Arritmia Cardíaca – O que é, causas, sintomas e tratamento

Descompasso do coração pode ser sinal de doenças, problemas no órgão e até estresse.

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O coração é o órgão mais importante do corpo humano. Sem um rim, o pedaço de um fígado, com parte do cérebro “danificado”, é possível viver. Sem o coração em pleno funcionamento, não. O órgão é o responsável por levar a todo o organismo o oxigênio e os nutrientes de que ele precisa para realizar suas funções. Faz isso por meio do bombeamento do sangue, num processo cheio de etapas rápidas a cada pulsação. E a cada atividade consegue “calcular” o número de batimentos necessários para aquele momento – o que significa que a oscilação no ritmo de batimentos é algo normal. No entanto, por vezes essa normalidade não é tão correta: o problema pode ser arritmia cardíaca!

O coração trabalha por meio de pulsos elétricos. Os pulsos são controlados pelo chamado nó sinusal, ou nó sinoatrial. O nó é uma espécie de marcapasso natural do corpo, e envia ao coração informações para que ele bombeie o sangue.

Imagine que o coração é uma empresa, e o nó sinusal é o chefe em comando. Para iniciar a atividade, ele envia o pulso elétrico, a ordem que diz “hora de bombear o sangue!”. Essa ordem (os pulsos), então, viaja pelos átrios e os ventrículos, as câmaras do órgão que controlam a entrada e saída de sangue na região cardíaca. Abrindo e se fechando simultaneamente, as válvulas recebem o sangue em seu interior e o “expulsam” logo em seguida, levando-o a outras partes do corpo.

Quando se preocupar?

A harmonia perfeita deste trabalho cria o ritmo cardíaco. Todo este processo, com pulsos e válvulas, ocorre em segundos, e cada vez que ele é completado corresponde a um batimento cardíaco. Logo, um indivíduo saudável apresenta entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm).

Num recém-nascido, esta medição ideal é de 130 a 150 bpm, enquanto para crianças maiores já começa a se aproximar dos valores dos adultos. Em adolescentes com o organismo atlético, uma medição de 50 a 60 BPM pode ser considerada normal. De qualquer modo, a taxa certa varia por indivíduo, e por isso deve haver verificação médica dos valores.

Os valores de BPM variam também de acordo com a atividade realizada pelo sujeito. Quando o corpo está repouso, sentado ou dormindo, o organismo necessita de quantidades menores de nutrientes e oxigênio. Desta forma, o coração passa a trabalhar de forma mais lenta, diminuindo o número de batimentos. Por outro lado, quando a atividade realizada é de alta intensidade, como a prática de esportes, o corpo demanda uma maior porção de oxigênio, e assim a medida de BPM tende a aumentar.

Essa variação é normal. Porém, caso ela seja muito desmedida ou ocorra do nada, sem mudanças de atividade, pode ser um sinal de arritmia cardíaca. Apesar de na maior parte das vezes ser inofensivo, o problema pode trazer questões mais sérias.

O que é arritmia?

Segundo pesquisas, o Brasil tem, por ano, 300 mil casos de morte súbita por doenças cardiovasculares. Deste número, mais de 80% das ocorrências – mais ou menos 250 mil dos falecimentos – ocorre devido a arritmias cardíacas!

Apesar destas informações, a maioria dos casos de arritmia é considerada benigna e inofensiva. Essa aparente contradição ocorre porque são diversos os tipos de arritmia existentes, e qualquer alteração no ritmo cardíaco é chamada arritmia. As situações ocorrem quando o nó sinoatrial começa a operar de forma “desregulada”, e os impulsos elétricos provocam batimentos lentos demais (causando bradicardia), rápidos demais (taquicardia) ou completamente irregulares.

Os efeitos de uma alteração nos batimentos podem ser imperceptíveis. Em outros casos, entretanto, os sujeitos afetados podem sentir falta de ar, tontura, dor de cabeça e mal-estar generalizado. Nestas situações, a arritmia merece uma avaliação médica.

Tipos de arritmia: taquicardia atrial

A arritmia taquicardíaca é caracterizada pela medição de mais de 100 bpm (batimentos por minuto) do coração de um indivíduo. Ela possui diversas classificações, e pode ter origem em diferentes partes do órgão cardíaco.

A taquicardia mais frequente na população é chamada sinusal. Ela ocorre devido a fatores fisiológicos, como a ansiedade, a anemia e o consumo de álcool. Assim como pela insuficiência cardíaca e a nicotina. Em geral, o tempo do coração volta ao normal rapidamente, sendo a taquicardíaca apenas um episódio rápido. No entanto, caso haja recorrência da condição, o problema pode ser pouco mais grave.

Outras taquicardias comuns são as atriais. Elas se originam na parte superior do coração, chamadas átrios, ou no nó atrioventricular, localizado entre os átrios e a parte inferior do órgão, os ventrículos. Desta definição, surgem subdivisões. A taquicardia atrial, por exemplo, cria um ritmo rápido do coração vindo apenas da origem atrial. O problema está relacionado a fatores como o hipertireoidismo e a bronquite.

A fibrilação atrial, por sua vez, é resultado de impulsos elétricos extras gerados no átrio. Em corações saudáveis estes pulsos se originam no nó sinusal, mas aqui eles surgem na região atrial. Como os impulsos são os responsáveis pelos batimentos cardíacos, a informação em excesso cria um descompasso e aceleração do bombeamento do sangue. Este é o tipo mais comum de arritmia grave, e ocorre frequentemente em indivíduos idosos. Por vezes, a contagem de BPM chega a 300!

Já a chamada flutter atrial mantém uma frequência cardíaca regular, mas acima do adequado. Normalmente há cerca de 150 batimentos por minuto, mas o ideal é que um coração pulse por no máximo 100 vezes em sessenta segundos. Geralmente, este tipo de arritmia está associado a doença pulmonar ou algum problema cardíaco crônico.

Tipos de arritmia: taquicardia ventricular

O ritmo mais rápido do coração também pode surgir nos ventrículos, que compõem a parte inferior do órgão cardíaco. Neste caso, a taquicardíaca é ventricular. Desta classe, a primeira que podemos citar é a extra-sístole ventricular, causada por um impulso elétrico extra originado no ventrículo.

Isso quer dizer que, além do impulso do nó sinoatrial, o coração atende à uma informação formada no ventrículo, o que aumenta o número de batimentos. Quando isso acontece, logo após o batimento acelerado, costuma ocorrer uma pausa em relação ao próximo batimento – o coração “para” por um curto tempo, de modo a compensar a irregularidade anterior.

Na taquicardia supraventricular paroxística, o batimento é mais semelhante a uma palpitação rápida. Ou seja, o pulso que aumenta o número de BPM começa subitamente e termina da mesma forma, como se o coração desse uma série de “pulinhos” rápidos e voltasse ao seu ritmo comum em poucos segundos. As ocorrências geralmente acontecem em pessoas jovens ou com doenças cardíacas. Aqui, a condição pode ser não sustentada (dura menos de 30 segundos), ou sustentada (por mais de 30 segundos).

Finalmente, existe a fibrilação ventricular. Nela, há uma enorme desorganização dos impulsos do ventrículo, pois essa área do coração acelera muito seu funcionamento e acaba por não bombear o sangue pelo corpo. Ou seja, ele não realiza efetivamente o batimento cardíaco. Como o órgão precisa de suas duas estruturas principais (átrios e ventrículos) para se manter em atividade, a fibrilação ventricular pode levar à morte súbita.

Tipos de arritmia: taquicardia átrio-ventrículo

Além das taquicardias originadas separadamente em átrios e ventrículos, existem as que são reflexo de desordem nas duas áreas do coração. Uma delas é a taquicardia por via acessória, conhecida também como síndrome de Wolff-Parkinson-White. Esta arritmia ocorre devido a uma via elétrica extra presente no indivíduo desde seu nascimento. A via conecta átrio e ventrículo, fazendo com que o impulso para o batimento passe de forma mais rápida da parte superior à inferior do coração. O resultado é um ritmo mais rápido de batimentos.

A segunda taquicardia deste tipo é nomeada “por reentrada nodal (TRN)”. Assim como na primeira desta categoria, ela possui uma via elétrica extra, só que dessa vez apenas próxima à conexão entre átrio-ventrículo. Neste caso, o impulso elétrico acaba se movendo em círculo e passa por áreas que já passou antes, num processo vai e volta dentro de uma das regiões do coração. Com o processo, o mesmo pulso enviado pelo nó sinoatrial provoca mais de um batimento, tornando o ritmo do órgão bastante acelerado.

Tipos de arritmia: bradicardias

Quando o coração perde o ritmo e seus batimentos se tornam mais lentos, a arritmia é conhecida como bradiarritmias. Neste caso, a frequência cardíaca de um indivíduo fica abaixo dos 60 batimentos por minuto.

São três os tipos básicos da bradiarritmia. As classificações variam de acordo com o local de bloqueio ou atraso do pulso elétrico que comanda o bombeamento do sangue. Deste modo, se o bloqueio ocorre no nó sinusal, o problema é nomeado como disfunção do nódulo sinusal. Na bradicardia, o comando de bombeamento não chega ao coração com eficácia e rapidez comum, por isso o órgão demora mais a perceber a mensagem e a bater.

Os bloqueios podem ocorrer ainda no nó atrioventricular, que liga átrio e ventrículo. Ou ainda no lado direito ou esquerdo do coração, prejudicando a inda ou vinda do sangue do corpo.

Outra categorização do problema refere-se a graus de bloqueio. No primeiro grau de bradicardia há um atraso na condução do pulso elétrico pelo coração. No segundo grau, alguns impulsos são produzidos, enquanto outros ficam bloqueados. Finalmente, no terceiro, qualquer impulso é bloqueado e o coração não recebe o comando de bater – por isso, o terceiro grau é mais grave e muitas vezes exige a instalação de um marcapasso no coração.

Causas

A arritmia é provocada pelo mau funcionamento dos impulsos elétricos que comandam os batimentos cardíacos. Este mau funcionamento, na maior parte das vezes, está relacionado a doenças cardíacas. Por isso, é comum que pacientes com insuficiência cardíaca, artérias bloqueadas no coração, alterações na estrutura do órgão (como a cardiopatia), ataque cardíaco ou cicatrização após um infarto sofram quadros de arritmia.

No entanto, não apenas doenças cardíacas podem levar ao desenvolvimento da arritmia. Problemas com a anemia, diabetes, doenças de chagas, hipertensão e hipertireoidismo também podem ter reflexos na frequência da pulsação.

Além disso, o descompasso dos batimentos tem características hereditárias. Desta forma, é bastante comum que indivíduos com casos de arritmia na família, como nos pais, avós ou tios, estejam mais propensos ao desenvolvimento da condição.

Por último, alguns medicamentos podem provocar o desequilíbrio da pulsação. Neste caso, quando o problema aparece, é fundamental reportá-lo ao médico. Assim, o especialista poderá verificar todos os efeitos do remédio e, quem sabe, indicar outro para o tratamento em andamento.

Fatores de risco

Além dos fatores causais já citados, há condições e problemas que predispõem o paciente ao desenvolvimento da arritmia cardíaca. Isso significa que a prevalência do problema é muito mais comum, por exemplo, entre pessoas que sofrem de apneia do sono. A condição interrompe a respiração durante o sono, e diminui o recebimento de oxigênio pelo coração. Em consequência, o ritmo de batimentos muda.

A idade da mesma forma contribui para o desenvolvimento da taquicardia ou bradicardia. Pessoas mais velhas são mais propensas a desenvolver a condição. Assim como quem faz o uso exagerado do álcool, pois essa substância afeta os impulsos elétricos que comandam o órgão cardíaco. O uso de drogas ilegais tem o mesmo efeito sobre os pulsos, desregulando-os.

Pacientes com diabetes não controlada tem igual chance de arritmia, tal qual indivíduos que possuem variação para mais ou para menos da presença de eletrólitos. Já a obesidade aumenta o risco de hipertensão arterial, e esta por sua vez é causa comum do pulsar desregulado do peito.

O excesso do uso de nicotina (presente principalmente nos cigarros) e do consumo de cafeína são igualmente perigosos ao corpo. As substâncias têm o poder de aumentar a frequência cardíaca, e ao longo do tempo podem criar arritmia grave.

E claro, há alguns dos fatores de risco mais habituais: o estresse e a ansiedade. Esses mal-estares normalmente levam à sensação de falta de ar e taquicardia, sensações que desaparecem após o passar das crises no quadro psicológico.

Sintomas

A arritmia é, em grande parte dos casos, um problema benigno. Isso quer dizer que ela ocorre mas não oferece nenhum risco maior, ou mesmo sintomas, ao indivíduo. No entanto, se a condição for recorrente, isso pode indicar que algo mais sério tem relação com a oscilação da pulsação. Neste caso, a arritmia causa sintomas, que de forma geral provocam mal-estar pela falta de oxigênio no corpo.

Deste modo, os sintomas comuns aos pacientes com arritmia são a palpitação ou batimentos muito acelerados ou lentos. É habitual também a palidez, a falta de ar, tontura, fadiga, dor no peito, suor excessivo e visão turva. A sensação de desmaio, ou o desmaio propriamente dito, ainda pode acontecer, tal qual a sensação de nó na garganta.

Além destes, o sujeito com arritmia tende a perceber quadros de dor de cabeça. Ela merece atenção quando é recorrente e, principalmente, se vier acompanhada da mudança de ritmo de batimentos.

No caso da fibrilação ventricular, que é a arritmia provocada pela desorganização dos pulsos elétricos no ventrículo, há ainda sinais específicos. Como é bastante grave, os sintomas seguem esta mesma característica, e incluem a perda de pulso imediato e perda de consciência. Caso não seja prontamente tratado, o indivíduo fica sujeito à morte súbita. Ou seja, a fibrilação ventricular é uma urgência médica.

Quando procurar um médico?

Como explicado até aqui, os quadros de arritmia nem sempre são grandes problemas. Eles ocorrem por algum desequilíbrio emocional ou reflexo da movimentação do corpo, e logo passam. No entanto, quando a condição persiste, é preciso ter atenção: pode ser necessário procurar ajuda médica!

Deste modo, é indicado procurar um profissional da Saúde quando a palpitação ocorrer várias vezes na mesma semana. Se o ritmo se mostrar também muito diferente do comum, mesmo que o comum sejam as palpitações, pode ser um sinal de alerta. É importante ressaltar que a visita ao médico deve ser realizada tanto por pacientes com suspeita do problema, quanto por aqueles que já estão em fase de tratamento. A mudança no pulso é sempre ponto de atenção.

Os sintomas de tontura, desmaio e perda da noção de espaço são igualmente importantes. Caso você sinta também dor de cabeça frequente, sudorese e dor no peito, é fundamental procurar o serviço de Saúde.

Marcar o número de batimentos por minuto também pode ser útil a esta decisão: caso eles fiquem abaixo de 60 bpm, ou muito superiores a 100 bpm, redobre a atenção. Se você ainda apresenta fatores de risco, como o diabetes, hipertensão ou colesterol alto, tenha completa consciência de que a mudança no ritmo cardíaco é ainda mais perigosa.

Diagnóstico da arritmia

Para o diagnóstico da condição, o primeiro passo é a conversa com o médico. Por meio do bate-papo, o especialista busca compreender os sintomas e a situação do paciente. Assim, ele vai realizar algumas perguntas, como: quais são os seus sintomas? Como seu ritmo cardíaco está diferente: seu coração palpita, bate muito rápido ou muito devagar? Há alguma ação que melhore ou piore a sensação de arritmia? Quando as crises ocorrem? Você realiza atividades físicas regularmente? Você mantém uma alimentação balanceada? Como andam suas condições psicológicas – você tem passado por ansiedade ou estresse? Há casos de arritmia na sua família?

Em seguida, vem o exame físico. Nele, o médico verifica sua frequência cardíaca, mede a pressão arterial, a temperatura do corpo e a frequência respiratória. Além disso, caso ocorra arritmia cardíaca durante a consulta, o profissional pode verificar mais precisamente o caráter do desequilíbrio.

Examinando os batimentos cardíacos

Após estas etapas, vem o estágio fundamental para a definição correta da doença: a realização de testes e exames. Os mais comuns, e normalmente solicitados para o diagnóstico de qualquer enfermidade, são os exames de urina e sangue. Os testes laboratoriais permitem verificar o nível de substâncias no corpo, como o hormônio tireóideo e o potássio. Quando estão em níveis anormais, componentes deste tipo podem favorecer o surgimento das oscilações de batimentos.

Já o eletrocardiograma é realizado por meio da instalação de pequenos eletrodos nos braços, pernas e peito. Estes eletrodos mapeiam a atividade elétrica do coração do indivíduo, e assim podem mostrar ao médico a natureza das pulsações e suas variações.

A desvantagem do eletrocardiograma é que ele apenas mapeia as arritmias durante o período de realização do teste – cerca de dez minutos. Por isso, ele nem sempre é completamente eficaz. Para suprir esta incapacidade então, o paciente pode precisar usar um Holter 24h. O pequeno aparelho instala eletrodos no peito do indivíduo, eletrodos estes que conseguem ser facilmente escondidos sobre a roupa.

Deste modo, o sujeito permanece com o dispositivo por pelo menos 24 horas ininterruptas, e o aparelho registra em seu sistema cada batimento cardíaco realizado. Ao fim do exame, o médico terá em mãos um mapeamento completo da atividade do coração, e assim terá maior facilidade em perceber as variações.

Semelhante a um Holter 24h, há o Loop Event Recorder. O dispositivo monitora os sinais elétricos por um tempo maior, assim como o primeiro aparelho. No entanto, o paciente precisa acionar o dispositivo sempre que sente os sintomas do descompasso, e então apenas estes dados ficam registrados para análise.

Outros testes no coração

Como a percepção completa do ritmo cardíaco é fundamental ao diagnóstico da arritmia, existem diversos outros testes com este fim. Citando o ecocardiograma, o médico especialista avalia o órgão por meio de ondas sonoras. Neste caso, os resultados apresentam a visualização completa do tamanho do coração e do seu funcionamento.

       

Em casos mais difíceis de se diagnosticar, o profissional pode indicar o cateterismo cardíaco. O cateterismo funciona por meio da inserção de finos tubos nos vasos sanguíneos dos braços, pescoço e virilha do paciente. Inseridos nestas áreas, os tubos são guiados até o coração. Em seguida, eles permitem avaliar o desemprenho das válvulas cardíacas (átrios e ventrículos), das artérias coronárias e do músculo cardíaco. Para facilitar a visualização, o médico injeta o chamado contraste iodado nos cateteres, melhorando a visualização da imagem num monitor.

Exames complementares ao diagnóstico

Dois outros sinais podem ser verificados por meio de exames de diagnóstico da arritmia cardíaca. O primeiro é o chamado teste de inclinação, ou tilt test. Ele monitora a frequência cardíaca e a pressão arterial colocando o corpo do paciente em diferentes posições. O teste é importante para aqueles que sentem tontura e desmaios, e auxilia o médico a definir remédios para o combate desde sintoma.

No teste de estresse, a capacidade do coração ao realizar esforços é analisada. Correndo numa esteira, o indivíduo tem a frequência cardíaca monitorada. O exame da mesma forma auxilia em definir o medicamento ideal para tratamento.

Tratamento medicamentoso

A arritmia cardíaca é uma condição que tem cura, e pode ou não exigir um tratamento específico. Isso significa que os batimentos descompassados podem não ser corriqueiros, não provocando nenhum mal-estar associado. Quando este é o caso, costuma ser comum que o compasso do coração volte logo ao normal, sozinho.

Porém, quando há sintomas associados e a recorrência da arritmia, o tratamento precisa ser indicado por um médico. Após o correto diagnóstico, o especialista poderá indicar a terapia mais eficaz à situação do indivíduo. Entre elas, há a possibilidade do uso medicamentoso.

A maioria dos remédios utilizados na terapia contra a arritmia são chamados de antiarrítmicos. Eles têm como função principal controlar o número de batimentos por minuto do coração, colocando-os entre 60 e 100. A taxa é a ideal para indivíduos adultos.

Os medicamentos considerados mais eficazes são aqueles que conseguem diminuir o ritmo, ou seja, os utilizados para cura da taquicardia. Para o tratamento da bradicardia, por outro lado, seria necessário aumentar o número de BPM. Neste caso, outros métodos são mais interessantes de serem usados, como o marcapasso, que será explicado logo mais.

Os remédios para taquicardia possuem betabloqueadores, e tem o poder de retardar a frequência cardíaca e de diminuir a pressão arterial. Eles também possuem bloqueadores dos canais de cálcio e relaxam os vasos sanguíneos, melhorando a circulação sanguínea. Outros ainda funcionam como anticoagulantes, e diluem o sangue. Assim, podem ser indicados medicamentos como o Coumadin, a Aspirina, Digoxina, Verapamil, Dofetilida e Disopiramida.

Não se automedique!

Para o uso medicamentoso, é fundamental seguir as recomendações médicas. Isso quer dizer que o indivíduo precisa seguir a prescrição corretamente, ingerir os remédios nos horários e quantidades que foram indicadas. Além disso, precisa também manter a utilização dos compostos pelo período prescrito – não é porque os sintomas desapareceram que o problema foi curado.

Fundamental também nunca se automedicar. Isso vale tanto para o consumo de remédios para a arritmia em si, quanto para outros. Algumas substâncias, quando associadas, podem acabar por ter efeitos colaterais. Por isso, sempre que for utilizar outro remédio, procure orientação médica. Mesmo que seja para algo simples como um antigripal. Ervas, vitaminas e suplementos também podem interferir no funcionamento dos compostos contra a arritmia e no bem-estar organismo.

O uso dos antiarrítmicos pode do mesmo modo trazer efeitos colaterais. Normalmente, eles incluem tontura e uma sensação de enjoo. Se isso ocorrer, é importante tomar um tempo de repouso, sentado ou deitado. Alguns minutos devem eliminar a sensação de mal-estar.

Além de ser um problema “isolado”, a arritmia cardíaca pode ser um reflexo de problemas emocionais, como já explicado. Isso significa que momentos de estresse, ou então ansiedade ou tristeza, podem afetar o coração e fazê-lo bater num ritmo diferente. Desta forma, controlar os fatores fisiológicos que provocam o descompasso é igualmente uma forma de tratamento.

Terapia com dispositivos implantáveis

Se o problema arrítmico não é bem tratado pelo uso de remédios, ou se é um pouco mais grave, a terapia ideal pode ser o uso de dispositivos implantáveis. A opção é sempre bem avaliada pelo médico antes da utilização, e por isso não há riscos ou grande mudanças no cotidiano pelo seu uso. Quando a arritmia é uma bradicardia, este é o tratamento mais comum.

Neste método, o dispositivo mais conhecido é o chamado marcapasso cardíaco. O pequeno aparelho é inserido sob a pele do tórax ou do abdômen por meio de um simples procedimento cirúrgico. Ele funciona por meio de sensores, que conseguem detectar a atividade elétrica do órgão cardíaco. Quando o coração começa a bater descompassado, o aparelho envia um pulso elétrico para o órgão, e assim induz os batimentos normais. O marcapasso é geralmente utilizado no tratamento da bradicardia, e menos comumente na terapia da taquicardia.

Outro dispositivo utilizado neste tipo de tratamento é o Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI). Ele é mais utilizado em casos de arritmias graves, que oferecem risco de morte ao paciente. Ou seja, principalmente na fibrilação e taquicardia ventricular.

O CDI é bastante semelhante a um marcapasso. Ele monitora o pulso cardíaco e, quando este sai do ritmo, envia choques elétricos que colocam os batimentos “de volta nos eixos”. Porém, o indivíduo costuma perceber este “choque”, mais forte que no marcapasso.  Outra diferença é que o CDI funciona como um desfibrilador – se houver a parada completa do coração, ele possui a capacidade de incitá-lo a voltar a bater. Na maioria dos casos, remédios são usados em associação ao tratamento pelo CDI.

Marcapasso e CDI: cuidados especiais

Os portadores de dispositivos implantáveis podem manter seu cotidiano na maior parte das situações. No entanto, alguns equipamentos com campos magnéticos ou elétricos muito fortes são capazes de interferir no funcionamento dos dispositivos. Deste modo, é necessária atenção.

Desfibriladores externos portáteis podem interferir nos marcapassos ou CDI, assim como equipamentos de ressonância magnética. Colocar um aparelho celular diretamente sobre o apetrecho também pode causar problemas.

Os efeitos possíveis são uma disfunção temporária, interrupção do funcionamento dos dispositivos, ou então uma modificação de sua bateria. De qualquer modo, uma conversa com o médico e o acompanhamento de suas recomendações normalmente são suficientes para a boa manutenção do aparelho e da saúde do paciente.

Outros métodos de tratamento

Se os dois métodos anteriores não forem indicados ao indivíduo ou não surtirem efeito, uma opção é a chamada cardioversão. Uma cardioversão é um procedimento realizado por meio de um choque no tórax. Com o paciente sedado, o médico realiza a aplicação, e essa possui a capacidade de afetar os impulsos elétricos do coração. O resultado é a recuperação do ritmo normal cardíaco.

Já a ablação por cateter é utilizada para eliminar as áreas doentes do órgão cardíaco. Para isso, cateteres são inseridos no corpo e direcionados até o coração, e por meio do frio (com energias de crioablação) ou do calor (radiofrequência), pequenas porções do tecido cardíaco são destruídas. As porções destruídas são as responsáveis pelos quadros de arritmia.

Cirurgias

Finalmente, existe como alternativa para cura da arritmia o uso de procedimentos cirúrgicos. De forma geral, a cirurgia é recomendada como última opção, por ser invasiva e demandar maior tempo de recuperação.

Dentre os procedimentos, os mais utilizados são o que possuem menor grau de agressividade. São dois os possíveis: o procedimento do labirinto e a cirurgia de bypass, ou grampeamento. No primeiro, o indivíduo recebe incisões no tecido cardíaco, ou seja, pequenos cortes. Estes, então, interrompem a propagação dos pulsos elétricos descompassados.

A cirurgia de bypass, por sua vez, é indicada para pacientes com doença arterial coronária, e em que a arritmia é reflexo desta doença. O procedimento cria uma “ponte” para a passagem do sangue, permitindo que ele circule desconsiderando alguma artéria bloqueada.

Para pacientes com fibrilação arterial, a cirurgia indicada é a chamada terapia híbrida. Nela, são realizadas tanto a cirurgia robótica, quanto a ablação por cateter.

A melhora no dia a dia

Para a cura da arritmia cardíaca é possível ainda adotar alguns métodos caseiros. Estes métodos devem sempre ser associados ao indicado pelo médico, e não utilizados sozinhos. Do contrário, o tratamento do problema cardíaco não será tão eficaz. Por isso, não dispense a visita e diagnóstico de um especialista.

Para auxiliar, então, na terapia do problema, é interessante primeiro adotar uma dieta balanceada. A arritmia está diretamente ligada a quadros de obesidade e pressão alta, por exemplo, e manter a alimentação em dia elimina diversos fatores de risco. Além disso, uma dieta rica em frutas, verduras e cereais fortalece o corpo, melhorando sua saúde.

Fazer atividades físicas é igualmente importante. Para muitas pessoas, esta medida poderia aumentar a arritmia, mas não é este o caso. Quando o corpo se exercita, cria melhores condições de respiração e se fortalece, o que ajuda em todas as áreas. No entanto, é fundamental escolher o esporte ideal com o auxílio de um médico. Dependendo do quadro de arritmia, atividades rápidas demais podem sim fazer o seu caso piorar.

Tratamentos caseiros

Também é necessário eliminar maus hábitos. Primeiro, limite o consumo de álcool diário – o ideal é consumir, no máximo, uma dose da bebida por dia. Limite também o consumo da cafeína, pois o composto, presente principalmente no café, é um conhecido estimulante ao coração. Isto é, o uso exagerado facilmente pode modificar o ritmo de batimentos. O fumo é da mesma forma problemático, e piora a saúde: busque eliminar a nicotina do seu dia a dia!

Na dieta, é interessante incluir ainda o consumo de algumas ervas, por meio de chás, principalmente. Elas podem também ser inseridas como temperos da alimentação. As alternativas mais eficazes são alecrim, erva cidreira ou cominho, agripalma, espinheiro-branco flor-de-adônis, chá verde, alcachofra, erva de bugre e hortelã. Assim como o lírio-dos-vales, cebola-albarrã, visco, erva cidreira, cominho, folhas de oliveira, mangabeira, valeriana e zimbro. As ervas costumam ter o poder de regular os batimentos cardíacos.

Independentemente do método caseiro escolhido, é fundamental informar a decisão ao médico. Mesmo que parece apenas benéficos, chás e outros métodos de consumo de produtos naturais podem interferir fortemente nos outros tipos de tratamento indicados, principalmente o de remédios. Isso significa, por exemplo, que o uso desmedido de uma erva pode anular o efeito do medicamento prescrito. Assim, sempre pondere com o cardiologista suas opções e associações que podem melhorar o processo de cura da arritmia.

Complicações possíveis

Caso a arritmia não seja tratada, ela pode “evoluir” e levar a problemas mais graves ao organismo. Todos eles causam intenso mal-estar. Há, por exemplo, a angina, uma dor intensa no peito que provoca fadiga de todo corpo, falta de ar e até desmaios.

Quem possui arritmia cardíaca também tem maior chance de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Este risco ocorre porque a arritmia pode desenvolver coágulos sanguíneos. Se estes coágulos se rompem, eles podem chegar ao cérebro. Eles então bloqueiam o fluxo sanguíneo no órgão e impedem que ele receba a quantidade de oxigênio necessária para seu funcionamento pleno. Um AVC pode ter como sequelas a paralisia de movimentos dos músculos, dificuldade em engolir, perda de memória e problemas emocionais.

A hidrocefalia, que aumenta o líquido cefalorraquidiano no cérebro, também pode ocorrer. Neste caso, há ocorrência de náuseas, dor de cabeça e perda do equilíbrio. Outra consequência possível é a trombose.

Outra complicação possível de ocorrer devido à arritmia é a insuficiência cardíaca. Aqui, o bombeamento descompassado do coração provoca a má circulação do sangue por todo o corpo. Logo, todas as funções do organismo ficam prejudicadas, interferindo na qualidade de vida do indivíduo. A insuficiência cardíaca também provoca fadiga, tosse e fraqueza.

O ataque cardíaco é igualmente comum em casos de taquicardia ou bradicardia não tratada. Chamado também de infarto do miocárdio, o problema é provocado pela insuficiência da circulação do sangue pelo organismo. Há chance de falecimento quando um ataque cardíaco ocorre.

O maior perigo

Dentre todas as complicações, no entanto, a mais preocupante é a possibilidade de morte súbita. Ela ocorre devido ao comprometimento da função cardíaca do paciente, e é uma das consequências comuns da fibrilação ventricular. Este tipo de arritmia é caracterizado principalmente pelo estremecimento do coração: ao invés de bombear o sangue, pulsando, o órgão treme inutilmente e não consegue circular o sangue pelo corpo. As demais categorias de arritmia têm tratamento mais “fácil”, por isso não oferecem grande perigo de morte súbita.

Em poucos segundos, o indivíduo com fibrilação ventricular pode entrar em colapso. Os sintomas também são bastante rápidos, como a dor no peito, queda da pressão arterial, palpitações, falta de ar e náusea. Há a perda da consciência por desmaio, e caso o indivíduo não seja socorrido, pode parar de respirar.

Por isso, caso alguém desmaie do seu lado, é fundamental seguir um passo a passo. Primeiro, ligar para o serviço de emergência, pelo número do 192 (ambulância) ou 193 (bombeiros). Com auxílio do atendimento por telefone, ou se você possui treinamento, você deverá realizar procedimento de Ressuscitação Cardiopulmonar (CPR). Isso significa realizar compressões ininterruptas no tórax do indivíduo, empurrando com força e rapidez o abdômen, posicionando uma mão sobre a outra.

Caso haja alguém capacitado por perto, pode ser interessante também utilizar um desfibrilador para reanimação. De qualquer forma, sempre acione o serviço de emergência de sua cidade, o mais rapidamente possível.

Prevenção

Para a prevenção da arritmia cardíaca, voltamos a métodos semelhantes aos tratamentos caseiros. Isso significa, por exemplo, que é fundamental ao indivíduo manter a boa prática de atividades físicas, sempre acompanhado pelo médico especialista. A prática de esportes traz inúmeros benefícios ao organismo, incluindo a precaução contra a arritmia.

Do mesmo modo, é importante também manter a dieta equilibrada, com a baixa ingestão de açucares, gorduras e sal. Assim, para cuidar do órgão cardíaco, controle também seu peso, a pressão arterial e os níveis de colesterol.

Fazer a ingestão excessiva de álcool, de cafeína ou fumar, por outro lado, são ações que precisam terminantemente ser eliminadas do dia a dia do sujeito que deseja manter o coração saudável. Todas estas substâncias tendem a suscitar o coração a bater mais forte, principalmente pela liberação da adrenalina.

O check-up rotineiro com um cardiologista pode ser da mesma maneira eficaz: já na idade adulta, procure o especialista a cada ano, se você possuir histórico de doenças cardíacas na família. Caso não haja incidência familiar, este período pode ser maior, e até mesmo realizada com um clínico geral. Apenas solicite que o médico verifique o funcionamento do seu coração.

Obviamente, se surgirem sintomas de problemas, como a mudança no ritmo e a falta de ar ou dor de cabeça, não hesite em procurar um médico. Isso pode diagnosticar um problema precocemente e precaver situações mais preocupantes.

Atenção ao seu coração!

Adotar a prática de exercícios relaxantes é outro meio eficaz de se precaver. Entre estes, existem opções como o Yoga, a meditação ou o Tai Chi. Até mesmo o Pilates, que requer certo nível de concentração, pode ser bastante eficaz. Ele e o Yoga, aliás, servem também como atividade física, e assim é possível cuidar do corpo de duas formas. Com o organismo mais relaxado, o coração tende a trabalhar melhor.

Caso surja uma crise de arritmia, principalmente de taquicardíaca, uma dica é respirar. Claro, você já estará respirando – estamos falando de respirar calma e pausadamente. Concentre-se por alguns minutos apenas em sua respiração, inspire e expire profundamente. Após alguns momentos, você provavelmente irá perceber que seu coração voltou a bater num ritmo melhor.

Essa técnica é útil principalmente quando a arritmia é causada por algo fisiológico, como o estresse ou a ansiedade. De qualquer modo, caso os descompassos do coração se tornem recorrentes, o problema pode ser maior, e deve ser avaliado por um especialista.

Por último, preze por uma boa noite de sono. Problemas ao dormir, principalmente a apneia do sono, aumentam os riscos de arritmia. Por isso, se você possui alguma dificuldade para dormir, escolha consumir alguns alimentos calmantes durante a noite, como o maracujá.

Evitar o uso do celular ou outros aparelhos eletrônicos na cama é também fundamental, pois a luz dos dispositivos “engana” o organismo, fazendo-o acreditar que ainda não é o momento de descansar. Caso essas ações simples não resolvam, procure um médico. O tratamento adequado para sua noite de sono pode evitar a ocorrência de arritmias.

Quando o assunto é arritmia cardíaca, a palavra de ordem é ATENÇÃO. Não ignore o descompasso recorrente do coração. Ele pode ser sinal de problemas maiores, ou causar problemas maiores no futuro.

       

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