Entamoeba Histolytica: Cisto, Tratamento, Sintomas

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Entamoeba histolytica é uma espécie de protozoário responsável pela amebíase, uma infecção que ocorre no mundo inteiro, mas que é mais comum em regiões de climas quentes onde as condições de saneamento básico e de higiene pessoal são mais precárias.

A amebíase pode causar graves sintomas gastrointestinais, como diarreia sanguinolenta e abscesso no fígado, sendo uma das principais causas de morte por infecção parasitária. Em todo mundo 500 milhões de pessoas são infectadas anualmente, sendo que a taxa de mortalidade é de 0,02%.

Nesse artigo vamos explicar o que é Entamoeba Histolytica, como se reproduz e como é transmitida. Assim como explicar como se dá a doença causada por ela (amebíase), quais os sintomas, causas, tratamentos e prevenção.

Entamoeba Histolytica: O que é?

entamoeba histolytica causador da amebiase
Entamoeba histolytica é um protozoário causador da amebíase

A Entamoeba Histolytica é um protozoário que pertence ao filo Sarcomastigophora, sub-filo Sarcodina onde se incluem as amebas. Várias tipos de amebas podem colonizar o cólon humano, no entanto apenas a Entamoeba histolytica é patogênica para o ser humano.

É importante não confundir a Entamoeba histolytica com outras amebas inofensivas que não precisam de tratamento, como a Entamoeba dispar, Entamoeba moshkovskii, Endolimax nana ou Entamoeba coli.

Ciclo biológico da Entamoeba histolytica

Entamoeba histolytica: Ciclo amebíase
Entamoeba histolytica: a contaminação é através de um ciclo entre o protozoário contido nas fezes e um hospedeiro

Normalmente, a Entamoeba histolytica é eliminada nas fezes na forma de cistos, muito resistentes que podem sobreviver no ambiente por vários meses, mesmo os mais hostis. O ciclo evolutivo da Entamoeba histolytica é monoxeno, ou seja, o seu ciclo se completa em apenas um hospedeiro, e o modo de infecção é oral através da ingestão dos cistos presentes na água, no solo ou nos alimentos contaminados pelas fezes do hospedeiro.

A ingestão de um único cisto de Entamoeba histolytica já é suficiente para contaminar a pessoa. O cisto, após ser ingerido, passa incólume pela acidez do estômago, e muda para a forma trofozoíta ao chegar nos intestinos. Quando alcançam o cólon, os trofozoítas se aderem a sua parede e passam a colonizá-la.

Na maioria dos casos, a Entamoeba histolytica tem um comportamento comensal, isto é, permanecem no intestino vivendo em harmonia com o hospedeiro, alimentando-se dos alimentos que ele consome, sem produzir sintomas.

No entanto, os trofozoítas reduzem o seu metabolismo, alimentam-se de células da mucosa e de hemácias e armazenam reservas energéticas. Ali, eles se multiplicam de forma binária secretando uma parede cística ao seu redor, e voltam a formar cistos, que são eliminados através das fezes do hospedeiro, completando o ciclo.

A recontaminação

O paciente contaminado, por sua vez, elimina a Entamoeba histolytica em forma de cistos e trofozoítas, mas apenas os cistos são capazes de sobreviver no ambiente. Mesmo que um outro indivíduo venha a ingerir a forma trofozoíta, esta não é capaz de provocar a amebíase, pois eles são destruídos pela acidez estomacal. Portanto, apenas os cistos de Entamoeba histolytica são capazes de provocar doença.

Dentro do cisto o parasita realiza divisão binária formando quatro novos indivíduos que desencistam quando chegam ao intestino de um novo hospedeiro. Em casos de infecção crônica podem invadir outros órgãos através da circulação sanguínea, especialmente o fígado.

Os cistos podem permanecer viáveis fora do hospedeiro por cerca de 20 dias caso as condições de temperatura e umidade sejam adequadas. Logo, eles são as formas de resistência do parasita no meio ambiente. Os trofozoítos, entretanto, são lábeis no ambiente.

Morfologia do parasita

De acordo com sua morfologia, a entamoeba histolytica apresenta 4 fases: a de trofozoíto ou forma vegetativa, a de cisto ou forma de resistência, a de pré-cisto ou forma entre trofozoíto e cisto e a de metacisto, sua forma que dá origem ao trofozoíto.

Os cistos são redondos com cerca de 5 a 25 micrómetro. No intestino delgado, cada cisto dá origem a oito trofozoítos (6 a 40 micrómetro) que se deslocam para o intestino grosso por meio de pseudópodos, onde podem formar úlceras na mucosa do cólon, viver de forma comensal ou enquistar. A Entamoeba histolytica pode ainda invadir e produzir lesões fora do intestino, especialmente no fígado.

Prevalência da Amebíase por Entamoeba histolytica

Geralmente, a prevalência da amebíase transmitida pela entamoeba histolytica é em zonas tropicais e subdesenvolvidas, onde as condições socioeconômicas e higiênicas são precárias. No entanto, a doença não tem relação com clima, pois mesmo em regiões subdesenvolvidas de clima frio há alta ocorrência de amebíase, mesmo que menor.

A incidência é de 5 a 50% da população mundial, sendo que 10% apresentam sintomas clínicos, já sendo a segunda causa de mortes no mundo. Os continentes de maior incidência são em áreas da África, Ásia e do subcontinente indiano, e em partes da América Central e do Sul (América Latina). Nos Estados Unidos, costuma ocorrer em imigrantes e, com menos frequência, em pessoas que tenham viajado para países em subdesenvolvidos.

Transmissão de Entamoeba Histolytica

entamoeba histolytica: ciclo da contaminação
Entamoeba histolytica: a pessoa se contamina através de cistos nas fezes pela ingestão de água ou alimentos contaminados

A amebíase intestinal é um doença que ocorre quando o indivíduo se contamina com a ameba Entamoeba histolytica. A transmissão é feita por via fecal-oral, ou seja, uma pessoa contaminada elimina o parasita nas fezes, e outra, de algum modo, acaba ingerindo os cistos do parasita. Geralmente, encontrados na água ou em alimentos contaminados pelas fezes dos infectados e no solo.

Esse modo de transmissão pode se dar de diversas maneiras, principalmente através do consumo de água ou alimentos contaminados por essas fezes. Uma das transmissões mais comuns, por exemplo, é quando a pessoa evacua, não lava as mãos adequadamente e vai preparar alimentos para outras pessoas.

Desse modo, a contaminação pode se dar à todas as pessoas de uma mesma residência, visto que os cistos da ameba são bastante resistentes, e podem contaminar objetos de uso comum e sobreviver neles durante vários dias.

Outro exemplo é banhar-se ou consumir água de locais onde as condições sanitárias são precárias. Ou seja, qualquer contato com fezes contaminadas pode transmitir a doença, incluindo quem tem relação sexual anal, seguida de sexo oral sem preservativos.

A doença Amebíase

A amebíase, também chamada de disenteria amebiana ou disenteria amébica, é a doença parasitária causada pelo protozoário Entamoeba Histolytica. Em cerca de 90% dos casos, o paciente contaminado se torna um portador assintomático da ameba.

Porém, por mecanismos ainda não totalmente esclarecidos, em uma pequena parte dos pacientes contaminados, a Entamoeba histolytica pode ter um comportamento agressivo.

O protozoário invade a parede do cólon, destrói as células epiteliais e provoca grande inflamação intestinal. Ou seja, tudo isso acaba levando à diarreia sanguinolenta e outros sintomas de amebíase.

A ameba também pode atravessar a parede do cólon e cair na circulação sanguínea, indo se alojar em outros órgãos, como fígado, pulmões e cérebro.

Grupos de risco

A Entamoeba histolytica pode infectar qualquer pessoa, de qualquer faixa etária, que entre em contato com a fezes contaminadas pelo parasita. No entanto, a evolução e as consequências da infecção sejam mais graves em indivíduos imunodeprimidos. Portanto, pacientes infectados por HIV, por exemplo, são extremamente sensíveis. Entre os grupos de risco para amebíase sintomática podemos citar:

  • Gravidez;
  • Uso de drogas imunossupressoras;
  • Uso de corticoides;
  • Alcoolismo;
  • Extremos de idade (bebês e idosos);
  • HIV;
  • Câncer;
  • Desnutrição.

Amebíase extra-intestinal

O órgão extra-intestinal mais acometido pela Entamoeba histolytica é o fígado. A forma de apresentação mais comum é o abscesso hepático, que ocorre em até 5% dos pacientes com amebíase intestinal sintomática.

Os sintomas mais comuns do abscesso hepático pela ameba são febre, suores, calafrios, fraqueza, enjoo, vômito, perda de peso e dor ou desconforto na região superior direita do abdômen sobre o fígado. Mais raramente, a ameba também pode formar abscessos no pulmão ou no cérebro. A pele pode também ficar infectada, especialmente ao redor das nádegas, dos órgãos genitais ou de feridas causadas por cirurgia abdominal ou lesões.

Principais sintomas de infecção por Entamoeba Histolytica

       

entamoeba histolytica: homem com dores abdominais
Entamoeba histolytica: os principais sintomas são dores abdominais, febre e diarréia sanguinolenta.

Como já foi dito, mais de 90% dos pacientes contaminados com Entamoeba histolytica não apresentam sintomas. No entanto, quando há doença sintomática, os sintomas surgem após um período de incubação que pode durar entre 2, 3 dias até 1 a 4 semanas após a contaminação pelo cistos do parasita.

Nos 10% dos pacientes que apresentam doença pela entamoeba histolytica, os sintomas são muito variados, sendo os mais comuns:

  • febre e calafrios;
  • aumento de gases;
  • dor abdominal;
  • constipação;
  • cólicas intestinais;
  • tenesmo (dor ao evacuar);
  • diarréia aquosa e volumosa com muco e sangue, várias evacuações por dia;
  • desidratação (devido a diarréias constantes);
  • náuseas e vômitos;
  • fraqueza
  • perda de peso.

O quadro costuma ser mais arrastado que os das gastroenterites virais ou intoxicação alimentar, com piora dos sintomas ao longo de 1 a 3 semanas.

Casos mais graves

A maioria dos casos de amebíase é de leve a moderada intensidade. Mas raramente, em cerca de 0,5% dos casos, a doença pode se apresentar de forma fulminante, com necrose intestinal, perfuração do cólon, resultando em dor abdominal intensa e peritonite grave. Nestes casos, a mortalidade ultrapassa os 40%. Pode haver também febre, apendicite e abcessos no fígado, pulmões, baço ou cérebro.

A amebíase, em sua forma crônica, pode apresentar debilitação progressiva do organismo (emaciação), episódios recorrentes de cólicas, fezes sanguinolentas e anemia, um quadro muito parecido com doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. Por vezes, forma-se um grande caroço (ameboma) e bloqueia o intestino.

Diagnóstico da amebíase

Para diagnosticar a amebíase, um médico coleta amostras para análise. A melhor abordagem é testar as fezes para detectar uma proteína liberada pelas amebas (teste de antígeno) ou usar uma técnica de reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR) para analisar as fezes e detectar material genético da ameba.

Exames de fezes (EPF)

A maneira mais comum de se realizar o diagnóstico é através do exame parasitológico de fezes (EPF), em que através do qual é realizada uma busca via microscopia óptica para verificar a presença de trofozoítos ou cistos do parasita e confirmar sua patogenia.

Como os cistos e trofozoítos não são eliminados de forma constante pelas fezes, são colhidas no mínimo 3 amostras, em dias diferentes para um melhor diagnóstico. O laboratório faz tal busca através do método direto (salina/Lugol), do método de Hoffman (sedimentação espontânea) ou do método de Faust, todos utilizando critérios de comparação morfológica.

Técnica PCR

A técnica de PCR produz muitas cópias do material genético da ameba e, assim, facilita a identificação da ameba. Esses testes são mais úteis do que o exame microscópico de amostras de fezes, pois muitas vezes, ele requer três a seis amostras de fezes para encontrar as amebas, e mesmo assim poder ser inconclusivo. Pois, mesmo quando as amebas são encontradas, às vezes, não é possível distingui-las de outras amebas, tais como Entamoeba dispar, que é parecida, mas geneticamente diferente e não causa doença.

Exames de sangue

A sorologia, que consiste na pesquisa de anticorpos contra a Entamoeba histolytica, também é uma opção, sendo positiva em mais de 90% dos pacientes com amebíase intestinal. Os exames de sangue são realizados para detectar anticorpos contra as amebas. (Anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunológico para ajudar a defender o corpo contra um ataque específico, incluindo o de parasitas).

Outros exames

Outras maneiras de se detectar o parasita são a endoscopia, a proctoscopia ou retoscopia e a técnica de ELISA. Nesse caso o teste baseia-se na detecção da adesina (lectina inibidora de N-acetil-D-galactosamina), presente na membrana do parasita, e faz a mediação da ligação dos trofozoítos às células da mucosa intestinal.

Uma colonoscopia através de um tubo de visualização flexível também pode ser realizada para ver dentro do intestino grosso e obter uma amostra de tecido, caso se encontrem úlceras ou outros sinais de infecção.

Quando as amebas são transmitidas para fora do intestino (como o fígado), elas podem não estar mais presentes nas fezes. Assim, para confirmar um abscesso no fígado, pedem-se exames como a ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (IRM), mas estes testes não indicam a causa.

Ou, se a suspeita for de um abscesso hepático causado por amebas, simplesmente inicia-se um medicamento que mata amebas (um amebicida). Caso haja melhoras, o diagnóstico é provavelmente amebíase.

A doença no Brasil

É de suma importância o estudo, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da amebíase, uma vez que a doença ainda é responsável por uma enorme taxa de morbimortalidade no Brasil e no mundo. Assim como acontece com tantos outros parasitas, a prevalência da Entamoeba Histolytica está diretamente relacionada às condições socioeconômicas do local onde ela é encontrada.

No Brasil por exemplo, a prevalência da protozoose é bastante variável (5,6% a 40,0%) em suas diferentes regiões, assim como sua patogenicidade e virulência, devido a grande desigualdade do país.

Para diminuir o número dessas ocorrências e controlar a incidência da doença, seria necessário melhorar as condições de saneamento básico da população, já que a transmissão é feita por via fecal-oral, em que a falta de higiene é uma das principais causas dessa contaminação.

Tratamento da Amebíase

remédios para entamoeba histolytica
Entamoeba histolytica é tratada com antibióticos

Apesar do tratamento ser complexo dependendo da localização da infecção e do estado geral do hospedeiro, todas as infecções pela ameba Entamoeba histolytica devem ser tratadas. Mesmo na ausência de sintomas, devido ao potencial risco de complicações futuras e de disseminação da ameba para os membros da família.

Existem várias opções de tratamento para a amebíase. As pessoas recebem um medicamento que matam o protozoário (amebicida), no caso as amebas, seguido de um medicamento que mata a forma dormente das amebas no intestino grosso, além dos sintomas como a febre, as náuseas, etc.

Geralmente, duas semanas são suficientes para a recuperação da enfermidade. Além disso, recomenda-se uma alimentação rica em nutrientes e ingestão de líquidos, por conta da desidratação causada pela diarreia excessiva.

Medicamentos

As formas leves ou assintomáticas, que representam um importante reservatório do organismo na população, podem ser tratadas com antibióticos como teclozam, paramomicina ou iodoquinol.

No tratamento da amebíase intestinal sintomática, o metronidazol ou o iodoquinol, tinidazol ou secnidazol são os mais recomendados. Nos casos mais extremos, podem ser feitas cirurgias se os cistos atingirem outros órgãos.

O metronidazol precisa ser tomado por vários dias. Geralmente, o tinidazol é administrado como uma dose única grande. O tinidazol tem menos efeitos colaterais que o metronidazol. As pessoas não devem consumir álcool enquanto estiverem tomando qualquer um desses medicamentos ou por vários dias depois de interrompê-los, pois isso poderá causar enjoos, vômitos, rubores e dores de cabeça. O metronidazol e o tinidazol não são administrados a mulheres grávidas.

O metronidazol e o tinidazol nem sempre matam os cistos que estão no intestino grosso. Um segundo medicamento (como a paromomicina, o iodoquinol ou a diloxanida) é usado para matar esses cistos e, assim, prevenir uma recaída. As pessoas desidratadas recebem fluidos.

Prevenção da contaminação por Entamoeba Histolytica

entamoeba histolytica: mulher lavando alimentos
Entamoeba histolytica: a melhor forma de prevenir é ter hábitos saudáveis e higienizar os alimentos adequadamente para evitar a contaminação.

Como na maioria das doenças, a melhor medida ainda é a prevenção. Mas para o seu controle total na cadeia alimentar é fundamental garantir práticas de higiene rigorosas na manipulação de alimentos, minimizar a disseminação de cistos ao nível da produção primária e no tratamento dos resíduos humanos através de uma boa política de saneamento básicos em áreas mais precárias.

É ainda importante evitar o consumo de água ou de gelo não tratada, não filtrada ou de fonte duvidosa. Assim como de alimentos crus não cozidos, incluindo saladas, legumes e verduras, potencialmente contaminados por zonas endémicas onde as condições de higiene e saneamento são mais precárias.

Além disso, higienizar bem verduras, frutas e legumes antes de consumi-los, lavar bem as mãos antes de manipular qualquer tipo de alimento, e, principalmente após utilizar o banheiro. Em água, por exemplo, os cistos são destruídos pela adição de cloro ou de iodo. Porém, a eficácia do iodo ou do cloro depende de muitos fatores, como o quanto a água está turva ou barrenta (turvação) e a sua temperatura.

O uso de proteção (preservativos) nas relações sexuais oral-anal também é uma forma de se prevenir da amebíase.

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