Apendicite – Entenda o que é, causas e sintomas comuns

Dor no abdômen associada à febre merece atenção rápida do médico.

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Você provavelmente já ouviu alguém narrar a dor insuportável que sentiu ao ter o apêndice inflamado. Ou então, você é a pessoa que já sofreu com o problema. Chamada apendicite, esta inflamação atinge aproximadamente 10% da população brasileira, que em algum momento da vida acaba por ter que retirar o órgão.

Mas o que exatamente você sabe sobre a apendicite? Conhece os sintomas da doença? E sua prevenção? Descubra tudo sobre a doença logo mais!

Apêndice: só serve para dar apendicite?

O intestino delgado é um componente importante do sistema digestivo. O órgão é responsável pela absorção dos nutrientes e minerais dos alimentos, e é ele quem liga o estômago o intestino grosso. Partindo do intestino delgado, os resíduos são transformados em fezes e eliminados pelo organismo

O intestino delgado é constituído por quatro partes fundamentais: o duodeno, o jejuno, o íleo e o apêndice. O apêndice é considerado uma bomba relógio: de acordo com a sabedoria popular, a única função da estrutura e provocar a apendicite! Só que não é bem assim.

Estudos sugerem importância do órgão

O apêndice é um órgão bastante pequeno, que fica localizado na parte inferior direita do abdômen. Ele tem tamanho médio de oito centímetros em indivíduos adultos, e é “colado” ao fim do intestino delgado e início do intestino grosso.

Apenas os seres humanos e os macacos possuem um apêndice. Para os cientistas, o órgão é um resíduo evolutivo, que não mais deveria existir. Ele, aliás, não esteve presente em épocas passadas, em períodos diferentes de evolução do seres humanos.

Então, por que ainda contamos com este órgão? Primeiro porque, apesar de não ser essencial à sobrevivência do corpo, a estrutura auxilia na defesa do organismo. Isso porque o apêndice concentra grande quantidade de linfócitos, os glóbulos brancos, que defendem o corpo de infecções.

Segundo um estudo de 2012, por exemplo, indivíduos sem o apêndice estão mais suscetíveis à colite. A infecção é bacteriana, acontece no cólon, e provoca febre, diarreia, náuseas e dor abdominal. Os dados são da Scientific American, e mostraram que, dos pacientes estudados, a ocorrência de colite ficou em 11% entre os que ainda tinham o apêndice, e em 48% dos que não o possuíam mais.

Outras pesquisas sugerem que o órgão é parte importante para a digestão dos alimentos. Afinal, há bactérias “amigáveis” em seu interior, eficazes a este propósito. Ele também produz a amilase, enzima que ajuda na digestão do amido.

Todas as informações, apesar de ainda preliminares, pois os estudos continuam em andamento, indicam que o apêndice pode não ser essencial, mas traz sim benefícios ao corpo.

Como ocorre a apendicite?

Assim como as funções do apêndice ainda são pouco claras, os fatores que levam à sua inflamação são sempre discutíveis. Os especialistas, entretanto, conseguem definir a causa da apendicite: a obstrução do órgão.

Desta forma, a apendicite ocorre quando o algum corpo obstrui o apêndice. De forma geral, o fechamento deste canal acontece devido a fezes endurecidas ou então gordura. Uma infecção gastrointestinal também pode desencadear o problema.

Com a obstrução do órgão, as bactérias que ficam em seu interior se reproduzem e ficam presas na região, em passagem para outros órgãos. Isso gera uma super população dos seres, que acabam inflamando o apêndice. A estrutura, então, cresce de tamanho e fica cheia de pus.

A apendicite pode acorrer em qualquer idade, mas é mais frequente entre as pessoas com 10 a 30 anos.

Apendicite aguda

Existem dois tipos de apendicite: a aguda e a crônica. Elas diferem pela intensidade de seus sintomas e pela gravidade do problema.

A apendicite aguda é o tipo mais grave da infecção, e também o mais comum. Nela, a inflamação ocorre de maneira súbita, e os sintomas são intensos. O sinal de identificação mais fácil é a forte dor abdominal.

A doença aguda é sempre uma emergência médica. Isso significa que, após o aparecimento dos primeiros sintomas, que serão logo esclarecidos, paciente deve procurar atendimento de um especialista. Do contrário, a condição pode se agravar e até levar à morte.

Apendicite crônica

A apendicite crônica acontece mais comumente a partir dos 40 anos de idade, mas é o tipo menos frequente do problema. Ela é caracterizada pela progressão lenta dos sintomas, e não caracteriza uma emergência médica. Por isso também, seu diagnóstico é difícil, pois os sintomas como crises d dor passam facilmente com o uso de analgésicos e inti-inflamatórios.

Desta forma, a procura pelo médico deve acontecer caso crises de dor no abdômen ou dos outros sintomas sejam recorrentes. O diagnóstico é realizado por exame de sangue e tomografia abdominal.

A consulta médica é fundamental, pois como demora mais a ser percebida, a apendicite crônica Poe causar a difusão da infecção bacteriana para outros órgãos, lentamente. As bactérias, aos poucos, podem então prejudicar o funcionamento das estruturas, e causar outras doenças.

Com os testes, o especialista costuma perceber cicatrizes e espessamento do apêndice, o que sugere a existência de uma crise de apendicite antiga e rapidamente cicatrizada pelo corpo. Situações assim não contam com explicação específica.

Sintomas da doença

Sem dúvida, o principal sintoma da apendicite, seja ela crônica ou aguda, é a dor abdominal. Habitualmente, o incômodo é bastante forte, e ocorre no lado direito inferior do corpo. A dor também pode se iniciar no umbigo, e parecer “caminhar” em direção às costas, ou então provocar incômodo pelo abdômen todo nas primeiras horas.

Os incômodos são semelhantes aos que ocorrem numa dor de barriga, ou àquele que o indivíduo sente ao correr sem preparo físico, mas de forma bem mais intensa. Mover as pernas ou tossir costuma agravar o sintoma, com “pontadas”.

Nas primeiras horas de sintomas, a dor pode ir e vir, e ser acompanhada por náuseas e febre baixa. Em seguida, é corriqueiro que o indivíduo afetado sofra com vômitos, mudanças intestinais (constipação ou diarréia), dor ou ardência ao urinar e câimbras na barriga.

Outros sinais comuns são a perda de apetite e grande sensibilidade do abdômen, ou seja, ao menor toque, a dor é grande.

A dor da apendicite não para após algumas horas, mas a da apendicite crônica pode desaparecer com analgésicos. Apesar desta última não ser uma emergência médica, sua ocorrência pode trazer complicações à longo prazo.

Assim, caso o paciente perceba dor abdominal e febre, principalmente, deve procurar rapidamente o médico. Desta forma, o especialista poderá confirmar e por fim á inflamação, ou então descobrir qual outra doença está provocando os sintomas.

Apendicite na gravidez

Ter apendicite na gravidez é uma condição preocupante. Isso uma vez que, se não tratado rapidamente, o apêndice pode se romper e causar infecção generalizada, que terão consequências para mãe e bebê.

Os sintomas na mulher grávida são os mesmos que ocorrem nos outros indivíduos: dor abdominal, febre, náusea. Devido à sal condição, entretanto, a gestante tende a interpretar os sinais como algo inerente à gravidez. O perigo principal mora neste erro: se não procurar o médico, a mulher corre o risco de um parto prematuro ou então aborto.

Outro perigo está no “deslocamento” da dor. O útero, ao crescer, acaba reorganizando os órgãos dentro do corpo. Por isso, a dor que a inflamação causa pode, quem sabe, surgir mais intensamente na região das costas, ou na parte superior do abdômen, e confundir à gestante ao que costuma ser normal à apendicite.

A mulher grávida precisa, então, também ter atenção a outros sinais. Uma ocorrência comum é de gases e da alternância entre a prisão de ventre e a diarréia, em cursos períodos de tempo. O sangramento vaginal acompanhado de dor abdominal do lado direito é d mesma forma um indício de problemas.

Como identificar a inflamação nas crianças?

Apear de pouco comum, a apendicite pode ocorrer em crianças menores de dez anos. Este grupo populacional costuma ter certa dificuldade em explicar seus sintomas, e por isso os pais ou responsáveis devem ter cuidado dobrado.

Nos bebês, a apendicite costuma provocar dor na barriga, febre e vômito. Em 75% das situações, é possível perceber o inchaço incomum da barriga, com grande sensibilidade ao toque – a que a criança normalmente responde com o choro fácil.

Para crianças pouco maiores, somam-se a estes sintomas – inclusive ao inchaço abdominal – a sensação de náusea e diarreia.

Apendicite na mulher

A ocorrência da apendicite na mulher é quase duas vezes maior que no público masculino. Neste grupo, entretanto, a doença tem identificação mais complicada: afinal, órgãos como o útero ficam localizados exatamente no abdômen. Desta forma, a costumeira dor da inflamação no apêndice pode ser confundida com outros problemas.

Há, por exemplo, a possibilidade de que a dor no abdômen indique cisto de ovário, inflamação de trompas, ovário policístico ou até mesmo infecção urinária, muito mais comum nelas.

Assim, é essencial ter atenção à associação de sintomas. A dor vem acompanha de febre ou náusea? Qual a intensidade deste incômodo? Ele vem e vai? Também é importante entender em que região a dor está localizada.

Por último, caso as dores persistam por mais de 12h, é hora de procurar auxílio médico. Principalmente se os sintomas “vem e vão”, e se aumentaram de intensidade com o passar do tempo.

Diagnóstico do problema

A apendicite tem sintomas bastante semelhantes a diversas outras condições médicas. Infecções urinárias, gastrenterites, inflamações intestinais e cólicas nos rins, por exemplo, tendem a causar forte dor no abdômen. Esta semelhança de sinais é perigosa, e pode levar o paciente a adiar a visita ao médico. Isso, entretanto, não deve acontecer: quanto mais cedo diagnosticada, mais fácil de tratamento é a apendicite, e melhor a recuperação do paciente.

Ainda considerando a semelhança de sintomas com outros problemas, a apendicite só é diagnosticada após uma série de etapas. Com elas, o especialista pode ter a certeza da razão do mal estar, e assim indicar o tratamento correto.

O primeiro passo para a descoberta do problema é a conversa com o médico. No bate-papo, o profissional irá conhecer os sintomas do indivíduo, sua recorrência e se há sinais associados. É comum que o especialista faça perguntas como: quando os sintomas começaram? A dor tem mudado de lugar?

Em seguida, vem o exame físico. O principal teste neste caso é o toque na região dolorida. Na área indicada pelo paciente, o médico faz pressão, apertando o músculo contra o interior do corpo. Ele então retira a mão rapidamente, de uma só vem. Habitualmente, a dor torna-se muito mais intensa após este movimento, e indica que há inflamação naquele local.

Para a certeza do problema

Há também os testes de laboratório. O exame de sangue oferece, por exemplo, uma visão da quantidade de glóbulos brancos presentes no sangue – quando a taxa está maior que o normal, o sinal é de infecção. O exame de urina, por sua vez, consegue eliminar problemas renais como causa da dor.

Para completar a investigação, são realizadas análises por imagem. As alternativas para esta etapa incluem a radiografia do abdome, em que a “chapa azul” dá ao médico possibilidade de percepção da existência do inchaço do apêndice. O ultrassom é um meio ainda mais eficaz para este objetivo, e assim como faz nas situações de gravidez, em que verifica a saúde do feto, o especialista consegue perceber como anda a saúde do pequeno órgão ligado ao intestino. A tomografia computadorizada é igualmente eficaz para a situação.

Tratamento da apendicite

Com o diagnóstico definido, o médico dará início ao processo de tratamento do paciente. Para a apendicite aguda, este tratamento consiste na cirurgia de retirada do órgão. O procedimento também costuma ser realizado para a apendicite crônica, mas apenas após a ponderação do médico.

A operação é tratada como emergencial, e não costuma demorar a acontecer. Isso porque, caso seja adiada em casos agudos, o apêndice pode se romper e causar complicações diversas ao organismo. Em casos extremos, a apendicite pode levar à morte.

A cirurgia de retirada do apêndice é chamada de apendicectomia. Há duas formas de realizar o procedimento: pela laparoscopia, ou pela forma “tradicional”.

A intervenção por meio da laparoscopia é a preferida de médicos e paciente, pois é minimamente invasiva. Para sua realização, três pequenos cortes, que aproximadamente um centímetro, são realizados no abdômen do indivíduo. Em seguida, um laparoscópio, um telescópio fino e com uma pequena câmera na ponta, é inserida por um estes cortes.

Utilizando-se, então, da câmera e de um monitor de vídeo, o médico localiza o apêndice dentro do corpo. Em seguida, ele insere pelos dois cortes adicionais instrumentos cirúrgicos, pelos quais realiza o corte e a retirada do órgão inflamado.

       

Este tipo de cirurgia oferece uma recuperação mais rápida, e deixa apenas cicatrizes pequenas na barriga do paciente. A dor pós-operatória também é menor e a permanência no hospital não costuma durar mais que dois dias.

A cirurgia “tradicional”

Mesmo cheia de vantagens, entretanto, a apendicectomia por laparoscópio nem sempre é indicada. Em algumas situações, o médico considera a realização do procedimento pouco segura e mis complicada que a cirurgia “tradicional”.

Assim, o profissional pode optar por realizar a última, principalmente em casos em que o paciente tem obesidade ou histórico de cirurgia abdominal. Quando o apêndice está muito dilatado, ou se rompeu, a técnica é também a mais adequada.

No procedimento tradicional, o indivíduo recebe um corte de aproximadamente cinco centímetros no abdômen. Por esta incisão, são inseridos os instrumentos cirúrgicos, e a retirada do apêndice é realizada. Neste caso, a recuperação do sujeito demora mais, e a cicatriz resultante é pouco mais visível.

O que saber sobre a cirurgia?

Para a realização da cirurgia para a retirada do apêndice, o paciente diagnosticado é internado no hospital em regime de urgência. No Brasil, o procedimento pode ser realizado tanto pela rede particular, quanto de forma gratuita, pelo Sistema único de Saúde (SUS).

A operação é, em média, realizada em até 12h após o diagnóstico da condição. Antes da intervenção, o paciente é preparado por meio do consumo de antibióticos e da hidratação do corpo.

Caso a deficiência de eletrólitos seja percebida, eles são repostos antes da cirurgia. Os eletrólitos são componentes como o Sódio, Cálcio e Magnésio, essenciais para a circulação sanguínea e funcionamento correto do organismo. Para a operação, o paciente também deve permanecer em jejum por pelo menos 6h.

No momento da intervenção, o indivíduo será sedado e receberá acesso venoso, pelo qual irá receber medicamentos que garantirão o sucesso da operação.  Após a cirurgia, os sinais vitais, como pressão, respiração e pulso são acompanhados de perto, para que nenhum problema ocorra.

Seja o procedimento cirúrgico tradicional, seja ele realizado por laparoscópio, existem riscos de complicações. Os casos são raros, mas o indivíduo pode sofrer com hemorragia, lesões em órgãos vizinhos ao apêndice, como a bexiga, e infecção no abdômen ou especificamente na área do corte.

A retirada do apêndice não traz prejuízos ao corpo. Mesmo as funções atribuídas ao órgão, como defesa do corpo e a melhora da digestão, continuam acontecendo normalmente no organismo.

Medidas no pós-cirúrgico

De forma geral, o paciente que passa pela cirurgia de retirada do apêndice tem alta do hospital após 24h. Assim, ele pode se recuperar em casa. No entanto, o indivíduo deve tomar alguns cuidados, para que a cicatrização da ferida seja realizada da melhor forma.

É fundamental evitar movimentos bruscos. Assim, atividades físicas devem ser suspendidas por pelo menos um mês.

Isso não significa, porém, que o indivíduo deve permanecer completamente. Realizar pequenas caminhadas, ou subir alguns lances de escada é importante, pois manterá o corpo em movimento e potencializará a circulação, ajudando na reabilitação.

Após uma cirurgia deste tipo, você também deve evitar carregar objetos pesados. Dirigir na primeira semana pós-cirurgia também não é indicado.

Dois pontos precisam ser discutidos com o médico, pois variam para cada sujeito. O primeiro deles é a prática de relações sexuais. De forma geral, elas podem ocorrer a partir do momento que o paciente se sentir confortável para tal.

Já para o retorno às atividades diárias, como o trabalho, o ideal é que a decisão seja tomada de acordo com o andar da recuperação. Algumas pessoas conseguem fazê-lo em uma semana; outras demoram pouco mais.

É fundamental ainda dormir de barriga pra cima, para que a região cortada não sofra pressão desnecessária. Nos primeiros sete dias, o paciente deve ainda se atentar a pressionar levemente a ferida ao espirrar ou tossir. Como estas ações provocam movimentos bruscos do corpo, é interessante diminuir o impacto sobre elas.

A medicação indicada pelo médico deve ser também seguida à risca. O tempo de recuperação completa do organismo varia de paciente para paciente, e ainda pelo tipo de cirurgia realizada. Para o procedimento tradicional, o tempo pode chegar a um mês; para a laparoscopia, o período costuma ser de algumas semanas.

Por último, o sujeito deve fazer acompanhamento médico semanal, para que o especialista verifique se a recuperação está ocorrendo como o esperado.

Dieta saudável, recuperação incrível

Falando da alimentação, é preciso ter cuidados que facilitem o funcionamento do intestino. Desta forma, nas primeiras 24h, o indicado é que o paciente consuma mais líquidos e alimentos como iogurtes, mingau e sopas.

Após a alta do hospital, a alimentação pode voltar ao normal, desde que o indivíduo evite alguns alimentos. Comidas que provocam gases, por exemplo, devem deixar o cardápio por um período, incluindo feijão, repolho e macarrão. Os gases podem levar à dor no abdômen, que será agravada pelo processo de recuperação da cirurgia.

Uma dica importante é evitar ainda alimentos gordurosos, frituras, gelados e o grande consumo de carne vermelha. Carnes grelhadas são mais indicadas.

O ideal é realizar a chamada “dieta fracionada”, ou seja, comendo pequenas quantidades de três em 3 horas. Assim, o estômago não ficará cheio demais, nem causará desconforto abdominal.

Além disso, é fundamental dispensar o consumo de doces por um tempo, e comer alimentos com propriedades cicatrizantes. Neste grupo, entram a gelatina, salmão e a laranja. Legumes cozidos, peixe ou frango, mingau de aveia, arroz, batata cozida e maças são ótimas pedidas à dieta.

Pós-cirurgia: quando se preocupar

Há situações no período pós-cirúrgico em que o indivíduo deve procurar auxílio médico imediatamente. Primeiro, em caso de febre persistente. Caso a temperatura do corpo seja superior a 38°, acompanhada ou não de calafrios, o sinal é de alerta.

Náuseas e vômitos, e dor prolongada no abdômen são igualmente preocupantes. Finalmente, a vermelhidão ou saída de pus dos cortes da cirurgia devem logo ser verificadas no consultório!

O apêndice rompeu. E agora?

Uma das principais preocupações dos médicos, e motivo para a urgência da cura da apendicite, é o risco de ruptura do apêndice. O órgão inflamado pode se romper a qualquer momento, aparentemente sem motivo. Caso ocorra, as conseqüências são arriscadas.

Quando o apêndice rompe, diz-se que a apendicite “supurou”. O problema acontece quando o órgão se rompe e expele pus ou, em alguns casos, fezes, o que leva as bactérias e fluídos inflamados a todos os órgãos do abdômen.

O rompimento do apêndice é mais comum em casos de apendicite aguda. A condição se desenvolve rapidamente, entre 48h e 72h, por isso a urgência na realização da cirurgia.

A complicação mais temida desta ruptura é a peritonite. A peritonite é a infecção generalizada do abdômen, exatamente pela contaminação dos órgãos pelas secreções do apêndice. A inflamação toma conta do peritônio, membrana que envolve a cavidade abdominal e a maioria dos órgãos desta região.

Se não tratada, a situação pode evoluir para a sepse, que é a infecção generalizada de todo corpo. O risco de morte do paciente é grande neste caso.

Outro problema possível em caso de rompimento do apêndice é o abscesso. Abscesso é uma bolsa de pus que se acumula no órgão, e neste caso é provocado pela mistura das secreções do apêndice com o conteúdo intestinal. Se não tratado, a condição pode levar à peritonite.

Normalmente, o pus e o abscesso são drenados do corpo por meio de um tubo. Antibióticos também podem ser eficazes neste caso. O organismo demora mais para se recuperar em casos deste tipo.

Antibióticos podem curar

A cirurgia é o método de tratamento mais eficaz contra a apendicite aguda. Já contra a versão crônica da doença, entretanto, os indivíduos podem contar com uma intervenção menos invasiva. A terapia, nestes casos, pode ser realizada por meio de antitérmicos, antibióticos anti-inflamatórios e analgésicos.

O tratamento com remédios, principalmente antibióticos, só é possível quando a apendicite é descoberta em sua fase inicial. Caso já haja obstrução do órgão, a melhor saída é a realização da cirurgia. O procedimento cirúrgico, aliás, pode também ser solicitado caso a cura pela medicação não oferecer o resultado esperado.

Estudos recentes mostram, de qualquer forma, que o tratamento com antibióticos é tão eficaz quanto a cirurgia. Segundo as pesquisas, os pacientes curados por este método costumam conviver com menos complicações do que aqueles que passam pela cirurgia. A recorrência da doença para os que mantém o apêndice é de apenas 15%.

O tratamento por antibióticos é realizado em regime de internação. Desta forma, o indivíduo tem acompanhamento médico contínuo, o que garante a verificação da eficácia ou não da terapia. Caso os remédios não façam efeito, ou haja complicações, o sujeito pode então ser rapidamente encaminhado à sala de cirurgia.

Tratamentos caseiros

Não há tratamento caseiro eficaz para a eliminação da apendicite. No entanto, existem compostos que auxiliam no combate dos sintomas, ou então na recuperação do paciente que sofreu com a inflamação do apêndice.

O óleo de rícino é um dos indicados “contra a apendicite”. O componente auxilia, por exemplo, na melhora dos movimentos intestinais. Ele pode ser útil contra a evolução da inflamação, no corpo período entre o diagnóstico e o tratamento. Mas lembre-se: o óleo não substitui de forma alguma a terapia médica.

Para o uso do rícino, é preciso derramar duas colheres de sopa de óleo sobre uma flanela. Em seguida, o indivíduo deve colocar o pano, levemente embebido, sobre o abdômen.

Alimentos cicatrizantes são igualmente potentes. O alho e gengibre podem ser consumidos na comida, por meio de chás ou puros. Cuidado apenas com a acidez das iguarias, pois ela pode ferir a boca ou garganta.

É indicado ainda que o indivíduo consuma um copo de suco fresco de limão diariamente. A fruta tem efeitos contra a dor e a constipação intestinal.

Para diminuição da febre, contra gases intestinais e ainda a indigestão, sintomas da apendicite, o ideal é o manjericão. A erva pode ser consumida por meio de chá, misturado ao gengibre e mel. Comer folhas de manjericão diariamente é da mesma forma interessante.

Contra vômitos, náuseas e gases, o remédio é o hortelã. O alimento pode ser consumido por chá ou misturado à comida.

Como prevenir a apendicite?

Como fenômeno que leva à apendicite ainda não é conhecido, definir uma prevenção é difícil. Indivíduos que mantém hábitos saudáveis, entretanto, são poucas vezes diagnosticados com a doença.

Assim, a prevenção consiste, primeiro, na prática de exercícios físicos. Como o problema está associado ao intestino, é interessante também manter uma alimentação rica em fibras, com verduras e frutas sendo consumidas diariamente.

Finalmente, manter a hidratação do corpo, com água ou outros líquidos, é fundamental para o organismo. Tanto em épocas de doença, de recuperação, ou de plena saúde. O ideal é que cada indivíduo consuma ao menos 1,5 litro de líquido por dia.

Mitos sobre a apendicite

Na sabedoria popular, há dois mitos principais sobre a apendicite: o ligado ao consumo de sementes, e à infertilidade decorrente a doença.

Dizem, por exemplo, que o consumo de sementes como o milho, chia, romã ou girassol, ou mesmo sementes de frutas como a laranja, seria responsável pela obstrução do apêndice. Ou seja: se você comer um destes, em algumas horas terá uma crise de apendicite. Felizmente, isso não passa de “crendice”.

Nada indica que um alimento recém consumido seja o responsável pela obstrução do apêndice. O mais provável é que o processo de endurecimento das fezes nesta região aconteça aos poucos, e não após um consumo tão específico.

Outro medo comum refere-se ao medo das mulheres, que acreditam que não mais poderão engravidar após a retirada do apêndice. O problema ocorreria pela proximidade do apêndice e útero. Mais uma vez, mito!

Estudo recente, publicado no jornal FertilityandSterility, sugere até mesmo que mulheres que retiram o apêndice têm mais chance de engravidar. Não significa que o público feminino deva retirar o órgão para ver sua fertilidade aumentar. Mas sim que, aquelas que não possuem a estrutura, tiveram mais bebês das que ainda a possuem.

       
1 comentário
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