O que é Aneurisma (Cerebral, Abdominal, etc), sintomas, tem cura

Doença é mais conhecida pela ocorrência no cérebro, mas pode acontecer também nas artérias do tórax, abdômen e até pernas.

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O corpo humano possui em seu interior uma infinidade de artérias. São elas que transportam o sangue oxigenado que sai do coração para o restante do organismo, se ramificando em vasos mais finos, chamados de veias e capilares. Todo este processo exige a dilatação contínua das artérias, para que o sangue tenha livre passagem dentro dela. No entanto, há casos em que essa dilatação se torna exacerbada e permanente, resultando num aneurisma.

O aneurisma

Para explicar a formação de um aneurisma, vamos considerar uma imagem comum em desenhos animados. Imagine que o personagem da animação está utilizando uma mangueira de jardinagem, pela qual a água está se movimentando e sendo liberada. Pensando no corpo humano, a mangueira é a artéria, e a água o sangue, sendo levado do coração (a torneira) a outras extremidades do corpo. No entanto, quando o personagem animado dá um nó ou bloqueia de alguma forma a passagem da água, a mangueira começa a se expandir, a inchar a medida que a água se acumula em seu interior. Logo, a mangueira explode, jorrando água para todos os lados.

A formação de um aneurisma é bastante semelhante à situação absurda narrada. À medida que o sangue vai passando pela artéria, ele dilata o vaso. Essa vasodilatação é parte fundamental da circulação do sangue, e sem ela o espaço de passagem não seria suficiente. Por isso, ao longo do processo de circulação, o diâmetro das artérias aumenta, num relaxamento momentâneo do tecido muscular que as compõe.

No entanto, por uma série de fatores, algo pode começar a impedir a passagem correta do líquido vermelho. Logo, o vaso passa a crescer progressivamente, a se dilatar e a não voltar ao seu diâmetro normal. Isso forma em determinada área da artéria algo semelhante a um balão. Como ocorre quando a passagem da água da mangueira do desenho é bloqueada.

Quando o problema ocorre?

A medida que o vaso continua a receber a corrente sanguínea, este balão é “alimentado” e continua a aumentar”. Essa formação em balão é sempre chamada aneurisma. Segundo dados da Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa), até 5% da população adulta possui um aneurisma, mas apenas metade destas ocorrências resulta no rompimento da artéria. Por este motivo, muitas pessoas não sabem que possuem um bloqueio na artéria, e conseguem manter seus hábitos de vida normalmente.

O problema acontece quando o aneurisma se rompe. É esta a condição conhecida pelas pessoas como aneurisma – a condição que leva a pessoa ao hospital.

Sintomas da doença

O aneurisma é um problema assintomático. Afinal, em apenas metade dos casos ele traz real risco – ou seja, em só 50% das ocorrências ele se rompe, e é aí que os sinais aparecem. Por isso é tão comum que os indivíduos convivam com a dilatação das veias e não percebam. Apenas seus familiares costumam sabê-lo, quando uma autópsia é realizada no pós-falecimento e se percebe uma alteração na artéria.

Deste modo, é errônea a ideia de que uma dor de cabeça recorrente seja sinal de aneurisma. Se você possui este sintoma, provavelmente está lidando com uma enxaqueca ou outra doença que se manifeste por este incômodo. A dor de cabeça provocada pelo aneurisma é repentina e extremamente forte, e pode provocar inclusive a perda de consciência. A intensidade do sintoma é devida à ruptura rápida e súbita do “balão” formado na artéria. Em casos muito raros, a dor do indivíduo, principalmente na cabeça, evolui gradualmente.

Quando este sinal aparece, é fundamental procurar um médico imediatamente. O rompimento de um vaso sanguíneo tão importante quanto uma artéria é perigoso, e pode levar rapidamente à morte.

Além da dor de cabeça intensa, é possível também que ocorra dor repentina e forte no tórax ou no abdômen. Isso porque aneurismas também podem acontecer nestas regiões, além de no cérebro. O paciente com um aneurisma recém-rompido também costuma perceber alteração em sua visão, como visão dupla, e dificuldade de ficar em pé.

Outro sintoma recorrente nestes casos é a aceleração do ritmo cardíaco, sem motivo aparente. A pressão se torna mais baixa, o pescoço rígido, há tontura repentina e vômito, que sai em jatos violentos. Problemas de fala e crises convulsivas ainda podem ocorrer.

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Causas do aneurisma

O aneurisma aparece sempre que há a dilatação permanente e exagerada de uma artéria. Essa dilatação imoderada ocorre quando há o enfraquecimento das paredes arteriais, que se ampliam devido ao impacto da circulação sanguínea. Este enfraquecimento pode surgir por condições diversas, como os maus hábitos de vida: sedentarismo, má alimentação e outros.

Há uma classificação segundo a origem do aneurisma. As dilatações ateroscleróticas, por exemplo, ocorrem como um reflexo da aterosclerose. A aterosclerose é uma doença vascular em que o colesterol, gorduras e outras substâncias, como o cálcio, se acumulam nas paredes das artérias. O acúmulo provoca dificuldade do sangue em circular e enfraquece as paredes do vaso, o que logo dá origem à sua dilatação.

Já os chamados aneurismas micóticos estão relacionados a quadros de infecção no organismo. Eles são mais raros, e ocorrem também pelo enfraquecimento das paredes, mas desta vez por doenças como a sífilis.

Outro fator relacionado à doença é a genética. O indivíduo que tem dois ou mais casos de aneurisma na família está 8% mais sujeito a sofrer uma situação semelhante. Condições congênitas, ou seja, que nascem com o paciente, também podem influenciar na dilatação dos vasos. Ao mesmo tempo, uma dilatação em crianças é bastante rara – a doença acontece, por quase todas as vezes, em pessoas com mais de 40 anos.

Traumas e doença vasculares podem da mesma forma acabar por enfraquecer as paredes do vaso e formar aneurismas. Assim como o diabetes, o hábito de fumar e o consumo excessivo de álcool.

Falando da ruptura do aneurisma, a visão popular acredita que o estresse pode causá-la. No entanto, o nervosismo em si não tem a capacidade de ruptura. Entretanto, se ele afetar os níveis de pressão arterial, estará diretamente ligado ao rompimento do vaso.

Tipos de aneurisma

Os casos de aneurisma podem ser classificados de acordo com três características. São elas a forma do aneurisma, seu agente causador e sua localização. Quanto a seu agente causador, a classificação já foi citada no tópico anterior, e inclui os tipos congênito, aterosclerótico e micótico.

Quanto à forma da dilatação, as denominações são as de aneurismas saculares, fusiformes e dissecantes. Nas dilatações saculares, o aneurisma tem aparência semelhante a uma bolha e é bastante comum em regiões de maior pressão sanguínea, como bifurcações dos vasos.

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Imagem: dreduardoraupp.com.br

O tipo fusiforme, por sua vez, tem como característica a forma de um tubo. Toda a dilatação tem medidas mais largas. Por último, os dissecantes acontecem apenas na artéria aorta, e tem como particularidade uma lesão na parede interna da aorta, enquanto a área externa permanece intacta.

Dentre os casos registrados da doença, 98% deles são do tipo sacular. Normalmente, eles são causados pela associação de duas características: um defeito congênito e fatores que levam à pressão exagerada na artéria. Estes fatores incluem, por exemplo, a pressão alta.

A maior parte dos outros 2% de casos da doença são do tipo fusiformes, e surgem devido à acumulação de cálcio e gordura na parede dos vasos sanguíneos, ou como reflexo de infecções no organismo.

Finalmente, o aneurisma é catalogado segundo sua localização, ou seja, os nomes são definidos de acordo com a artéria que ela afeta. O tipo mais comum é o aneurisma cerebral. Há também a dilatação da aorta abdominal, aorta torácica, artérias carótidas (no pescoço), artérias femorais (nas coxas), artérias poplíteas (nos joelhos), das artérias coronárias (no coração), artéria esplênica (do baço) e artéria mesentérica (do pâncreas e intestinos).

Aneurisma cerebral

O cérebro é um dos órgãos mais complexos dos indivíduos. É ele quem comanda com precisão os movimentos e emoções do corpo, e por isso precisa de uma enorme quantidade de circulação de sangue. Estima-se que ao menos 750ml de sangue circule pelo cérebro a cada minuto.

Essa abundância do líquido vermelho e os inúmeros fatores que podem influenciar o encéfalo torna-o o principal órgão a sofrer dilatação dos vasos. Os aneurismas nesta região são, na maioria das vezes, saculares, ou seja, tem o formato de uma bolha. Eles normalmente ocorrem na parte inferior do cérebro, próxima à base do crânio.

Para especialistas, toda dilatação que aumente três centímetros no diâmetro de um vaso é considerada um aneurisma. Quando o aneurisma no cérebro se rompe, ele impede que um setor do encéfalo receba a irrigação com sangue. Logo, as funções do órgão ficam comprometidas, podendo ocorrer inchaço cerebral e até a morte.

Aneurisma da aorta abdominal

A artéria aorta é a maior e principal artéria do organismo, pois sai do coração e leva o sangue ao restante do corpo, passando por todo o abdômen. Geralmente, o aneurisma neste vaso acontece como consequência do acúmulo de placas de gordura em seu interior. Isso significa que os hábitos alimentares e a prática de esportes influenciam diretamente na ocorrência do problema.

Como leva sangue oxigenado por todo o corpo, o rompimento da aorta é um dos mais preocupantes. Segundo algumas estimavas, apenas 10% a 15% dos pacientes com este tipo de ruptura sobrevive à condição. O rompimento da veia normalmente ocorre na área do abdômen.

Aneurisma da aorta torácica

Se a dilatação da artéria aorta ocorre na região do tórax, o problema é chamado de aneurisma da aorta torácica. O tórax é a área do corpo situada entre o pescoço e o diafragma. O fluxo na região é muito intenso, já que é ali que está localizado o coração. Ou seja, se o vaso sanguíneo rompe neste local, quase todo o organismo fica desassistido de circulação. O índice de mortalidade para este tipo da doença é muito alto.

Aneurisma de artéria poplítea

As artérias poplíteas ficam localizadas na parte de trás do joelho. Seu aneurisma está ligado a fatores hereditários, ao tabagismo, pressão alta e traumas nesta região. Quando a dilatação ocorre, ela tende a ficar até 50% maior do que o diâmetro normal do vaso, e por isso sua percepção é mais fácil.

Veja: os vasos sanguíneos citados até aqui ficam localizadas de forma muito interna no organismo. Por outro lado, apesar de também ser interna, a poplítea é mais próxima da pele. Por isso, caso ocorra um aneurisma, é possível perceber um inchaço sob a pele.

Quando o alargamento da artéria é muito grande, ele pode ainda afetar outros nervos da perna. Afinal, a região tem uma dimensão menor, menos espaço para distribuição de nervos e vasos. Assim, eles permanecem muito próximos uns dos outros. Se comprime os nervos ou veias da perna, a dilatação pode provocar dor, sensação de formigamento ou sensibilidade alterada.

Estes efeitos podem inclusive levar a outros problemas. Há, por exemplo, o risco de desenvolvimento da embolia, também chamada de trombose. A embolia é a obstrução de um vaso sanguíneo, causado pelo acúmulo de coágulos. Se o aneurisma pressiona o vaso, o espaço para circulação do sangue em outras veias torna-se menor, favorecendo o entupimento e a trombose.

Aneurisma de artéria esplênica

A artéria esplênica é o vaso que leva a circulação sanguínea ao baço, um órgão responsável por filtrar o sangue, remover células (glóbulos) vermelhos lesionados e produzir e armazenar glóbulos brancos (que protegem o organismo). Logo, o aneurisma da artéria esplênica é a dilatação deste vaso sanguíneo.

Nesta situação, as mulheres são as mais afetadas pelo problema. Isso uma vez que uma das causas associadas é a alta exposição aos hormônios femininos. Doenças como a pancreatite, a poliarterite, fibrodisplasia e aterosclerose, e traumas na região do abdômen podem da mesma forma contribuir para o aparecimento da distenção.

O risco de ruptura de uma dilatação deste tipo é de 10%, e quando ela ocorre leva quase 40% dos pacientes ao falecimento.

Aneurisma da artéria mesentérica

Outra artéria sujeita a um aneurisma é a mesentérica. Este vaso é responsável por levar o sangue à parte do pâncreas e aos intestinos. O duodeno, parte final do intestino delgado, e parte do grosso, no entanto, não recebem circulação desta artéria.

Com um inchaço nesse vaso, o corpo continua a funcionar normalmente, como ocorre com qualquer dilatação. Porém, se o vaso se romper esta área fica sem circulação e precisa rapidamente ser tratada. Essa informação é fundamental: todo aneurisma é uma emergência médica: assim que os sintomas aparecerem, é essencial correr ao consultório médico ou Pronto-Socorro.

Aneurisma da artéria carótida

Para levar o sangue bombeado pelo coração diretamente à cabeça, o corpo humano conta com as artérias carótidas. Estes vasos ficam localizados nos dois lados do pescoço. Quando algo ocorre a estas estruturas, o cérebro acaba privado de oxigênio e outros nutrientes, e por isso a ruptura de uma dilatação é tão perigosa. Um aneurisma deste tipo pode levar a um derrame.

Aneurisma da artéria femoral

Um dos aneurismas periféricos mais comuns é o da artéria femoral. É chamada periférica toda dilatação que acometem os membros inferiores e superiores, desde que a artéria afetada não seja a aorta.

O vaso femoral fica localizado na área da virilha e da coxa. Assim como no caso da dilatação poplítea, na parte de trás do joelho, esta pode causar inchaço perceptível sob a pele, assim como a compressão de nervos dos membros inferiores. Se essa última situação ocorre, é comum a dor ao andar e durante a prática de esportes. Há ainda a possibilidade de formigamento e dormência das pernas.

Aneurisma da artéria coronária

São chamadas artérias coronárias dois grandes vasos sanguíneos que levam sangue oxigenado e cheio de nutrientes ao coração. Essas artérias possuem inúmeras ramificações, que mantém todo o músculo cardíaco em funcionamento pleno.

As coronárias se originam na porção inicial da aorta. Sua dilatação é pouco comum, e corresponde a pouco mais de 1% dos casos registrados na Saúde. No entanto, quando o aneurisma se rompe, os riscos são graves. Os rompimentos destas artérias estão associados a casos de infarto, angina (dor intensa no peito) e até à morte súbita.

Aneurisma cerebral versus AVC

Um aneurisma no cérebro é tomado, no imaginário popular, como algo igual ao Acidente Vascular Cerebral. Afinal, ambos ocorrem por meio da interrupção da circulação do sangue no encéfalo. Porém, as doenças são diferentes, e trazem particularidades.

Um Acidente Vascular Cerebral, ou AVC, é uma situação em que parte do cérebro para de receber oxigênio e nutrientes. Quando isso ocorre, as células da região começam a morrer, e as funções comandadas pela área do cérebro ficam prejudicadas. Como a fala, controle motor e outras atribuições.

Um AVC pode ser de dois tipos. A maioria deles é isquêmico, ou seja, acontece pelo bloqueio da circulação sanguínea num vaso cerebral. Este bloqueio geralmente ocorre devido a um coágulo de sangue na artéria.

Já o AVC hemorrágico acontece quando um vaso do cérebro se rompe. O vaso que se rompe pode ter um aneurisma ou não. Isso significa que o aneurisma é uma das causas do Acidente Vascular Cerebral – 5% dos casos de AVC são causados por inchaços deste tipo.

Ao mesmo tempo, o AVC é uma complicação de um aneurisma. Com a ruptura de uma dilatação no órgão encefálico, a pressão intracraniana aumenta e a hemorragia do cérebro também, podendo levar ao Acidente Vascular.

Fatores como a arteriosclerose, malformações dos vasos sanguíneos e pressão alta estão associados ao desencadeamento de um AVC, independentemente de seu tipo.

Sintomas: AVC e aneurisma

Outra diferença entre o AVC e o aneurisma pode ser percebida em seus sintomas. Na dilatação dos vasos no cérebro, os sinais não existem até que o aneurisma se rompa. Quando isso ocorre, há uma forte dor repentina de cabeça, perda de consciência e crise convulsiva.

Os sintomas do derrame, entretanto, são um pouco mais “brandos”, a medida que aparecem de repente, mas oferecem tempo normalmente maior para o socorro médico. Os sinais de um AVC, então, incluem a perda de visão de um dos olhos; dormência e formigamento de um dos lados do corpo, incluindo a face; perda repentina da força dos músculos; tontura; e perdas de memória. Se está sofrendo um AVC hemorrágico, o paciente pode ainda sentir uma dor bastante forte na cabeça, náuseas e vômitos.

Os perigos dos maus hábitos

       

Um dos principais fatores de risco ao desenvolvimento do aneurisma é a idade. Pessoas com mais de 50 anos são o grupo mais afetado pela condição, enquanto apenas 1% dos pacientes diagnosticados com a doença tem menos de 20 anos de idade. Essa estatística é registrada porque, ao longo do tempo, o corpo começa a se deteriorar “naturalmente”, pelo seu período de atividade e as doenças surgidas. Tudo isso enfraquece as paredes das artérias e favorece o desenvolvimento das dilatações.

No entanto, quando o indivíduo mantém uma vida saudável, a idade não é assim tão influente em sua saúde. Ou seja: se você possui bons hábitos alimentares, realiza a prática de esportes e outros, terá menor chance de desenvolver uma dilatação de vasos no futuro.

O cigarro, por exemplo, é um grande vilão. Segundo pesquisas na área, as substâncias presentes no fumo são capazes de enfraquecer um gene humano. Este gene específico é responsável pela proteção das artérias, e modificado ele perde força em agir. Fumantes têm até 12% mais chance de desenvolver aneurismas e outros problemas que afetem os vasos sanguíneos. Os dados são da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Os riscos são maiores também para quem faz o consumo excessivo de álcool, de medicamentos ou drogas como estimulantes e cocaína. Todas estas substâncias causam a aceleração dos batimentos cardíacos, sobrecarregando as artérias e enfraquecendo suas paredes.

Doenças associadas

A presença de algumas doenças no organismo também deixa o indivíduo mais suscetível ao desenvolvimento de um aneurisma. A primeira delas é a hipertensão. A pressão alta significa que o sangue está sendo bombeado pelas artérias com maior força e rapidez. Isso choca o líquido vermelho nas paredes dos vasos com intensidade maior. Tudo isso provoca o enfraquecimento das artérias, favorecendo a dilatação.

Outro problema que debilita as estruturas vasculares é o colesterol alto. Em níveis muito elevados, a gordura se deposita nas paredes das artérias e enfraquece-as.

Inflamações sanguíneas, aliás, também podem ser fator de risco para o problema explicado neste texto. Elas afetam diretamente as paredes das artérias, debilitando-as. Já a aterosclerose cria o estreitamento dos vasos, prejudicando da mesma forma toda a estrutura.

Dentre todas as doenças citadas até este momento – colesterol alto, pressão alta, aterosclerose e inflamações – costuma haver um fator comum: a diabetes. A diabetes não tratada está diretamente relacionada ao desenvolvimento destas condições, levando então ao risco da dilatação.

Enfermidades enfraquecem as artérias

Em seguida, vem a doença renal policística, também chamada de rins policísticos. A disfunção tem características hereditárias, e ao longo do tempo substitui o tecido dos órgãos por uma série de cistos. Cistos são tumores benignos, não cancerígenos, semelhantes a sacos cheios de líquido.

Como não fazem parte da composição correta do rim, eles prejudicam seu funcionamento, e criam ao indivíduo a predisposição em desenvolver um aneurisma. A relação entre os dois problemas está na capacidade dos cistos de atingir outros órgãos, como o coração, intestino e cérebro, favorecendo as dilatações. Dos indivíduos com doença renal policística, entre 5% e 40% desenvolvem uma dilatação de vaso sanguíneo.

Quando o indivíduo sofre doenças do tecido conjuntivo, ele também fica mais sujeito aos estiramentos. Isso porque as condições afetam a elasticidade de várias estruturas do organismo, incluindo as artérias. Entre as doenças conjuntivas, estão as hereditárias Síndrome de Ehlers-Danlos e a Síndrome de Loeys–Dietz.

Além destas, a displasia fibromuscular também provoca a predisposição aqui apresentada. Ela causa diversas anomalias nas paredes arteriais. Assim como fazem a Síndrome de Osler-Weber-Rendu, anemia falciforme, coarctação da aorta, Síndrome de Moyamoya, esclerose, Síndrome de Marfan e lúpus eritematoso sistêmico.

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Outros fatores de risco

Como já explicado anteriormente, a predisposição genética é um grande fator de risco ao desenvolvimento do aneurisma. Quem possui casos do problema na família deve ter atenção redobrada, e a partir dos 50 anos, idade mais comum para a doença, precisa começar a realizar check-ups para descoberta do problema. O mesmo indivíduo tem também predisposição genética aos outros fatores de risco citados, como a diabetes.

Defeitos congênitos na formação das artérias são igualmente perigosos. Congênita é toda condição que já existe no nascimento do indivíduo. Neste caso, os defeitos são chamados Malformações Arteriovenosas (MAV), e 15% das malformações tornam-se aneurismas.

Traumas pelo corpo também podem causar ruptura dos vasos sanguíneos. Isso significa que fortes pancadas no tórax, abdômen ou cabeça, seja por quedas, acidentes ou outros, podem levar a uma dilatação rompida. Desta forma, sempre que algum trauma violento ocora, é fundamental que o indivíduo procure atendimento médico, para que possa assim verificar a existência do problema imediatamente.

Finalmente, a menopausa pode afetar as estatísticas da doença. A menopausa é o período em que o corpo da mulher deixa os ciclos menstruais de lado, graças à interrupção da secreção de hormônios no ovário. Entre estes hormônios, podemos citar o estrógeno. Também chamada de estrogênio, a substância possui a capacidade de proteger as artérias femininas. Em menor quantidade no corpo, ele promove o enfraquecimento das destes vasos, deixando-os suscetíveis a problemas.

Perigos da condição

O aneurisma é uma doença que pode não trazer problemas ao longo da vida. Afinal qualquer dilatação nas artérias com medição superior a três centímetros é chamada desta forma. No entanto, se a passagem circulatória se rompe, há uma situação de emergência ocorrendo. Um aneurisma pode levar rapidamente ao óbito – 10% dos pacientes que sofrem uma ruptura deste tipo morrem antes mesmo de chegar a um Pronto-Socorro. Já entre 30% e 40% destes indivíduos não sobrevive nem após receber atendimento médico adequado.

Das consequências imediatas do aneurisma, uma das principais é o vasoespasmo. O vasoespasmo é a contração involuntária das artérias, que ocorre como consequência de aneurismas cerebrais. Os espasmos prejudicam muito a circulação do sangue no cérebro e podem causar um AVC isquêmico.

Já a hemorragia causada pela ruptura de uma dilatação pode levar à hiponatremia. A hiponatremia é a diminuição dos níveis de sódio no sangue. A pouca quantidade do nutriente pode causar o inchaço de células do cérebro, provocando danos irreversíveis na cognição do indivíduo.

Outra consequência perigosa é a hidrocefalia, ou seja, o acúmulo de água dentro do crânio. Quando a artéria se rompe, a hemorragia decorrente dela pode bloquear o fluxo do chamado Líquido Cefalorraquidiano. O líquido deve, normalmente, correr pelo cérebro e medula espinhal, mas se este fluxo for interrompido, ele ficará parado, localizado, causando um excesso de líquido. Os danos à cognição também são grandes.

Dependendo da intensidade do sangramento causado pela ruptura, o indivíduo pode ainda entrar em coma ou, claro, falecer.

Sequelas graves

Segundo pesquisas, cerca de 55% dos indivíduos que sofrem um aneurisma ficam com sequelas graves. Principalmente se o rompimento da artéria acontecer no cérebro. As consequências para o corpo normalmente incluem dificuldades motoras. A capacidade em se locomover sozinho ou sem apoio, de segurar e manusear objetos fica comprometida. É comum também a dificuldade na fala. As sequelas podem ser permanentes ou reversíveis.

Como sequelas mais raras dos aneurismas cerebrais existem as paralisias. Quando estas situações ocorrem, elas são parciais e afetam um lado do rosto ou do corpo do paciente.

Descoberta pré-rompimento

Como a maior parte dos casos de aneurisma não apresenta sintomas, dificilmente o paciente conhece seu problema antes que a dilatação se rompa. No entanto, o diagnóstico pode ser realizado de forma “acidental”, durante a realização de exames para descoberta de outras doenças.

Entre os tipos de aneurisma, os que são percebidos mais comumente pelo indivíduo são os nas artérias poplíteas (atrás do joelho) e na artéria femoral (na virilha e da coxa). Em geral, porém, a percepção não é por um aneurisma, mas sim de um pequeno inchaço sob a pele, e formigamento.

Logo, o médico inicia o diagnóstico por meio de um bate-papo com o paciente. E faz perguntas como: quando você percebeu esse inchaço sob a pele? Quais outros sintomas você percebe –  formigamento, dor? Você sofreu algum trauma ou problema de saúde nesta região em que percebeu os sintomas? Você faz o uso de algum medicamento? Você tem algum problema de saúde, como hipertensão, diabetes ou colesterol alto? Quais são seus hábitos alimentares? Você pratica atividades físicas? Há algo que melhore ou piore os seus sintomas?

Muitas das respostas podem indicar, inclusive, doenças muito diferentes de um aneurisma. Nos membros inferiores, há questões como a inflamação do nervo ciático ou a trombose.

Os outros casos de diagnóstico acontecem acidentalmente, quando tomografias ou demais exames de imagem são realizados com objetivo de descoberta de outros quadros. O médico percebe uma artéria inchada, com diâmetro maior do que deveria, e pode assim investigar se aquele é um aneurisma ou não.

Diagnóstico do aneurisma

Quando a dilatação do vaso sanguíneo se rompe, é fundamental levar o indivíduo imediatamente ao médico. Antes de iniciar o tratamento do aneurisma em si, porém, o médico precisa definir se é este mesmo o problema, e qual a intensidade do sangramento.

Para problemas no cérebro, o especialista utiliza o exame de Tomografia Computadorizada. O teste mostra de forma clara a localização de uma hemorragia. Em seguida, é costume realizar uma punção lombar, ou seja, a coleta de uma amostra do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) na coluna espinhal ou no córtex cerebral. Se o LCR apresenta traços de sangue, é quase certa a ocorrência de uma hemorragia no cérebro.

Para definir, então, o tamanho e a localização exata do sangramento, o exame realizado é a angiografia cerebral, em que um tubo flexível é inserido numa artéria da perna. Com o “caminhar” do cateter, o médico pode encontrar o local em que a artéria se rompeu, ou seja, o local da hemorragia. Em alternativa a este teste há a angiotomografia, semelhante à tomografia computadorizada, mas que utiliza o contraste e visualização por um monitor.

Para o diagnóstico de outros aneurismas, os exames utilizados são a tomografia e a angiografia. Ressonâncias magnéticas e a ultrassonografia também podem ser realizadas. Para um problema torácico, o médico pode optar ainda por utilizar os resultados de um ecocardiograma. O eco é um exame de ultrassom que permite ver imagens de toda a estrutura do coração, e seu funcionamento. O teste é importante porque uma hemorragia no tórax pode trazer consequências enormes ao coração, uma vez que está mais perto do órgão.

Como é realizado o tratamento?

A cura para casos de aneurisma só ocorre por meio da intervenção cirúrgica. No entanto, nem sempre o procedimento cirúrgico é indicado. Quando a dilatação é descoberta “por acaso”, o médico indica o acompanhamento do crescimento da dilatação da veia. Quando o inchaço tem um diâmetro menor que 5,5 cm, o aneurisma tem menor chance de se romper, e os riscos são bem menores do que o perigo de um procedimento cirúrgico.

Neste caso, são continuamente realizados exames para monitoramento da condição. O médico indica também métodos para controle da pressão arterial, colesterol e outros bons hábitos de vida.

Procedimentos cirúrgicos

A maior parte das cirurgias é realizada de dois modos: por clipagem ou pela chamada embolização. Isso para a prevenção ou cura do rompimento da dilatação. No uso do clipe cirúrgico, o médico bloqueia a entrada de sangue no aneurisma, impedindo que ele inche. Como o aneurisma normalmente é um inchaço “acoplado” à artéria, o sangue é bloqueado apenas nesta bolsa, e o fluxo pelo vaso em si continua normalmente. A dilatação então murcha, como acontece com um balão que perde o ar.

A embolização, por outro lado, é um processo menos invasivo. Afinal, para a inserção de um clipe cirúrgico, o médico precisa abrir o corpo do paciente. Na embolização, não. Este segundo procedimento é realizado por meio da inserção de um cateter na artéria femoral, localizada na coxa. Aos poucos, o cateter é movimentado pelo corpo até que encontre o local em que a dilatação está localizada.

Após encontrar o aneurisma, o médico instala na protuberância algumas pequenas molas de platina. Estes dispositivos vão impedir que uma hemorragia ocorra, pois se enrolam no interior do vaso e agem como um coágulo, impedindo sangramentos.

Outras cirurgias

Outros métodos são específicos para a aorta abdominal e a aorta torácica. A primeira alternativa é a retirada da parte da aorta em que a dilatação está localizada. Em seu lugar, é inserido um tubo flexível, que fará as vezes de vaso sanguíneo pelo resto da vida. O processo traz riscos preocupantes, pois é necessário realizar a interrupção do fluxo sanguíneo antes da troca por um tubo. Por isso, o procedimento é utilizado apenas após uma minuciosa avaliação da situação do paciente.

Uma variação deste procedimento também insere um tubo na artéria que sustenta a dilatação. No entanto, isso acontece com um auxílio de um cateter. Assim como no caso do aneurisma cerebral, é um tratamento endovascular. O tubo que irá substituir a parte da artéria que sustenta o aneurisma é inserido através de um cateter. Pode-se inserir também as molas de platina, como ocorre na embolização.

O pós-operatório

Após um procedimento para a contenção da dilatação, são necessários alguns cuidados por parte do paciente. O primeiro deles é o repouso: o tempo necessário varia de acordo com o tipo de cirurgia realizada, mas o descanso é importante para que o corpo volte a suas funções com calma. Além disso, o repouso garante que o organismo não sofra tantos impactos de movimentos, que poderiam comprometer a cicatrização do processo.

É preciso também ter atenção a mudanças fisiológicas. Ou seja, a vontade intensa de urinar, várias vezes por dia, ou alterações no ciclo intestinal. Estas condições podem ser sinal de que o corpo está reagindo de forma diferente do esperado, e devem ser narradas ao médico. Assim, o especialista poderá fazer o melhor acompanhamento possível, garantindo o sucesso de resultados da cirurgia.

O cirurgião costuma também indicar o uso de alguns medicamentos, que auxiliarão a recuperação do indivíduo. Entre eles há bloqueados dos canais de cálcio, remédios contra a dor e contra convulsões.

Costuma-se ainda realizar um exame de angiograma periodicamente após uma cirurgia. O angiograma permite visualizar de forma clara os vasos sanguíneos, mostrando, por exemplo, se o clipe inserido para contenção está agindo como o esperado.

Riscos do pós-cirúrgico

Após uma cirurgia contra o aneurisma, alguns problemas podem surgir. Por isso, é fundamental que todo paciente conte com acompanhamento médico regular.

Entre as condições possíveis está a trombose. A trombose é uma doença que ocorre quando um ou mais coágulos sanguíneos obstruem os vasos sanguíneos. Os resultados incluem dores e inchaço na perna afetada, sensação de queimação e mudança na cor da pele dos membros inferiores.

Se a cirurgia for realizada após o rompimento da dilatação, pode acontecer a chamada hipotensão pós-cirúrgica. Isso significa que há constantes quedas de pressão arterial, prejudicando o funcionamento cardiovascular do indivíduo e a recuperação do organismo.

Por último, existe a possibilidade de ocorrência do chamamdo ressangramento. Ou seja, o aneurisma já rompido anteriormente, e tratado, volta a se romper. A situação costuma demandar um novo procedimento cirúrgico, e pode aumentar as consequências ruins ao corpo.

Prevenindo o aneurisma

Para prevenir a ocorrência do aneurisma, é possível realizar algumas ações ao longo da vida. Todas elas, além de indicarem a atenção à saúde, poderão prevenir principalmente os fatores associados à doença, como a pressão alta. Com estes quadros precavidos, as paredes das artérias tendem a manter-se saudáveis. Do contrário, elas se tornam fracas, e assim ficam suscetíveis ao desenvolvimento das dilatações.

Deste modo, o primeiro passo para cuidar da saúde e prevenir a doença é manter uma dieta balanceada. Isso significa que todo indivíduo, ao longo da vida, precisa consumir regularmente frutas, verduras, legumes e cereais. Os alimentos possuem alta concentração de nutrientes, importantes ao funcionamento do corpo. Somado a isto, é fundamental evitar o consumo excessivo de sal, do açúcar e do colesterol, presentes principalmente em produtos industrializados e comidas fast food.

Alimentos ricos em minerais, antioxidantes e vitaminas devem igualmente fazer parte da dieta. Estes nutrientes possuem a capacidade de reduzir a inflamação dos vasos sanguíneos, e proporciona uma melhor saúde cardiovascular.

O ideal é ainda realizar o consumo de ao menos duas porções de frutas frescas por dia. As mais benéficas são as conhecidas frutas vermelhas, como framboesas, morangos, mirtilos, amoras e uvas.

Evitar o consumo de álcool, drogas, cigarro, e de medicamentos não prescritos por um especialista é da mesma forma importante à saúde. Todas estas substâncias criam no organismo uma predisposição a uma série de problemas, incluindo os aneurismas.

Finalmente, realize exercícios físicos frequentes. O esporte é o responsável por manter um bom condicionamento físico, por fortificar a atuação cardiovascular do organismo e trazer bem-estar que influencia em todo o dia a dia do indivíduo. O recomendado é que ao menos 30 minutos de atividades sejam realizados diariamente. Ou ao menos três horas de exercícios semanais.

Família e saúde

Na hora de garantir que sua saúde anda em dia, você precisa primeiro considerar seu histórico familiar. Pessoas que possuem na família casos de aneurisma têm maior risco de desenvolver o problema. Assim, é importante procurar conhecer como andam as condições de seus pais, avós e tios. Há ocorrência das dilatações em alguém? Existem outras doenças comuns a vários dos seus parentes, como diabetes ou pressão alta?

Quando o indivíduo possui estes dados, ele pode se encaminhar ao médico com maior propriedade. Ou seja, no consultório, apresente estas ocorrências comuns entre seus familiares. Sabendo das doenças, o especialista poderá indicar uma série de exames para verificar sua saúde por completo. Se descoberta antes da ruptura, uma dilatação traz muito menos problemas do que quando a cirurgia é realizada de forma emergencial.

Se, felizmente, os exames não apontarem problemas, isso não significará que você deve ter menos cuidado. A partir dos 30 anos, pelo menos, é essencial realizar um check-up periódico do organismo. Solicite ao seu médico a indicação de uma série de testes, e fique sempre atento a alterações no seu corpo, mesmo que elas sejam mínimas. Caso não desapareçam com o tempo, elas devem ser reportadas ao especialista, para que possam ser analisadas de perto.

Cuide da saúde!

Condições ruins como o estresse também influenciam o surgimento de doenças, inclusive do aneurisma. Por isso, procure sempre reduzir situações que causem níveis elevados de estresse, como discussões, o trabalho excessivo ou o acúmulo de tarefas. Caso o problema passe a ocorrer, identifique sua origem e procure eliminá-la. Uma dica interessante para o tratamento destes quadros é realizar atividades relaxantes e fazer pausas na rotina. Além disso, exercícios físicos como o Pilates e o Yoga podem contribuir bastante para a eliminação da tensão.

Com atenção constante e a manutenção de bons hábitos, indicados para qualquer um que deseje qualidade de vida, a chance de ocorrência de um aneurisma se torna menor. Lembre-se, de qualquer modo, que o diagnóstico precoce é a melhor prevenção a um problema maior. Por isso a importância de visitar o médico periodicamente, mesmo que não haja uma doença lhe incomodando. Cuidar da saúde é indispensável em qualquer idade!

       

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