Endometriose Tem Cura? Pode Engravidar? Cura Natural!

No Brasil, estima-se que aproximadamente sete milhões de mulheres apresentem esse diagnóstico.

0 154

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a endometriose afeta cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente sete milhões de mulheres apresentem esse diagnóstico. Mas afinal, a endometriose tem cura ou não? É o que vamos procurar esclarecer neste artigo.

Se esse é um problema que preocupa você, hoje é um excelente dia para saber mais sobre essa doença. Boa leitura!

O que é a endometriose

Antes de sabermos se a endometriose tem cura, precisamos saber um pouco melhor sobre a doença.

A endometriose é uma doença diretamente ligada ao ciclo menstrual da mulher, por isso todas as mulheres estão, estiveram ou estarão expostas a ela, por um longo período em suas vidas, da primeira à última menstruação.

O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero. Ela é composta por duas camadas, a basal e a funcional.

A cada ciclo menstrual, a camada funcional do endométrio passa por mudanças para acomodar um possível início de gravidez. Caso essa gravidez não ocorra, essa camada é então expelida através da menstruação.

Durante o período menstrual, pode ocorrer a chamada menstruação retrógrada, em que uma parte do material que deveria ser expelido acaba se fixando em outros órgãos do corpo da mulher.

A endometriose é uma doença caracterizada justamente pela formação do endométrio fora do útero, em outros órgãos do corpo da mulher como as trompas, os ovários, a bexiga e o intestino.

A medicina não tem ainda uma definição sobre as causas da ocorrência da endometriose, pois 90% das mulheres têm menstruação retrógrada, mas só uma parte delas desenvolve a doença.

Hereditariedade, baixa imunidade em função de estresse e até mesmo a presença de toxinas produzidas pela poluição ambiental estão entre os fatores em estudo por especialistas.

O que se sabe é que o estrógeno, um hormônio produzido pelos ovários, estimula a progressão da endometriose e é em torno dessa informação que age a maior parte dos medicamentos indicados para o tratamento da doença.

É essa também a explicação para o fato de a endometriose regredir com a chegada da menopausa, já que nesse período o organismo da mulher deixa de produzir o estrógeno.

Sintomas da endometriose

A endometriose é diagnosticada com maior frequência por volta dos 30 anos de idade, embora ela possa ocorrer ao longo de toda a fase reprodutiva da vida de uma mulher.

Assim, antes de tentarmos entender se a endometriose tem cura, vamos ver alguns dos principais sintomas que podem indicar um quadro de endometriose:

  • Cólicas menstruais intensas e com tendências progressivas;
  • Menstruação com excesso de sangramento;
  • Dores durante a relação sexual;
  • Dores ao urinar;
  • Distúrbios intestinais;
  • Cansaço e distúrbios do sono;
  • Dificuldade para engravidar.

Alguns desses sintomas nem sempre são de fácil percepção. Há mulheres, por exemplo, que apresentam cólicas menstruais mais leves.

Além disso, não há uma medida ou um critério para diferenciar uma cólica “normal” de uma cólica típica de endometriose. Por isso é tão comum que a doença só seja diagnosticada após um longo tempo. Às vezes, ela nem chega a ser diagnosticada.

Tipos de endometriose

  • Endometriose superficial: atinge principalmente o peritônio, tecido que cobre os órgãos da cavidade abdominal e pélvica;
  • Endometriose ovariana: leva à formação de cistos no interior dos ovários;
  • Endometriose profunda: forma lesões que chegam a medidas de três a cinco vezes maiores que no início da doença;
  • Endometriose de septo reto-vaginal: atinge o tecido que divide a vagina do reto;
  • Endometriose de parede: atinge a parede abdominal, próxima ao umbigo;
  • Endometriose pulmonar: um caso raro, que atinge os pulmões. Caracteriza-se pelo sangramento através das vias aéreas no período menstrual.

Endometriose tem cura? Tem relação com o câncer?

A palavra “cura” costuma gerar dúvidas quando o assunto é endometriose. A resposta aqui é SIM, a endometriose tem cura, ou seja, existem tratamentos que eliminam a presença do endométrio fora do útero.

O que precisa ficar claro é que, como a mulher fica exposta à endometriose ao longo de toda a fase reprodutiva de sua vida, a doença pode voltar a ocorrer.

Atualmente, após o tratamento que elimina a endometriose, faz-se a chamada prevenção secundária, que ajuda a evitar a reincidência da doença. Essa prevenção normalmente consiste em bloquear a menstruação, a menos que a mulher queira engravidar.

Outra dúvida frequente sobre a endometriose é quanto a uma suposta relação com o câncer do endométrio. De fato, ambas as doenças se desenvolvem de forma semelhante, como uma proliferação de lesões. Mas as semelhanças param por aí.

São duas doenças distintas e independentes uma da outra. A endometriose não evolui para o câncer e este pode ser contraído por mulheres com ou sem endometriose.

Quem tem endometriose pode engravidar?

É fato que alguns efeitos da endometriose podem comprometer a fertilidade da mulher, impondo alguns obstáculos como:

  • Dificultar a passagem dos óvulos entre os ovários e as trompas;
  • Dificultar o transporte do óvulo pela trompa;
  • Provocar alterações imunológicas;
  • Prejudicar a recepção do embrião no interior do útero.

Entretanto, há vários relatos de mulheres com endometriose que engravidaram. E há tratamentos que podem contribuir para tornar a gravidez possível. Um acompanhamento médico pode encontrar a solução ideal para cada situação.

Por outro lado, não existe nenhuma comprovação científica de que a endometriose possa ser a causa de uma gravidez de risco, embora seja conveniente manter um acompanhamento médico atento a essa questão.

A gravidez costuma inclusive produzir um alívio nos sintomas da endometriose, principalmente nos meses finais de gestação (há exceções). Especialistas acreditam que a elevada produção de progesterona nesse período gera esse efeito.

Já o início de gravidez pode vir acompanhado de dores mais intensas, em função do crescimento do útero que pode levar a um repuxamento do tecido e das lesões e também pelo aumento da produção de estrógeno.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da endometriose não é algo simples, exigindo um passo-a-passo por vezes prolongado até a sua conclusão.

Primeiro passo: conhecer detalhadamente o histórico da paciente

Nesse procedimento, conhecido como anamnese, a paciente deve relatar ao médico não só o seu quadro atual, mas toda a evolução já conhecida dos sintomas, assim como todos os tratamentos e medicamentos que tenha utilizado e sua reação a eles.

       

Segundo passo: a análise clínica

Através do exame ginecológico, o médico deve verificar as condições do útero e dos órgãos que podem vir a ser afetados pela endometriose. Nesse passo, é possível constatar a existência de lesões ou alterações na anatomia dessas regiões.

Terceiro passo: exames de imagem

Se a conclusão da análise clínica levar à suspeita de uma endometriose, alguns exames de imagem podem contribuir para confirmá-las. Os exames mais indicados para essa finalidade são o ultrassom transvaginal, a ressonância magnética e em alguns casos a eco-colonoscopia.

Existe um exame laboratorial chamado marcador tumoral CA-125 que aponta alterações no sangue, mas apenas nos casos mais avançados da doença. Exames laboratoriais mais eficientes para um bom diagnóstico da endometriose ainda estão em estudos.

Quarto passo: videolaparoscopia

Alguns casos de diagnóstico mais difícil podem exigir o uso deste procedimento.

Na realidade, a videolaparoscopia permite fazer tanto o diagnóstico quanto a remoção de pequenas lesões, entrando já na fase de tratamento. Através de dois pequenos cortes na região pélvica, são introduzidas as pinças com as quais o médico consegue avaliar e remover as lesões.

Endometriose engorda?

A endometriose não necessariamente produz ganho de peso. Mas alguns fatores ligados à doença e ao seu tratamento podem de fato favorecer o desenvolvimento deste indesejado efeito colateral. Por exemplo:

  • As alterações hormonais típicas da endometriose podem levar a um aumento da retenção de líquidos, do acúmulo de gordura e, consequentemente, do peso;
  • Alguns medicamentos usados no tratamento da endometriose também podem estimular o aumento de peso;
  • Em casos mais graves, pode ser feita uma cirurgia para remoção do útero. Alterações no metabolismo decorrentes dessa intervenção também podem levar a um aumento de peso.

Outro efeito da endometriose que pode afetar algumas mulheres e deixar a impressão de que a doença produz ganho de peso é o inchaço na região abdominal. Em casos extremos, esse inchaço chega a dar a aparência de uma gravidez.

Endometriose tem cura natural?

Conforme já salientado, a endometriose tem cura e alguns tratamentos naturais são muito eficazes tanto no combate à formação e progressão da doença quanto no alívio de suas dores. Em ambos os casos, a alimentação exerce um papel importante.

Por exemplo, evitar alimentos que contêm estrógeno ou que estimulam sua produção no organismo da mulher ajuda a combater a progressão da doença.

De outro lado, alimentos que contêm fibras, ácidos graxos e antioxidantes ajudam a aliviar as dores decorrentes da endometriose.

Assim, algumas soluções de fácil acesso e execução podem complementar com muita eficiência o tratamento indicado pelo médico. Entre as medidas possíveis, incluem-se os cuidados com o corpo e a saúde, o uso de plantas medicinais, óleos aromaterápicos, medicamentos fitoterápicos e a alimentação saudável.

Soluções caseiras para endometriose

Existem muitas soluções caseiras que ajudam a controlar os sintomas da endometriose. Veja alguns exemplos.

Cuidados com o corpo e a saúde

  • Aquecer a região do abdômen com uma solução à base de óleo de rícino;
  • Tomar um banho de assento quente e em seguida outro frio, misturando algumas gotas de óleo essencial de alecrim ou de lavanda à água de cada banho;
  • Massagear a região pélvica e a parte inferior do abdomen com óleo essencial de lavanda ou de sândalo;
  • Manter um peso saudável;
  • Reduzir o estresse;
  • Fazer exercícios físicos;
  • Evitar álcool e fumo.

Uso de preparados a base de plantas medicinais

  • Suco de sementes de linhaça;
  • Chá de açafrão;
  • Leite com pó de aspargos selvagens;
  • Chá de gengibre;
  • Chá de camomila;
  • Chá de dente-de-leão;
  • Chá de unha-de-gato;
  • Chá de vitex agnus-castus;
  • Chá de agripalma cardíaca.

Uso de substâncias com propriedades aromaterápicas

  • Óleo essencial de sálvia;
  • Óleo essencial de cipreste;
  • Óleo essencial de erva-doce;
  • Óleo essencial de bergamota;
  • Óleo essencial de gerânio.

Uso de outros medicamentos fitoterápicos

  • Cápsulas de unha-de-gato;
  • Cápsulas de vitex agnus-castus.

Alimentação saudável

  • Evitar o consumo de:
    • alimentos gordurosos;
    • carnes processadas;
    • açúcar refinado branco;
    • farinha branca;
    • arroz branco;
    • leite homogeneizado;
  • Incluir o consumo de:
    • água mineral ou filtrada;
    • vitaminas, cereais integrais e vegetais crus;
    • alimentos à base de soja;
    • alimentos com fibras.

Tratamento para endometriose

A principal forma de tratamento da endometriose é feita a partir de medicamentos hormonais, que têm o objetivo de reduzir a ação do estrógeno sobre as lesões da endometriose. Entre os medicamentos mais utilizados, estão:

  • Os análogos de GnRH: estes são inibidores da produção natural de hormônios e chegam a produzir efeitos semelhantes aos de uma menopausa;
  • As pílulas de progesterona ou combinadas: a progesterona também inibe a ação do estrógeno;
  • Os inibidores da aromatase: a aromatase é a principal enzima responsável pela produção de estrógeno. Os inibidores de aromatase normalmente são ministrados junto com os análogos de GnRH.

A endometriose tem cura também através de procedimentos cirúrgicos:

  • A videolaparoscopia permite uma ação localizada sobre as lesões, conforme já citado;
  • Em casos mais extremos, pode ser realizada a histerectomia (retirada do útero, das trompas e dos ovários).

A escolha pelo tratamento mais adequado depende de fatores como a idade da paciente, sua intenção de engravidar ou não, a intensidade e gravidade dos sintomas e da própria doença.

Conclusão

É importante ter em mente que:

  • As lesões pela formação do endométrio fora do útero podem ser controladas e mesmo eliminadas através de tratamentos adequados, ou seja, a endometriose tem cura.
  • Mesmo após a cura, enquanto estiver em idade reprodutiva, a mulher continua exposta a uma nova incidência da doença.
  • Alguns cuidados ajudam a inibir as possibilidades de uma reincidência da doença (prevenção secundária).
  • Não existe nenhuma relação entre a endometriose e o câncer do endométrio.
  • Mesmo com um quadro de endometriose, a possibilidade de gravidez não deve ser descartada. Um diagnóstico médico pode apontar possíveis alternativas de tratamento para tal.
  • Soluções naturais e caseiras podem contribuir significativamente para a contenção da endometriose.
  • O tratamento médico, seja por medicamentos, seja por cirurgia, depende de alguns fatores a serem avaliados por um profissional especialista.

A crença de que a endometriose é uma doença sem cura pode levar algumas mulheres a simplesmente tentar conviver com ela, quando na realidade há boas possibilidades de tratamento. Por isso, é essencial reforçar: endometriose tem cura!

Recomendados Para Você:

       

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.