Breve História do Envelhecimento

estamos na era do salto quântico e portanto vivenciamos um momento grandioso

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Na história do envelhecimento, desde a era egípcia, encontramos um caminho de subidas e descidas, de aceitação e negação, de expurgo e reverência numa trajetória cíclica para lidar com o “fato da mortalidade” entre várias eras.

Breve História do Envelhecimento

Era bem assim em 2500 a.c: o faraó, tido como deus, reverenciado pela beleza e riqueza eterna – seus poderes supremos. Ao povo cabia suprir tais poderes e garantir que, após sua morte, chegasse aos céus.

Como curiosidade, os primeiros cosméticos, o primeiro culto à imagem perfeita vem da cultura egípcia, de adoração faraônica.

Ao chegarmos na Grécia antiga (1200 a.c) a vitalidade começa a existir a partir da vida hedônica (em que o prazer era o mais importante) e isso se equilibrava com o respeito aos mais velhos, admirados pela sabedoria e que sempre eram consultados para as decisões da polis.

Enquanto em Roma antiga (700 a.c) brigava-se pela herança, 200 anos depois o Japão com Confúcio e Lao Tsé (500 a.c) consideravam a importância da família para a atenção aos pais idosos.

Algum tempo depois, Hipócrates descobria as relações entre saúde e vida longa x higiene.

Enquanto as bruxas velhas eram queimadas pela inquisição (sec XII), a velhice era encenada nos palcos medievais por Shakeaspeare que tentava encontrar algum poder na loucura do velho Rei Lear, traído pelas filhas.

Enquanto a Índia há muito já aceitava a vida e a morte “como ela é” e os mais velhos de algumas culturas nômades asiáticas se atiravam do alto das geleiras para não dar trabalho para a comunidade, o ocidente noviço descobria a imortalidade temporária através da força de produção.

Enquanto hoje por um lado temos uma sociedade cada vez mais velha em meio a muitos adultos e jovens desanimados com o futuro por não conseguirem mergulhar e reconhecerem seu potencial, por outro temos Deepak Chopra, a física quântica e a espiritualidade nos mostrando “que o caminho é outro”.

Vivemos agora a era da espiritualidade, do conhecimento quântico e da diversidade. Nunca antes o envelhecimento da população levantou tantas reflexões sobre o tema. Considero este momento como a “era do salto”. Uma era capaz de quebrar ciclos e nos projetar à liberdade.

velho

Liberdade: expressão maior

Refletir sobre a história do envelhecimento  e o envelhecer nunca esteve tão em evidência em toda história da humanidade como agora. É a maior era da longevidade, onde consciência e realidade caminham juntas, mesmo apesar da consciência ter que acelerar em muito sua velocidade afim de acompanhar tantas mudanças rápidas.

Esta é a era máxima para todo conhecimento disponível, especialmente, acerca do próprio eu.

É a primeira vez que em todos os 4 cantos do mundo discute-se relacionamentos sociais, economia e política das cidades, aspectos da saúde, qualidade de vida e educação.

E no Brasil, estamos nos empenhando para refletimos sobre família e felicidade, sobre a imagem da beleza, sobre diferenças e finitude.

Também estamos refletindo mais sobre propósitos de vida, sobre missões, crenças e espiritualidade. Um diálogo de interesse universal, que nos faz sentir parte de uma imensa aldeia, uma casa sem limites, sem fronteiras.

E nesta grande aldeia, defendemos cada vez mais nosso direito por sermos do jeito que somos.

Compreender sobre a história do envelhecimento está mudando o mundo. Mas ainda não sabemos se para melhor ou para pior.

Mudando o mundo para pior

Desde que existimos, envelhecemos. Mas somente após reivindicarmos a liberdade de pensamento é que passamos a ter condições de refletir mais sobre isso, pois passamos a nos interessar mais sobre a vida de fato e a razão de viver.

A razão de viver sempre volta o olhar para a felicidade. É o fim de tudo: desde tomar um copo d’água, ir ao cinema, dormir na rede… até ser promovido, ganhar 3 vezes mais e se ver livre da violência e das doenças.

Quer seja a direção para a qual olhamos, desde a imediata a mais longínqua, buscamos consolação: a felicidade.

Voltando a atenção ao momento presente da humanidade, sem perder os fios da história, os jovens da era Google observam seu futuro envelhecendo de forma doentia e desordenada. Observam um envelhecer com fraqueza e autoestima baixa. Eles observam perdas. E não sabem o que fazer com isso. Mas criam uma solução emergencial e reativa: uma experiência de vida “compactada”, onde cada vez mais experiências podem caber em menos espaço e em menos tempo possível.

Viver “intensamente” é a regra. Tão intensamente que apenas por formas induzidas (não naturais) são capazes de viver tudo o que querem viver”. Um “agora” que se esvazia no instante seguinte. E assim a vida vai perdendo sentido…

“Pra que viver se vou envelhecer?”

“Mas por outro lado… pra que morrer já que estou vivo?”

“Então se é isso que se tem, vamos aproveitar antes que seja tarde.”

As drogas (e são tantos tipos, tantas formas) tornam-se aliadas numa caminhada fiel do prazer e da alegria à sombra das ilusões. Não importa nada se o prazer é o que importa. “E antes que o desprazer chegue, já estarei no fim.”

Onde está a ordem? O conhecimento? A sabedoria? A luz? Onde estão aqueles para quem perguntávamos sobre tantas coisas da vida? Em qual era se escondem?

Aos ancestrais mortos… desejo por sabedoria. Aos mais experientes vivos, nenhuma consideração. Não entendem, desatualizaram-se, se perderam na revolução passada.

E os jovens de hoje continuam a caminhada sem rumo…

uvas representam a história do envelhecimento

Mudando o mundo para melhor

Tais reflexões têm nos levado a compreender o qual natural e necessário é o processo de se envelhecer. É justamente a aceitação de nos tornarmos “velhos” e morrermos que nos faz incendiar o desejo por viver.

Viver é o que mais queremos por ser a experiência maior que podemos ter.

Compreender a história do envelhecimento nos faz compreender todo o processo de se viver. E se felicidade é o objetivo, este processo passa a ser conduzido com mais sentido, mais significado, mais consciência.

E é esta atitude positiva durante a vida que nos leva a um envelhecer “maduro”, confiante, seguro, com autoestima e poder sobre si. Inclusive o poder para se afastar daquilo que não é mais novidade, que não interessa mais, que já não mais te acrescenta por ter aprendido as lições.

Poder para dizer “não vou, não quero” sem ser chamado de deprimido. Poder de “não querer se envolver com raciocínios complexos e cansativos” sem ser chamado de demente.

Um poder cheio de autoconfiança e controle de si são exemplos para todos nós sobre “como se faz um mundo melhor” ao admirar a possibilidade de um futuro melhor. Porque um mundo melhor começa de uma pessoa melhor.

Um processo individual inspirando o coletivo.

O que há de errado na história do envelhecimento?

Na natureza há sempre uma tendência das conquistas se realizarem do maior para o menor. Não só em tamanho não só em força ou agilidade, mas também em conhecimento, experiência e sabedoria.

Dito isso vale a reflexão na tentativa de se compreender o que há de errado com os mais experientes e sábios da sociedade.

Voltando-se ao passado encontramos, em vários trechos da história do envelhecimento de culturas e povos, os “velhos” sendo respeitados e consultados sobre as mais diversas questões referentes à vida em comunidade, bem como conhecimentos universais.

É fácil percebermos a hierarquia baseada no saber, numa era em que nem a escrita, muito menos o Google, existiam.

Restava aos mais jovens consultar sempre os mais velhos para “saberem mais sobre”, tomar decisões importantes ou vencer desafios. O interesse nas relações se mantinha pautado no conhecimento, moeda de ouro para uma vida mais próspera em todos os sentidos. A sociedade que respeitasse os mais velhos garantia sua existência por longos tempos. Respeitar os mais velhos era questão de sobrevivência e uma vida com metas mais elevadas.

Em vários outros trechos onde a velhice sofria injúrias verificamos que o interesse das relações perpassava por aspectos da beleza e força física, da riqueza material para a ostentação de poder e força. Ou seja, uma vida de luxúrias e de objetivos limitados.

Qual o caminho, a final?

Sensatamente falando, só encontramos este “outro caminho” por que percorremos aquele, citado pelas histórias.

Após tantos ciclos sociais controversos torna-se fácil perceber a importância de ressignificar o olhar. Não só de um indivíduo, mas de toda humanidade.

A história do envelhecimento nos faz pensar…

Observar o ser “que sabe” e observar o ser “que tem” sempre irá gerar interesses diferentes. De acordo com o interesse, relações diferentes. E isto entrega diferentes olhares sobre a velhice com diferentes considerações pelo indivíduo “velho”.

Mas ao olhar o ser para além “do que se sabe e do que se tem”, muda tudo.

Qual a única coisa que podemos ter de verdade? Aquilo que se sabe. Considerando verdade o que não é temporário, pois a verdade é imune à qualquer destruição. Ela é eterna. E somente o que está na alma, fica para sempre.

Nós viemos ao mundo para “saber”, afim de sermos felizes. Ou para sermos mais felizes ainda. Saber é tudo o que precisamos e queremos para alcançar a felicidade.

Ao saber, encontramos. Ao encontrar, realizamos. Ao realizar, damos sentido à vida e isso traz senso de felicidade e grandeza humana.

O caminho está em se auto preencher de saber. E para isso só existe um único método: o autoconhecimento.

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O Velho como oráculo, aquele que tudo sabe

Nada ensina mais do que a experiência. E é de experiência que são feitos os velhos, verdadeiros compêndios de uma vida cheia de referências, de segredos aos mais jovens, de saídas libertadoras, de sabedoria.

Já nascemos 9 meses mais velhos mas é preciso anos de caminhada existencial para se saber de verdade. E cada um de nós carrega uma história do envelhecimento peculiar.

A consciência de um ser humano é a única capaz de falar de si mesma, de perceber que “existe” e de se maravilhar ao compreender sobre tudo que existe.

Aos mais velhos a vida resguarda um saber vivido, não um saber de robôs. Aos mais velhos resguarda-se o presente da conquista dos passos, das vitórias advindas ao aprender-se com as derrotas, da coragem imposta aos inúmeros medos, da determinação, dos merecimentos.

O velho é aquele que tem “todo saber” não em relação ao mundo todo mas ao que é mais importante: o que significa viver com base em sua própria história que por ser a única, é a mais importante que se tem.

Este ser que acabou por ser chamado idoso na tentativa de amenizar qualquer equívoco, antes era velho e só. Tornou-se idoso (idade + -oso) como sendo um sufixo que designa abundância, intensidade. Ou seja, aquele que tem muita idade (para não dizer velho, pois não gostamos de coisas velhas, passadas, fora da validade ou do tempo). Mas “coisas de muita idade” pode trazer ao menos uma curiosidade a favor: um trecho da história sobre nossa existência. E saber da história, é saber de si. Por isso, aos velhos mais velhos que eu: salve salve! E toda minha gratidão e respeito.

a história do envelhecimento e a hierarquia

A hierarquia construtiva presente na história do envelhecimento

Hierarquia (hierarkhia – do latim medieval) significa uma divisão elevada por importância  (de funções ou coisas).

Para considerarmos tal divisão faz-se necessários “ritos sagrados” de passagens ou condecorações. O que faz dos ocupantes de suas posições serem considerados como anjos guardiões. Uma visão elevada de se compreender como a dinâmica da vida humana se organiza.

E na hierarquia construtiva todos são importantes.

Hierarquia é uma ordem de poderes onde um reporta-se ao outro de modo sequenciado e sucessivo.

Ela está presente em todas as áreas que envolvem a vida: no ritmo da natureza, no desenvolvimento das espécies, na organização da sociedade, no desenvolvimento de projetos, na aliança entre os seres.

Sem hierarquia a vida seria uma grande bagunça!

Mas devemos revisitar e ressignificar seus conceitos também.

Ordem de importância não significa excluir ou não valorizar algo. Ordem de importância tem haver com o que é importante para o momento, para a ocasião, para a atribuição, para a conquista de metas.

Logo, cada coisa é importante no momento certo, para a tarefa certa. E assim se constrói tudo.

Numa sociedade competitiva, ambiciosa e cheia de autoestima baixa gerada pelo “medo de ser pior” a hierarquia muitas vezes é mal interpretada e odiada. Usada de forma errada, favorece a poucos. De forma completamente equivocada representa um poder que morre em si mesmo.

Se não há reconhecimento de todos os lugares numa ordem hierárquica, não há final feliz.

Apesar do envelhecimento vir para todo mundo, não somos iguais, não temos o mesmo conjunto de habilidades, não carregamos a mesma história individual e não enxergamos o mundo de forma idêntica.

É justamente estas diferenças infinitas e caleidoscópicas que fazem a maravilha da existência acontecer. Apesar de querermos uma mesma coisa no final: ser feliz.

É justamente estas diferenças que trazem brilho e graça à jornada humana, cheia de desafios. E somente com a união de nossas diferenças é que conseguimos montar o quebra cabeça universal e compreendermos nossa saga.

Este movimento é naturalmente hierárquico. Nada criou a hierarquia pois ela sempre existiu. Primeiro Deus, depois o mundo e os homens. Numa visão espiritual necessariamente não religiosa, podemos dizer primeiro Aquele Que Sabe, então os que precisam de saber. Mas sem importar quem vem primeiro pois Um só existe por causa do outro.

A hierarquia construtiva é aquela cujos membros são detentores de um saber aprendido com base no respeito, na consideração, na aceitação das diferenças. Mas antes, ele sabe muito bem de si. Ele sabe de sua importância e então não tem medo de dar importância ao outro. Ele reconhece o que vai à frente e o que vai atrás sem se sentir diminuído, uma vez que sabe estar no mesmo caminho, rumo a um mesmo objetivo que os demais. É um querer junto ao outro.

O objetivo em comum faz de uma hierarquia uma caminhada determinada, fluida e colaborativa. É nesse processo que encontramos os mais velhos e os mais novos cooperando entre si.

Os mais novos encontram experiência e sabedoria. Os mais velhos encontram renovação e sentido. Mas sem a luz de quem vai à frente… a escuridão prevalece.

computador e a historia do envelhecimento

A escuridão contraditória da era Google na história do envelhecimento

Para haver relações tem que haver interesse. Se não formos interessantes uns para os outros, não faria sentido vivermos juntos, em sociedade, ainda que morando sozinhos.

Ao se obter conhecimento fácil a um clique, de que nos serviria os relatos dos mais velhos?

Para quê ouvir pai e mãe já que temos todas as informações necessárias em 1 segundo? Ninguém quer perder tempo. Nem o adulto no mercado competitivo, nem o jovem com sua chuva de hormônios e tensão.

Assim, saímos do iluminado lampejo de consciência aberta para um mundo novo pois antes que ele venha, caímos na vala dos conflitos entre gerações.

A banalização da “hierarquia do saber” troca quem vai à frente de lugar. Ficando este no limbo dos desatualizados e analfabetos digitais e aquele completamente escravizado por experiências limitadas e vagas. Titica de galinha. Uma era que deveria ser de iluminação. Só que não! Ou melhor dizendo… SIM! Não quero me incluir nessa leva dos descontextualizados.

Continuando a história do envelhecimento de forma revolucionária

Já estamos compreendendo que deste modo não podemos continuar: pessoas desconsiderando pessoas, gente desfazendo-se de gente, uma autodestruição social.

Mas graças ao nosso instinto de defesa, apontamos rotas de fuga ou zonas de oxigenação por meio dos quais enxergamos complementariedades, possibilidades regenerativas de tantos valores perdidos ou destorcidos.

Reconhecer que a experiência faz o mestre nos volta o olhar para os seniores em busca da segurança do que sabem. E sem desfazer da tecnologia conseguimos alinhar gerações diferentes de forma a compreender que as habilidades se completam, e a falta das mesmas também.

Transformar uma “cultura autofágica” em uma cultura de prosperidade somente se faz possível se os que precisam saber vão ao encontro dos que sabem. E para a geração de equilíbrio, os que sabem podem saber mais pois aprender é um processo finito para uma vida biográfica mas infinito para toda a existência. Ou seja, não há limites caso você queira.

Revolucionar conceitos é a tônica da era atual. A benção é enxergarmos isso! Revolucionar para trazer o novo. O mesmo novo que vira e mexe aparece na história. Mas agora temos o diferencial entre todas as eras, temos o que nenhuma outra era teve antes: conhecimento e domínio da matéria.

Porém, ainda não olhamos para esses 2 tesouros da humanidade a nosso favor. Nos falta saber. E o saber só vem com a experiência, que por sua vez vem com o tempo, que por sua vez é o louro dos mais velhos.

Nos falta transcender e aceitar o envelhecimento como algo positivo e bom. E somente numa visão essencial e elevada conseguimos realizar isso. Somente na consciência de ser. Pois na consciência humana jamais aceitaremos.

Ao humano que carrega o corpo, ao ser que carrega a alma um casamento perfeito, onde quanto mais uma parte pesa materialmente, a outra engrandece existencialmente.

Transcender a história do envelhecimento

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Ir além dos limites do corpo havendo engrandecendo o ser que anima o corpo faz da vida uma experiência digna, suficiente e mais feliz. Se o mais importante é o que fica, tudo o que for passageiro servirá de instrumento ou caminho para o sucesso existencial.

O envelhecimento passa ser uma dádiva! A maior fase da vida onde tudo faz sentido, onde consigo olhar para minha construção e desfrutar do meu feitio. Onde caminho com segurança e autoestima por sentir-me verdadeiramente útil à sociedade.

A partir daí tudo muda em um salto quântico. Ressignificamos as perdas, a morte, os fracassos, as dores. Ressignificamos as relações com a matéria, com as pessoas, com o trabalho e o dinheiro. Ressignificamos o envelhecimento e sua história.

Toda vez que contemplo um indivíduo velho, tudo que compartilhei neste texto vem em minha mente ultimamente como flash, por tantas vezes que já refleti sobre o envelhecer.

Sinto uma alegria por compreender a importância de se envelhecer pois esta compreensão faz-me sentir livre. Livre de tal forma que a cada dia que se passa, a cada ano que completo, qualquer sentimento de medo do envelhecer vai se desfazendo. E o vislumbre de uma nova era vai se revelando diante de meus olhos. Desejo muito que se revele para muitos e muitos de nós! Aqueles que quiserem ver.

Assim escreveremos os próximos capítulos da história do envelhecimento com olhares bem diferentes.

 

 

 

 

 

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