Histórias pra contar

"Quem vai ao cinema é para assistir filme, mas há pessoas que dormem..."

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Tenho algumas boas histórias pra contar. Os dias passam e com eles vamos descobrindo, que estamos aprendendo “COISAS” novas, reciclando as antigas e superando as que ficaram para trás.

Essas “coisas” trazem lembranças que ficaram registradas na memória. No nosso dia a dia o aprendizado se renova e, para cada ação, uma resposta diferente.

Não há nada melhor do que recordar, do que reviver , sentir emoções, saudades, compartilhar alegrias, tristezas, sucessos, derrotas. Sofrer pelos desencontros, dores da perda de entes queridos e também recordar “coisas”, que não faríamos hoje. Por que? Porque tudo passa, tudo tem seu tempo… Não é verdade?

tania-maria-gurgelEste espaço concedido pelo site irá permitir que nasça uma amizade virtual entre nós. Vamos conhecer cada um através de suas historietas e poder imaginar a situação vivida por cada um. Se alguém disser que não tem nada a contar, que comece a se perguntar – O que fiz até hoje!

Na nossa idade não só temos uma, duas histórias para contar, temos várias e várias… episódios que marcaram nossos dias desde a infância até chegar à envelhecência.

Quando você tem uma vida intensa de trabalho, ocupações, convivendo diariamente com pessoas com temperamentos diversos, os “CAUSOS” são muitos…

Sou uma pessoa extremamente responsável, compromissada com meus afazeres, mas não sou diferente de ninguém, sou humana. Estou “VIVINHA DA SILVA”, após driblar a morte em 2012, mas confesso a vocês, gosto de aprontar, e até me arriscar vez outra, o que pode um dia gerar uma consequência desagradável.

Uma delas foi em Brasília. Éramos 4 Secretárias (Teresinha Miranda, Letícia Fialho, Zoraide Guedes e eu). Tínhamos ido para uma audiência com o então Presidente da República, José Sarney.

Fomos juntamente com outras Secretárias do Brasil receber o Certificado de Regulamentação da Profissão. Após saímos do Palácio passeando por aqueles canteiros verdinhos com destino ao hotel já pensando o que faríamos a noite em comemoração a esse pleito que demorou, mas vingou…

Enquanto íamos, alguém vinha vindo de cabeça baixa. Era um homem! Deveria estar mais do que pensativo porquê de cabeça baixa permanecia. Quando chegou bem próximo me deu uma vontade de quebrar aquela solidão.

Aí, marquei presença em cima dele com a mão em formato de revolver bem no coração e disse: é uma assalto! Vocês não podem imaginar a carreira que essa criatura deu, aliás não correu… voou!

Começamos a rir sem parar. Rimos tanto que uma das amigas fez xixi e cadê a coragem de continuar… A imagem do homem correndo está gravada até hoje na minha memória…

Outro lance foi no cinema. Entendo que quem vai para o cinema é para assistir um filme, mas há pessoas que dormem…

Foi numa tarde no Cine São Luís de Fortaleza . Após a aula no Colégio da Imaculada Conceição, uma turma pequena (Ângela Freire, Denise Catunda, Silvia Chaves e eu) decidiu aproveitar o horário para ver um filme que sairia de cartaz naquela semana.

Como a aula havia terminado mais cedo resolvemos nos juntar a outras pessoas.

Enquanto as amigas compravam ingressos, sai para a Farmácia Oswaldo Cruz, bem vizinho, comprar uma loção para lavar lentes de contato e um creme dental. Juntas, entramos e procuramos um bom local. Sentamos.

O filme começou… Lá pelas tantas, vizinho a mim tinha um homem que só dormia. Não entendi e não me incomodei, mas quando começou a roncar e de boa aberta, pensei… isso vai demorar pouco.

Muito sutilmente peguei o creme dental, espremi um pouco dentro da boca do dorminhoco e aí vocês podem imaginar o que aconteceu… Deu um “pinote” da poltrona , gritou e o coro todo : PSIU, PSIU… Chegou um lanterninha e, para não passar mico, o moço resolveu se retirar…

Continuei assistindo o filme como se nada tivesse acontecido.

O Cine São Luís é ainda a maior sala de projeção de películas no Brasil.

Outra interessante foi quando tinha 14 anos. Aprendi a dirigir muito cedo. E imaginem qual carro. O paizinho tinha um jeep willys americano, ano 51.

Nele aprendi a dar minhas voltas pelas ruas de Fortaleza. Um dia, escondida, peguei a chave e devagarinho, saí e me mandei. Só quem presenciou minha saída foi a moça que trabalhava conosco, a Rosita (Adora tomar uma pinga).

Quando meu pai sentiu minha falta e do jeep só pensou: – foi ela. Imediatamente telefonou para o Detran e deu ordem de me prenderem. Só que o pessoal da equipe do Detran (os tetéus) como eram chamados, já me conheciam e passaram o recado.

Naquele tempo (década de 60-finalzinho) todos conheciam o Bolinha (fiscal) que me disse: – “Vai que teu pai está brabo e com você não tem quem possa…”

Esses e outros “causos” já não fazem mais parte do meu cotidiano!

Agora na “MELHOR IDADE” participante do Programa CLUBE DA MELHOR IDADE , através da ABCMI – Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade (Ceará) tenho outras histórias desse público para contar.

São histórias de vida, exemplo de experiência e sabedoria…

Contar histórias, reviver lembranças de pessoas e lugares é o que alimenta nossos dias.

Viva a Vida! Viva a História!

[ Essa história foi enviada ao nosso e-mail pela Tânia Maria Gurgel do Amaral. Caso queira contar a sua, basta enviar com foto para gal@aterceiraidade.com ]

 

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