Leite materno: Benefícios, Composição, Importância

Os benefícios do leite materno vão muito além de simplesmente saciar a fome e a sede do bebê.

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O leite materno foi tratado com pouca importância durante muito tempo, sendo até ignorado por muitas mães e médicos que desconheciam todos os benefícios que ele pode trazer para a criança e para a mãe.

Os avanços da medicina e as pesquisas realizadas comprovam a necessidade de oferecer aos recém-nascidos um alimento completo fundamental para seu desenvolvimento em vários aspectos.

Confira a seguir o material especial que preparamos para você com todos os benefícios que o leite materno proporciona aos bebês.

Benefícios do leite materno

Os benefícios do leite materno vão muito além de simplesmente saciar a fome e a sede do bebê.

Desde o momento do nascimento é importante que o recém-nascido comece a se alimentar através do leite produzido pela mãe. Esse leite contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do sistema imunológico e de todo o organismo de modo geral.

Os anticorpos presentes no leite materno são os principais responsáveis por proteger o bebê de infecções derivadas de vírus e bactérias, principalmente nos hospitais e maternidades onde os casos de infecção hospitalar são muito comuns.

A amamentação também ajuda a prevenir doenças alérgicas e respiratórias, como asma e outras doenças como obesidade infantil e diabetes.

A amamentação também ajuda as mães

O período de amamentação é um período muito importante para as mães também!

Durante esse período, se fortalece o vínculo entre a mãe e o recém-chegado bebê. Trata-se de um momento exclusivo onde a mãe oferece ao filho não apenas o alimento, mas o aconchego, a proteção, o consolo.

A hora de dar de mamar é uma hora repleta de ternura e cumplicidade. Carinhos e olhares são trocados entre mãe e bebê, estreitando os laços e formando uma relação de confiança e apoio.

Muitas mamães também vêem na amamentação uma forma de eliminar os quilinhos adicionais que foram ganhos durante a gestação. Como a queima calórica para produção do leite materno é altíssima, o emagrecimento da mãe acontece como consequência.

No entanto, alguns cuidados básicos são necessários. Falaremos deles mais à frente.

Cabe lembrar que muitas vezes a amamentação pode não ocorrer de forma tão natural e romântica como estamos acostumados a ouvir dizer. Muitas mães podem ter mastite – uma inflamação das glândulas mamárias que leva ao entupimento dos ductos de leite, causando inchaço, dor e febre. Nesses casos, é importante que a mãe busque ajuda. Bancos de leite são uma excelente opção.

Na maioria das vezes o tratamento da mastite se baseia em corrigir a pega do bebê. Quando a pega está correta, o processo de amamentação tende a ser bastante tranquilo e confortável.

Alternar os seios na hora de oferecê-los ao bebê é outro cuidado consigo mesma que a mãe deve ter. Essa prática permite que um dos mamilos descanse e que a produção de leite materno seja simétrica.

Outro benefício indiscutível da amamentação é que a prática atua como eficiente prevenção do câncer de mama, além de contribuir para diminuição do risco de câncer de ovário, de útero e do endométrio.

Qual sua importância?

Logo após o nascimento do bebê, o primeiro líquido que é produzido pelo organismo da mãe, conhecido como colostro, é fundamental para que o recém-nascido receba os nutrientes e anticorpos essenciais para seu bom desenvolvimento.

Alguns especialistas acreditam que os vínculos estabelecidos durante o período de amamentação são determinantes para a formação da personalidade do bebê. Estudos apontam que adultos que mamaram no peito quando bebês são mais confiantes e seguros.

Composição do leite materno

O alimento completo produzido pelo corpo da mãe para o desenvolvimento saudável do recém-nascido consegue adaptar-se de acordo com as necessidades de cada criança. Restrições alimentares podem prejudicar essa capacidade e por isso só devem ser adotadas se recomendadas por um médico.

Uma mãe pode produzir, em um único dia, cerca de 750 ml de leite, com uma queima de até 600 calorias para isso. Cada 100 ml deste leite podem conter mais de 60 calorias.

Os componentes imunogênicos presentes no leite produzido pela mãe são os mais importantes, já que entre eles são encontradas as células tronco e outros componentes que farão com que o organismo desenvolva sua flora intestinal e o sistema imunológico, prevenindo assim o surgimento de doenças no futuro.

Diversas vitaminas como A, B1, B2, B12 e D também estão presentes no alimento oferecido ao bebê. A vitamina D normalmente está presente em uma pequena quantidade, por isso, a suplementação dessa vitamina costuma ser indicada pelos médicos tanto para a mãe durante a gestação quanto para o bebê após o nascimento.

As 3 fases do leite materno

A composição do leite passa por algumas mudanças em determinados períodos do aleitamento materno. Vejamos mais sobre essas fases logo a seguir:

  • Fase 1 – Colostro: produzido na primeira semana após o parto, é um alimento com pouca lactose, rico em componentes imunológicos e proteínas, além de fatores de crescimento e desenvolvimento.
  • Fase 2 – Leite de transição: a quantidade de lactose e da produção aumentam após a primeira semana de vida do bebê para suprir as suas necessidades.
  • Fase 3 – Leite maduro: nesta fase, já no final do primeiro mês, as quantidades de componentes já estão estabilizadas, assim como sua produção, e o bebê já se adaptou ao aleitamento materno.

Quando a produção do leite materno começa?

A apojadura – também conhecida como descida do leite – depende muito da forma de nascimento (parto normal ou cesárea), do estímulo do bebê, da mãe ter ou não entrado em trabalho de parto e pode demorar de 3 a 10 dias.

Não existe fórmula mágica. A única maneira realmente segura de fazer o leite “descer” é a mãe estar próxima do bebê, oferecendo o peito em livre demanda. Mesmo que pareça não estar saindo nada, o estômago do recém-nascido é muito pequeno e apenas algumas gotas são suficientes.

Também é de extrema importância manter constantemente o contato físico com o bebê. O contato físico constante da mãe com seu filho mostra ao organismo que o período de amamentação ainda não terminou, e assim o organismo continua a produção do leite.

O que comer para aumentar o leite materno?

Antes de mais nada, é necessário que a mãe tome muito líquido durante o período em que estiver amamentando.

O corpo humano, de maneira geral, necessita de dois litros de água por dia para se manter hidratado. Durante o período de aleitamento, é importante que a mulher aumente um pouco essa quantidade, tomando pelo menos três litros de água por dia.

Manter uma dieta equilibrada e saudável também é muito importante para a produção do leite materno.

E descansar sempre que possível. Isso é mais do que fundamental. O corpo da mãe se concentra na produção do leite e há um enorme gasto calórico nesse período, então, descansar é de suma importância, não apenas para a saúde física, mas também para a saúde mental das mamães.

A sabedoria popular ensina diversos outros macetes para aumentar a produção do leite materno. Comer canja de galinha, arroz doce e especialmente canjica são as dicas mais comuns entre os antigos.

Confira baixo alguns alimentos que podem auxiliar o organismo a produzir uma quantidade maior de leite:

  • Carnes magras;
  • Peixes (preferencialmente salmão);
  • Laranja e outras frutas ricas em vitamina C;
  • Cereais;
  • Folhas verdes;
  • Ovos;
  • Arroz integral;
  • Legumes.

Aquela dica infalível da sua avó para tomar cerveja preta e aumentar a produção de leite está fora de cogitação, por mais que a ideia seja tentadora.

Existe intolerância à lactose do leite materno?

Não é possível que bebês sejam intolerantes à lactose presente no leite materno. O organismo da criança consegue digerir com muita facilidade a lactose presente no leite produzido pela mãe.

A intolerância à lactose ocorre quando o organismo não consegue digerir a lactose presente nos alimentos derivados do leite. Por isso, essa intolerância não pode ser considerada uma doença, mas apenas uma dificuldade presente no organismo.

Por mais que o organismo da criança apresente carência de lactase, a enzima que processa a lactose, o leite da mãe será digerido rapidamente.

Mesmo assim, o bebê ainda pode ser intolerante à lactose presente em alimentos consumidos pela mãe, que depois estarão presentes também no seu leite.

Armazenamento

O armazenamento correto do leite materno produzido em excesso é importante tanto para o uso doméstico quanto para quem deseja doar o leite que não será consumido pelo bebê.

Para que o leite retirado seja próprio para consumo por mais tempo, é preciso tomar alguns cuidados na hora de armazená-lo:

       
  • Utilize um recipiente de vidro com tampa plástica;
  • Lave o recipiente com água e sabão e retire o rótulo (se houver);
  • Em seguida, coloque-o em uma panela e deixe ferver por 15 minutos;
  • Deixe o vidro escorrer com a boca virada para baixo em cima de um pano limpo;
  • Utilize somente quando estiver totalmente seco.

O leite armazenado para consumo próprio deve ficar na geladeira por até 48 horas, ficando sempre na prateleira.

Para que o leite fique armazenado por mais tempo, ele deverá ser congelado e mantido em um freezer até que seja consumido ou doado. Nestes casos, é possível manter o leite armazenado (congelado) por até 3 meses.

Doação de leite materno

Trata-se de uma prática ainda pouco comentada, mas de extrema importância para milhares de crianças que nascem no Brasil a cada minuto. Apenas recentemente uma campanha publicitária com a atriz Juliana Alves passou a ser veiculada na mídia incentivando a doação de leite materno.

Enquanto algumas mulheres têm um volume de produção de leite muito pequeno, ou nem chegam a produzir o leite, muitas outras produzem uma quantidade muito maior do que a necessária para alimentar seu filho durante o tempo de amamentação.

Por isso, os bancos de leite materno acabam tendo um papel muito importante para que essas crianças possam se desenvolver com saúde.

Os bancos de leite têm a função de atender bebês que, por algum motivo, não podem ser amamentados pelas mães – geralmente bebês que nasceram prematuros e estão em UTI neonatal.

Rede Global de Bancos de Leite Humano

Em muitas cidades brasileiras existem os bancos de leite, desconhecidos por grande parte da população.

Grandes cidades, como São Paulo, possuem um serviço de coleta em domicílio, onde basta você entrar em contato e agendar para que uma equipe vá até sua casa fazer a coleta do leite excedente. Mas é necessário que o leite em excesso já tenha sido coletado pela mãe e armazenado.

Para as mães que desejam se tornar doadoras, o processo é bem simples e rápido. Basta acessar a página da Rede Global de Bancos de Leite Humano para saber qual o banco de leite mais próximo, confirmar que há o excesso de leite, não estar fazendo uso de nenhum medicamento que possa contaminar o leite doado e estar disposta a fazer a coleta e armazenamento do leite que pretende doar.

O que fazer quando o leite está fraco?

Muitas mães acabam se questionando se o leite produzido pelo seu corpo é suficiente para alimentar o bebê sem a necessidade de água ou fórmulas.

Segundo muitos especialistas, o leite materno sempre é capaz de sustentar uma criança pelo tempo necessário para ela começar a se desenvolver e prevenir doenças infantis.

Como os bebês ainda não sabem falar, eles precisam se expressar de maneiras que os pais possam compreender o que ele está tentando informar.

Alguns comportamentos e fatores normalmente tidos como sinal de que o bebê está com fome podem ter outros significados:

  • Choro constante: a única forma de expressão conhecida até então pelo recém-nascido serve para indicar que ele tem fome, mas também para expressar cólicas, desconforto ou sono, por exemplo;
  • Erro na pega para amamentação: quando a pega é feita de forma errada na hora da amamentação, o bebê vai colocar apenas o bico do seio na boca e isso faz com que ele consiga sugar uma pequena quantidade de leite. Essa dificuldade pode deixar o bebê irritado, não por estar com fome, mas pela dificuldade de sucção;
  • Digestão mais rápida: o leite materno é mais leve do que o leite de vaca presente nas fórmulas infantis. Isso faz com que o organismo do bebê faça a digestão mais rapidamente. Por este motivo, os bebês costumam mamar menos vezes quando passam a ingerir fórmulas industrializadas.

É possível identificar se o leite que o bebê está recebendo está sendo suficiente através da cor das fezes e da urina do recém-nascido.

Nos dois primeiros dias após o nascimento, as fezes serão mais escuras, pretas ou esverdeadas, conhecidas como mecônio. Conforme ele for ingerindo o leite, o mecônio será eliminado aos poucos.

A partir do terceiro dia, as fezes ficarão mais claras, chegando a um tom amarelado, podendo ter consistência pastosa ou macia.

A urina do bebê também pode indicar se a quantidade de leite está sendo suficiente sempre que apresentar uma cor amarelo claro.

Se mesmo assim, depois de observar todos esses fatores, a mãe ainda achar que o seu leite não é suficiente, o melhor a fazer é procurar o seu médico para que ele possa orientar de forma adequada e profissional.

O papel do pai

Mas o que o pai pode fazer durante o período de amamentação?

A cada dia que passa, o pai adquiri um papel mais importante na criação dos filhos. Apenas prover o sustento da casa e deixar que a mãe seja a única responsável pelo cuidado com os filhos é coisa de séculos passados.

Ao pai cabe o suporte durante a amamentação. É absolutamente indispensável que a mãe receba o apoio necessário para que esse período seja mais tranquilo.

Pode parecer pouco, mas qualquer ajuda que a mãe receba após o nascimento da criança é importantíssima tanto para sua saúde física quanto psicológica. Uma troca de fraldas durante a madrugada, a preparação de uma refeição e até a realização de tarefas domésticas vão fazer com que a mãe foque seus esforços apenas no bebê, que demanda todo seu tempo logo que chega ao mundo.

Ofereça água. Proporcione um ambiente tranquilo e favorável. Incentive. Esteja perto. Participe. Pegue o bebê para fazer arrotar.

A família toda só tem a ganhar com a participação do pai no processo.

Amamentação prolongada

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o leite materno seja oferecido em livre demanda até os dois anos de idade.

O leite materno deve ser a alimentação exclusiva do bebê até os seis meses, não sendo necessário oferecer água ou qualquer outro tipo de alimento, por melhor que possa ser sua composição.

Após o início da introdução alimentar, o leite materno deve continuar sendo oferecido em livre demanda, já que ele continua sendo a principal fonte de nutrientes da criança.

Em alguns casos, a amamentação pode ir além dos dois anos recomendados e não existe nenhum problema nisso.

A OMS afirma que a amamentação prolongada não oferece qualquer prejuízo físico ou emocional para a criança, podendo e devendo ser mantida enquanto houver a produção de leite materno, desde que a manutenção da prática seja adequada tanto para a mãe quanto para o filho.

O que é amamentação cruzada?

Essa é uma prática muito utilizada ainda nos dias de hoje, principalmente em cidades do interior de todo o Brasil.

A amamentação cruzada é feita quando uma mãe que está produzindo leite materno amamenta um bebê que não é o seu.

Com a explosão nos casos de Aids na década de 1980, a Organização Mundial de Saúde passou a condenar formalmente esse tipo de amamentação. Pediatras, nutricionistas e outros profissionais da área da saúde seguem a recomendação da organização e não indicam tal prática às gestantes.

Como já dito anteriormente, o corpo da mãe produz o leite em quantidades adequadas para o organismo do seu filho. Ao oferecer esse leite para outra criança, ela estará ingerindo nutrientes e outros componentes que não foram dosados conforme suas necessidades.

As necessidades de cada criança serão sempre diferentes e a amamentação cruzada não atende essas necessidades individuais. Isso pode expor o bebê a riscos sérios, principalmente a transmissão de doenças infectocontagiosas.

Por exemplo, se uma mãe que já amamentou e ainda produz leite é portadora de hepatite B e passa a amamentar outra criança, que ainda não tomou as vacinas necessárias nos primeiros dias de vida, é muito provável que essa criança acabe contraindo a doença.

O contágio do leite materno pode acontecer pelo sangramento do mamilo, muito comum em mulheres que estão amamentando.

Caso a mãe esteja com dificuldades para amamentar, o ideal é procurar ajuda de um profissional que possa fornecer orientação de forma correta.

Nesses casos, a melhor alternativa são os bancos de leite, onde as doações recebidas passam por vários exames e testes antes de serem oferecidos às crianças que não podem ser amamentadas pelas mães.

Considerações finais

A amamentação materna deve ser feita durante todo o tempo que for conveniente para a mãe e para o bebê. Essa ainda é a melhor maneira de prover uma proteção natural ao seu filho e permitir que ele possa se desenvolver sem problemas decorrentes da ausência dos componentes que estão presentes no leite materno.

Amamentar é, cada vez mais, a maior prova de amor e cuidado que uma mãe pode oferecer ao seu filho.

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