O que é Hipercalemia? Sintomas, Tratamento e Causas

Hipercalemia é uma doença caracterizada pelo excesso de potássio no sangue.

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Hipercalemia é um termo pouco comum no dia a dia da grande maioria das pessoas, principalmente pelo fato de que os sintomas dessa doença são, em um primeiro momento, considerados leves e sem importância.

O potássio é muito importante para várias funções do nosso organismo, mas a concentração desse mineral em excesso pode acabar trazendo problemas à saúde.

Encontrado em abundância em uma grande quantidade de alimentos como frutas, verdura e legumes é preciso cuidado para que o que é normalmente visto como um benefício não acabe se tornando a causa de complicações mais sérias.

Por isso preparamos essa matéria especial sobre a hipercalemia, como seus sintomas se manifestam, como a doença pode ser tratada e quais suas causas mais frequentes.

Aprenda mais sobre essa doença silenciosa que atinge muitas pessoas de maneira silenciosa nos próximos parágrafos. Boa leitura.

O que é hipercalemia?

Também conhecida como hiperpotassemia, a hipercalemia é caracterizada pela grande quantidade de potássio na corrente sanguínea.

O potássio é uma substância extremamente importante para o bom funcionamento do nosso organismo.

Além de agir no auxílio do metabolismo e na digestão, o potássio também exerce um papel importante no processo de homeostase, mantendo o equilíbrio de processos elétricos e químicos no nosso organismo.

A hiperpotassemia pode ser medida com base em seus valores de referência, medidos em mmol/L.

Os valores de referência para hiperpotassemia são:

  • Até 5,0 mmol/L – baixa hiperpotassemia;
  • Entre 5,0 e 6,0 mmol/L – hiperpotassemia moderada;
  • Acima de 6,0 mmol/L – hiperpotassemia critica.

A partir dos níveis considerados moderados da hiperpotassemia, nesse estágio o mais recomendado é procurar um médico para fazer o acompanhamento.

Função do potássio no organismo

O potássio é um mineral extremamente importante para o bom funcionamento do nosso organismo como um todo.

Além de funcionar como eletrólito juntamente com outras substâncias como o sódio e o cálcio fazendo a condução da eletricidade no nosso corpo, esse mineral também tem função fundamental na função cardíaca.

A banana é uma fruta com alta concentração de potássio.

Existe uma grande variedade de alimentos que são grandes fontes de potássio, mas esse mineral não está presente apenas em vegetais e frutas.

Carnes vermelhas, e peixes como salmão e bacalhau também são fontes ricas de potássio.

Além desses, outros alimentos são ricas fontes do mineral, como por exemplo:

  • Banana;
  • Abacate;
  • Batata;
  • Espinafre;
  • Aveia;
  • Melância

Hipercalemia e hipocalemia

Apesar de terem nomes parecidos e serem causadas pela mesma substância presente em nossa corrente sanguínea, essas doenças são totalmente opostas uma à outra.

Ao contrário da hipercalemia, que acontece quando há o excesso de potássio na corrente sanguínea, a hipocalemia acontece de maneira totalmente inversa, sendo causada pela falta de potássio no sangue.

Alguns fatores podem fazer com que a quantidade de potássio no sangue diminua, ficando abaixo dos níveis recomendados.

O principal fator que causa a hipocalemia é a desidratação do organismo, ocasionada principalmente por diarreias, urina e vômitos.

Esses fatores são diferentes do que ocorre na hiperpotassemia, onde as principais causas estão normalmente relacionadas a problemas renais.

Sintomas

Na grande maioria dos casos essa doença chega de forma silenciosa, sendo identificada apenas após a realização de exames de sangue solicitados pelo médico.

Por isso é muito comum que as pessoas só descubram que estão com os níveis de potássio na corrente sanguínea abaixo do recomendado.

O surgimento de sintomas que podem ser examinados sem a necessidade de exames de sangue ocorre na maioria das vezes somente quando a falta de potássio no sangue já atingiu níveis críticos, acima de 6,0 mmol/L.

Os sintomas mais comuns da doença são:

  • Frequência cardíaca irregular;
  • Perda de consciência;
  • Fraqueza;
  • Paralisia muscular;
  • Confusão mental;
  • Pulsação lenta;
  • Nâuseas e vômitos.
Ao sinal desses sintomas, procure imediatamente um médico.

Causas

Os problemas nos rins costumam ser a principal causa de excesso de potássio no sangue.

Entre esses problemas renais, os mais comuns são:

  • Inflamação da glomerulonefrite (parte do rim que filtra o sangue);
  • Possíveis rejeições decorrentes de transplantes;
  • Uropatia obstrutiva;
  • Ausência de aldosterona;
  • Insuficiência renal.

Além dos problemas renais, outros fatores externos também podem fazer com que a doença surja, como por exemplo:

  • Consumo excessivo de alimentos com grande quantidade de potássio, presente no sal;
  • Uso de suplementos vitamínicos e medicamentos diuréticos;
  • Sangramento nos intestinos ou no estômago;
  • Uso descontrolado de medicamentos para hipertensão;

O consumo excessivo de sal é apontado pelos médicos como uma das principais causas da hiperpotassemia.

Além de todos esses fatores, o nosso organismo pode realizar a liberação de potássio na corrente sanguínea quando realizamos alguns tipos de movimentos.

O simples movimento de abrir e fechar as mãos durante a retirada de sangue, seja para um exame ou para doação, pode fazer com que o potássio seja liberado pelo organismo.

Doenças como diabetes tipo 1, doença de Addison também podem aumentar a quantidade de potássio presente na corrente sanguínea, favorecendo que os sintomas da hipercalemia se manifestem nesses pacientes.

Fatores de risco

Alguns fatores podem fazer com que o acúmulo de potássio presente na corrente sanguínea aconteça de forma mais rápida.

Os principais fatores de risco para a doença são:

  • Tumores;
  • Queimaduras;
  • Cirurgias;
  • Lesões;
  • Sangramento hemolítico;

Diagnóstico da hipercalemia

O diagnóstico pode ser feito por vários especialistas da área da medicina, como nefrologista, nutricionista, hematologista e clínico-geral.

Para facilitar o diagnóstico da doença o médico pode fazer algumas perguntas que servirão como base para que ele saiba exatamente que tipos de exames devem ser solicitados.

Essas perguntas normalmente são relacionadas a hábitos alimentares, histórico de problemas renais na família, se o paciente está fazendo uso de algum medicamento, e se o paciente notou algum sintoma recente.

       

Após essa etapa, além do exame de sangue o médico pode solicitar também que o paciente realize um eletrocardiograma, afim de verificar se existem alterações no ritmo das pulsações deixando-as mais lentas ou irregulares, excesso de potássio sérico e fibrilação ventricular.

O ECG também pode se existe um quadro de bradicardia, anomalia que faz com que a frequência cardíaca do paciente fique abaixo dos 60 batimentos por minuto, causando com isso sintomas como tontura, falta de ar e desmaios.

Tratamento

O tipo e a intensidade do tratamento da hiperpotassemia é definido de acordo com o nível em que a doença se encontra levando em consideração os valores de referência já mencionados aqui.

O exame de sangue detecta a hipercalemia.

Hipercalemia leve

Nos casos onde a quantidade de potássio se encontra dentro dos limites definidos como o estágio mais leve da doença.

Ou seja, enquanto os níveis da substância na corrente sanguínea estão próximos aos 5,0 mmol/L, a doença é considerada leve.

Isso faz com que seu tratamento possa ser menos intensivo, com ações de médio e longo prazo buscando evitar que os níveis aumentem, transformando um caso leve em uma situação mais grave.

Como medidas principais para ajudar o organismo a eliminar o excesso de potássio estão:

  • O uso de medicamentos com propriedades diuréticas;
  • Deixar de utilizar medicamentos que não permitem que o organismo elimine a substância em excesso do organismo;
  • Reduzir o consumo de alimentos ricos em potássio;
  • Fazer uso de uma espécie de resina que absorve e elimina o potássio excedente através das fezes.

Medidas simples como essas costumam ter resultados muito satisfatórios em pacientes com níveis considerados moderados dessa substância no organismo.

Hipercalemia moderada ou crítica

Pacientes que apresentam níveis de potássio superiores a 5,0 mmol/L precisam ser submetidos a um tratamento mais intensivo, afim de evitar que subam ainda mais e causem complicações mais sérias.

Para reduzir esses níveis o tratamento deve ser realizado imediatamente, através da administração de glicose, insulina ou cálcio.

A insulina e o cálcio fazem o transporte do potássio da corrente sanguínea para as células, diminuindo assim a concentração da substância no sangue.

Enquanto isso, o cálcio age como um protetor do coração.

Caso o paciente sofra de problemas renais e o uso dessas substâncias não diminua a concentração de potássio no sangue, será necessário incluir a diálise no tratamento.

Quais as complicações da hipercalemia?

Por ser uma doença que chega sem apresentar sintomas, muitas pessoas nem sabem que estão com esse problema, até que realizem um exame de sangue.

Isso faz com que a doença só seja identificada quando os níveis de potássio no sangue já estão muito acima do recomendado.

A demora no diagnóstico faz com que uma condição que poderia ser facilmente tratada e eliminada se transforme em um problema grave.

O tratamento tardio da hipercalemia pode trazer consequências graves ao organismo do paciente.

As complicações decorrentes da falta de tratamento podem ser a perda ou alteração no controle neuromuscular e arritmia cardíaca.

Isso aumenta muito a possibilidade de que o paciente possa ter uma parada cardíaca caso a concentração de potássio no sangue esteja muito elevada.

É possível conviver com a hipercalemia?

Normalmente é possível conviver normalmente com a doença, mesmo após seu diagnóstico.

Para que os sintomas sejam minimizados e os resultados obtidos através do tratamento sejam mais efetivos o mais indicado é que o paciente passe a ingerir menos potássio, principalmente durante a alimentação.

Isso é possível com a retirada do sal dos alimentos, sendo substituído por outros tipos de temperos.

Uma vez confirmado o diagnóstico, é importante realizar periodicamente exames para acompanhar os níveis de potássio na corrente sanguínea para que a doença não evolua.

A tontura é um dos sintomas da doença.

Como prevenir a hipercalemia?

O primeiro passo para prevenir a doença e evitar que seus sintomas e manifestem é reduzir a ingestão de potássio pelo organismo.

Os alimentos listados abaixo são fontes ricas em potássio, e mesmo sendo amplamente utilizadas por quem cultiva hábitos alimentares mais saudáveis, devem ser ingeridos com cautela.

  • Beterraba;
  • Batata doce;
  • Espinafre;
  • Molho de tomate;
  • Abacate;
  • Uva passa;
  • Aveia;
  • Batata;
  • Melancia
  • Abóbora;
  • Feijão preto.

O sal e a banana são as fontes de potássio mais conhecidas do grande público, mas muitos outros alimentos também possuem uma grande concentração da substância e precisam ser evitadas por quem apresenta qualquer sintoma da doença.

Além de reduzir o consumo desses alimentos ricos em potássio, uma outra forma de prevenir o surgimento da doença a através da ingestão de água em abundância.

A desidratação é uma das causas da hipercalemia, por tanto manter-se hidratado é um grande passo para manter a doença longe.

Também é preciso identificar outras doenças, como tipos de diabetes ou hemorragias e qualquer outra que faça com que a quantidade de potássio liberada no sangue seja superior ao recomendado.

Conclusão

O potássio é essencial para o bom funcionamento de várias funções do nosso organismo, principalmente no que diz respeito ao metabolismo.

Isso faz com que muitas pessoas acreditem que quanto mais potássio for ingerido, melhor. Mas não é bem assim.

Níveis de concentração desse mineral acima do recomendado pelos profissionais da medicina podem acabar trazendo sérios problemas de saúde.

Sintomas como tontura, perda de consciência, fraqueza e desmaios só se manifestam após esses níveis de potássio atingirem patamares críticos, o que pode causar demora no diagnóstico e tratamento enquanto a doença ainda está em estágio leve.

No seu estágio inicial a hipercalemia pode ser tratada facilmente com a mudança de alguns hábitos de vida, como a redução do consumo de alimentos ricos em potássio, sem necessidade de medicamentos mais fortes.

Quando esse tratamento inicial não surte os efeitos desejados, os médicos optam por administrar substâncias como insulina e cálcio.

Essas substâncias atuam diminuindo a concentração do mineral na corrente sanguínea.

Quando o tratamento é deixado de lado pelo paciente, a doença pode acabar evoluindo e trazendo complicações muito mais graves, chegando inclusive a causar paradas cardíacas em casos mais graves.

Por isso a melhor maneira de manter essa doença é aliar hábitos saudáveis referentes a alimentação, principalmente reduzindo ou evitando o consumo de uma grande quantidade de alimentos ricos em potássio.

Independente de qualquer coisa, se você sentiu algum dos sintomas da hipercalemia nos últimos tempos, o ideal é procurar o seu médico o mais rápido possível.

Você já conhecia a hipercalemia e seus sintomas? Percebeu a importância de adotar uma alimentação mais saudável e equilibrada, para evitar que o que deveria trazer apenas benefícios para a sua saúde acabe se transformando em problemas mais graves?

Conhece algum caso de hipercalemia que foi tratado facilmente, ou um caso mais grave da doença?

Deixe seu relato aqui nos comentários para que mais pessoas possam se prevenir dessa doença silenciosa.

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