Conversando sobre sexualidade no envelhecimento

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É possível vivermos nossa sexualidade, mesmo na 3ª. Idade? A disfunção erétil afeta a todos os homens no envelhecimento? E as mulheres, após a menopausa, não têm mais motivação para uma vida sexual ativa?

Estas e muitas outras perguntas são as mais frequentes quando falamos sobre sexualidade no envelhecimento. Mas, por que será que todos têm tantas dúvidas? Será que é só nesta fase da vida que elas aparecem?
Pela nossa experiência em trabalhar com este público, percebemos que são questões que acompanham as pessoas ao longo da vida, principalmente aquelas que nasceram em uma época em que se estabeleceu que o relacionamento sexual tinha a finalidade única da procriação e isto se cristalizou de tal forma que se transformou numa crença. Essa crença dividiu a vida das mulheres e, por conseguinte, dos casais, em duas etapas: o antes e o depois da menopausa. Sob essa lógica, só havia necessidade de a mulher ter vida sexual até entrar na menopausa. Não estranha o fato de que a menopausa passou a ser um marcador de velhice para as mulheres.

Mas o que é fato real nesta história?
Nossa experiência mostra que esse tabu que a nossa sociedade criou está muito ligado à questão religiosa que, ao longo da história, relacionou a sexualidade com procriação e o prazer com pecado. Claro que se os dois parceiros acreditam e aceitam esses preceitos da sua religião, sem problemas, pois os dois concordarão sobre esse ponto. Porém, quando isto não é aceito, passa a ser motivo de conflito e de muitos desencontros entre os parceiros que podem afetar negativamente a sua atividade sexual. Se a vivência da sexualidade só estiver destinada à formação da família, significa que o casal que não quer ou não pode ter filhos nunca poderá vivenciar esse aspecto da sua vida? Ou o casal que resolver ter um único filho só precisará ter relação sexual uma vez?

Ponto de vista biológico
É fato que acontecem inúmeras mudanças em nosso organismo, sob o ponto de vista biológico, principalmente em relação à redução da produção de certos hormônios. Há um aumento no tempo de resposta a estímulos e, por outro lado, um menor tempo da manutenção da ereção masculina. Além disso, algumas mulheres têm dificuldade e sentem dor na penetração por causa do ressecamento vaginal, o que pode ser resolvido com a utilização de cremes à base de hormônios (consulte seu médico). Já a chamada impotência masculina, ou disfunção erétil, em geral tem muito mais a ver com questões emocionais do que físicas. Segundo especialistas, cerca de 70% dos problemas de disfunção erétil estão relacionados com aspectos psicológicos e 30% provêm de causas biológicas.

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Autocuidado e um pouco de vaidade faz bem!
A aparência física também tem muita influência, já que muitas pessoas passam a se descuidar de seu aspecto físico quando ficam mais velhas. E isso é percebido tanto em homens quanto em mulheres e estas atitudes reforçam ainda mais a crença no fim da vida sexualmente ativa na 3ª. idade. Por isto reforçamos a importância do autocuidado e da preocupação com a aparência. Quando nós nos cuidamos estamos dando um sinal para o cérebro de que estamos vivos e que nos gostamos, portanto, estamos abertos a novas experiências.

Do contrário, criamos um círculo vicioso que se auto-alimenta e se perpetua.
Não nos sentimos atraentes > não nos arrumamos / Não nos arrumando > não nos tornamos atraentes.

O que precisamos pensar é que, como em todas as fases da vida, nós podemos aprender a conviver com as mudanças que são naturais e podemos criar mecanismos para superar algumas dificuldades que se apresentarem. Alguns artifícios podem ser facilitadores, como uma boa conversa entre os parceiros, aproveitar os momentos juntos para namorar, lembrar-se dos momentos bons do próprio casal, utilizar-se de imagens mentais.
As imagens mentais são recursos que podem ser utilizados para facilitar na criação do clima entre o casal, pois podem ser imaginadas cenas ou histórias mentais que ajudam os parceiros nos momentos de maior intimidade.

Proteção
Sem querer entrar na questão moralista, gostaríamos de lembrar a importância da proteção contra a AIDS e outras doenças nas relações sexuais. Para a sociedade, as pessoas com mais idade eram consideradas assexuadas, logo, as campanhas sobre o uso do preservativo não eram dirigidas para essa camada da população. Mas enfatizamos que a proteção é a melhor forma de se evitar transtornos irreversíveis nessa área.

Para concluir, lembramos que sexualidade não está ligada somente ao ato sexual em si, mas envolve afeto, atenção, carinho e o toque. Por isto incentivamos que os parceiros superem estas barreiras sociais e vivam sua sexualidade plenamente, pois isto faz parte da nossa saúde e contribui para um envelhecimento ativo.

Texto por:  Eva Bettine, Thais Bento Lima e Tiago Nascimento Ordonez
(Gerontólogos pela USP e Diretores da Associação Brasileira de Gerontologia)

 

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