Depressão em Idosos – Saiba mais sobre este assunto

Transtorno na terceira idade pode se manifestar por meio de problemas físicos na saúde.

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A depressão é uma doença ainda bastante estigmatizada. Para que vê de fora, o problema é apenas uma grande tristeza, e basta “tentar ficar bem”. Só que a questão não é tão simples; a depressão é algo difícil de se livrar, principalmente por não possuir causa tão clara. Qualquer pessoa pode sofrer com o transtorno, mas ele ocorre principalmente em mulheres. A depressão em idosos e crianças é igualmente comum, e nestes casos apresenta algumas particularidades.

O que é depressão?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4,4% da população mundial sofre de depressão. A doença tem como característica principal o abalo do estado de humor do indivíduo, com predomínio da tristeza e apatia.

Também chamado de transtorno depressivo, a doença afeta completamente o dia a dia do indivíduo. De forma geral, torna-se penoso realizar atividades que antes davam prazer, como sair com amigos, e atividades comuns, como levantar de manhã ou ir trabalhar. Logo, o relacionamento com outras pessoas se torna prejudicado.

Causas

Os motivos que levam a quadros do transtorno nem sempre são claros. Habitualmente. São vários os sintomas, que somados levam ao início da depressão. O estresse é o primeiro fator comum, assim como o estilo de vida. Grandes acontecimentos também podem desencadear o problema, como mudanças no cotidiano e crises sociais, em amizades ou relacionamentos amorosos.

Pesquisas recentes também mostram que pessoas que desenvolvem transtorno depressivo comumente possuem alterações químicas no cérebro. Essas alterações dizem respeito principalmente a neurotransmissores, ou seja, substancias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Entre esses, há a dopamina, serotonina e noradrenalina. Fatores genéticos são igualmente estudados e apontados como fatores para predisposição ao desenvolvimento do distúrbio.

Será que é depressão?

A tristeza é um sentimento comum a todo ser humano. Um fato, um rompimento, algo do cotidiano pode provocar chateação e levar a isso. No entanto, a tristeza e apatia persistente não é comum: ela é um dos principais sintomas da depressão!

A pessoa afetada pelo distúrbio depressivo normalmente apresenta outros sentimentos negativos, de forma involuntária, na maior parte do tempo. Há o pessimismo, angústia, sensação de vazio, ansiedade, inquietude e insegurança. Igualmente comum a irritabilidade e as mudanças de humor muito repentinas, em que aparentemente sem motivo o indivíduo retorna ao estado de tristeza rapidamente.

Outros sintomas habituais aos depressivos é a irritabilidade e o choro. Eles também têm dificuldade em perceber um sentido para vida, ou para manterem-se ativos, e perdem a capacidade de sentir prazer por qualquer atividade.

Além disso, o indivíduo com depressão tende a ter baixa autoestima, e considerar-se inútil ou um peso para outras pessoas. Como sintomas físicos, ele também pode conviver com a diminuição da libido, a perda do apetite e de peso, sonolência excessiva ou insônia e dores repetitivas, como de cabeça, sem um motivo aparente.

Por último, é extremamente corriqueiro, e perigoso, que os indivíduos nessas situações pensem sobre a morte. Sua própria ou de pessoas próximas que faleceram recentemente. O desejo suicida surge como uma solução à dor, numa percepção de que “não há outra saída”. Por isso, o cuidado com esse público, principalmente por pessoas próprias, é fundamental.

Diagnóstico do problema

Como já explicado, a tristeza e apatia persistentes, por semanas principalmente, são sinais de alerta. Muitas vezes, o paciente percebe esses sentimentos, mas não vê com clareza a existência de um transtorno. Afinal, a doença é estigmatizada e considerada por muitos algo passageiro.

Dessa forma, é necessária a atenção de duas partes. Do indivíduo que, ao se sentir mal por um largo período, deve perceber que há algo errado. E da família e amigos próximos, que provavelmente dirão que a pessoa se encontra abatida. Quando diversas pessoas expressam essa mesma opinião, há mais um sinal de que é preciso buscar ajuda.

Essa ajuda vem de um médico. O ideal é buscar diretamente um psicólogo, que poderá diagnosticar a existência da depressão e indicar tratamento adequado. Em casos mais brandos, a sessões de acompanhamento psicológico podem ser suficientes. Em outros, pode ser necessário associar as sessões a consultas ao psiquiatra e ao uso de antidepressivos.

A depressão pode durar semanas, meses, anos, ou ainda ocorrer por meio de crises episódicas. O tratamento não cura por completo o quadro, pois são muitos os fatores ainda desconhecidos para o surgimento do transtorno. No entanto, o acompanhamento médico é essencial para a qualidade de vida do paciente, que aprenderá a lidar com os episódios de tristeza ao longo do tempo e voltar ao cotidiano com prazer.

Depressão em idosos

A depressão em idosos é algo bastante comum. Isso porque, na velhice, o indivíduo tende a conviver com uma realidade bem deferente da que teve no restante da vida. Aposentada, a maioria dos idosos não mais uma atividade física, e torna o “descanso” seu principal passatempo. As limitações físicas e psicológicas também aumentam, e não é mais tão fácil fazer longas caminhadas ou se lembrar de histórias da juventude. Por fatores assim, o transtorno depressivo atinge cerca de 15% da população idosa que tem convívio constante com a família.

Dentre os anciãos que vivem em instituições como casas de repouso, a porcentagem de ocorrência do problema é de 30%. No grupo de hospitalizados por problemas outros problemas de saúde, a prevalência do distúrbio é de 50%.

A depressão em idosos pode ser dividida em dois grupos. O primeiro refere-se àqueles que sentem os impactos das mudanças na vida, e desenvolvem o transtorno. O segundo engloba indivíduos que já conviveram com quadros de depressão durante a vida. Nesses últimos, a depressão em idosos é muito mais comum, pois o distúrbio não pode ser curado, mas apenas administrada, fazendo o paciente se sentir melhor.

Além desses fatores, a morte do companheiro ou de amigos pode induzir à depressão em idosos, assim como o afastamento da família e a diminuição dos recursos financeiros.

Depressão em idosos: quando ter atenção

Na maior parte das vezes, o paciente idoso não relata sentir tristeza ou isolamento. Nesse grupo de indivíduos, é mais comum a queixa de dores no corpo, perda do apetite, insônia, mudanças no peso, diarreia ou constipação e até falta de ar.

A família ou pessoas próximas, por outro lado, podem perceber irritabilidade do ancião, perda de interesse, dificuldade de concentração e falhas na memória, como esquecer onde um objeto foi deixado.

Existe ainda a possibilidade de ocorrerem sintomas como perda de energia ou agitação, diminuição do prazer em atividades que antes o provocavam e conversas recorrentes sobre a morte. Quando o ancião insistir em falas como “não vejo minha hora chegar” ou “já fiz tudo que queria em vida, agora quero descansar”, pode ser sinal de que ele precisa de ajuda psicológica e total atenção. Idosos chegam a tentar suicídio cerca de sete vezes a mais que um adulto jovem.

Além disso, a saúde mental de um indivíduo impacto fortemente sua saúde física, e vice-versa. O transtorno depressivo torna a imunidade do corpo baixa, e deixa o paciente mais suscetível ao desenvolvimento de doenças.

Na hora do tratamento, é fundamental procurar auxílio médico. De forma geral, a terapia do problema é feita por meio da consulta com psicólogo, psiquiatra e pelo uso de antidepressivos. Associada a esses métodos, é sempre indicada realização de atividades físicas e/ou grupo, como dança, trabalhos manuais, grupos de leitura ou conversa. Conviver com a família e amigos é igualmente importante para o bem-estar dos senhores e senhoras.

O que mais posso fazer?

A depressão, principalmente pela pessoa idosa, pode ser veementemente negada. Isso porque algumas vezes é difícil encarar o problema, já que ele é considerado por muitos como uma fraqueza. Mas depressão não é algo para se ter vergonha, mas sim para aceitar e procurar ajuda. Por isso, a primeira coisa a se fazer é oferecer apoio ao ancião: diga a ele que você está disponível para ouvi-lo, para conversar sobre a vida e memórias, sobre o dia a dia ou o que mais ele estiver disposto a falar.

Se houver dificuldade em aceitar o quadro de depressão, explique que não há sinal de fraqueza nisso, e que tratar o distúrbio poderia trazer grandes benefícios. É fundamental, no entanto, não pressionar o paciente. Insistir no tratamento ou obrigar a pessoa a fazê-lo não irá trazer o resultado esperado, e os sintomas poderão de agravar ao invés de desaparecer.

Ao mesmo tempo, é importante fazer com que o idoso perceba que há várias coisas e atividades que poderiam lhe dar prazer. Sugira exercícios físicos, grupos de artesanato, atividades sociais, algo que lhe tire do repouso e o coloque em contato social mais intenso.

Por último, é interessante oferecer ajuda para atividades do dia a dia, como tarefas domésticas ou a locomoção para a consulta médica. Uma pessoa com depressão pode ter maior dificuldade em fazê-las sozinha ou em cumprir horários e prazos.

Com auxílio e carinho de pessoas próximas, o idoso pode superar a depressão com eficácia e recuperar o prazer em viver seu dia a dia. Logo, a velhice não será uma época monótona, mas uma oportunidade de novas experiências e de convívio com as pessoas que se ama!

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