Jovens Avós e a Educação Financeira

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Na casa dos avós tudo pode?

Não, não sou avô. Nem mesmo pai eu sou. Por opção, resolvemos não ter filhos, como muitos da nossa geração.

Esta condição, porém, não me impede de ser um observador crítico dos costumes. Um provocador que, segundo os amigos, desfere comentários ácidos. Mas, que muitas vezes, faz com que as pessoas reflitam.

Nesta condição de defensor de uma educação mais rígida dentro de casa, venho comentar aquilo que é muito comum nos dias de hoje:

“na casa dos avós, tudo é permitido”.

Vamos lembrar que os avós de hoje viram uma enorme transformação na sociedade. Em todos os campos e notadamente no comportamento sexual, adotaram com os filhos, inclusive, aquela máxima de que “é melhor fazer em casa do que fora”. Um aval para liberar o que “acontece no quarto ao lado”.

Porém, os resultados podem reservar surpresas inesperadas. Inclusive gravidez não desejada – o que obriga muitos a serem avós sem esperar. Assim mudam o ritmo de vida num momento em que provavelmente haviam conseguido chegar ao tão aguardado equilíbrio.

Equilíbrio não só financeiro, mas de poder curtir os seus momentos com mais tranquilidade.

Este comportamento atual de não dar tempo ao tempo pode acabar transformando alguns em avós muito antes do que imaginavam ser e pior, sem aviso prévio.

Apesar de serem promovidos à condição de “avós precoces” e não lhes faltar disposição, a situação vai demandar muita energia para lidar com a nova situação. Já que, em muitos casos, toda a responsabilidade de criar o neto recai sobre os avós.

Isso não é ficção. Afinal, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 19,3% das crianças nascidas no Brasil são filhos de mães menores de 19 anos.

Quem não conhece alguém que já tenha passado por essa situação?

Este é mais um exemplo que deveria ser melhor observado no campo da educação que se dá dentro de casa, que, no curso natural das coisas, deveria ser transmitida aos mais novos pelos mais velhos.

Aí está a grande responsabilidade dos avós no papel de “colocar água na fervura” em questões que, muitas vezes, os filhos ainda não conseguem encarar.

São eles, os avós, que têm a reserva e o poder moral de dizer “não” para uma geração que não sabe o que significa um “não”. E que sabe aproveitar muito bem todos os “sim” que recebem desde o nascimento, dada a atual onda de superproteção.

Pensando bem, a responsabilidade pela manutenção da unidade da família, da demarcação de limites e da permanente lembrança sobre o respeito vem dos “mais velhos” – independentemente se você aceita ou não este rótulo.

Outro dia ouvi um amigo dizer que não era amigo de seu filho, mas sim, pai de seu filho. Com todas as responsabilidades que isso acarreta.

Numa análise superficial este comentário pode soar frio. Mas analisando melhor é uma realidade que hoje esquecemos. Afinal ao não acreditarmos nisso, torna-se, ainda maior a responsabilidade dos avós.

Lembremos que uma das situações mais interessantes enfrentadas pela sociedade atual é a antecipação das coisas, onde tudo tem que ser rápido, imediato, “para ontem”! Numa loucura onde “viver intensamente o agora” é o que importa.

Daí a importância de orientar e ser o exemplo.

Não adianta ficar se preocupando com o legado financeiro, se não forem transmitidos verdadeiros valores que dinheiro nenhum pode comprar. Compromisso com a verdade, retidão, valores morais, princípios, dentre outros, são os bens mais valiosos a serem deixados.

Tenho amigos muito jovens e com filhos. E que nem sempre vieram ao mundo através de uma relação minimamente estável. Isto faz com que o papel dos avós seja colocado em xeque mais uma vez.

Neste ponto, torna-se fundamental trazer à consciência do jovem casal os princípios e valores hoje descartados. Mas fundamentais para que eles entendam que, cedo ou tarde, a vida irá cobrá-los por suas atitudes.

Educar não é deixar fazer tudo, não é concordar sempre, imaginando-se que assim serão evitados traumas e complexos.

Educar é mostrar os caminhos possíveis, com base nas experiências passadas, mesmo que isso signifique muitos “nãos”.

Façamos a nossa parte para podermos ter certeza que haverá um reconhecimento, mesmo que tardio.

É melhor receber um ou vários “nãos” dos avós do que esperar que a vida o faça!

 

vignoli

José Vignoli

Consultor financeiro

Educador financeiro do portal MBF

Porta voz do SPC Brasil

www.meubolsofeliz.com.br

email: vigplan@uol.com.br