Condições de vida do idoso no Brasil

aspectos para nortear políticas públicas e ações sociais

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O Brasil foi o 1º país da América Latina a participar do consórcio Estudo Longitudinal das Condições de Saúde e Bem-Estar da População Idosa (ELSI). O trabalho, iniciado em 2012, objetivou obter informações acerca das condições de saúde e vida de pessoas idosas. Onze países da Europa, EUA, Canadá, Japão, Índia, China e Coreia do Sul também participam.

Na época previam que o primeiro ciclo de estudos do ELSI Brasil durasse cerca de 6 anos, na intenção de terem entrevistado cerca de 15 mil pessoas. O Ministério da Saúde havia anunciado investimento de R$ 6,5 milhões no projeto para investigar a realidade das condições de saúde e seus serviços além da capacidade funcional de pessoas idosas.

A avaliação levou em conta diversos tópicos e os mais importantes dizem respeito à aposentadoria e suas consequências para a saúde do cidadão; situação socioeconômica; e estrutura domiciliar e familiar, temas que são comuns a todos os países participantes, o que permite um intercâmbio de informações e possibilitar a comparação dos resultados apresentados por cada um.

A importância da pesquisa é reforçada por dados da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o envelhecimento populacional mundial que já mostrava para 2020, o número de pessoas com mais de 65 anos será superior ao número de crianças com menos de cinco anos.

Conhecendo a ELSI

O objetivo geral do ELSI-Brasil é examinar a dinâmica do envelhecimento da população brasileira e seus determinantes, assim como a demanda dessa população para os sistemas sociais e de saúde. A pesquisa, portanto, produzirá informações estratégicas que contribuirão para avaliar o impacto desses sistemas e subsidiar políticas para a promoção do envelhecimento ativo e melhora da atenção à saúde nas faixas etárias mais velhas. Um objetivo adicional do estudo é permitir comparações entre os resultados brasileiros e os de outros países (Health and Retirement família de estudos), que realizam estudos semelhantes.

Objetivos  ELSI-Brasil:

  • verificar as condições de saúde e fatores determinantes da população 50+
  • perfil do uso de serviços de saúde
  • nível de bem-estar econômico, social e psicológico
  • contribuição dessa população para a família e a sociedade;
  • examinar as tendências
  • avaliar a sua efetividade de serviços de saúde
  • examinar a dinâmica dos gastos com saúde da família

idoso-casal
De acordo com o IBGE apontou em 2018 mais de 28 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o que representa, aproximadamente, 13% do total da população brasileira.

Antes de 2025 vamos ultrapassar 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade no Brasil. Assim, alcançaremos a sexta colocação no ranking mundial de países mais longevos. A expectativa é que, para cada grupo de 100 jovens menores de 15 anos, haverá mais de 50 adultos com 65 anos ou mais.

No entanto, quando se trata de saúde e envelhecimento em nosso país, um outro levantamento preocupante apontado pela ONU preocupa: 36,5% das pessoas  acima de 50 anos vem apresentando alguma incapacidade funcional ou dificuldade para tarefas simples (ex: subir degraus e atravessar a rua).

Prova disso é o resultado de um estudo desenvolvido pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, que mostrou uma proporção crescente, de acordo com o aumento da idade, de indivíduos que necessitavam de auxílio para realização de atividades simples do cotidiano, como ir da cama para o sofá, vestir-se, alimentar- se ou cuidar da própria higiene.

De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados com idades entre 65 e 69 anos necessitavam de auxílio para realizar tarefas. Já a partir dos 80 anos, apenas 15% não necessitavam de algum auxílio, enquanto 28% apresentavam grau de incapacidade tal que requeriam cuidados pessoais em tempo integral.

senhorinha

FATORES DETERMINANTES DE LONGO PRAZO

Diante desse cenário, torna-se de grande importância verificar os fatores determinantes de longo prazo das condições de saúde e bem-estar da população idosa no país, como se propõe o estudo ELSI Brasil.

Na opinião de Gilberto Braga, economista e mestre em Administração pelo Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), as atuais políticas públicas de saúde voltadas para idosos não são suficientes para aumentar a qualidade de vida dessa parcela da população.

       

O especialista defende a necessidade da adoção de um modelo de saúde que priorize práticas médicas que ajudem a evitar as doenças que vêm com a idade, lembrando que cuidar de uma população idosa saudável é diferente de cuidar de uma população doente.

Cuidar de pessoas sãs custa menos. É difícil determinar um percentual em termos de economia para os gestores de saúde, mas certamente a diferença e a economia são expressivas, afirma.

Braga lembra que o impacto do fenômeno da longevidade na economia brasileira é variado. “Normalmente, pensamos somente nos custos econômicos que o fato de viver mais pode trazer para os familiares, como gastos com planos de saúde, remédios, cuidadores e tratamentos específicos. Por outro lado, ao mesmo tempo, há um contingente de novos consumidores com renda considerável que ainda não foi totalmente percebido pela economia formal. Falo da terceira idade sadia, que lota os teatros nas noites de terça a quinta, que viaja e faz turismo pelo país fora das grandes temporadas e dos feriados, que janta fora e toma vinho, que sai para dançar, enfim que gasta muito. A força de consumo da terceira idade ainda não foi mapeada e aqueles que desenvolveram produtos específicos e serviços para ela poderão ter grandes lucros”, comenta o economista.

DIFERENÇAS DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE

Indicadores demográficos de envelhecimento, como o publicado pelo Observatório sobre Iniquidades em Saúde, da Fiocruz, que tem como base a Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD), apontam para a existência de determinantes sociais que implicam o aparecimento de desigualdades em termos de saúde durante o envelhecimento.

Para muitos pesquisadores, além das condições biológicas individuais que favorecem a longevidade, é relevante questionar quais fatores podem estar associados aos anos adicionais de vida para uns, e não para outros.

Entre esses itens está a diferença regional, que, para muitos, transpõe as questões básicas e fundamentais relacionadas ao aumento de oferta e acesso aos serviços de saúde.

Segundo o PNAD de 2009, a macrorregião com maior proporção de idosos é a Sudeste (12,7%), seguida da Região Sul (12,3%), Nordeste (10,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (7,3%).

Muitos pesquisadores defendem a tese de fatores como educação e renda, por exemplo, despontarem como diferenciais no ganho de vida em anos, possivelmente na qualidade do envelhecimento.

Existe, contudo, relação entre as condições de saúde e

o sentimento de bem-estar entre os idosos?

Para responder a essa pergunta, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizaram uma pesquisa cujo resultado foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz.

Durante um ano, eles entrevistaram 1.431 idosos, com idade média de 69 anos, moradores da área urbana da cidade, com o objetivo de verificar como se estabelece essa ligação. Os pesquisadores chegaram à conclusão de estar a sensação de felicidade associada a diversos indicadores de saúde. O levantamento mostrou que os idosos que se sentem felizes por mais tempo são casados, trabalham, têm lazer, ingerem bebidas alcoólicas ocasionalmente, consomem frutas, legumes e verduras todos os dias, não são obesos e dormem bem.

Esse é um dos primeiros estudos, em base populacional, que verifica as relações das condições de saúde com o bem-estar subjetivo de idosos. Na avaliação dos pesquisadores, os resultados devem contribuir para ampliar o conhecimento sobre o tema no Brasil.

Dr Italo Rachid

www.longevidadesaudavel.com.br

(1ª edição: ago/2013 | atualizado em jan 2021)

       
5 Comentários
  1. Fernanda Diz

    Qual a fonte desse parágrafo?
    “Prova disso é o resultado de um estudo desenvolvido pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, que mostrou uma proporção crescente, de acordo com o aumento da idade, de indivíduos que necessitavam de auxílio para realização de atividades simples do cotidiano, como ir da cama para o sofá, vestir-se, alimentar- se ou cuidar da própria higiene. De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados com idades entre 65 e 69 anos necessitavam de auxílio para realizar tarefas. Já a partir dos 80 anos, apenas 15% não necessitavam de algum auxílio, enquanto 28% apresentavam grau de incapacidade tal que requeriam cuidados pessoais em tempo integral.”

    1. Gal Rosa Diz

      referÊncia: http://www.longevidadesaudavel.com.br Dr Ítalo Rachid
      (um de nossos colaboradores). Abçs mil

  2. Julia Diz

    Bom dia, quando esse texto foi publicado

    1. Gal Rosa Diz

      em agosto de 2014!

  3. kamily santos Diz

    ótima pesquisa, espero que contribua para abrir os olhos das pessoas com relação a importância da saúde e da longevidade de nossos idosos! estão de parabéns! só fiquei curiosa se o governo disponibiliza casas de apoio a idosos e se tiver quantas que existem, porquê em fortaleza só existe 1 pelo que eu sei e não tem suporte pra atender a todos os idosos, muitas vezes ficam em situação degradante.

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