Colecistite: Tratamentos, Sintomas, Cuidados

A ocorrência de uma colecistite significa uma inflamação na vesícula biliar.

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Poucos são os que sabem para quê serve a vesícula biliar. E a maioria de nós só vai saber que este órgão existe quando inflamar e causar uma colecistite. Leia este texto e entenda melhor sobre os tratamentos, os sintomas e os cuidados necessários para cuidar de uma colecistite.

O que é colecistite?

O termo “ite” é um sufixo usado para definir inflamação. Neste caso, provocada na vesícula biliar, órgão pouco conhecido e quase nada divulgado, mas responsável por receber a bile produzida pelo fígado. Este líquido ácido é o responsável por boa parte da digestão dos alimentos e da separação da gordura que o fígado armazena e elimina.

É a vesícula biliar que vai tratar este componente forte e ávido e transformar em um caldo mais ameno, que será enviado ao duodeno.

A ocorrência de uma colecistite significa uma inflamação, que pode ser crônica ou aguda ou pode variar entre calculosa e não-calculosa, na vesícula biliar.

Trata-se de uma moléstia que vai afetar principalmente adultos, com mais idade, mas pode acometer crianças e jovens em casos menos frequentes.

A vesícula biliar fica do lado direito do abdômen, logo abaixo do fígado. Pela proximidade, há quem confunda a dor com algum problema gástrico ou intestinal, ou mesmo toma algum remédio para o fígado, minimizando ou menosprezando os riscos de uma colecistite.

Exames preliminares podem confundir uma colecistite com uma pancreatite, o que exige mais cuidado por parte dos profissionais de medicina.

Quais os principais sintomas da colecistite?

Cada forma da colecistite ataca o organismo com suas peculiaridades. Porém, os sintomas mais comuns envolvem dores abdominais, enjoos, vômitos, náuseas, febre, casos de icterícia, que é o amarelamento de tecidos e, em alguns casos, falta de apetite e emagrecimento rápido, causando anorexia em algumas situações.

Os sintomas normalmente envolvem muita dor, mas há casos de colecistite que são totalmente assintomáticos, o que é sempre uma má notícia para o portador desta moléstia. São os sintomas os responsáveis por levar as pessoas a consultar um médico. Assim, a dor, que muita gente teme, certamente é nossa maior aliada nestes casos.

Embora haja casos em que o problema se prolonga, a colecistite, em todas as suas formas, é perigosa e pode inclusive levar o paciente à morte. Vejamos a seguir os tipos e variações em que esta moléstia se apresenta, bem como os sintomas mais comuns a cada variante.

Colecistite calculosa

Também chamada de colecistite litiásica, é causada pela forma mais aguda da doença. Sua dor é intensa e, quando ocorre, em geral só pode ser solucionada com operação de retirada da vesícula biliar e consequente uso de medicação constante para compensar a falta deste órgão.

O principal motivo para esta colecistite é a formação de pedras na vesícula, resultado de excessos de gordura no organismo, hidratação inadequada e descuidar do corpo ao perceber quaisquer dos sintomas descritos.

Outro nome para esta variação é colecistite aguda. Dores fortes na região direita do abdômen são o principal sintoma. Como dissemos, é causada por cálculos ou, mais popularmente, pedras na vesícula.

As dores acontecem a qualquer momento, mas são mais comuns após refeições muito gordurosas.

Colecistite alitiásica

Variação de dores agudas, este caso da doença acontece sem que haja cálculos (ou pedras) na vesícula. Sua origem ainda não foi totalmente compreendida, mas a inflamação da vesícula pode comprometer o funcionamento do órgão, causar vários dos sintomas descritos acima e, até, causar o óbito do doente.

Os sintomas mais comuns em ambas as variáveis desta colecistite são:

  • Fortes dores abdominais, que podem se prolongar por horas, especialmente após refeições com comida muito gordurosa;
  • Vômitos;
  • Náuseas e enjoos geralmente frequentes;
  • Febre branda, próxima de 38 graus, o que pode ser visto por algumas pessoas como “estado febril”;
  • Icterícia, que é o amarelamento de tecidos da pele e órgãos;
  • O amarelamento também pode ser visto nos olhos;
  • Falta de apetite.

É importante ter em mente que a versão aguda (calculosa) da colecistite é o caso mais frequente e o mais perigoso. Sua principal causa é o aparecimento das pedras na vesícula, que interrompem o canal da bile, que leva este componente para o duodeno.

A interrupção do canal, no entanto, é causada por inflamações, nódulos, tumores e até casos de colônias de parasitas no órgão. Há situações causadas por cirurgias, mas estas são consideravelmente mais raras.

Apenas para entender melhor, a pedra na vesícula pode gerar tumores e nódulos, causar inflamações ou facilitar o ataque de parasitas. As causas são variadas, mas dores do lado direito do abdômen jamais devem ser menosprezadas. A consulta a um profissional de saúde é essencial.

Colecistite crônica

Como o nome sugere, se é uma doença crônica, já ocorre há algum tempo e está assintomática, ou causa dores que incomodam pouco, o que é igualmente perigoso. Passada uma crise, o doente pode se esquecer do problema e não procurar um médico.

É nestes casos em que a automedicação mostra seus perigos, assunto que já abordamos algumas vezes aqui no blog, mas que não deixa de ser menos importante com o passar do tempo. Pode matar. É algo sério.

O paciente de colecistite pode se automedicar com algum tipo de antiácido ou remédio para dor. Então, pode perceber que, por outros motivos, a dor passou, e não dar a importância devida ao problema. O mesmo, então, pode retornar, até causar danos irreversíveis ao doente, como piores constantes no estado de saúde, mais dificuldade para um tratamento eficaz e demora na resposta a cuidados médicos.

O sintoma mais comum e muitas vezes o único desta variação da colecistite é a frequência de dores na barriga, muitas vezes confundidas ou interpretadas por problemas menores. Esta variação da doença pode causar pancreatite, fístulas e até câncer.

Seja qual for o caso que acometer a pessoa, é necessário tratar o quanto antes, porque evitar a ida ao médico pode causar complicações, como a diminuição do órgão, mudanças em sua textura e aparência, situações como a calcificação da vesícula biliar, o que causa a conhecida vesícula de porcelana, e até complicações mais graves como o rompimento dos tecidos da vesícula e infecção generalizada pelo corpo.

Principais grupos de risco para colecistite

É importante saber que são as pessoas mais suscetíveis a colecistite:

  • Idade – tanto homens quanto mulheres a partir dos 40 anos de idade até 60 anos são o grupo etário mais comum para casos desse mal;
  • Gestantes podem desenvolver casos da doença;
  • Mulheres que já tiveram muitos filhos;
  • Mulheres que estão fazendo tratamento de reposição hormonal;
  • Mulheres que utilizam pílulas anticoncepcionais;
  • Obesos são o maior grupo de risco;
  • Pessoas que tiveram uma perda muito grande de peso, muito rapidamente, como obesos que fizeram cirurgia de redução do estômago.

Melhores tratamentos para colecistite

       

Com tantas variações e graus da doença, a colecistite acaba exigindo cuidados diferentes para cada situação.

Antes de citar os tratamentos mais adequados, no entanto, é necessário repetir que o uso de remédios, antibióticos, terapias ou qualquer outro método por conta própria é um enorme risco para o paciente. Colecistite é um mal sério e um médico deve ser consultado.

Os tratamentos mais comuns são os que envolvem o uso de antibióticos e a retirada da vesícula via método cirúrgico. Esta medida, em especial, é muito temida pela maioria das pessoas, por envolver o medo de medicamentos, de hospitais, de dores, mas todo este medo é infundado.

O tratamento cirúrgico de remoção da vesícula é simples rápido e indolor. O paciente será devidamente anestesiado e sentirá o alívio de não sofrer mais com as dores causadas pela inflamação. O ponto seguinte é o acompanhamento durante a recuperação.

Algumas pessoas necessitam de componentes químicos existentes em medicação específica, mas é muito comum que o corpo se recupere e que haja uma solução natural para a ausência da vesícula.

Tratamento com antibióticos

Os chamados antibióticos de amplo espectro são os remédios mais utilizados em casos de colecistite. A administração destes medicamentos é sempre intra-venosa, ou seja, aplicados em uma veia, normalmente, no braço. Este tratamento é utilizado apenas para amenizar os sintomas e estabilizar o paciente em um caso de crise com dores muito intensas ou outros sintomas como febre e vômitos constantes.

Assim que o paciente estiver em melhores situações, a cirurgia para a retirada da vesícula será marcada, sempre para o mais breve possível, dada a gravidade do caso.

Colecistectomia

Este nome complicado serve para determinar a cirurgia de retirada da vesícula biliar. Há mais de uma maneira de se realizar esta remoção:

Método convencional:

Feita com anestesia geral e corte, ou incisão, como é o nome técnico do procedimento, do lado direito do abdômen, para a retirada da vesícula.

É um método seguro e mais indicado em casos de portadores de cirroses. Também é indicado para gestantes a partir do 6 mês de gravidez.

Método de colecistectomia com auxílio de vídeo-laparoscopia:

Com o auxílio de mini câmeras de vídeo, o cirurgião fará uma pequena incisão no umbigo do paciente e, por meio dessa incisão, será colocada grande quantidade de gás carbônico para inflar a região e permitir a retirada segura da vesícula.

Nessa ordem, são introduzidos o tubo com a câmera em miniatura, são feitas mais 3 pequenas incisões para que as pinças cirúrgicas possam ser introduzidas no paciente e a retirada do órgão ocorre com a observação de tudo o que acontece através de um circuito de TV.

Cuidados de enfermagem

É importante saber que toda espécie de acompanhamento médico envolve o período pré-operatório e o período pós-operatório. Após exames e a detecção da doença, o período para a cirurgia deve ser breve. Em geral, em dois ou três dias.

Os cuidados com o paciente incluem exames de sangue, radiografias, medicação direto na veia, analgésicos e antibióticos.

O paciente precisará estar em jejum

Este ponto costuma ser uma dificuldade real para muitos pacientes de colecistite. Como é bem frequente que a pessoa a ser tratada está acima do peso, ou em idade mais avançada, a necessidade de estar em jejum pode causar transtornos e severo desconforto para muitos.

Recomenda-se até 12 horas de jejum para casos de colecistectomia.

Hidratação intra-venosa

O paciente de colecistectomia será submetido a soluções intra-venosas para hidratação, soro, nutrientes durante a recuperação e medicamentos.

Felizmente, o período de internação em casos de colecistite é breve. Em 2 ou 3 dias todo o processo se encerra e o paciente retorna para casa e retoma sua rotina, apenas com alguns cuidados para esforço físico exagerado e auxílio de medicação para a rápida recuperação.

O cuidado na troca de curativos é ensinado pelas enfermeiras e a maioria dos pacientes vai ser mais cuidadosa na hora do banho, evitando molhar os curativos. Nessa hora, o auxílio de plásticos e fitas adesivas garante que a água do chuveiro não vai desfazer os curativos.

Drenagem da vesícula biliar

Há casos severos de colecistite em que o paciente não poderá ser imediatamente operado. Seja por uma complicação de saúde ou problemas pré-existentes diversos, é necessário sempre a observação e avaliação médica.

Nestas situações, é comum o cirurgião recomendar uma aspiração da vesícula para a retirada de líquidos e outros componentes que estejam causando a crise e a infecção, resultando em pus ou o acúmulo de bile na vesícula.

Trata-se de uma fase incomum, apenas para casos extremos, e nunca realizada para evitar uma cirurgia. E em casos de pessoas que possam ter medo de operações ou cirurgias, o próprio método de drenagem da vesícula já é uma incisão feita com o acompanhamento de um cirurgião especializado. Quem acha que será beneficiado em não operar estará apenas prolongando o tratamento médico.

Todo este cuidado será para estabilizar o quadro clínico do paciente e, tão logo possível, a cirurgia será realizada.

Durante este período, o paciente receberá doses de antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. Uma vez estabilizada a condição do paciente, o procedimento cirúrgico será realizado.

Com todos os cuidados necessários, a cirurgia para tratar a colecistite ocorre muito rapidamente, a recuperação é igualmente breve e o paciente receberá todas as recomendações de cuidados para ter boa saúde nos próximos anos.

Cuide-se bem e não deixe sua saúde de lado!

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