exemplo, como são os procedimentos, riscos, duração do resultado, entre outras. É muito importante se sentir seguro!

Inibidores de tirosina quinase ou Terapia Alvo

Os inibidores da tirosina quinase ou terapia alvo são uma uma das grandes revoluções da ciência em termos de tratamento para leucemias. Atualmente, são o tratamento padrão para alguns tipos de leucemia, principalmente a LMC, LLC, LLA.

Eles costumam apresentar resultados cada vez mais promissores, pois combatem apenas as células doentes e proporcionam uma vida normal aos pacientes, com poucos ou até nenhum efeito colateral.

A maioria desses medicamentos possui registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é distribuído gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), exceto o Ibrutinib, e aqueles que ainda não estão disponíveis no Brasil. São eles:

Imatinibe

É um tratamento de primeira linha, sendo o primeiro medicamento alvo contra a tirosina quinase BCR-ABL, e hoje um tratamento padrão para os pacientes com LMC. É administrado via oral e muito bem aceito. Dentre os possíveis efeitos colaterais estão náuseas, diarreia, dor muscular e fadiga.

Dasatinib

No Brasil, é considerado um medicamento de segunda linha, mas é indicado aos pacientes que não apresentaram resultados esperados com o Imatinibe. Também é administrado via oral com o objetivo de inibir a tirosina quinase BCR-ABL. Seus possíveis efeitos colaterais são náuseas, diarreia e erupções cutâneas.

Nilotinib

O medicamento tem como alvo a proteína BCR-ABL e também é administrado via oral. O medicamento é considerado de primeira linha no Brasil, e é indicado para os pacientes que não respondem ao Imatinibe nem ao Dasatinibe. Dentre os principais efeitos colaterais estão náuseas e diarréia, podendo afetar o ritmo do coração, causando a chamada síndrome QT longo. Por este motivo, são realizados eletrocardiogramas periodicamente.

Bosutinib

Atualmente apenas aprovado nos Estados Unidos, e utilizado nos pacientes que têm uma piora da doença (fase blástica), e que não respondem mais às três primeiras opções de tratamento.

Ibrutinib

Medicamento oral que bloqueia a atividade da proteína quinase, responsável por informar às células leucêmicas para se dividirem e sobreviverem no organismo. Ele se mostrou muito importante nos casos em que a LLC voltou ou após outras tentativas de tratamento. Dentre os efeitos colaterais apresentados estão diarreia e dores cutâneas. O medicamento já foi aprovado pela ANVISA, mas não é distribuído gratuitamente pelo SUS.

Ponatinibe

Medicamento indicado para pacientes em tratamento com os inibidores, mas que desenvolvem a mutação T315I, que atrapalha a ação destes medicamentos. Atualmente, apenas o Ponatinibe consegue deter essa mutação, porém pode causar efeitos colaterais como dor de cabeça, problemas de pele e fadiga.

Há também um risco de formação de coágulos sanguíneos, que podem provocar complicações cardíacas. Neste caso são realizados também acompanhamento médico, por meio de eletrocardiograma. O medicamento ainda não está aprovado no Brasil.

Transfusão de sangue

Em alguns casos, a transfusão de sangue se faz necessária, já que o número de plaquetas fica bem abaixo do normal neste período e alguns pacientes com certos tipos de leucemias podem apresentar hemorragias perdendo muito sangue.

Imunomodulador

Também chamado por modulador da resposta citogenética, o Interferon é uma opção no tratamento da leucemia do tipo LMC. Essa é uma proteína existente em nosso organismo com o objetivo de combater doenças, e foram recriadas em laboratório com a mesma finalidade. Existem dois os tipos de Interferon: o alfa e o beta, sendo apenas o primeiro usado para o tratamento da leucemia.

Este medicamento é administrado por via intramuscular e pode provocar efeitos colaterais como dores musculares, febre, dor de cabeça, fadiga, náuseas, vômitos. O Interferon tem registro no Brasil, mas não é distribuído gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Quimioterapia

A leucemia tem cura e um dos principais tratamentos é através da quimioterapia. Principalmente, recomendada caso o paciente não responda bem aos inibidores de tirosina quinase. O tratamento utiliza medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer, como a Hidroxiureia, com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes.

Outras drogas, como a Citarabina, Busulfan, Ciclofosfamida, Clorambucila, Fludarabina​, Doxorrubicina, Bendamustina e Vincristina, também são utilizados dependendo de cada tipo de leucemia.

Sua administração é feita em ciclos, com um período de tratamento, seguido por um período de descanso, para permitir ao corpo um momento de recuperação, e o uso de cateteres geralmente é necessário. Alguns efeitos colaterais comuns são enjoo, diarreia, obstipação, alteração no paladar, boca seca, feridas na boca e dificuldade para engolir.

A queda de cabelo também é comum, pois a quimioterapia atinge as células malignas e também as saudáveis. Principalmente, as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pelo crescimento dos cabelos.

Alguns medicamentos são usados como terapia de suporte. No entanto, existem muitas outras alternativas para amenizar cada um desses sintomas. Uma boa alimentação e pequenos cuidados, como lavar as mãos com frequência, você pode evitar que as infecções apareçam.

Terapia de suporte

A imunidade baixa também é comum nas fases de tratamento da leucemia, e pode facilitar o surgimento de infecções. Principalmente, durante a fase de quimioterapia ou radioterapia. A febre é um aviso de que um processo infeccioso está começando. Neste caso, são necessários alguns medicamentos como terapia de suporte, com o objetivo de controlar ou inibir o surgimento delas, amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia e melhorar a qualidade de vida do paciente em tratamento. Os principais são:

  • Aciclovir;
  • Alfaepoetina;
  • Alopurinol;
  • Caspofungina;
  • Dexametasona;
  • Enoxaparin;
  • Filgrastim;
  • Levofloxacina;
  • Metilpredinisolona;
  • Mesna;
  • Mercaptopurina;
  • Sulfametoxazol;
  • Trimetoprima;
  • Voriconazol.

Radioterapia

Apesar de ser um procedimento bastante raro no caso de leucemias, pode ser indicado como alternativa antes de partir para o transplante de medula óssea. Normalmente, é indicado para diminuir o tamanho do baço e possíveis dores ósseas em alguns tipos de leucemias. Nele, são utilizadas radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais.

Os efeitos colaterais vão depender da localização em que o procedimento será realizado. Geralmente, o paciente pode apresentar problemas de pele, como ressecamento, coceira, bolhas ou descamação.

Transplante de medula óssea

A leucemia tem cura, principalmente através do transplante de medula óssea, onde todo o problema é gerado. Também chamado por transplante de células-tronco hematopoéticas. O procedimento só será recomendado quando a quimioterapia não surtir resultado, e o paciente estiver com a doença bastante acelerada (crise blástica). O tipo de transplante indicado é o alogênico, ou seja, por meio de um doador 100% compatível.

Imunoterapia

As células cancerígenas se proliferam de forma rápida e descontrolada, e enganam o sistema imunológico, para que ele não as identifique como uma ameaça e desligue a resposta imune ou pare as funções imunológicas para destruí-las. Com isso, a imunoterapia faz com que o próprio sistema imunológico reconheça essas células doentes e as ataque diretamente.

Neste caso, os medicamentos como Rituximab, Obinutuzumab, Ofatumumabe e Alentuzumabe ajudam o próprio sistema imunológico a combater as células com cancerígenas. Normalmente, eles são aplicados na veia, e podem apresentar efeitos colaterais como prurido, calafrios, febre, náuseas, erupções cutâneas, fadiga e dores de cabeça.

Todos eles possuem registros na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Nacional) e podem ser utilizados no país. No entanto, apenas o Rituximab é distribuído gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

       

Leucoferese

Em alguns casos de leucemia linfoide crônica (LLC) um número muito elevado de células doentes provoca problemas na circulação sanguínea. Normalmente, a quimioterapia costuma normalizar esse número de células, mas a leucoferese pode ser utilizada até que o primeiro ciclo seja aplicado.

Neste procedimento, o sangue passa por uma máquina especial, que remove os glóbulos brancos, e depois retorna o restante das células e de plasma para a corrente sanguínea. O paciente pode ficar tanto deitado quanto sentado, e precisará colocar um cateter.

Para entender melhor os tipos existentes de Leucemias, vamos descrever abaixo cada um deles, seus sintomas e tratamentos, assim como conviver com a doença caso não seja curada e o que fazer em caso de reincidências.

1. Leucemia Mielóide Crônica – LMC

A leucemia mieloide crônica (LMC) é um tipo de câncer desenvolvido na medula óssea, que na maior parte dos casos acomete adultos na faixa etária dos 50 anos, sendo que apenas 4% dos pacientes são crianças.

Apesar de não se saber ao certo a causa do seu surgimento, sabe-se que a doença não é hereditária, mas adquirida e não está presente no momento do nascimento. Atualmente, este tipo de leucemia tem cura, sendo que mais de 70% dos pacientes atingem a remissão completa da doença.

A LMC se distingue dos outros tipos de leucemia pela presença de uma anormalidade genética nos glóbulos brancos, denominada cromossomo Philadelphia (Ph+). As células humanas possuem 22 pares de cromossomos numerados de 1 a 22 e dois cromossomos sexuais, dando um total de 46 cromossomos. No caso da leucemia mieloide crônica, ocorre uma translocação (fusão de uma parte de um cromossomo em outro cromossomo) em dois cromossomos, os de número 9 e 22.

Sinais e Sintomas – LMC

De um modo geral, o corpo dá indícios de que algo não vai bem, porém os sinais podem ser comuns a outros problemas de saúde. Portanto, é preciso consultar um médico e relatar qual é a frequência destes sintomas, intensidade de cada um e fazer todos os exames para se chegar a um diagnóstico preciso.

A maior parte dos sintomas é causada devido ao fato das células doentes tomarem o lugar das células normais na medula óssea. São eles:

  • Palidez, resultante de anemia;
  • Cansaço e mal-estar;
  • Desconforto no lado esquerdo do abdômen – o baço aumenta muito de tamanho;
  • Suor excessivo;
  • Perda de peso;
  • Hematomas.

Diagnóstico e Monitoramento – LMC

Leucemia tem cura e o seu diagnóstico segue a linha em termos gerais de um hemograma completo para a contagem de glóbulos brancos e outros elementos do sangue. Neste caso, exames clínicos e de imagem para verificar o aumento do baço, sintoma típico da LMC.

Um mielograma também é fundamental para a constatação das anormalidades registradas no hemograma. Além disso, os exames de citogenética, como o cariótipo e o FISH, são fundamentais para avaliar especificamente o cromossomo Philadelphia para fechar o diagnóstico.

Há ainda o teste molecular de reação em cadeia da polimerase (PCR), utilizado para o diagnóstico e acompanhamento da doença. Ele mede, no sangue ou medula óssea, a quantidade do gene de fusão causador deste tipo de câncer, o BCR-ABL.

Monitorar os resultados obtidos após o diagnósticos e tratamentos é fundamental no caso das leucemias crônicas. Para isso, diferentes exames são realizados, e cada um deles mostrará como o paciente está reagindo à terapêutica.

O hemograma, por exemplo irá mostrar melhora através da resposta hematológica (RH), em que a contagem de leucócitos (um tipo de glóbulo branco) não estará mais elevada e a contagem de plaquetas, normal. Isso costuma acontecer após três meses de tratamento.

Leucemia tem cura: Tratamento – LMC

Hoje, o tratamento para a LMC está muito avançado e a maior parte dos pacientes conquista a remissão completa da doença. Normalmente, o médico vai definir qual a melhor opção terapêutica, mas há opções de usar inibidores da tirosina quinase ou terapia alvo com diversos medicamentos diferentes.

Além disso, existe a possibilidade de tratamento com imunomodulador ou modulador da resposta citogenética (Interferon alfa). A quimioterapia, se não houver resposta aos inibidores e a radioterapia, um tanto mais rara neste caso, podem ser utilizadas como último recurso antes de um transplante de medula óssea.

Reincidências – LMC

São diversas as opções para o tratamento. Ou seja, caso o paciente não responda bem ao primeiro tratamento, o especialista terá outras opções para indicar.

Quando a LMC se apresenta em uma fase acelerada, as células doentes se acumulam no corpo de forma mais rápida e podem adquirir novas mutações genéticas, que tornam o tratamento menos eficaz. Assim, são feitas repetições das mesmas opções terapêuticas, porém com uma dosagem maior. O transplante de medula óssea, incluindo o autólogo, pode também ser uma opção, em especial para os pacientes mais jovens.

Já a fase blástica é a mais complicada, tornando a leucemia crônica mais próxima da aguda. Nestes casos, as células doentes são fabricadas em maior número e tornam-se resistentes às terapias convencionais. Para os pacientes em fase blástica que não foram tratados antes, altas doses de um dos inibidores da tirosina quinase podem ser indicadas. Como por exemplo, o Bosutinibe para aqueles que já iniciaram o tratamento, e mesmo assim tiveram um aceleramento na doença (embora não esteja disponível no Brasil).

2. Leucemia Linfoide Crônica – LLC

A leucemia linfoide crônica (LLC) é bem diferente dos outros tipos de leucemias, pois em alguns casos não é necessário realizar um tratamento. A doença se manifesta quando os glóbulos brancos param de realizar suas funções. E também não é hereditária, mas adquirida. Apesar de não se saber a sua causa, na maior parte dos casos, ela atinge pessoas com mais de 50 anos, sendo que não há registros de crianças que tenham adquirido a doença.

A doença é considerada crônica porque essa alteração provoca o crescimento desordenado de linfócitos B maduros (um tipo de glóbulo branco) que, geralmente, não impede a produção das células normais. Ou seja, ao mesmo tempo em que há uma produção de células com problemas, causando acúmulo na medula óssea, o processo de fabricação e maturação das células saudáveis continua acontecendo.

Sinais e Sintomas – LLC

Na maior parte das vezes, a leucemia linfoide crônica não apresenta nenhum sinal e é descoberta durante exames de rotina. Mesmo assim, os seguintes sinais podem ocorrer:

  • Cansaço e falta de ar ao praticar atividades físicas;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Aumento de gânglios (ínguas);
  • Suor noturno;
  • Infecções frequentes.

Na presença de qualquer sintoma, procure um médico especialista (onco-hematologista).

Diagnóstico e Monitoramento – LLC

Leucemia tem cura e o diagnóstico da LLC é feito com um simples hemograma (exame de sangue), para já notar alterações na contagem de células. No entanto, para um melhor diagnóstico são pedidos um mielograma ou a biópsia da medula para melhores características dos glóbulos brancos.

Há também testes de imunofenotipagem e de citogenética (cariótipo), para o diagnóstico do tipo da leucemia – no caso, a leucemia linfóide crônica. É possível também pedirem o FISH (hibridização por fluorescência in situ) e a citometria de fluxo, como outras opções de medir de maneira individual milhares de células.

Em casos mais raros, o paciente apresenta aumento de gânglios linfáticos (carocinhos na região da virilha, pescoço e axilas). Nestes casos, o médico pode pedir uma biópsia do gânglio, para uma melhor avaliação.

Subtipos – LLC

A LLC afeta, na maior parte dos casos, os linfócitos B, mas existem alguns tipos raros da doença que podem afetar os linfócitos do tipo T (também responsáveis pela proteção do organismo), ou até mesmo outras células. São elas:

  • Leucemia prolinfocítica – as células doentes são semelhantes às células normais, denominadas prolinfócitos, que são formas imaturas de linfócitos B ou linfócitos T. Ambos tendem a ser mais agressivos do que na LLC comum. A maioria dos casos respondem às formas de tratamento, mas com o tempo tendem a voltar;
  • Leucemia linfocítica granular – é bastante rara, mas este tipo de LLC afeta os linfócitos T, e possui um crescimento lento que pode ser mais difícil de tratar;
  • Tricoleucemia – também chamada de leucemia de células pilosas (ou células cabeludas), é também bastante rara, de crescimento lento, com uma forte predominância no sexo masculino.

Leucemia tem cura: Tratamento – LLC

Por mais estranho que pareça, muitos pacientes não precisam de tratamento. Principalmente quem tem o diagnóstico precoce, não apresenta sintomas e possui poucas alterações em suas células. Mas o acompanhamento médico será fundamental. Mas, caso o tratamento seja necessário, a opção recomendada é a quimioterapia, principalmente quando o caso se agrava.

Outras opções seriam a terapia alvo com Ibrutinib para bloquear a atividade da proteína quinase, responsável por informar às células leucêmicas para se dividirem e sobreviverem no organismo. Principalmente nos casos em que a LLC voltou após outras tentativas de tratamento. E também há o Venetoclax, que ainda não disponível no Brasil.

Assim como a imunoterapia com medicamentos como Rituximab, Obinutuzumab, Ofatumumabe e Alentuzumabe. Além disso, existem opções como radioterapia e leucoferese, com alternativa antes de partir para o transplante de medula óssea.

3. Leucemia Mielóide Aguda – LMA

A leucemia mieloide aguda (LMA) é um tipo de câncer que ocorre qualquer idade, mas é mais comum nas pessoas com mais de 65 anos. Por isso, muitas vezes é chamado de leucemia do idoso. Ela também não é hereditária, mas não se sabe a causa do seu surgimento.

A sua maior característica é a super produção de células imaturas, chamadas de blastos (tipos de glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções). No caso da LMA, esse crescimento descontrolado dos blastos fazem com essas células não desempenhem corretamente a sua função, proteger o organismo contra as bactérias, vírus.

Em grande quantidade na medula óssea, bloqueiam a formação dos demais componentes do sangue. Como os glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação do corpo, e as plaquetas, que impedem as hemorragias. Por isso, sangramentos persistentes costumam ser comuns.

Como é um tipo de leucemia aguda, apresenta rápido desenvolvimento, por isso é extremamente importante dar início ao tratamento rapidamente. Pacientes com mielodisplasia, mielofibrose e leucemia mieloide crônica, têm mais risco de desenvolver a LMA, bem como quem tem doenças raras como anemia de Fanconi.

Sinais e Sintomas – LMA

De um modo geral, o corpo dá indícios de que algo não vai bem, porém os sinais podem ser comuns a outros problemas de saúde. Portanto, é preciso consultar um médico e relatar qual é a frequência destes sintomas, intensidade de cada um e fazer todos os exames para se chegar a um diagnóstico preciso. São eles:

  • Febre e infecções recorrentes, pois a doença se dá nos glóbulos brancos;
  • Aumento de nódulos linfáticos, baço e fígado;
  • Fadiga, fraqueza e palidez (devido à redução de glóbulos vermelhos);
  • Dor nos ossos;
  • Redução de peso;
  • Hematomas e sangramentos espontâneos, devido à baixa de plaquetas.

Diagnóstico e Monitoramento – LMA

Leucemia tem cura e o diagnóstico da LLC é feito através de hemograma, exame cariótipo, FISH e PCR para confirmarem o tipo de leucemia. Além disso, são feitos exames de citogenética, imunofenotipagem e biologia molecular, para avaliar especificamente os cromossomos e o grau de resistência da doença, facilitando ao especialista a escolha pelo tratamento ideal.

Outro fator comum é o aumento do tamanho do baço e do fígado, notado por exames de imagem, como radiografia de tórax, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom.

Alguns tratamentos fazem uso de anticorpos monoclonais, proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais. Esses anticorpos reconhecem um alvo específico, o antígeno, presente nas células estranhas ao organismo. Isso reforça o diagnóstico de alguns casos, assim como permite a identificação da leucemia bifenotípica (quando a leucemia contém as características linfoides e mieloides ao mesmo tempo).

Subtipos – LMA

Os exames de diagnóstico também poderão determinar quais os principais subtipos da leucemia, para que o médico possa definir qual o tratamento deverá ser seguido. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a LMA está dividida em oito subtipos:

  • M0 e M1, mieloblasticas imaturas;
  • M2, mieloblastica madura;
  • M3, promielocítica;
  • M4, mielomonocítica;
  • M5, monocítica;
  • M6, eritroleucemia;
  • M7, megacariocítica.

Leucemia tem cura: Tratamento – LMA

Leucemia tem cura, sendo que no primeiro momento, chamado de indução, é feita a quimioterapia para combater as células doentes presentes na medula óssea e no sangue. Podendo ser por via oral ou aplicada direto no sangue, em particular quando o paciente está com a mielodisplasia bastante avançada. Os seguintes medicamentos são usados:

  • Citarabina;
  • Ciclofosfamida;
  • Cladribina;
  • Daunorrubicina;
  • Etoposídeo;
  • Fludarabine;
  • Idarrubicina;
  • Mitoxantrona;

Além disso, também são utilizados medicamentos como terapia de suporte, transfusão de sangue, radioterapia e transplante de medula óssea.

Reincidências – LMA

Este tipo de leucemia tem cura, e a maior parte dos pacientes conquistam conseguem se curar. No entanto, mesmo após o tratamento, algumas células doentes podem permanecer na medula, a chamada leucemia refratária. Por isso o acompanhamento médico, ou “manutenção” é fundamental após o tratamento.

Se nem todas as células doentes foram mortas com o tratamento de indução, nessa fase é preciso partir para novos medicamentos que evitem a recaída (ou recidiva) da doença. O médico decidirá por novas doses de quimioterapia ou até mesmo um transplante de células-tronco hematopoéticas. Tudo irá depender do quadro e da resposta de cada um.

4. Leucemia Promielocítica Aguda – LPA

A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo da leucemia mieloide aguda que costuma acometer jovens e adultos. É uma doença adquirida, não hereditária, que não se sabe a causa. Sua principal característica é a super produção de células imaturas, responsáveis por combater as infecções. Identificar a LPA corretamente é fundamental, pois este tipo de leucemia requer um tratamento específico.

Elas passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de desempenhar sua função de proteger o organismo contra as bactérias, vírus. Em grande quantidade na medula óssea, bloqueiam a formação dos glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação do corpo, e plaquetas, que impedem as hemorragias. Por isso, sangramentos são frequentes.

Além disso, a LPA apresenta uma mudança nos cromossomos. Neste caso, acontece uma translocação (fusão de uma parte de um cromossomo com outro cromossomo) entre os cromossomos 15 e 17, formando, assim, um gene anormal, chamado de PML/RARA.

Sinais e Sintomas – LPA

Normalmente, o corpo avisa quando algo não vai bem, sendo que os pacientes com LPA costumam apresentar:

  • Hemorragias e manchas roxas na pele, devido à queda de plaquetas;
  • Anemia, cansaço e falta de ar, resultantes da baixa dos glóbulos vermelhos;
  • Infecções e febre persistente, devido ao baixo número de glóbulos brancos..

Diagnóstico e Monitoramento – LPA

Leucemia tem cura e o primeiro exame a ser pedido é o hemograma completo (exame de sangue). Em seguida, um mielograma e uma biópsia da medula para confirmar o diagnóstico. O exame de imunofenotipagem descobrirá o subtipo leucemia mieloide aguda, e o cariótipo (citogenética) servirá para o acompanhamento da doença.

O uso de anticorpos monoclonais (proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos que reconhecem o antígeno, presente nas células estranhas ao organismo) reforça o diagnóstico de alguns casos, e ainda permite a identificação da LPA em específico. Além disso, o médico pode pedir testes de coagulação, já que os pacientes têm maior risco de hemorragia.

Leucemia tem cura: Tratamento – LPA

Leucemia tem cura e neste primeiro momento, chamado de indução, o importante é combater as células doentes presentes na medula óssea e no sangue. O objetivo é eliminar todas essas células. Dentre os tratamentos utilizados hoje temos a quimioterapia.

Na LPA o foco é atingir o gene modificado t(17;15). O ATRA, combinado com o quimioterápico Citarabina (ARA-C), é a terapia mais usada. Cerca de 80% dos pacientes que utilizam essa droga conseguem uma remissão em curto prazo. Além disso, também podem ser utilizados Idarrubicina e Mitoxantrona e outros medicamentos como terapia de suporte. O transplante de medula óssea também é sempre uma opção.

A manutenção do tratamento é fundamental, mesmo que o paciente apresente excelentes resultados com os tratamentos. Em alguns casos, será necessário dar continuidade às terapias com medicamentos como o ATRA, acompanhado com doses baixas de 6-mercaptopurina (6-MP) e metotrexato.

O exame de acompanhamento, chamado PCR (reação em cadeia da polimerase) será muito importante ao longo dos anos, pois ele será capaz de constatar a presença ou não de células cancerígenas no organismo.

Reincidências – LPA

A recidiva pode acontecer, por isso é imprescindível manter o acompanhamento médico, buscando os tratamentos rápidos e aumentando as chances de cura. Caso a doença volte, normalmente serão aplicadas novas doses de quimioterapia, e dependendo da idade do paciente, e das condições clínicas, o transplante de medula óssea também pode ser indicado.

5. Leucemia Linfoide Aguda – LLA

Este é o tipo de câncer mais comum durante a infância, mas que não é hereditário e suas causas ainda não são conhecidas. A notícia boa é que, hoje, 90% das crianças em tratamento de LLA se curam.

Embora a maior parte dos casos seja em crianças, adultos também podem ser diagnosticados com a doença, e cerca de 50% dos que realizam o tratamento entram em remissão completa. Em ambos os casos, o diagnóstico precoce é fundamental para bons resultados no tratamento.

Este tipo de leucemia tem cura, mas ocorre quando as células-tronco, responsáveis pelos componentes do sangue (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas), sofrem alterações. Por ser uma leucemia aguda, células ainda imaturas, param de funcionar corretamente e começam a se reproduzir de maneira descontrolada.
A LLA afeta a maior parte das células em formação, e por isso a produção de todas as células sanguíneas fica comprometida. Sua evolução é bastante rápida, tornando fundamental que o tratamento se inicie o quanto antes.

Sinais e Sintomas – LLA

Normalmente, o corpo costuma avisar quando algo não vai bem, por isso fique atento aos sintomas. Como a LLA é bastante comum na infância, também é muito importante perceber as mudanças de comportamento apresentadas pelas crianças. Os principais sintomas são:

  • Palidez, cansaço e sonolência (resultantes da diminuição de glóbulos vermelhos);
  • Hematomas, manchas (chamadas de petéquias) e sangramentos prolongados, devido à baixa de plaquetas;
  • Infecções constantes, pela falta de glóbulos brancos;
  • Linfonodos e baço aumentados, já que os linfoblastos (células doentes) se acumulam no sistema linfático;
  • Dores de cabeça e vômito, provocados por uma possível infiltração das células doentes no líquido céfalo-raquiano;
  • Dores ósseas e nas juntas.

Diagnóstico e Monitoramento – LLA

Leucemia tem cura e para começar, o médico pede um hemograma completo (exame de sangue) seguido do mielograma, biópsia da medula e exame de citogenética. Já a imunofenotipagem, por sua vez vai verificar as características físicas das células – que geralmente são divididas em LLA tipo T e LLA tipo B (as células T e B são as afetadas).

Caso o médico desconfie de um envolvimento do sistema nervoso central, ele também pode solicitar um estudo líquido da espinha (líquor). O aumento do baço e fígado, comum a alguns pacientes com LLA, devem ser analisados por meio de exames de imagens, como a ultrassonografia.

Embora bastante raro, o paciente pode apresentar o cromossomo Philadelphia, uma anormalidade no DNA – apenas 5% das crianças e 25% dos adultos apresentam este defeito genético. Para tanto, pede-se o FISH (Hibridização Fluorescente in situ) e o PCR (reação em cadeia da polimerase), exames extremamente sensíveis e que podem encontrar uma célula anormal em meio a milhares de células normais.

Leucemia tem cura: Tratamento – LLA

Leucemia tem cura e hoje o tratamento para a LLA está bastante avançado e tem resultados promissores, incluindo a remissão completa (quando os exames não apresentam mais sinal algum da leucemia). Uma das opções existentes são a quimioterapia através de medicamentos como:

  • Asparaginase (utilizado durante a manutenção da doença);
  • Ciclofosfamida;
  • Citarabina;
  • Daunorrubicina;
  • Doxorrubicina;
  • Etoposíde;
  • Idarrubicina;
  • Ifosfamida;
  • Metotrexato;
  • Mitoxantrona;
  • Vincristina.

Em alguns casos, é necessário o uso da quimioterapia intratecal (direto no líquido cefalorraquiano) por meio de uma punção lombar para destruir as células que podem ter se espalhado para o cérebro e medula espinhal. Além disso, como vimos a LLA pode apresentar o cromossomo Philadelphia, é preciso aliar à quimioterapia os medicamentos inibidores de tirosina quinase, também conhecidos por terapia alvo. São eles: Imatinibe, Dasatinibe e Nilotinibe, todos de primeira linha no Brasil.

Também são utilizados medicamentos como terapia de suporte, transfusões de sangue e radioterapia, antes de optar pelo transplante de medula óssea.

Reincidências – LLA

Mesmo após conquistar a remissão completa, ainda é preciso fazer alguns ciclos de quimioterapia e realizar a manutenção com medicamentos, geralmente por cerca de dois anos. Isso é necessário pois algumas células doentes ainda podem permanecer no organismo, e sem tratamento adequado, elas podem dar origem a uma recaída da doença.

A leucemia tem cura, mas se não responder ao primeiro tratamento, o que acontece em cerca de 10 – 20% dos pacientes, são tentadas doses maiores de quimioterapia ou novos medicamentos, embora sejam menos susceptíveis de resposta. O transplante de medula óssea pode ser uma opção caso a doença volte.

6. Leucemia Mielomonocítica Crônica – LMMC

A leucemia mielomonocítica crônica (LMMC) é um tipo de síndrome mielodisplasica/mieloproliferativa, que ocorre quando os monócitos (tipo de glóbulo branco) passam a se reproduzir de maneira descontrolada, ficando em número bastante elevado.

Há casos em que 15% a 30% dos pacientes com leucemia mielomonocítica crônica (LMMC) desenvolvem leucemia mieloide aguda, já que o paciente também pode apresentar blastos (tipos de glóbulos brancos imaturos), comuns a este tipo da doença.

Ainda não se sabe a causa, mas a leucemia tem cura e também não é uma doença hereditária, sendo que 90% dos casos são diagnosticados em pessoas com mais de 60 anos (leucemia em idoso), sendo os homens os mais afetados.

Sinais e Sintomas – LMMC

O corpo avisa quando algo não vai bem, sendo que pacientes com LMMC apresentam uma quantidade elevada dos monócitos, e isso acaba provocando um aumento do baço (esplenomegalia) e do fígado (hepatomegalia), causando dor e desconforto. Outros sinais comuns à doença são:

  • Anemia;
  • Fadiga;
  • Falta de ar;
  • Palidez;
  • Infecções constante;
  • Hemorragias e hematomas.

Diagnóstico e Monitoramento – LMMC

Normalmente, leucemia tem cura e o diagnóstico é feito através de um hemograma completo (exame de sangue), seguido de biópsia e exame de citogenética para analisar as alterações genéticas das células, e assim determinar o subtipo da doença.

Já a imunofenotipagem, por sua vez, feita também com uma amostra de sangue aspirado da medula óssea, irá verificar as características da superfície da célula. O FISH (Hibridização Fluorescente in situ) e o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) também são recomendados para diagnóstico e monitoramento.

Leucemia tem cura: Tratamento – LMMC

Leucemia tem cura e atualmente, o tratamento possibilita bons resultados para o paciente, sendo as principais opções as seguintes:

  • Transplante de medula óssea;
  • Quimioterapia com Hidroxiureia, Azacitidina, Decitabina, Citarabina, Idarrubicina, Fludarabina;
  • Transfusão de sangue;
  • Radioterapia;

7. Leucemia Bifenotípica – LAB

Embora raro, cerca de 4 a 6% dos pacientes com leucemias agudas podem apresentar este tipo de leucemia. Na leucemia bifenotípica (LAB), os blastos apresentam as duas linhagens: mieloide e linfoide.

Apesar de não se saber a causa, este tipo de leucemia tem cura, mas pode ter início nas células que ainda não se diferenciaram, ou seja, antes de se tornarem células com características mieloide e linfoide. A LAB pode ocorrer durante a recaída de leucemia mielóide aguda ou leucemia linfocítica aguda.

Para reforçar o diagnóstico pode ser preciso realizar uma análise morfológica e citoquímina (mielograma), além da imunofenotipagem, exame que análise de características específicas das células, podendo assim defini-las como sendo da linhagem mieloide e linfoide.

Ainda não há nenhum tratamento específico, mas a maioria dos oncologistas adota um protocolo misto, que pode utilizar o tratamento indicado tanto para a leucemia mieloide aguda (LMA), quanto para a leucemia linfoide aguda (LLA). O especialista é quem irá decidir pela melhor opção. O transplante de medula óssea também pode ser opção, dependendo da indicação médica.

Referências externas:

Abrale – Leucemia

       

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