Artrite reumatoide: sintomas, tratamentos e causas

Doença autoimune provoca quadros de dor e inchaço das articulações, e deve ser tratada rapidamente.

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A artrite é uma inflamação bastante comum. A doença provoca o desgaste de articulações, cartilagens e ligamentos, e assim provoca o atrito entre ossos e o inchaço destas áreas. A dor tem origens diversas: ela pode ser iniciada por uma doença autoimune, infecção causada por bactérias ou vírus, ou traumas. O agente causador define o tipo de artrite, e dentre todas a mais comum é a artrite reumatoide.

Tipos de artrite

A ciência conhece ao menos cem diferentes tipos de artrite, provadas por fatores os mais diversos. No entanto, há cinco espécies principais da doença, sendo estas as que ocorrem com maior frequência no mundo. A primeira delas é a artrite degenerativa. A condição corrompe a cartilagem da articulação e acaba por originar o aumento exagerado dos ossos, chamado de hipertrofia.

A artrite gotosa, por sua vez, é causada pelos chamados microcristais minerais de urato. O urato é um tipo de cristal presente no ácido úrico, e por uma série de motivos pode se acumular nas articulações. As áreas mais atingidas por essa modalidade da enfermidade são os joelhos, tornozelos, cotovelos e dorso do pé.

A artrite que mais atinge ombros, joelhos e o fêmur é a piogênica. Este é considerado o tipo mais urgente da doença, pois é causada por bactérias como o Staphylococcus Aureus e a Nisseria Gonorrhoeae. De forma geral, a artrite piogênica tem maior chance de ocorrer quando o indivíduo possui uma doença maligna, passou por cirurgias ortopédicas, tem diabetes ou faz uso de drogas.

Já a artrite psoríaca está relacionada com uma doença chamada psoríase. A psoríase ocorre por causas ainda desconhecidas, e provoca na pele uma série de feridas escamosas. As articulações do indivíduo com psoríase são bastante afetadas, tornam-se dolorosas e inchadas.

Por último, a artrite reumatoide é a que mais ocorre – dentre a população mundial, 1% é afetada pela enfermidade. Este tipo da condição afeta o sistema imunológico do organismo, e o próprio passa a atacar e desgastar as articulações e cartilagens. O resultado são ligamentos vermelhos, inchados e doloridos.

A artrite não tem cura, mas sua terapia precoce permite que o indivíduo mantenha as atividades do dia a dia normalmente, sem danos maiores.

O que é artrite reumatoide?

A artrite reumatoide, chamada também de AR, é uma doença inflamatória autoimune. Isso significa que, por motivo não muito bem definido, o sistema imunológico do corpo passa a atacar e a deteriorar tecidos saudáveis das articulações, causando inchaço e dor. A articulação é a conexão natural do corpo que liga dois ou mais ossos. Eventualmente, a AR pode levar à corrosão do osso e à deformidade das articulações, provocando mais problemas ao indivíduo afetado, como a dificuldade de movimento.

As estruturas articulares mais afetadas pela a artrite reumatoide são as dos pés e das mãos. Isso não significa, no entanto, que a enfermidade não possa a tingir outras áreas do corpo. Joelhos, ombros, cotovelos, fêmur e os diversos ossos e articulações do organismo podem sofrer da condição. Assim como alguns órgãos, como o pulmão, olhos, pelo e o coração, que correm o risco de apresentar inflamação reflexo da inflamação articular.

Qualquer pessoa pode desenvolver a AR – idosos, adultos e crianças. No entanto, o problema é mais comum entre os idosos, e também entre o público feminino. Segundo pesquisas recentes, a ocorrência da artrite é de três mulheres para cada homem, e isso poderia ser explicado devido ao fator hormonal. A mulher sofre diversas alterações hormonais ao longo da vida, com o período menstrual mensal e posteriormente na menopausa, o que causa modificações no sistema imunológico. Porém, esta informação ainda está em estudo.

Características da AR

A reumatoide é caracterizada por períodos de crise, em que há grade inchaço e quadros de dor, e períodos de remissão, em que a inflamação não apresenta poucos ou nenhum sintoma. O paciente nem mesmo percebe a interferência da condição no seu dia a dia, quando o caso é de remissão. Quando as crises ocorrem, elas também não possuem motivos aparentes.

Com o inchaço e desgastes das articulações e ossos, o indivíduo começa a apresentar o desgaste destas estruturas. Logo, surgem lesões irreversíveis nas articulações e ossos, o que provoca deformações e diminui a qualidade de vida do paciente. Os dedos das mãos, por exemplo, tornam-se tortos e dificultam ao paciente o movimento destes membros e a capacidade de segurar um objeto.

Quando apenas uma articulação do corpo está inflamada, os médicos a consideram uma monoartrite. Quando são várias as estruturas afetadas, o problema é chamado poliartrite. Quando ainda comete duas articulações “irmãs”, como os dois punhos, ou os dois tornozelos, a AR é chamada simétrica.

Fases da artrite

Para facilitar o diagnóstico e terapia de pacientes com artrite reumatoide, os médicos utilizam algumas classificações da doença. Uma das mais comuns foi desenvolvida pelo American College of Rheumatology. A instituição desenvolveu um sistema de classificação que se baseia na aparência dos ossos e articulações, verificada por meio de raios X.

A AR em fase 1 não provoca nenhum dano visível, nenhuma deformidade nas estruturas ósseas. No entanto, o médico pode conseguir verificar o início do desgaste ósseo.

Já no estágio 2 o desbaste do osso em torno de uma articulação é mais visível, e há possibilidade de uma lesão já existente na estrutura articular. Pode ocorrer ainda a diminuição da cartilagem e atrofia de músculos próximos à lesão.

No estágio 3 da doença, tanto a articulação, quanto a cartilagem apresentam grande desgaste, a atrofia muscular é maior e há anormalidades nos tecidos próximos. Finalmente, na fase 4 da enfermidade o exame de raio X evidencia lesões articulares, cartilaginosas e sinais de osteoporose em torno da lesão. Mostra ainda deformidade que provoca a fixação permanente da articulação, ou seja, o indivíduo tem maior dificuldade em mexer a articulação (elas permanecem na mesma posição, como os dedos, que dificilmente se dobram nesta condição).

Um problema autoimune

Os mais diversos fatores podem levar ao desenvolvimento da artrite reumatoide. O primeiro deles é a genética: se há predisposição para o surgimento da doença, é provável que ela aconteça em algum momento da vida. Por isso, indivíduos que tem pais, tios ou primos com artrite reumatoide devem ficam mais atentos ao aparecimento dos sintomas, que serão citados a seguir.

Como a AR é uma doença autoimune, outra causa comum é a infecção por bactérias ou vírus. A presença destes agentes no sangue pode ser a responsável pelo desequilíbrio no sistema imunológico, o que pode levar a um quadro da doença.

Causas da doença

A reumatoide acontece, na maior parte das vezes, nas chamadas articulações móveis. O corpo humano possui três tipos de estruturas articulares. As conectadas por um tecido fibroso têm como função manter alguns ossos juntos, “colá-los” um no outro, como ocorre com os ossos do crânio. Outras articulações são ligadas por cartilagens, e garantem uma pequena mobilidade dos ossos, como é o caso dos discos vertebrais.

Por outro lado, as articulações móveis são ligadas por duas estruturas: as cartilagens e a sinóvia, uma espécie de bolsa cheia de líquido sinovial. A sinóvia fica localizada no centro das articulações, e tem como função diminuir o atrito entre os ossos como um óleo lubrificante faz ao ser aplicado numa engrenagem enferrujada. As estruturas móveis compõem regiões como o joelho, ombros, cotovelos e mais.

Desta forma, uma característica comum da artrite é o acometimento da bolsa sinovial. Quando o líquido se torna inflamado, a capacidade de diminuição de atrito da estrutura é bastante diminuída. E então surgem os problemas causados pela doença.

Além disso, algumas doenças podem levar ao surgimento da artrite reumatoide, afetando as articulações como reflexo de seus sintomas principais. São elas o lúpus, febre reumática, gota, osteoartrite, espondilite anquilosante e outros tipos de artrite, como a séptica e a psoríaca.

Fatores de risco

Certos hábitos de vida e características individuais podem ainda aumentar a probabilidade de ocorrência da AR em um sujeito. Inicialmente, podemos citar o gênero: mulheres são muito mais propensas a doenças, teoricamente devido às constantes variações hormonais a que o corpo feminino está sujeito. A doença ocorre três vezes mais no público feminino do que no masculino.

Outro fator de risco é a idade. Pessoas entre 40 e 60 anos são mais suscetíveis ao aparecimento dos sintomas. Assim como os indivíduos que tem constante exposição a substâncias como a como sílica e asbestos, geralmente no trabalho. Pequenas quantidades do componente não são prejudiciais, uma vez que todos estamos sujeitos ao seu contato na natureza. De qualquer forma, foi observado que aqueles que têm exposição constante às substâncias estão mais propensos ao desenvolvimento de doenças autoimunes.

A obesidade é outra característica comum ao aparecimento da AR. Fumar ou ter rotineiro com quem fuma também serve como gatilho ao problema reumático. Segundo especialistas, um terço dos casos graves de artrite reumatoide ocorre entre os que tem contato com o tabaco frequentemente.

Finalmente, um estudo de 2004 mostrou que a falta de vitamina D no organismo pode estar associada ao desenvolvimento da doença. A pesquisa acompanhou mais de 29 mil mulheres, e as que tinham menor ingestão da vitamina possuíam maior risco de desenvolver o problema nas articulações.

Sintomas

Os primeiros sinais da AR são bastante genéricos. O paciente em estágio inicial do problema tem sintomas poucos específicos, como dor muscular, febre baixa, cansaço e pequenas dores articulares. Como a doença é reincidente, ou seja, tem sintomas que “vão e vem”, é normal que a procura pelo médico acabe demorando meses. O quadro de artrite não é tão agravado neste período, mas o ideal, de qualquer modo, é procurar auxílio de um especialista assim que as primeiras crises ocorrerem.

Logo, é preciso atenção também a outros sintomas iniciais. O paciente com artrite costuma percebem dores nas juntas das mãos e pés, uma vez que essas são as regiões mais afetadas pela condição. Tarefas simples, como girar uma maçaneta ou segurar firmemente um objeto podem se tornam mais trabalhosas que o comum.

Com o avanço do quadro, o indivíduo passa a perceber também mal-estar geral. Há a perda de apetite, perda de peso rápida e não intencional, diminuição da energia do corpo. Os sinais nas articulações são os mais característicos do problema: as juntas se tornam doloridas, quentes, avermelhadas, sensíveis ao movimento e inchadas. Por isso, é igualmente habitual que surjam nódulos avermelhados e duros nas áreas afetadas pela AR.

O problema reumático também danifica outros tecidos que não as articulações. Isso significa que pode haver desgaste da cartilagem, fraqueza dos ossos e músculos e, claro, a deformação nas articulações. A deformação mais conhecida é a que ocorre nos dedos das mãos, conhecida popularmente como “pescoço de cisne”. A característica torna os dedos tortos e envergados para os lados.

Quando a doença ocorre em crianças, é comum que estas sofram febre alta, ou seja, de mais de 39ºC por mais de duas semanas. A fraqueza e a dificuldade de movimentação é também mais perceptível neste público.

AR e sintomas mais graves

Em quadros mais avançados da artrite reumatoide os sintomas se agravam. De forma geral, eles são reflexo de complicações da doença. O indivíduo neste estágio do problema pode apresentar, por exemplo, pequenas manchas avermelhadas ou pretas nas unhas. A característica pode ser um sintoma de que os tecidos dessa região dos dedos não vêm recebendo fornecimento de sangue suficiente. A circulação sanguínea por todo o corpo é fundamental para a manutenção da vida dos tecidos – se ela não acontece, o tecido sofre necrose, ou seja, morre. O problema no fornecimento do sangue normalmente está ligado à inflamação também de pequenos vasos sanguíneos.

Os vasos de sangue dos olhos podem, da mesma forma, sofrer reflexos da AR, principalmente em casos mais graves da doença. A região se torna avermelhada e pode causar dor e outros incômodos.

A artrite reumatoide pode, ao mesmo tempo, provocar o acúmulo de tecido nas articulações, principalmente de pés e mãos. Caso isso ocorra, o indivíduo pode sofrer a compressão de alguns nervos destas regiões, e então surgem sinais como a dormência e o formigamento da área. Nestas situações, é habitual ainda que haja fraqueza e dificuldade de movimentação dos ligamentos afetados.

Numa ocorrência mais rara, os nervos afetados podem se os dos músculos, criando grande chance de incapacidade futura deste tecido. Assim, os sintomas devem ser rapidamente avaliados por um médico, para que o quadro não se agrave.

Finalmente, há a possibilidade de que a AR se manifeste por meio da inflamação de outros órgãos. Inflamação do pulmão ou da membrana que o envolve (pleura), aumento do baço, inflamação da membrana que envolve o coração (pericárdio) e a formação de nódulos sob a pele.

Quando procurar um médico?

Os primeiros sintomas da artrite reumática são pouco específicos, e causam um mal-estar geral. Por isso, é incomum que o indivíduo afetado procure auxílio rapidamente. No entanto, caso os quadros de mal-estar se repitam frequentemente, é importante comparecer ao consultório e descobrir quais as causas dos incômodos.

Quando a doença já está completamente estabelecida, o paciente costuma apresentar sintomas-base do problema. São sete os itens verificados pelo médico, e quando o indivíduo apresenta ao menos 4 num período de seis semanas, é quase certo que haja um quadro de AR acontecendo. Os sinais são os seguintes:

  1. Rigidez matinal das articulações e músculos, o que dificulta a movimentação. O quadro costuma voltar ao normal em até uma hora;
  2. nódulos sob a pele, em áreas já quentes ou doloridas no dia a dia;
  3. artrite das mãos e punhos;
  4. artrite simétrica, ou seja, inflamação nas articulações “gêmeas” do corpo (como os dois joelhos, ou as duas mãos etc.);
  5. artrite em três ou mais regiões do corpo;
  6. o chamado Fator Reumatoide (FR) sérico, que consiste na presença de anticorpos específicos no sangue;
  7. alterações radiológicas, como o desgaste das articulações.

Diagnóstico da artrite reumática

Percebendo seus sintomas, mesmo que os mais simples, o indivíduo deve comparecer ao Clínico Geral ou diretamente ao Reumatologista, especialista nessa área da saúde. No consultório, o médico vai buscar entender o quadro inicialmente por meio da conversa com paciente. Isso significa que é fundamental que o indivíduo saiba descrever seus sintomas.

As perguntas comuns, realizadas ao paciente, são: quais são seus sintomas? Quando eles surgiram? Com que frequência eles aparecem e desaparecem? Quais articulações são afetadas? Que atividades pioram ou melhoram os quadros de dor? Os sintomas vêm interferindo em suas atividades do cotidiano? Você realiza o uso de medicamentos, drogas ou suplementos? Existem casos de artrite em sua família? Você fuma?

Em seguida, são realizados exames clínicos. Neles, o especialista verifica as juntas indicadas pelo paciente e outras próximas, analisando a presença de inchaços ou limitações de movimento destas estruturas. Movimentando as regiões, ele também verifica a presença de dor e de áreas quentes, uma vez que um sintoma comum da inflamação é a ocorrência de aquecimento das articulações. Nódulos e febre baixa são da mesma forma analisados pelo profissional.

Outros exames e análises

No entanto, apenas estes exames não são suficientes para definição concreta da artrite reumatoide. Deste modo, o médico solicita a realização de testes como o de sangue. Num hemograma completo, o especialista investiga características como a presença da anemia, uma ocorrência comum a pacientes com artrite já que as plaquetas aumentam como reflexo da inflamação.

Outro fator analisado é a existência dos anticorpos fator reumatoide (FR) e do anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP). Cerca de 80% dos pacientes com AR apresentam estes anticorpos no sangue, e estas proteínas são as responsáveis por atacar o organismo.

No sangue, pode-se verificar ainda as taxas da Proteína C Reativa (PCR) e da Velocidade de Hemossedimentação (VHS) no sangue. Em alto grau, essas informações indicam a ocorrência de uma inflamação, que pode ser decorrente ou não da artrite.

Depois, o médico realiza exames de imagem, como a ressonância magnética, ultrassonografia e o raio X. Por meio destes, o profissional analisa alterações nos ossos e juntas, como desgaste, descalcificação ou lesões das estruturas. Em etapas mais iniciais da doença, é comum o inchaço dos tecidos móveis.

       

Por último, o paciente pode ter que realizar um exame chamado artrocentese. O teste faz a coleta do líquido sinovial, localizado nas articulações, e analisa sua composição. A presença ou não de alguns elementos no líquido pode ser sinal da doença reumática aqui tratada.

Artrite tem cura?

Quando mais cedo é realizado o diagnóstico da artrite, melhor costuma ser a resposta do corpo ao tratamento da doença. No entanto, a artrite não possui cura. Seu processo terapêutico consiste apenas no controle de evolução da doença e na diminuição da doença. As medidas mantêm a qualidade de vida do paciente e permitem que ele continue a realizar suas atividades cotidianas normalmente.

O tratamento do problema consiste na associação de três ações básicas: mudanças na rotina do indivíduo, fisioterapia e uso de medicamentos. A definição do remédio ideal e atividades programadas leva em conta as articulações atingidas pela inflamação, a intensidade da dor sentida (medida num grau de 0 a 10) e o grau de inchaço das áreas afetadas.

Terapia por medicamentos

O tratamento por remédios mais indicado para pacientes da AR é realizado por meio das chamadas Drogas Modificadoras do Curso da Doença. Estes medicamentos agem no sistema imunológico e impedem a progressão da artrite. Normalmente, os remédios utilizados são sintéticos, ou seja, produzidos por meio de substâncias químicas.

No entanto, caso o indivíduo não apresente boa resposta a esta composição, o especialista pode indicar medicamentos biológicos, produzidos a partir de células vivas. Neste caso, o remédio faz uma espécie de associação aos anticorpos que vem atacando o corpo na inflamação da artrite, e assim anula sua atuação.

Nas diretrizes brasileiras para o tratamento da AR, há ainda a possiblidade de uso do novo medicamento inibidor de JAK. A JAK é uma proteína com grandes reflexos no desenvolvimento da artrite, e quando inibida diminui a evolução do problema. Além disso, os doentes por AR podem fazer o uso de anti-inflamatórios indicados pelo médico, ganhando assim um aliado no combate aos quadros de dor.

Qualquer uso medicamentoso, para o tratamento da artrite ou qualquer doença, deve seguir fielmente as especificações médicas. Isso significa que você, paciente, precisa utilizar o remédio exatamente pelo período estipulado na recente, na dose correta. Do contrário, o problema continuará a evoluir. Por isso, não interrompa o tratamento se houver sinal de melhora: antes de fazê-lo, consulte seu médico!

Cuidado com os movimentos

Logo, associado ao tratamento medicamentoso, é indicado ao paciente realizar atividades físicas. O ideal é que estas atividades sejam acompanhadas por um fisioterapeuta, pois este profissional conhece as limitações e as técnicas ideais para os afetados pela artrite. Os exercícios auxiliam na manutenção da flexibilidade das articulações.

Na fisioterapia, o indivíduo realiza atividades como o alongamento das articulações e o uso de aparelhos de eletroterapia, que usa pulsos elétricos no tratamento da doença. No consultório do fisioterapeuta, o sujeito pode também aprender os cuidados e a melhor forma de realizar atividades como caminhada, natação, hidroginástica e ciclismo, bastante indicadas aos pacientes com este problema reumático.

Já na terapia ocupacional, o paciente coma artrite aprende a manter sua autonomia em atividades do dia a dia. Para isso, o terapeuta ocupacional ensina técnicas de mobilidade das articulações e a adaptação dos espaços e objetos para facilidade de manuseio pelo indivíduo.

Posso fazer uma cirurgia?

Quando os tratamentos anteriores não oferecem o efeito esperado, o reumatologista pode indicar a realização de cirurgia. Um procedimento cirúrgico pode reparar as articulações, corrigir deformidades e reduzir a dor.

Existem quatro tipos de cirurgia possíveis para quadros de artrite reumatoide. O primeiro á a substituição total da articulação, que consiste na retirada das estruturas danificadas e implante de uma articulação artificial ou próteses. Este tipo de procedimento é mais comum no quadril e joelho, uma vez que as articulações são maiores.

Já na chamada sinovectomia, o paciente tem removida o revestimento da articulação desgastada. Esta remoção impede que o ligamento corroa cartilagem e osso, causando problemas maiores. A cirurgia é comum nos joelhos, cotovelos, mãos e quadris. Eventualmente, a membrana retirada, no entanto, pode voltar a crescer e trazer nova artrite.

A artrodese, por outro lado, une dois ou mais ossos, impedindo o movimento das articulações. Isso significa que o membro antes dolorido perde sua capacidade de movimento. Deste modo, a técnica é hoje bem pouco utilizada, uma vez que os reflexos na vida do paciente são bastante grandes e incômodos.

Finalmente, o reumatologista pode indicar a reparação do tendão. O procedimento é ideal quando a inflamação dos ligamentos causa rupturas dos tendões. Neste caso, a recuperação da estrutura permite a recuperação do movimento perdido com o dano.

Como as cirurgias são procedimentos bastante invasivos, elas só são realmente sugeridas quando o caso é mais grave ou os outros tratamentos realmente não ofereceram melhora.

Tratamentos caseiros da AR

Além das terapias indicadas pelo profissional médico, o paciente que sofre de artrite pode associar os métodos a terapias caseiras. Lembre-se: associar! O tratamento realizado apenas por métodos alternativos não tem eficácia suficiente para cuidar sozinho da doença. Além disso, existem poucas evidências científicas quanto à eficácia da terapia caseira, apesar dos doentes relatarem relativa melhora quando aderem aos métodos.

De modo geral, as terapias caseiras incluem o consumo de ervas e alimentos com propriedades anti-inflamatórias, diuréticas e analgésicas. O óleo de peixe, por exemplo, é um suplemente rico em ácidos graxos e pode ajudar na redução da rigidez das articulações e da dor causada pela inflamação. O óleo de plantas como a Borragem e Cassis tem o mesmo efeito. No entanto, ambas as substâncias podem provocar náuseas, gases e diarreias. Por isso, é fundamental cuidado no seu consumo

Chás também são interessantes: de sucupira, erva-doce, bardana e cavalinha. Assim como sucos, de berinjela com limão e de abacaxi, que devem ser tomados diariamente.

Para auxiliar nos efeitos de todos os tratamentos, o paciente precisa também cuidar do seu bem-estar geral. Manter uma alimentação saudável é parte importante do processo, tal qual dormir entre oito e dez horas por dia, de forma confortável. Quando surgem as crises de dor articular, o indivíduo deve ainda evitar grandes esforços do corpo, principalmente com as regiões afetadas pela inflamação.

De qualquer forma, é sempre importante consultar o médico quanto a associar estes métodos aos remédios. Isso porque algumas substâncias, como o óleo de peixe, podem interferir no funcionamento de medicamentos.

Que cuidados tomar?

Além de realizar o tratamento por medicamentos e outras indicações médicas, e aderir a alguns métodos caseiros, o paciente com AR precisa estabelecer cuidados e práticas que facilitarão seu bem-estar.

Citando uma atividade importante, é essencial manter o peso adequado do corpo. Para isso, o indivíduo deve aderir a uma dieta balanceada e rica em nutrientes, e deixar de lado fast foods e comidas gordurosas. Essa ação é necessária porque o peso em excesso coloca sobre os ossos e articulações uma pressão mais, visto que são eles que suportam o indivíduo na posição ereta. A pressão demasiada exige mais destas áreas, e promove seu desgaste mais rápido, intensificando a deterioração já provocada pela artrite.

Da mesma forma, é importante manter o cartão de vacina em dia. Isso significa que o paciente com artrite deve ter cuidado redobrado em realizar sua vacinação adequadamente. A ação garante que o indivíduo mantenha seu sistema imunológico fortalecido. Caso não esteja forte o suficiente, o organismo pode adquirir algumas doenças infecciosas, que por sua vez irão piorar o quadro da artrite.

Entretanto, podem haver ressalvas quanto às vacinas, pois algumas provocam reações adversas quando associadas a medicamentos. Assim, o paciente deve verificar sua imunização em parceria com o médico.

O sistema imunológico é influenciado ainda pelo ciclo do sono: se dorme mal, o paciente fica mais sujeito a doenças. Por isso, é sempre indicado respeitar o período de sono diário de oito a dez horas. Alguns sujeitos sentem dificuldade em dormir, devido aos sintomas da AR, e neste caso devem solicitar ao reumatologista algo que lhe auxilie a descansar.

Convivendo com a artrite

Somada a todas estas medidas, é fundamental fazer adaptações na vida do paciente com artrite reumatoide. Adaptações físicas. Isso quer dizer que o espaço a que o indivíduo está habituado deve ganhar características de segurança, como o corrimão numa escada e pisos antiderrapantes. A AR é causadora de quadros de fraqueza óssea e muscular, e por isso este cuidado é necessário.

Tornar objetos e utensílios mais fáceis de serem utilizados é igualmente relevante. Trocar as torneiras de rosca por outras de pressão, por exemplo, facilita esta atividade para quem já não possui a mesma mobilidade com as mãos. O mesmo para as roupas: peças com muitos botões e faixas tendem a ser muito trabalhosas aos pacientes reumáticos.

Os quadros de dor tendem a aumentar quando o sujeito se mantém muito tempo em repouso ou na mesma posição. É por isso que o incômodo costuma ser mais forte pela manhã. Desta forma, é importante que o indivíduo afetado pela doença se mantenha sempre em movimento, andando ou apenas alongando os membros. O ideal é realizar alongamentos ao menos de uma em uma hora, com cuidado para não aumentar as crises de dor.

Ademais, não é incomum que indivíduos com AR desenvolvam depressão, uma vez que a doença cria novos hábitos, causa dificuldades motoras e dores intensas. Por este motivo, o acompanhamento de um psicólogo é sempre indicado, e pode trazer diversos benefícios para o convívio com a enfermidade.

Já para aliviar as dores, é indicado o uso de compressas quentes ou geladas sobre as articulações inflamadas. O calor tende a melhorar a circulação sanguínea e relaxar os músculos, enquanto o gelo oferece entorpecimento da área dolorida.

Complicações da AR

A artrite reumatoide, se não tratada, pode causar uma série de outros quadros de adoecimento. Algumas das complicações são reflexo da inflamação, que se “espalha” pelo corpo. Outras tornam-se mais frequentes porque a AR diminui a capacidade do sistema imunológico de defender o organismo, deixando-o mais suscetível a problemas.

Um dos órgãos sujeitos a complicações da artrite é o coração. Pessoas com a doença reumática tem maior chance de sofrer ataques cardíacos. Estes pacientes ficam mais propensos também a desenvolver insuficiência cardíaca, problemas nas válvulas do coração e inflamação do pericárdio (membrana que envolve o músculo cardíaco).

O pulmão fica igualmente suscetível a problemas, como uma infecção pulmonar. Neste caso, o indivíduo costuma apresentar insuficiência respiratória e febre. Ao mesmo tempo, manchas roxas na pele sem motivo aparente podem estar relacionadas à diminuição de plaquetas no sangue. As plaquetas são fundamentais para coagulação do sangue me casos de cortes ou hemorragias. Sem elas, um pequeno corte pode sangrar ao ponto de diminuir o fluxo sanguíneo, causar tontura e até a morte por hemorragia.

Até fígado e rins podem ser afetados pela artrite, mas neste caso no momento do tratamento. Alguns medicamentos utilizados para a terapia da doença afetam o funcionamento destes órgãos. Desta forma, o paciente doente deve realizar acompanhamento contínuo da saúde dos rins e fígado, para que ações de cuidado com estes sejam tomadas, se necessário.

Duas doenças também se tornam mais comuns em pacientes com AR. A primeira é o diabetes tipo 2, pois os corticosteroides usados no tratamento do problema podem aumentar o nível de açúcar no sangue de forma considerável. A fibromialgia, por sua vez, atende entre 20 e 3 % dos sujeitos com AR, sem causa aparente. A fibromialgia provoca quadros de dor generalizada, problemas cognitivos, fadiga e pode levar à depressão.

Mais reflexos do problema

Outra situação comum aos pacientes reumáticos é a propensão pela ruptura de tendões. Como estão muito próximos às articulações, os tendões das mãos, das pernas e outros podem também sofrer inflamação. Em casos mais graves eles rompem, e causam grande dificuldade de movimento, já que são os tendões a ligarem os músculos aos ossos e permitirem a movimentação do corpo. A osteoporose pode, da mesma forma, ocorrer como reflexo da inflamação e desgaste articular.

Inclusive olhos e boca podem sofrer reflexos da AR. Na boca, os pacientes reumáticos ficam mais propensos a cáries e a doenças na gengiva. Já os olhos tornam-se mais secos, ficando mais suscetíveis a infecções – como a esclerite, que provoca vermelhidão e dor. Por último, estes sujeitos são mais propensos a desenvolver câncer no sistema linfático.

Prevenção

Como é difícil definir causas externas para a artrite reumatoide, é igualmente difícil encontrar meios para preveni-la. No entanto, manter bons hábitos é fundamental, e pode auxiliar senão na prevenção da doença, na qualidade de vida e diminuição dos reflexos da doença sob o indivíduo. Assim, é interessante ter uma dieta balanceada e rica em frutas, verduras e cereais; realizar atividades físicas periodicamente; não consumir drogas ou mesmo remédios de forma inconsequente; nem fumar.

Artrite reumatoide versus osteoartrite

Não é incomum que as pessoas confundam a artrite reumatoide e a osteoartrite, também chamada de artrose. Afinal, as duas fazem parte do grupo de doenças reumáticas, ou seja, que provocam dor articular, nos músculos ou ossos. Elas também provocam deformações semelhantes, como o entortar dos dedos da mão. No entanto, é fundamental diferencial os problemas.

Primeiro, a AR: a doença é autoimune e tem como característica principal o ataque do próprio organismo às articulações. O problema pode atingi qualquer articulação, e causa inchaço, vermelhidão, rigidez e cansaço do corpo como um todo.

Por outro lado, a OA se desenvolve pelo desgaste da cartilagem que ficam entre as articulações. Este desgaste é natural ao longo dos anos, mas pode ser agravado por quadros de obesidade, já que neste caso as cartilagens são obrigadas a suportar mais do que foram preparadas para.

Além disso, traumas e exercícios mau realizados também podem acelerar este desgaste. Neste caso, o paciente afetado também apresenta dor na articulação, mas não por uma inflamação, mas pelo choque direto da estrutura com o osso – pois a cartilagem deixou de existir. Porém, não há inchaço ou vermelhidão, como a AR, nem mal-estar generalizado do indivíduo.

No laboratório, pesquisas avançam

Inúmeras pesquisas sobre a artrite reumatoide estão em andamento no mundo. Elas buscam entender a origem da doença, perceber quais são seus reflexos e definir formas de tratamento mais eficazes. Até mesmo a prevenção do problema é abordada: estudos recentes sugerem que é possível prever o surgimento da inflamação em até 15 anos! Segundo cientistas, o organismo tem o aumento silencioso de algumas substâncias ao longo dos anos, substâncias estas relacionadas à artrite. Desta forma, os pesquisadores planejam desenvolver remédios a serem utilizados antes dos primeiros sintomas, que poderão diminuir os efeitos da doença quando ela surgir futuramente.

Outro projeto analisa a relação entre a AR e o desequilíbrio da flora intestinal. Algumas bactérias estão presentes em maior quantidade nos indivíduos com artrite, e podem auxiliar no diagnóstico da condição.

Uma vacina que impeça o sistema imunológico de seu “autodestruir” vem sendo desenvolvida por cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália. Com o remédio, o “erro” nas células de defesa seria consertado, evitando o surgimento da doença reumática.

Finalmente, um medicamente chamado o baracitinibe tem sido o centro de outro estudo. Segundo estudos, a substância seria mais eficaz na inibição de uma proteína envolvida no processo de inflamação das articulações. Caso esta eficácia seja comprovada, o remédio trará maior qualidade de vida aos indivíduos em tratamento.

A informação e o auxílio médico são fundamentais para manter a qualidade de vida daqueles que sofrem com a AR. Caso apresente alguns sintomas apresentados neste texto, procure um especialista! Quanto antes um problema é diagnóstico, melhor é a resposta ao tratamento.

       

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