HUMOR E A SAÚDE: relação com a memória, bem estar e dicas

como o humor pode influenciar nossa qualidade de vida

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A humanidade nunca se deparou tanto com o mal humor do que nos últimos tempos, clamando por socorro pelo bom humor das pessoas!

Há uma atmosfera negativa que ronda o planeta. E se deixarmos, ela toma conta da gente. Claro! Muitos desastres, guerras, crises políticas e violência.

Podemos pensar que no “passado também foi assim”. Só que haviam menos seres humanos e as informações do outro lado do mundo contagiavam numa escala muito menos o comportamento das pessoas. As notícias demoravam a chegar, se é que chegavam.

Portanto falar do bom humor, compreender seus mecanismos e ainda mais tomarmos conhecimento de como se pode produzí-lo e cuidar mais de suas dosagens, ajudará a humanidade.

Com toda certeza!

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CONCEITOS

O que significa Humor?

Na medicina clássica, onde Hipócrates ditava os seus primeiros conhecimentos, as doenças eram diagnosticadas através das características alteradas dos líquidos corporais (chamados humores, bile ou linfas).

A Teoria Humoral (ou teoria dos quatro humores) é a principal explicação racional da saúde e da doença entre o século IV a.C. e o século XVII.

Os médicos da época consideravam 4 tipos de bile:

  • bile vermelha ligada ao coração (tipo sanguíneo): Gostam de influenciar os outros através de conversas e atividades e tendem a ser emocionais. São entusiastas, persuasivas, convincentes, amistosas, comunicativas, confiantes e otimistas.
  • bile branca ligada à respiração (tipo fleumático): Apreciam ritmo constante, segurança e não gostam de mudanças súbitas. São pacientes, confiáveis, calmos, leais, persistentes, gentis, previsíveis.
  • bile amarela ligada ao figado (tipo colérico): São muito ativas ao lidar com problemas e desafios. São egocêntricas, diretas, ousadas, dominadoras, exigentes, enérgicas, determinadas.
  • bile negra ligada ao baço (tipo melancólico): Valorizam aderir a regras, regulamentos e estrutura. São cautelosas, sistemáticas, precisas, analíticas, perfeccionistas e lógicas.

Estes líquidos eram capazes de dizer o problema que o indivíduo apresentava ao se observar algo de errado em seu comportamento.

Não haviam instrumentos de pesquisas nem métodos claros como os de hoje. Era tudo praticamente “no olho”.

O desequilíbrio dos humores, consideravelmente gerado por alimentos, era a origem das doenças.

Mas também, de forma bem aceitável e comum, o aspecto dos “humores” das pessoas se relacionavam com o “estado de espírito” das mesmas.

Então bom humor ou mal humor há muitos séculos se relaciona com o  estado de nossos humores.

Como podemos explicar o riso?

riso

Rir, achar graça, gargalhar na antiguidade era um costume feito com intenções muito negativas: ria-se dos pobres, das condições dos maltrapilhos, dos desaventurados. Ou seja, o riso tinha um caráter bem social: somente ria na vida, quem tinha dinheiro.

O riso é uma forte comunicação social, porém hoje ele é livre, espontâneo e muito expressivo quanto ao tipo de interação você está tendo com a situação ou pessoa.

Pode ser riso de nervoso, riso de blefe, riso de gozação…

Mas é o riso natural que resguarda o poder de “limpeza da alma”.

Achar algo engraçado é questão de inteligência humana. Somente os seres humanos têm habilidade de interpretação para conseguir achar graça de alguma coisa. Além do mais, para darmos boas gargalhadas questões culturais também se envolvem, senão… não temos como compreender a piada.

Já viu como é estranho o tanto que um americano pode rir de algo que para o brasileiro não faz o menor sentido? A cultura definitivamente influencia o riso.

O riso natural

O riso natural é a expressão espontânea de algo que se interpretou como engraçado. Sem se dirigir a alguma pessoa em específico. O riso natural é uma resposta pura e direta quanto ao que se interpretou, sendo assim uma resposta espontânea e imediata ao estado de humor.

Quem está muito triste, melancólico ou depressivo pode ser até que consiga rir, mas leva mais tempo pois geralmente falta-lhes a espontaneidade no momento em que se viu ou ouviu o fato.

Porém, quando eu consigo rir com mais facilidade tenho mais chances de aliviar tensões e aumentar meu estado imunológico.

Rir espontaneamente produz efeitos interessantíssimos no organismo:

– alivia tensões

– é uma defesa psicológica

– aumenta a tolerância a dores

– alivia os desafios das doenças

– melhora relacionamentos

– reduz dores

– aumenta a percepção de bem estar

Há estudos relatados concluindo que “rir cerca de 100 vezes ao dia corresponde a 10 min de remada”. Isso diz respeito às endorfinas e serotoninas que o riso é capaz de produzir.

Sorriso

sorriso

Utilizando nossa sensibilidade, podemos dizer que o sorriso une o corpo com um todo! É todo um “estado de estar” que sorri.

Mas há sorrisos e sorrisos.

A diferença entre o sorriso natural e o sorriso amarelo é que o primeiro mexe com todos os músculos do rosto como por exemplo a linha dos olhos. É como se “até os olhos sorriem” quando o sorriso é verdadeiro.

Já o sorriso amarelo temos uma manifestação mais focada na linha dos lábios. Repare como é diferente esses dois sorrisos!

“ A fisionomia reflete os pensamentos. Mas os pensamentos também sofrem influência da expressão fisionômica”. William James, filósofo

A FILOSOFIA DO BOM HUMOR

Estudiosos como Wooten, Cosin e Bergson fazem especulações interessantes sobre o humor e o ato de “acharmos graça” nas coisas.

Segundo Wooten há 3 teorias envolvidas para rirmos de algo:

  • Rir nos faz sentir superiores
  • Tudo que apresenta uma incongruência com a realidade ou o esperado nos faz rir
  • Rir nos liberta

As piadas, os desenhos animados (cartoons) e as comédias são formas de descrevermos as situações que provocam riso. E cada uma delas tem uma natureza!

Piadas: casos curtos com incongruências, sem senso ou com trocadilhos

Desenho animado: representação bizarra ou fora das convenções da vida real

Comédias: representações sociais em forma de sátiras ou caricaturadas, que exacerbam os fatos da vida real

Todos os 3 nos faz rir.

Já Henry Bergson diz que “é necessário inteligência para rir de algo, ao invés de só sensibilidade e emoção.”

Ele também diz que o riso tem um papel social causado pela “flexibilidade da mente e do corpo do indivíduo”. E isso pra mim é o máximo, pois liga o bom humor diretamente com a espiritualidade.

 

BASE NEUROLÓGICA DO HUMOR

Outros estudos descrevem a dinâmica do riso. Eles descrevem que “as partes que o cérebro acha graça” tem haver com o conteúdo da piada. Mas de forma geral podemos dizer que fica na altura das orelhas (parte temporal), no meio do cérebro acima do céu da boca (pré frontal medial) e o núcleo acumbente (na divisória entre os 2 lobos, parte frontal do  cérebro).

Rir envolve além do ato propriamente dito, respiração e reações autonômicas do nosso sistema nervoso. Basta disparar uma boa risada que parar pode ficar difícil!

Além disso rir é importante para o pensamento e um ato motivador para a aprendizagem. Estes fatos se devem à produção de substâncias prazerosas pelo cérebro. Quanto mais se acha graça da piada, maior é a produção, melhor é a sensação de relaxamento e prazer.

Sem falar no riso contagioso: aquele que ativa o “núcleo acumbente” que, uma vez ativado faz a gente querer mais. Assim, ao vermos uma pessoa rindo a valer, nosso núcleo acumbente se for ativado, faz a gente rir junto. Esta informação também vale para quem começa a contar uma piada e não consegue ficar em uma só!

 

BOM HUMOR NÃO É BOM PRA MEMÓRIA

Há alguns meses uma pesquisa americana averiguou que o “bom humor não é bom para memória”.

A pesquisa constava de certificar em quais pessoas o desempenho da memória teria sido melhor:

Grupo A: assistiu a filmes engraçados

Grupo B: não assistiu

Ambos foram submetidos a um processo de aprendizagem e o Grupo B conseguiu reter bem mais informações do que o Grupo A.

A pesquisa ainda não compreende o que aconteceu mas eu tenho uma sacada:

Os filmes engraçados funcionaram como distratores.

E no caso desta pesquisa, o humor me parece estar sendo relacionado com “achar graça”.

Porém não é este humor ao qual me refiro, mas sim, ao humor ligado ao pensamento positivo, bem estar e satisfação de se viver.

 

FISIOLOGIA DO HUMOR

A fisiologia do humor tem haver com substâncias como endorfinas, serotoninas e o cortisol.

Cada uma delas se liga a um tipo de humor.

A química do bom humor

O bom humor se relaciona com sentimentos de bem estar, prazer, alegria, felicidade, positividade e leveza. Tais percepções estão envolvidas com a produção de endorfinas e serotoninas pelo sistema nervoso central.

As endorfinas por exemplo, produzidas quando nos envolvemos com coisas prazerosas, atividade física, alimentação que colabora com matéria prima para as mesmas e relacionamentos harmoniosos, podem ser consideradas um “ópio natural”, o hormônio da felicidade.

Já as serotoninas nos dão sensação de bem estar e prazer.

A química do mal humor

Precisamos de todos os hormônios que produzimos, mas precisamos de uma medida certa para cada um deles afim de mantermos mais próximo ao equilíbrio possível. E equilíbrio faz parte das definições que temos para a palavra saúde.

O estresse é um fator que nos faz movimentar. Mas na medida e na hora certa.

Se permanecemos estressados inclusive enquanto dormindo (ou não!), o estresse pode gerar o distresse, que é a forma adoecida.

E o hormônio que causa isso, quando em produção desregulada, é o cortisol.

O cortisol também é reconhecido como o hormônio da ação. É ele o responsável para manter as reservas do organismo quando o mesmo percebe alguma “ameaça” e tenta se prevenir “guardando energia”.

Mas se o organismo não vai para a luta, permanecendo no estado de tensão, o nível de cortisol pode aumentar tanto a ponto de adoecer o indivíduo.

Seu excesso no organismo, além de fazer as pessoas engordarem “sem entender porque”, também reduz as defesas do corpo, ataca o fígado, dificulta a reprodução celular, origina problemas com o sono, aumenta a pressão sanguínea, sobrecarrega pulmão e coração. Isso possibilita o surgimento de inúmeras doenças.

Podemos citar problemas de pressão arterial, diabetes, alergias diversas, problemas de fígado, insônia e até mesmo câncer decorrentes do alto nível de cortisol na corrente sanguínea.

bom humor

GATILHOS QUE PODEM DISPARAR E ATÉ MESMO SUSTENTAR O BOM HUMOR

Autoconhecimento: somos seres por essência sedentos por saber. E o maior e mais poderoso saber para se ter uma vida mais feliz é “saber de si”. Procure uma escola de meditação, pratique autorreflexões. Desenvolva suas autopercepções. Existem muitos métodos e facilidades pela internet. Mas busque um método simples e que vá direto ao assunto como a meditação raja yoga. E a única escola  o mundo que a desenvolve com originalidade é a Brahma Kumaris. No Brasil existem mais de 3o núcleos.

Se comunicar: somos seres essencialmente sociais, não nascemos para ficarmos sozinhos no mundo. Precisamos uns dos outros no mínimo para sentir que não estamos sozinhos com todos os problemas e queixumes existenciais.

Sempre quando algo te aborrecer e você ficar com pensamentos atordoados, converse com alguém de confiança e experiente. Ele poderá até mesmo de dar pistas ou boas ideias para você “sair dessa”.

Exercitar o sorriso natural: há pesquisas que apontam ser o sorriso leve no rosto enquanto se caminha a técnica que ajuda a afastar a depressão e a negatividade pois as pessoas olham para você como uma “pessoa de sucesso”. Não é que você vai esconder seus sentimentos, mas vai impedir que pessoas negativas se aproximem e que os outros fiquem te vendo como um “pobre coitado”. O que você prefere? Faça sua escolha.

Cantar e Dançar: cantar e dançar estimulam a produção de hormônios do bem estar e da felicidade, além de estimular a imaginação, chacoalhar as emoções e movimentar o corpo liberando tensões. Cante sozinho, com karaokê, em grupo, dance em casa, faça aulas, saia pra dançar… enfim! Veja o que mais te agrada e… sorria mais!

Atividade física regular: agora mais do que nunca se comprovou que atividade física além de liberar substâncias de relaxamento e prazer, também ajuda na manutenção das funções cerebrais. Mas tem que ser regular para produzir hormônios que estimulam crescimento e fortalecimento dos neurônios.

Imaginação fértil: assista bons filmes, leia bons livros, sinta-se atraído pela arte e estimule sua imaginação no sentido de se desafiar a criar ideias inovadoras ou visão diferente das situações.

Criar conceitos e refletir: em outras palavras, “filosofar” ou revolver os pensamentos. Mas sempre procurando significados com uma intenção positiva e verdadeira para não se autoenganar, ou… autossabotar. Quando encarar a realidade estiver difícil, tente escrever e guarde para reler em algum outro momento. Se não conseguir fazer nem isso, vá comer um chocolate (80% cacau de preferência).

Tudo e benéfico: empenhe-se para visualizar e encontrar benefício em tudo. De qualquer forma na dor também há aprendizado.

Escrever sobre os fatos e ler para alguém: quando escrevemos, projetamos externamente o que nos inquieta e conseguimos realizar o exercício de “ver à distância”, tendo um outro ponto de vista para aquilo. Ao ler para alguém de confiança então… podemos completar o ciclo. Pois assim o ouvinte poderá me motivar com suas experiências ou uma palavra amiga.

Praticar a “arte de ser bobo”: ou aprender a fazer “cara de paisagem” em determinadas situações. Isso mesmo! Contemple o que acontece e deixe passar! Ao mesmo tempo se perdoe pelo “desastre”. Afinal de contas… você tem um palhacinho que mora aí dentro e pode ser que ainda não descobriu. Palhaços são atrapalhados e engraçados. Com isso, dão alegria gratuita!

Respirar: com o ritmo de vida que está o mundo não duvido que pouquíssimas pessoas de fato respiram corretamente a ponto de mantar bem oxigenado suas células, incluindo neurônios. O oxigênio é nutriente imprescindível para o bom funcionamento do cérebro. Sem ele temos dor de cabeça, irritabilidade, impaciência, aflição… respirar equilibra a fisiologia corporal. Perceba como você fica quando pratica um exercício de respiração, quando “areja a cuca”, quando sai lá fora para tomar um ar ou até mesmo consegue contar até 10! É demais!

Descansar: o descanso devolve para o corpo seu equilíbrio ao reiniciar processos de fabricação de hormônios, limpar as células, recompor tecidos e também a mente, aquela que mais cansa! Quando estamos cansados… haja paciência!

Fazer o que gosta: é o que enche a gasolina de nosso “tanque existencial”. Quando fazemos o que gostamos as pessoas nos motivam pois nos vêem felizes! Assim, nos sentimos importantes e amados. Tudo fica bom! Mas desde que fazer o que gosta não coloque em risco a felicidade e saúde de ninguém.

Exercitar valores espirituais: os valores espirituais são a essência do SER humano. Sem eles não conseguimos nos reconhecer como bons. Não nos reconhecendo, a vida perde o sentido pois o sentido da vida é SER FELIZ. Assim, experimentar nossos valores e virtudes no devolve sempre o senso de grandeza e dignidade em se existir fisicamente, mesmo num mundo tão enlouquecido como o atual.

Manter boas companhias: o ditado “a boa companhia te atravessa, a má companhia te afoga” é bem verdade. Portanto fique de olho com quem anda pois se for um pessimista e mal humorado, pode ser que você não dê conta de sustentar sua alegria de viver.

 

O EXERCÍCIO DO BOM HUMOR E A SUSTENTABILIDADE ATRAVÉS DA ESPIRITUALIDADE

Para conseguirmos lidar cm desafios em estado de bom humor uma virtude é imprescindível: a FLEXIBILIDADE.

É a virtude do jogo de cintura, “do enverga mas não quebra”, do resiliente e otimista.

Mas não é simplesmente ser flexível sem compreender o que ser flexível significa. Muitos tentam ser flexíveis sem fazer alongamento antes, o que acontece? De tão endurecidos eles trincam.

O alongamento está em exercitar sua espiritualidade todos os dias! Eu disse TODOS e não 1 vez por semana.

Acordar e se preparar para o dia que virá, mesmo antes do café da manhã, é um ótimo treino.

Sentir no silêncio da manhã (o melhor horário que não te distrai), seu potencial, suas virtudes, sua capacidade é algo de extrema importância para se ter flexibilidade no dia a dia e sair fácil das situações difíceis.

Portanto, neste “treino”, que acontece muitas vezes no campo das relações (seja trabalho, trânsito, casa…) nos faz sacar virtudes como:

  • Ser desapegado
  • Ser humilde
  • Ser compassivo
  • Ser misericordioso
  • Ser paciente
  • Ser amoroso
  • Ser maduro
  • Ser pacífico

Fácil compreender que com virtudes, o bom humor vem, não é? Claro! Todas vez que nos comportamos de modo virtuoso e reconhecemos isso, ficamos felizes! E isso é tese de grandes filósofos, ein?

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DICAS

Para sustentarmos nosso bom humor no dia existe uma série de coisas importantes a se observar, para além das já citadas:

  • Estado nutricional (faça um exame de sangue para checar seus níveis hormonais e seu metabolismo) e suplemente nutrientes com magnésio, ômega 3, vitaminas…
  • Limpeza e organização (casa, bolsa, armário, carro…)
  • Massagem, yoga, reike
  • Meditação
  • Reconhecer limites
  • Trazer uma novidade para o dia a dia

Por fim… se com tudo isso você ainda se incomoda com o mal humor, vejo como importante visitar seu médico e de repente utilizar o remédio bem indicado e acompanhado se dando a chance de ser mais livre para sorrir pela vida!

 

1 comentário
  1. Valdemar Diz

    Artigo maravilhoso e mega completo.
    Parabéns para a Gal Rosa.

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