Cohousing, coliving ou moradia compartilhada é fácil?

reflexões sobre como nos preparar para este breve futuro

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Com o aumento de nosso tempo de vida, também aumenta o número de pessoas solteiras, viúvas ou sozinhas a partir dos 60 anos. A estrutura familiar mudou radicalmente nas últimas décadas. Divórcios, famílias monoparentais, filhas e filhos livres, independentes, ocupados com suas próprias vidas, muitas vezes distantes em outra cidade ou mesmo em outro país. E a velha máxima “não quero ser um peso para ninguém” continua presente. Como podemos pensar a “vida que segue” a partir desta já realidade para muitos?  Cohousing, república, co-lar ou moradia compartilhada é uma das saídas saudáveis e seguras para este problema social.

Porém sempre me vem a pergunta: como se ajustar para uma possibilidade diferente de se viver ao que estamos começando a considerar “a fase mais preparada da vida”?

Vamos entender os modelos já existentes.

comunidade

O QUE É COHOUSING (OU COLIVING)?

Um movimento iniciado na Europa tomou conta da América do Norte como uma solução de um grupo de pessoas, que cada vez mais aumenta, preocupadas com seus impactos sobre o meio ambiente.

Assim, cohousing (também nomeado como coliving) é uma maneira de se viver e trabalhar em conjunto para desenvolver lugares para morar que ofereçam privacidade e comunidade com os valores de um bairro à moda antiga: segurança, independência, interesse mútuo, pertencimento.

Muitos desses novos empreendimentos já estão em funcionamento, principalmente fora do Brasil. Muitos outros estão nos estágios de planejamento.

É um modelo que vem oferecendo mais retorno financeiro, inovando a habitação e desafiando os enormes problemas habitacionais da atualidade.

Também conhecido como co-lares, em português.

Fisicamente é um conjunto de moradias autônomas e próximas, espaços de uso comum, tendo sempre uma cozinha e um ambiente para refeições coletivas que são ofertadas algumas vezes por semana e seu preparo é rodiziado dentre os membros (conforme decide a comunidade). Há diversos espaços de lazer, biblioteca, lavanderia e outros ambientes de uso comum, conforme indicação e definições da comunidade. Estas características valem para os espaços externos. Tipicamente, são adotadas soluções ambientais que visam a reduzir a pegada ecológica, como por exemplo, água, bio-saneamento, construções solares, uso de materiais de baixo impacto, autonomia energética, lixo zero.

(*) Lilian Avivia Lubochinski – Arquiteta e urbanista formada pelo Technion Institute of Technology, Haifa (Israel,1976)

Neste modelo cada um tem a sua casa, mas decisões e espaços comuns são compartilhados.

(veja mais aqui: adunicamp COHOUSING  e aqui artigo sobre cohousing)

 

O QUE É REPÚBLICA?

Numa república todos moram juntos na mesma casa, com seus espaços íntimos reservados porém com todos os gastos e tarefas do lar divididas entre os moradores.

Viver em uma república requer aceitação das diferenças, respeito mútuo, confiança no grupo e senso de colaboração. É um desafio por não haver tanta privacidade e liberdade de ações ao se considerar a vida coletiva praticamente em exercício 24hs por dia.

       

Porém apresenta mais proteção, segurança e economia na divisão dos gastos da casa (estar mais próximo do outro, serviços, manutenção e suprimento).

O MUNDO JÁ MUDOU

Todos os arranjos de moradia pensados e experimentados até então, seja para jovens, adultos ou seniores, sempre buscam levar em conta a privacidade e autonomia de todos: seja cohousing, seja república.

Com relação às pessoas idosas isso vem ainda sendo ponto chave para de fato consolidar-se uma moradia compartilhada. Muitos não precisam e nem querem se tornar perfil para uma instituição de longa permanência. A visão para cuidar de si está cada vez mais consciente para os “maduros” (baby boomers),  geração “coca-cola” e geração “cara pintada”. (Já ouviram estas expressões?)

Nos Estados Unidos, somente 4% das pessoas acima dos 65 anos estão em ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos). Desses, 10% tem mais de 85 anos, sendo que mais da metade dessa população, dos acima dos 85 anos, dá conta de suas atividades do dia a dia com autonomia.

E no Brasil? Como anda nosso processo de envelhecimento e ajustes sociais ao mesmo tempo?

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Já é sabido que para se envelhecer bem é preciso termos desenvolvido certo equilíbrio quanto ao que temos de conhecimento, como lidamos com o dinheiro, como nos relacionamos com as pessoas, como cuidamos da nossa saúde e espiritualidade. Ao mesmo tempo, esta consciência também precisa estar na vida social, como enxergo o outro e o mundo.

Esta reflexão me faz compreender que além de nos sentirmos melhor e mais seguros para envelhecer em cohousing, tal prática de vida em comunidade também ajuda o planeta.

Viver em comunidade requer preparo e amadurecimento pessoal

Para se viver em cohousing de forma saudável em todos os aspectos, proveitosa e senso de pertencimento precisamos levar em conta alguns pontos imprescindíveis:

  • Nova mentalidade: morar em cohousing é morar em comunidade e a vida urbana dos últimos 50 anos nos retirou este senso. Principalmente com o advento das redes sociais transportando nossos relacionamentos para os meios virtuais.
  • Consciência do coletivo: de forma inconsciente o ser humano tende a ver o seu próprio lado em detrimento do outro. Esta é a face egoísta que se exaspera de formas sutis a declaradas pela sua sobrevivência. Mas estar em cohousing vai exigir o “olhar sobre o outro” uma vez que espaços em comum e decisões que dizem respeito a todos, serão interfaces para contato no dia a dia.
  • Senso de Pertencimento: para que eu cuide e defenda meu espaço e compreenda os meus direitos e direitos do outro, tenho que me sentir parte importante seja para o grupo, seja para o lugar. Compreender que “esta é minha vida e é disso que preciso”. Somente assim conseguirei zelar do que é meu colaborando com o zelo da comunidade como um todo.
  • Respeito às diferenças: já que cohousing é comunidade, como conviver de forma harmoniosa em comunidade se às diferenças naturais e originais entre cada um de nós não ganhar um espaço em comum dentro do coletivo? Tal espaço diz respeito a forma de expressão de cada ser que dele se apropria, com direitos iguais sendo diferentes.
  • Atitudes cooperativas: uma vida em cohousing exige a atenção de todos para se cuidar do núcleo que a compõe. O cuidado deve permear tudo para adquirir-se o senso de ser respeitado e assim sentir a importância de se respeitar afim de manter o fluxo da energia saudável das interações. Cuidado com a limpeza, com os bens materiais coletivos, com o fluxo da riqueza que mantém o núcleo, cuidado nas relações e interações entre os membros.
  • Senso de economia e suficiência: a riqueza de uma cohousing está na forma como seus membros irão administrar a rotina e sustentar esta rotina em comunidade. O modelo que escolheram para viabilizar o bem estar, algo que todos querem ao fazerem parte de uma.
  • Atitude de interdependência: ser interdependente é o caminho do meio entre ser indivíduo junto ao coletivo. Portanto a maturidade para se viver em cohousing deve permear “saber manter sua vida privada” considerando importante a presença do outro em seu dia a dia e vice versa.
  • Atitude de abdicação e flexibilidade: conviver em grupo onde os membros não são da mesma família de sangue apesar de desejosos de replicarem uma vida em família requer abrir mão de opiniões, personalidades, posturas perante aos desafios e cenas inusitadas. Ser flexível sem ter que necessariamente mudar sua opinião é uma arte preciosa para se conviver em cohousing.
  • Estar disposto a aprender: na era da informação (onde estamos) cada vez mais reconhecemos que ninguém detém conhecimento algum pois o mesmo está ao alcance de todos, sob as mais diversas formas, salvo situações extremas de precariedade social. Sendo assim, tudo o que aprendi pode muito provavelmente ter passado por atualizações, uma vez que a cada segundo (muito disso devido à tecnologia que conectou o mundo) descobrimos uma nova coisa, um novo jeito de pensar. Portanto, com cada ser que mantivermos contato podemos estar adquirindo novas informações deixando, por vezes, para trás conhecimentos que poderão não fazer tanto sentido para a realidade do momento.

E então? Será que estamos prontos para vivermos (novamente!) em comunidade?

Para fazer saber se você já está pronto ou não para a realidade das cohousings,

CLIQUE AQUI: https://forms.gle/vXnCuYzkchgb6dJ56Quanto mais 

Quanto mais SIM você responder… melhor!

 

 

 

 

       

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