Cuidar de Mim para Cuidar Melhor

como encarar o cuidar e a arte do cuidado?

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O significado da palavra cuidar é muito ampla, quase ilimitada. Cuidar é inerente ao ser humano, faz parte da vida e nos faz existir. Somos os únicos que, sem cuidados, morremos. Com os animais não é assim. Mal nascem e com poucos dias de vida já se tornam desapegados da mãe, quer queiram, quer não. O instinto cuida deles. Mas com os seres humanos, é diferente.

Vamos ver o que nos conta Julia Bello!

como cuidar melhor
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A PSICOSSOMÁTICA

Foi com a doença da minha mãe, com Alzheimer, que me veio uma necessidade de dar um passo para trás, pausar um pouco a vida, para me cuidar.

Percebi que do jeito que as coisas iam, não conseguiria lidar com a situação durante muito tempo. No início neguei a condição de saúde dela, depois tive raiva por ter uma mãe doente, queria ter uma mãe saudável e normal como as outras pessoas.

Depois de algumas situações estressantes, entendi que não podia viver na ignorância e resolvi aprender a lidar com o Alzheimer.

Entre outras coisas, descobri que assim como as crianças, os idosos que demandam cuidados são como grandes esponjas, que absorvem a energia e o comportamento à sua volta.

Por isso a grande importância de viverem em um ambiente calmo e harmônico.

Essa semana mesmo, tivemos uma situação de conflito em casa. É comum pessoas que não conhecem sobre o Alzheimer questionarem sobre os seus sintomas, como se fossem fáceis de contornar.

A tendência é que queiram anular qualquer tipo de emoção do doente, como se ele não tivesse mais permissão para sofrer, rir ou ter raiva. Para que tenha permissão a um “pseudo” convívio social, o idoso tem que ser passivo, quieto, quase inexistente.

Não é nada fácil conviver com as demências, é um grande desafio para qualquer um. É comum que nós, cuidadores familiares principais, sejamos alvo do sentimento de pena.

Sempre respondo que não sou uma coitada, que faço o que faço com prazer de poder apoiar a minha mãe nesse momento da vida dela. Mas só consegui ser capaz de tal atitude por ter me fortalecido física, emocional e espiritualmente.

A coisa mais importante no autocuidado é saber ouvir os sinais do seu corpo.

Aprendi há um tempo que existe até um nome para isso: psicossomática. Uma referência nesse assunto é o alemão Rüdiger Dahlke. Tenho dois livros dele. O primeiro que comprei foi por indicação da minha arteterapeuta e se chama “A Doença Como Caminho”.

 


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Neste meio existe uma crença de que a doença seria uma oportunidade para evoluirmos como seres humanos. Ele explica alguns dos principais motivos que podem causar males como dores nas costas, de garganta, gripes, entre outros. Nesses dias de contrariedade eu resfriei.

De acordo com Dahlke, membros doloridos e coriza limitam os nossos movimentos, e podem trazer uma nítida sensação do peso dos problemas que temos que carregar e que podemos não estar mais dispostos a isso. Expelir o muco acumulado traz alívio e restabelece o fluxo da respiração. Assim o resfriado seria uma espécie de processo de purificação, de eliminação de problemas.

TERAPIAS COMPLEMENTARES

Chamavam a minha mãe de louca por tratar as suas crianças com a homeopatia. É que ela estava cansada de condições de saúdes crônicas que tiravam a paz de uma casa com quatro filhas pequenas. Também usávamos os florais a acupuntura.

Lembro-me da resistência dela em nos dar antibióticos e anti-inflamatórios a todo momento.

No entanto, por muitos anos acabei recorrendo a tratamentos convencionais para sinusites, alergias e gripes. Acredito que em alguns momentos até exagerava, principalmente nos resfriados.

Hoje, com a bagagem de conhecimentos que adquiri ao gerenciar o tratamento de mamãe acabei resgatando procedimentos mais naturais em uma busca para evitar a polifarmácia. Muito comum em idosos, se caracteriza pelo uso contínuo de no mínimo 5 medicamentos.

Consegui reduzir bastante esse número de medicações alopáticas de mamãe. Atualmente só utiliza dois deles, que são para o colesterol e a tireoide.

As outras medicações, são prescritas por uma médica especialista em Antroposofia e Ayurveda e que prescreve fórmulas manipuladas.

Estamos na busca por equilibrar o funcionamento do organismo e não o desequilibrar.

Não faço exatamente o mesmo tipo de tratamento por falta de meios. Não é algo barato e ainda não estou em condições de bancar. Mas tenho utilizado bastante os óleos essenciais para questões do dia a dia como dores de cabeça, gripe, estresse, ansiedade e tem sido muito bom.

Fiz alguns cursos na área, com uma empresa que é referência no assunto. Pesquiso, leio, converso com pessoas que estão na mesma caminhada que a minha.

Tenho a intenção de iniciar um acompanhamento mais próximo com um médico que me avalie globalmente para prevenir doenças e não apagar incêndios.

É algo que preciso estipular como meta para esse ano porque o tempo voa e quando percebemos, não colocamos em prática coisas que teriam um enorme impacto positivo em nossa saúde.

meditação e ioga
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OS EXERCÍCIOS FÍSICOS

Sempre foi uma questão delicada na minha casa, pois ninguém era fã. No entanto, os meus pais exigiam que sempre fizéssemos algum tipo de atividade. Então ia experimentando vários tipos para ver se conseguia escolher o ideal.

Ia do ballet ao vôlei, natação, judô, até a ginástica mesmo, caminhadas. Mais velha tentei o ioga, a musculação e a hidroginástica.

Confesso que continuo na luta para me manter ativa. Oscilo. Fico épocas sem fazer nada, depois volto e faço direitinho. Sei que não é o correto, mas é o que consigo fazer.

Atualmente estou na musculação já há alguns anos porque percebi que a minha musculatura da perna estava muito fraca, sempre fui mais forte na parte superior do corpo.

Outro dia, assistindo ao CONAVAS, falou-se sobre a importância de se investir na musculatura das pernas para garantir uma boa velhice.

Fiquei feliz por estar no caminho certo. Realmente acho quase impossível ter qualidade de vida sem uma locomoção adequada. Vejo muitos casos de conhecidos com os joelhos ruins, pessoas que deixam de viajar, curtir a vida, porque andam com dificuldade.

Essa é uma luta diária do cuidar quando o assunto é a minha mãe. Ela que sempre foi mais aplicada que as filhas nos exercícios, agora tem grande preguiça de fazer.

Não abro mão de motivá-la nesse sentido. Por sorte conto com o apoio de uma ótima profissional que tem a maior paciência do mundo e não desiste de atendê-la.

Não quero que mamãe fique como a minha avozinha de 98 anos, que mal caminha da sala de televisão para a mesa de jantar. Essa é outra história. Dez minutos de caminhada podem fazer toda a diferença nessa idade. Cadeira de rodas somente em último caso. O risco de não andar mais é grande demais.

Os anos pesam e a apatia pode tomar conta da pessoa. A falta de sentido de vida faz isso com as pessoas.

Não acho que conseguiria ser essa pessoa sem atividades, sem interesses. Nunca fui assim. Não consigo ficar parada e isso me move. E isso também é cuidar de mim.
Preciso manter uma rotina ativa, ainda que tenho que fazer certas concessões para poder dar suporte para a minha mãe. Sempre que posso estou a seu lado, mesmo que ela não queira, pois quer ser independente e se cuidar sozinha.

A ALIMENTAÇÃO

Uma outra questão fundamental para me cuidar bem é planejar bem a minha alimentação. Agora, enquanto escrevo esse texto, passa na televisão um Globo Repórter que fala do açúcar na nossa dieta, mais precisamente o excesso dele.

Aqui no Brasil as pessoas têm o hábito de comer tudo com uma quantidade maior de sal e açúcar.

Para mim o sal é essencial. Com pressão baixa, é ele que ajuda a mantê-la equilibrada. Recomendação do médico que teve que me auxiliar em um de vários episódios de queda de pressão. Já estou acostumada: pernas bambas, suor frio, visão escura.

Pronto, a crise está instaurada. Depois de algum repouso e da ingestão de sal a vida volta ao normal.

Já o açúcar era uma tentação quando criança e adolescente. No restaurante, a primeira escolha, antes do prato principal. Com a idade, o meu paladar mudou e passei a tolerar menos o doce, preferindo o prato salgado.

A sobremesa costuma ser dividida entre parentes e amigos. Um prato de doce para várias colheres. Assim dá para experimentar sem comer em demasia.

No entanto, é nos períodos que antecedem a menstruação que costumo sentir uma necessidade maior de açúcar. Aí aproveito mesmo para comê-lo sem culpa, depois compenso reduzindo-o nos outros dias.

No entanto, hoje é até difícil saber qual a melhor dieta a seguir, já que há opiniões contraditórias sobre os mais diversos alimentos. Prefiro não deixar de comer nada, evitar somente o exagero.

A minha mãe sempre foi uma defensora de uma comida mais saudável, mas não deixava de consumir pequenas delícias de tempos em tempos. Nunca foi muito de doces, preferindo saladas, arroz integral, carne branca, às vezes até soja. Evitava o leite devido aos gases que ele lhe dava.

Graças a Deus o seu paladar permanece quase o mesmo. Gosta um pouco mais de sobremesa por causa da influência da minha avó, com quem almoça todos os dias.

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UM TEMPO SÓ PARA MIM

Cuidar bem de mim e dos outros significa ter tempo para fazer atividades com as quais eu recarrego as minhas baterias para enfrentar mais um dia de desafios. A convivência com outras pessoas aonde a conversa não gira somente em torno do meu papel como cuidadora familiar é fundamental.

É claro que é preciso me informar sobre as condições da doença de quem eu cuido, mas isso não pode e nem deve ser um objetivo único da minha vida. Por isso mantenho a mente aberta para conhecer novas pessoas, criar projetos e parcerias.

Tenho pensando muito em como estarei daqui a 20, 30 anos. Será que estarei viva? Será que precisarei de cuidados específicos? Será que terei aonde morar? Não quero me perder nessas divagações para não viver ansiosa, mas tenho me movimentado no sentido de buscar contribuir para uma mudança sociocultural para que a minha velhice possa ser vivida com plenitude e tranquilidade.

Não é só para mim, mas para todos os outros cuidadores familiares que deixam de lado as suas vidas, pois não têm meios financeiros para pagar uma ajuda extra. Acredito que se estivermos mais unidos e atuantes nessa causa, podemos conseguir melhorias fenomenais para a nossa vida atual e futura.

Com carinho

 

Julia Bello

Cuidadora Familiar e Consultora de Imagem

Site: www.juliabello.com.br

E-mail: julia@juliabello.com.br

 

 

 

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