Conjuntivite: como tratar, sintomas, viral, alérgica

0 1.097

Aprenda tudo sobre a conjuntivite — doença que apresentou aumento anormal de casos no Brasil, em 2018.

Como ocorre a conjuntivite?

Conjuntiva é uma membrana fina e translúcida que reveste o globo ocular e dentro das pálpebras. Tem 2 partes, bulbar e palpebral. A porção bulbar começa na borda da córnea e cobre a parte visível da esclera; a parte palpebral reveste o interior das pálpebras. A inflamação ou infecção da conjuntiva é conhecida como conjuntivite e é caracterizada pela dilatação dos vasos conjuntivais, resultando em hiperemia e edema locais.

A conjuntivite pode ser dividida em causas infecciosas e não infecciosas — sendo os vírus e bactérias as causas infecciosas mais comuns. A conjuntivite não infecciosa inclui conjuntivites alérgicas, tóxicas e cicatriciais, bem como inflamação secundária a doenças autoimunes e processos neoplásicos. A doença também pode ser classificada em aguda, hiperaguda e crônica de acordo com o modo de início, gravidade da doença e a resposta clínica. Além disso, pode ser primária ou secundária a doenças sistêmicas, como gonorreia, clamídia e síndrome de Reiter, casos em que o tratamento sistêmico é necessário.

Impactos da conjuntivite

Por afetar muitas pessoas a conjuntivite impõe relevantes impactos econômicos e sociais. Estimativas apontam que casos de conjuntivite aguda acometam cerca de seis milhões de pessoas anualmente, só nos Estados Unidos. Os custos com o tratamento da conjuntivite bacteriana somente nessa coorte de pessoas foram estimados entre 377 e  857 milhões de dólares ao ano.

No Brasil fica difícil fazer um levantamento confiável sobre a ocorrência de conjuntivite porque os estados e municípios não são obrigados a notificar os casos ao SINAN — sistema de notificação de agravos ao Ministério da Saúde. Mesmo não dispondo de números oficiais, sabe-se que o país acabou de passar por um grande e generalizado aumento de casos dessa doença.

Nos Estados Unidos, parece que a maioria dos pacientes sintomáticos é tratada nas emergências médicas e não por médicos especializados. Acredita-se que cerca de 1% de todas as visitas ao pronto-socorro estariam relacionadas com quadros de conjuntivite.

Quando é mais fácil pegar conjuntivite?

A prevalência da doença varia de acordo com a sua causa e ela pode estar relacionada com a idade dos pacientes e também com as estações do ano.

A conjuntivite infecciosa mais comum na população geral é a viral. Ela é mais prevalente, ou seja, ela ocorre mais no verão. Inclusive o surto que o país enfrentou nesse verão teve causa viral.

A conjuntivite bacteriana — a segunda forma infecciosa mais comum; é responsável pela maioria dos casos em crianças. Esta é mais frequentemente observada entre os meses de dezembro e abril.

A conjuntivite alérgica — aquela que não é infecciosa; é a forma mais prevalente da doença, pois acomete entre 15 e 40% de toda a população mundial. Esta é mais frequentemente observada na primavera e no verão — pelo aumento da quantidade de pólen circulante no ar, e pelo clima quente e úmido que favorece a proliferação dos ácaros, respectivamente.

Tanto pólen quanto os ácaros são considerados alérgenos importantes, ou seja, são estruturas capazes de causar quadros alérgicos.

Conjuntivite infecciosa viral

 

olho vermelho por conjuntivite
Olhos vermelhos — sintoma primário da conjuntivite.

Atualmente, tem um caráter pandêmico, ou seja acomete um número muito grande de pessoas em todo o mundo.

A maioria dos casos é causada por adenovírus. Estes causam as duas manifestações que estão mais intimamente relacionadas à infecção viral: febre faringoconjuntival e ceratoconjuntivite epidêmica.

Sinais e sintomas da forma viral

Os sinais e sintomas são variáveis e geralmente o quadro não requer tratamento específico. E neste caso, o tratamento costuma ser feito apenas para o alívio dos sintomas.

A febre faringoconjuntival é caracterizada por início abrupto de febre alta, faringite e conjuntivite bilateral, e por aumento periauricular dos linfonodos, enquanto a ceratoconjuntivite epidêmica é mais grave. Trata-se da inflamação concomitante da conjuntiva e da córnea. Ela se apresenta com secreção aquosa, hiperemia, quemose e linfadenopatia (qualquer alteração nos nódulos linfáticos). Observa-se linfadenopatia em até 50% dos casos de conjuntivite viral e é mais prevalente na conjuntivite viral em comparação com a conjuntivite bacteriana.

A acurácia do diagnóstico clínico é de menos de 50% dos casos, comparativamente ao diagnóstico laboratorial. Muitos casos são diagnosticados de forma errada como conjuntivite bacteriana.

Conjuntivite infecciosa bacteriana

Bactérias causam um segundo mais comum tipo de conjuntivite infecciosa. Nesse caso mesmo os casos menos complicados os sintomas demoram mais a sarar do quê o tipo viral.

Alguns estudos apontam que ausência de histórico clínico de conjuntivite parece ser um fator associado à ocorrência da forma bacteriana da doença.

Na maioria dos casos essa é uma infecção autolimitada e que não requer tratamento com antibiótico. Em casos mais sérios, antibióticos tópicos são usados e reduzem a duração da conjuntivite bacteriana levando ao retorno relativamente rápido às funções regulares do doente.

Além disso, um estudo apontou que 135 a cada 10 mil acometidos por conjuntivite apresentam a forma bacteriana da doença.

A conjuntivite infecciosa bacteriana pode evoluir principalmente de três formas:

  • quadro autolimitado da doença;
  • conjuntivite bacteriana hiperaguda — esta apresenta uma secreção purulenta copiosa grave e visão diminuída, muitas vezes, há um inchaço palpebral associado, dor ocular à palpação e adenopatia pré-auricular, é frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e tem um alto risco de envolvimento e subsequente perfuração da córnea, o tratamento da conjuntivite hiperaguda secundária a N. gonorrhoeae consiste em ceftriaxona intramuscular e a infecção concomitante por clamídia deve ser investigada;
  • conjuntivite bacteriana crônica — termo usado para descrever qualquer conjuntivite com duração de mais de 4 semanas, sendo Staphylococcus aureus, Moraxella lacunata e bactérias entéricas as causas mais comuns nesse cenário; consulta oftalmológica deve ser procurada para o correto manejo do quadro.

Sinais e sintomas da forma bacteriana

muco nos olhos causado por conjuntivite
Conjuntivite pode gerar secreção purulenta nos olhos.

Incluem olhos vermelhos, secreção purulenta ou mucopurulenta e quemose (inchaço da conjuntiva). O período de incubação e de transmissão são estimados em 1 a 7 dias e 2 a 7 dias, respectivamente. Acometimento bilateral e aderência das pálpebras, a falta de prurido e ausência de histórico de conjuntivite são fortes indicadores positivos de conjuntivite bacteriana. A secreção purulenta intensa deve sempre ser cultivada e a conjuntivite gonocócica deve ser considerada. A conjuntivite que não responde à antibioticoterapia padrão em pacientes sexualmente ativos merece avaliação de clamídia. A possibilidade de ceratite bacteriana é alta em usuários de lentes de contato, que devem ser tratados com antibióticos tópicos e encaminhados a um oftalmologista. Um paciente que usa lentes de contato deve ser chamado a removê-las imediatamente.

Conjuntivite alérgica

A conjuntivite alérgica é a resposta inflamatória da conjuntiva a alérgenos, como pólen, pêlos de animais e outros antígenos ambientais.

Alguns estudos apontam que cerca de 40% da população mundial apresenta, em algum momento de sua vida, casos de conjuntivite alérgica. Essa é a forma não infecciosa da doença e parece ocorrer em uma proporção muito maior às formas infecciosas.

Acredita-se, no entanto, que apenas uma pequena proporção dos acometidos procura por ajuda médica — com isso, a entidade é frequentemente subdiagnosticada.

A primeira medida a ser feita é conter o contato com o alérgenos causador. Além disso, o tratamento consiste em anti-histamínicos de uso tópico, além de drogas inibidoras de mastócitos. Tal conduta é feita exclusivamente para alívio dos sintomas e geralmente a resposta ao tratamento se dá rapidamente.

Outros tipos de conjuntivite

Existe ainda uma forma de conjuntivite que é secundária é uma doença sexualmente transmissível como Clamídia e gonorreia por exemplo. Essa forma é considerada a mais séria entre todos os tipos de conjuntivite – infecciosos ou não; e sempre requer, além do tratamento tópico, um tratamento sistêmico com antibióticos.

Há também uma conjuntivite que alguns especialistas tratam de forma diferenciada como se fosse outro tipo. Trata-se de uma conjuntivite infecciosa bacteriana que acomete indivíduos que usam lentes de contato. Esses costumam apresentar uma forma mais complicada da doença, mas o tratamento não requer mais do que o uso de antibióticos tópicos.

Como a conjuntivite é transmitida?

conjuntivite é transmitida pelo toque em superfícies contaminadas
A conjuntivite pode ser transmitida pelo toque em qualquer superfície contaminada.

A transmissão das formas infecciosas da doença é detalhada abaixo.

1) Conjuntivite viral secundária à Adenovírus

Estima-se que entre 65 e 90% dos casos de conjuntivite viral sejam causados por Adenovírus.

Esta é altamente contagiosa. O vírus se espalha através do contato direto com dedos, instrumentos de médicos, água de piscina ou itens pessoais contaminados.

Uma pesquisa apontou que cerca de 46% dos doentes estudados tinham adenovírus em suas mãos. Isso indica que o risco de transmissão desses vírus é bastante elevado.

Estima-se que os períodos de incubação e de transmissão da conjuntivite por adenovírus sejam de 5 a 12, e de 10 a 14 dias, respectivamente.

2) Conjuntivite por vírus Herpes

Estima-se que 1 a 5% dos casos de conjuntivite viral sejam causados pelo vírus da herpes.

Os casos geralmente são unilaterais, ou seja, as pessoas só apresentam em um dos olhos. Isso já dá uma ideia do menor índice de transmissibilidade desse vírus, em comparação com adenovírus.

3) Conjuntivite bacteriana

Esta forma pode ser contraída diretamente de indivíduos infectados ou pode ser decorrente de um desequilíbrio da flora bacteriana normal das conjuntivas.

Dedos contaminados, disseminação oculogenital e secreções contaminadas são rotas comuns de transmissão. Além disso, certas condições, como comprometimento da produção lacrimal, ruptura da barreira epitelial natural, anormalidade das estruturas anexas, trauma e estado imunossuprimido, predispõem à conjuntivite bacteriana. Os patógenos mais comuns para conjuntivite bacteriana em adultos são espécies estafilocócicas, seguidos por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Em crianças, a doença é frequentemente causada por H. influenzae, S. pneumoniae e Moraxella catarrhalis. O curso da doença geralmente dura de 7 a 10 dias.

Conjuntivite: diagnóstico

       

É importante diferenciar a conjuntivite de outras doenças oftalmológicas com risco de perda da visão que apresentam uma apresentação clínica semelhante e tomar decisões apropriadas sobre novos testes, tratamento ou encaminhamento. Como a conjuntivite e muitas outras doenças oculares podem se apresentar como “olhos vermelhos”, o diagnóstico diferencial do olho vermelho e o conhecimento sobre as características típicas de cada doença nessa categoria são importantes.

O exame ocular e o histórico contado pelo paciente são cruciais para tomar decisões apropriadas sobre o tratamento e o manejo de qualquer condição ocular, incluindo a conjuntivite. O tipo de secreção ocular e os sintomas oculares podem ser usados ​​para determinar a causa da conjuntivite. Por exemplo, uma secreção purulenta ou mucopurulenta é muitas vezes devida a conjuntivite bacteriana, enquanto uma secreção aquosa é mais característica de conjuntivite viral; a coceira também está associada à conjuntivite alérgica.

No entanto, a apresentação clínica é frequentemente inespecífica. Confiar nas características relatadas pelo paciente e em seus sintomas nem sempre leva a um diagnóstico preciso. Além disso, faltam evidências científicas correlacionando sinais e sintomas de conjuntivite com a causa subjacente. Por exemplo, em um estudo de pacientes com conjuntivite bacteriana positiva para cultura, 58% apresentavam prurido, 65% ardiam e 35% eram serosos ou não. Isso ilustra a inespecificidade dos sinais e sintomas da doença.

Em 2003, uma grande meta-análise não encontrou estudos clínicos correlacionando os sinais e sintomas da conjuntivite com a causa subjacente. Posteriormente, os mesmos autores realizaram um estudo prospectivo e constataram que a combinação de 3 sinais — acometimento bilateral das pálpebras, falta de prurido e ausência de conjuntivite; predizia fortemente a conjuntivite bacteriana. Ter ambos os olhos afetados e as pálpebras grudadas pela manhã foi um fator preditivo mais forte para o resultado positivo da cultura bacteriana, e prurido ou um episódio anterior de conjuntivite tornou o resultado de cultura bacteriana positivo menos provável. Além disso, o tipo de corrimento (se purulento, mucoso ou aquoso) ou outros sintomas não foram específicos de qualquer classe particular de conjuntivite.

Isso tudo demonstra a dificuldade de fazer um diagnóstico correto sem um exame de cultura de bactérias — conduta que infelizmente é regular nas unidades de pronto atendimento.

Exames laboratoriais

A obtenção de culturas conjuntivais é geralmente reservada para casos de suspeita de conjuntivite neonatal infecciosa, conjuntivite recorrente, conjuntivite recalcitrante à terapia, conjuntivite com secreção purulenta grave e casos suspeitos de infecção por gonococo ou clamídia.

O teste rápido de antígeno em consultório está disponível para adenovírus e tem 89% de sensibilidade e até 94% de especificidade. Esse teste pode identificar as causas virais da conjuntivite e evitar o uso desnecessário de antibióticos. Trinta e seis por cento dos casos de conjuntivite são devidos a adenovírus, e um estudo estimou que o teste rápido de antígeno no consultório poderia prevenir 1,1 milhão de casos de tratamento inadequado com antibióticos, economizando potencialmente US $ 429 milhões por ano, somente nos Estados Unidos.

Conjuntivite: como tratar?

1) Conjuntivite viral secundária ao adenovírus

Embora não exista tratamento efetivo, colírios lubrificantes, anti-histamínicos tópicos ou compressas frias podem ser úteis no alívio de alguns sintomas. Medicamentos antivirais disponíveis não são úteis e antibióticos tópicos não são indicados, pois não protegem contra infecções secundárias, e seu uso pode complicar a apresentação clínica por causar alergia e toxicidade, levando ao atraso no diagnóstico de outras possíveis doenças oculares.

O uso de colírios antibióticos pode aumentar o risco de espalhar a infecção para o outro olho por meio de conta-gotas contaminados. O aumento da resistência também é preocupante com o uso frequente de antibióticos. Os pacientes devem ser encaminhados a um oftalmologista se os sintomas não se resolverem após 7 a 10 dias, devido ao risco de complicações.

2) Conjuntivite por vírus Herpes

A secreção é fina e aquosa e podem estar presentes lesões palpebrais acompanhantes.

Antivírus tópicos e anti-histamínicos são recomendados para diminuir o curso da doença. No entanto corticosteroides devem ser evitados, pois podem potencializar a replicação do vírus levando também um aumento da inflamação local.

O vírus Herpes zoster, responsável pelo herpes zoster, pode envolver o tecido ocular, especialmente se o primeiro e o segundo ramos do nervo trigêmeo estiverem envolvidos. As pálpebras são o local mais comum de acometimento ocular, seguidas pela conjuntiva. Complicações e uveítes corneanas podem estar presentes. Pacientes com suspeita de envolvimento palpebral ou ocular, ou aqueles que apresentam sinal de Hutchinson (vesículas na ponta do nariz, que têm alta correlação com o envolvimento da córnea) devem ser encaminhados para uma avaliação oftalmológica completa. O tratamento geralmente consiste em uma combinação de antivirais orais e anti-histamínicos tópicos.

3) Conjuntivite  bacteriana

olho lacrimejante por conjuntivite
A conjuntivite pode causar intenso lacrimejamento dos olhos.

Pelo menos 60% dos casos de conjuntivite bacteriana aguda, suspeitos ou comprovados em cultura, são autolimitados, ou seja, acabam em 1 a 2 semanas de apresentação. Embora os antibióticos tópicos reduzam a duração da doença, alguns estudos não observaram diferenças nos desfechos entre grupos de tratamento e de placebo. Em uma grande meta-análise, consistindo de uma revisão de 3673 pacientes em 11 ensaios clínicos randomizados, houve um aumento de aproximadamente 10% na taxa de melhora clínica em comparação com o placebo em pacientes que receberam de 2 a 5 dias ou 6 a 10 dias de tratamento com antibióticos em comparação com o placebo. Não foram relatados casos sérios de ameaça à visão em nenhum dos grupos de placebo. Algumas bactérias altamente virulentas, como S. pneumoniae, N. gonorrhoeae e H. influenzae, podem penetrar mais facilmente em um organismo que não tenha uma defesa imunológica montada e causar danos mais sérios

Antibióticos tópicos parecem ser mais eficazes em pacientes com resultados positivos de cultura bacteriana. Em uma grande revisão sistêmica, eles foram eficazes em aumentar a taxa de cura clínica e microbiológica no grupo de pacientes com conjuntivite bacteriana comprovada por cultura, enquanto que apenas uma taxa de cura microbiana melhorada foi observada no grupo de pacientes com suspeita clínica de conjuntivite bacteriana. Outros estudos não encontraram diferença significativa na taxa de cura clínica quando as frequências dos antibióticos administrados foram levemente alteradas.

A escolha dos antibióticos

O texto a seguir tem caráter informativo apenas. Por isso é importante que você procure um oftalmologista, pois é ele quem pode avaliar a pertinência do uso de antibióticos.

Todos os colírios antibióticos de amplo espectro parecem ser em geral, eficazes no tratamento da conjuntivite bacteriana. Não existem diferenças significativas na obtenção de cura clínica entre qualquer um dos antibióticos tópicos de amplo espectro. Fatores que influenciam a escolha de antibióticos são disponibilidade local, alergias a pacientes, padrões de resistência e custo.

Os esteróides tópicos devem ser evitados devido ao risco de prolongar potencialmente o curso da doença e potencializar a infecção.

Algumas recomendações

Em conclusão, os benefícios do tratamento com antibióticos incluem recuperação mais rápida, diminuição da transmissibilidade e retorno precoce às atividades regulares. Contudo, não existem efeitos adversos se os antibióticos não forem usados ​​em casos não complicados de conjuntivite bacteriana. Portanto, uma política de esperar para avaliar se tratar ou não de uma infecção autolimitada parece ser uma abordagem razoável ​​em casos de conjuntivite não complicada. A antibioticoterapia deve ser considerada apenas em casos de conjuntivite purulenta ou mucopurulenta e em pacientes com desconforto distinto, que usam lentes de contato, imunocomprometidos ou que se suspeite de conjuntivite por clamídia e gonococo.

Casos especiais:

  • Conjuntivite por S. aureus resistente à meticilina

Pacientes com casos suspeitos precisam ser encaminhados a um oftalmologista e tratados com vancomicina fortificada.

  • Conjuntivite clamidial

Estima-se que 1,8% a 5,6% de toda a conjuntivite aguda seja causada por clamídia, sendo a maioria dos casos unilateral e com infecção genital concomitante.

A doença é frequentemente adquirida por disseminação oculogenital ou outro contato íntimo com indivíduos infectados; em recém-nascidos, os olhos podem ser infectados após o parto vaginal por mães infectadas. O tratamento com antibióticos sistêmicos, como azitromicina oral e doxiciclina, é eficaz; os pacientes e seus parceiros sexuais devem ser tratados e uma coinfecção por gonorreia deve ser investigada. Bebês com conjuntivite por clamídia requerem terapia sistêmica porque mais de 50% podem ter infecção concomitante de pulmão, nasofaringe e do trato genital.

  • Conjuntivite gonocócica

A conjuntivite causada por N. gonorrhoeae é uma fonte frequente de conjuntivite hiperaguda em neonatos, adultos sexualmente ativos e adolescentes jovens. O tratamento consiste em antibióticos tópicos e orais. A N. gonorrhoeae está associada a um alto risco de perfuração coronária.

  • Conjuntivite secundária ao tracoma

O tracoma é causado pelos subtipos A a C da Chlamydia trachomatis e é a principal causa de cegueira, afetando 40 milhões de pessoas em todo o mundo em áreas com higiene precária. A secreção mucopurulenta e o desconforto ocular podem ser os sinais e sintomas presentes nessa condição. Complicações tardias, como cicatrizes da pálpebra, conjuntiva e córnea, podem levar à perda da visão. O tratamento com uma dose única de azitromicina oral (20 mg / kg) é eficaz. Os pacientes também podem ser tratados com pomadas antibióticas tópicas por 6 semanas (tetraciclina ou eritromicina). Antibióticos sistêmicos diferentes da azitromicina, como a tetraciclina ou a eritromicina por 3 semanas, podem ser usados ​​alternativamente.

4) Conjuntivites não infecciosas

4.1) Tratamento das conjuntivite alérgica

O tratamento consiste em evitar o antígeno agressor e o uso de solução salina ou colírios lubrificantes para diluir e remover fisicamente os alérgenos. Descongestionantes tópicos, anti-histamínicos, estabilizadores de mastócitos, anti-inflamatórios não-esteroidais, e corticosteroides podem ser indicados. Em uma grande revisão sistêmica, tanto os anti-histamínicos quanto os estabilizadores de mastócitos foram superiores ao placebo na redução dos sintomas da conjuntivite alérgica; os pesquisadores também descobriram que os anti-histamínicos eram superiores aos estabilizadores de mastócitos ao fornecerem benefícios em curto prazo. O uso prolongado do anti-histamínico antazolina e do vasoconstritor da nafazolina deve ser evitado, pois ambos podem causar hiperemia rebote. Os esteroides devem ser usados ​​com cautela e de forma criteriosa. Esteroides tópicos estão associados à formação de catarata e podem causar um aumento na pressão ocular, levando ao glaucoma.

4.2) Tratamento de outros tipos de conjuntivite

  • Conjuntivite induzida por substâncias químicas, drogas e toxinas

Uma variedade de medicamentos tópicos, como colírios antibióticos, medicações antivirais tópicas e colírios lubrificantes, pode induzir uma resposta alérgica conjuntival, principalmente devido à presença de cloreto de benzalcônio nas preparações dos colírios. Por isso é muito importante que o doente não se automedique. Como já sabemos, a interrupção do contato com o agente causador melhora os sintomas.

  • Doenças sistêmicas associadas à conjuntivite

Uma variedade de doenças sistêmicas, incluindo síndrome de Sjögren, doença de Kawasaki, síndrome de Stevens-Johnson e fístula cavernosa carotídea, podem apresentar sinais e sintomas de conjuntivite, como vermelhidão e secreção conjuntival. Portanto, as causas acima devem ser consideradas em pacientes com conjuntivite. Por exemplo, pacientes com fístula de cavidade carótida de baixo grau podem apresentar conjuntivite crônica recalcitrante à terapia médica, que, se não for tratada, pode levar à morte.

Sinais que indicam maior gravidade

Existe uma recomendação da Academia Americana de Oftalmologia, dizendo que pacientes com conjuntivite que são avaliados por profissionais de saúde não oftalmologistas devem ser encaminhados imediatamente a um oftalmologista se ocorrer qualquer uma das seguintes causas:

  • perda visual;
  • dor moderada ou severa;
  • secreção purulenta severa;
  • envolvimento corneano;
  • cicatrização conjuntival;
  • falta de resposta à terapia;
  • episódios recorrentes de conjuntivite;
  • história de doença ocular pelo vírus herpes simplex.

Além disso, os seguintes pacientes devem ser considerados para encaminhamento:

  • usuários de lentes de contato
  • pacientes que requerem esteroides
  • pacientes com fotofobia.

Os pacientes devem ser encaminhados a um oftalmologista se não houver melhora após uma semana do início dos sintomas.

Importância de não usar colírios combinados de antibióticos e esteroides

Colírios de esteroides ou combinados contendo esteroides não devem ser usados rotineiramente. Esteroides podem aumentar a replicação dos adenovírus, o que prolonga o curso da conjuntivite viral. Além disso, se existe uma úlcera de córnea não diagnosticada secundária a herpes, bactérias ou fungos, os esteroides podem piorar a condição, podendo inclusive levar à cegueira.

Como prevenir a conjuntivite?

Mãos lavadas são a melhor prevenção contra conjuntivite
Lavar as mãos é a melhor medida para prevenir a conjuntivite.

Justamente por conta da alta taxa de transmissão, principalmente da forma viral da doença, é que se devem tomar medidas preventivas, tais como:

  • lavar as mãos frequentemente;
  • não coçar os olhos;
  • não compartilhar itens de higiene pessoal ou de maquiagem;
  • evitar aglomerações;
  • desinfetar rigorosamente os instrumentos médicos utilizados nos doentes;
  • tratar adequadamente as piscinas;
  • voltar às atividades regulares apenas após liberação médica;
  • isolar os pacientes infectados do restante da clínica;
  • avaliar a existência de Clamídia e gonorreia em grávidas no final da gestação visando evitar a transmissão para o bebê no parto normal.
       

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.