CAPRICHO

Que bicho é esse (será que é de comer?)

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Se é de comer eu não sei, o que sei é que ele me deu um “coice” um dia desses e me incomodou por muito tempo. Foi mais ou menos assim: eu estava fazendo um tapete muito fofo quando de repente as coisas começaram a dar errado. O tapete começou a “embabadar”, que é um termo técnico de crocheteira (usamos ele quando a peça começa a fazer voltas como em um babado).

Como eu iria deixar o meu trabalho daquele jeito? Não dá! Eu era capaz de fazer melhor. E fazer melhor deu trabalho. Fiz, refiz, desmanchei, respirei fundo, comecei de novo e juro que era capaz de ver minha cabeça soltando fumaça.

Muita gente confunde capricho com perfeição, mas não se trata disso, e sim de um trabalho de autoconhecimento, de saber do seu próprio potencial. Ora, se eu já tinha feito vários tapetes sem “embabadar” porque aquele seria diferente?

Se aquele fosse o primeiro… aí o “embabado” estaria ótimo! A possibilidade de fazer melhor com as condições que tinha naquele momento e lugar, isso é o que chamamos de fazer com capricho.

Fazer com capricho é exercitar minhas qualidades mais nobres como a paciência, a criatividade, a persistência sem abrir mão da flexibilidade, eficiência, conhecimento e o melhor da minha destreza manual.

Assim vou tecendo habilidades fundamentais para caminhar na vida.

Todos temos nossos desafios. Dificuldades que às vezes nos tiram do sério, como dizia minha vó baiana, costureira e bordadeira: “cada um no seu canto padece seu tanto”.

E o artesanato nos dá a oportunidade de sacudir a poeira interna e realçar os nossos diamantes. 

Então, respira fundo, volta lá e pega aquela peça e mostra para ela o seu melhor, o seu capricho!

laila

Laila Dias

Terapeuta Ocupacional  Especialista em Saúde da Família

Integrante do Movimento Feito Vó (e crocheteira de plantão!)

site: www.feitovo.com

email: lailadias.to@gmail.com