Aneurisma cerebral: sintomas, sequelas, causas, cirurgia

Essa doença pode ser de causa congênita (mesmo que seja raro) ou desencadeada por outros episódios específicos.

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O aneurisma cerebral, também conhecido como aneurisma secular, nada mais é do que um tipo de dilatação que se desenvolve na parede de uma artéria cerebral que está enfraquecida.

A partir disso, a pressão sanguínea poderá “forçar” essa parede fragilizada e, dessa forma, desencadear a formação de uma “bexiga”. Essa, por sua vez, pode ir crescendo lenta e progressivamente.

Esse crescimento, no entanto, é extremamente perigoso, visto que essa bexiga pode provocar uma pressão em outras regiões do cérebro, ou até mesmo romper uma artéria. Com esse rompimento, teríamos uma hemorragia cerebral.

O tamanho do aneurisma pode variar de pessoa para pessoa. Há quem apresente quadros com alguns milímetros de tamanho. Em outros, é possível notar a presença de até 1 cm ou, em casos mais raros, 2 cm de diâmetro.

O formato costuma ser secular, embora possa atingir diversas formas irregulares. Mais uma vez, enfatizamos que tudo dependerá do quadro clínico e histórico do paciente.

Essa doença pode ser de causa congênita (mesmo que seja raro), ou desencadeada por outros episódios específicos. Exemplificamos a seguir.

Principais causas do aneurisma cerebral

Como mencionamos, o aneurisma cerebral ou secular pode ter origem congênita. Ou seja, a pessoa já nasce com um tipo de fragilidade das artérias cerebrais. Porém, esta causa é rara, sendo que pouquíssimos casos foram catalogados partindo desse pressuposto.

Sendo assim, encontramos outras contingências que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da doença. Entre elas, temos:

  • Hipertensão arterial: A pressão arterial é uma das maiores vilãs quando o assunto é aneurisma secular. Isso porque a pressão presente nas artérias pode, progressivamente, fragilizar a parede dos vasos sanguíneos cerebrais. Com isso, a chance de desenvolver a doença é imensa. Por esse motivo que é tão importante manter o tratamento da hipertensão em dia.
  • Dislipidemia: Este é a segunda maior causa dessa grave doença. Trata-se de níveis elevados de triglicerídeos e colesterol no sangue.
  • Diabetes: A diabetes, por sua vez, pode causar problemas graves de circulação sanguínea. Como consequência, as pressões nas artérias podem aumentar, desencadeando a doença.
  • Cigarro e álcool: Abusar de substâncias como cigarro e álcool pode ser um dos primeiros passos para o desenvolvimento do aneurisma cerebral.
  • Hereditariedade: Por fim, temos a causa provinda da hereditariedade. Cerca de 15% das pessoas que apresentam o aneurisma secular pertencem a famílias que já apresentaram incidência do problema.

Quais são os sintomas do aneurisma cerebral?

Infelizmente, ainda não é possível apontar com precisão os sintomas que caracterizam o aneurisma cerebral. Isso porque essa doença costuma ser silenciosa e, quando ocorre de manifestar os seus sintomas, é porque a mesma já está “avançada” e desenvolvida.

No entanto, há ainda alguns pontos que podemos observar acerca do problema, numa tentativa de estipular a sua presença ou não. Veja a seguir:

  • Dores de cabeça: o primeiro sintoma que uma pessoa com desenvolvimento de aneurisma secular pode apresentar são as constantes e inexplicáveis dores de cabeça. Essas ocorrem devido ao fato de a “bexiga” crescer e pressionar regiões no cérebro.
  • Desmaios inexplicáveis: este pode ser outro sintoma que indica o desenvolvimento do problema.
  • Náuseas e vômitos: quando se inicia o processo de rompimento do aneurisma, o paciente costuma apresentar constantes quadros de náuseas e vômitos.
  • Perda da consciência: em um estado mais avançado, há quem perca a consciência devido à hemorragia cerebral. Isso porque diversas áreas do cérebro passam a ser atingidas, desencadeando estas perdas.
  • Confusão mental: na mesma linha que diz respeito à perda de consciência, pode-se desencadear episódios de confusão mental. O sujeito passa a ter certa dificuldade em se expressar ou tomar atitudes simples.
  • Problemas para se locomover: as pernas parecem não ter mais força, assim como expressar-se e utilizar as mãos e os braços pode se tornar uma tarefa impossível. O paciente passa a não ter total controle do seu corpo, dificultando a locomoção, inclusive.
  • Face paralisada: Quando falamos em dificuldades de se expressar, essas vão além de questões relacionadas apenas a fala. A expressão facial, inclusive, fica comprometida. É como se a pessoa não conseguisse mais controlar e, a partir disso, surge a paralisia facial.
  • Visão comprometida: Dependendo da região cerebral que for afetada, o sujeito pode ainda desencadear problemas severos de visão. Enxergar torna-se uma tarefa cada vez mais dificultosa, atrapalhando significativamente a vida da pessoa.

Estes são os sintomas mais corriqueiros que foram catalogados do problema. No entanto, vale ressaltarmos ainda que a maioria deles trata-se do processo de rompimento do aneurisma. Ou seja, quando ainda não há nenhum tipo de hemorragia ou o aneurisma ainda não se rompeu, dificilmente haverá sintomas – exceto nos casos onde a “bexiga” esteja presente em regiões específicas do cérebro. A partir de algumas localidades, será possível desencadear as náuseas, vômitos, desmaios e dores de cabeça.

Sequelas da doença

Obviamente, a maior e incalculável consequência que o aneurisma cerebral pode trazer para o paciente é sua evolução a óbito. Visto que esse problema é, na maioria dos casos, silencioso ao se romper e danificar a estrutura cerebral da pessoa.

No entanto, quando se há a possibilidade de reconhecer o problema ainda no início, existem chances de sobrevivência muito maiores, obviamente.

Visto isso, listamos a seguir as principais sequelas que podem acarretar a vida de um sujeito acometido com aneurisma secular. São elas:

  • Estado vegetativo: infelizmente isso é muito comum. Apesar de haver a vitória de permanecer vivo mesmo depois da formação desta grave doença, há quem sobreviva apenas em estado vegetativo. Ou seja, apenas as suas funções vitais permanecem “funcionando”. Todas as outras atividades relacionadas à consciência ficam comprometidas. O que, de certa forma, pode ser, para a família, muitas vezes um fator mais dolorido do que a própria morte.
  • Alterações cognitivas: atividades que antes eram vistas como simples e fáceis para aquela pessoa passam a ser a função mais difícil de exercer. Isso ocorre pois a hemorragia ou a bexiga que o aneurisma forma pode afetar diferentes regiões cerebrais. Entre elas, áreas relacionadas com o cognitivo, à capacidade de prestar atenção e regiões que armazenam aprendizados. Com isso, o sujeito passa a ter dificuldades de lidar com situações que antes lhe eram corriqueiras.
  • Pensamento e linguagem comprometidos: além dos fatores cognitivos de memória, inteligência, percepção e raciocínio ficarem, muitas vezes, dilaceradas, a fala e o pensamento também se corrompem. A partir disso, o sujeito passa a ter dificuldades para se expressar, pensar e dizer o que está pensando. Inclusive, diversas vezes a pessoa esquece-se totalmente como que fazemos para nos comunicarmos. Ou seja, é impossível para ela falar – ela já não reconhece mais a fala humana.
  • Déficits motores: além de abranger grandes e importantes questões cognitivas, o aneurisma cerebral pode ainda acarretar em déficits motores. Caminhar, escrever, se abaixar, levantar… Enfim! Tudo sempre dependerá da região cerebral que sofreu a lesão. Dessa maneira, diversas questões acerca de dificuldades motoras podem surgir, diferenciando-se de paciente para paciente.
  • Tontura: o corpo passa a ter dificuldades de reconhecer se está ou não em movimento. Com isso, desencadeiam-se constantes casos de tontura no paciente que sofreu o aneurisma.
  • Visão duplicada ou turva: a visão também pode ser dilacerada com a doença. Há casos em que o sujeito apresenta uma pequena dificuldade de enxergar. Em outros, a pessoa passa a ter visão duplicada ou completamente turva. Há ainda quem possa ficar completamente cego.

Estas são as principais sequelas que o problema pode desencadear. Porém, é necessário estipular estratégias para tentar – na medida do possível – reverter, mesmo que minimamente, estes efeitos. Para isso, existem alguns tratamentos que auxiliam na minimização das sequelas. Falamos sobre eles no tópico a seguir.

É possível tratar as sequelas?

Existem alguns tipos de tratamentos domiciliares que auxiliam os pacientes em sua recuperação. Desse modo, tratam das sequelas na medida do possível, para que a vida da pessoa seja impactada da menor forma possível. Dentre os tratamentos, temos:

       
  • Fisioterapia neurológica: a fisioterapia neurológica consiste no processo de reabilitar o paciente para que possa melhor desenvolver as suas capacidades motoras que foram comprometidas pela doença. Além disso, trabalham questões de equilíbrio e respiração a fim de promover um melhor controle da pessoa sobre si mesma. O tratamento, quanto mais precoce, melhor é. Isto porque quanto antes se inicia a busca por respaldos para as sequelas, a chance de revertê-las é sempre maior. Por esse motivo, é crucial o acompanhamento de profissionais especializados nesta área, desde o momento em que se é descoberto o problema.
  • Psicoterapia: além das questões relacionadas ao físico, sabemos que a saúde mental do paciente fica severamente comprometida. Afinal, “até ontem” a pessoa podia levar uma vida saudável e normal, podendo cuidar de si e de seus afazeres. A partir do momento que a descoberta surge, toda a vida passa a ser comprometida pelo problema. Muitas vezes, tarefas simples deixam de ser tão simples assim e a pessoa passa a necessitar da ajuda de terceiros. E por mais que esta ajuda seja altruísta, somente quem a precisa sabe o quão incapaz ela o faz sentir. Por essa razão, a psicoterapia surge como um acompanhamento crucial. E além das questões acerca da autoestima, a capacidade de sociabilidade pode ficar comprometida também. É aí que o trabalho do psicólogo clínico entra: para conseguir montar uma estrutura, juntamente com o paciente, que traga respaldo para a sua nova forma de vida, visando a saúde mental e o restabelecimento da esperança e felicidade na vida do sujeito.
  • Meditação e relaxamento: os acompanhamentos psicológicos e físicos montam e englobam circunstâncias que fortaleçam o sujeito diante do problema que enfrenta. Mas, além disso, encorajam-no para seguir em frente. Além dessas questões, meditar e relaxar podem ser outra opção que ameniza as sequelas. Isso ocorre pois a pessoa passa a ter um retorno de consciência sobre si e o seu próprio corpo, além de relaxar e provocar o bem estar em si.

Cirurgia para aneurisma cerebral

Quando o problema é reconhecido, existem dois tipos de cirurgia do aneurisma que são comumente feitas. Além do mais, a partir do momento que se é diagnosticado o problema, ele passa a ser visto como uma urgência médica, visto que apenas 1/3 das pessoas acometidas com o problema sobrevivem.

Sendo assim, a cirurgia é feita no paciente que nota-se o rompimento do lóbulo e pode ser desencadeada a partir de dois procedimentos. São eles:

Colocação de clipe

Normalmente, o tratamento do aneurisma cerebral é feito a partir da colocação de um clipe metálico entre o vaso sanguíneo e o aneurisma em si. Obviamente, este procedimento é cirúrgico e é feito através de uma pequena abertura no crânio do paciente (a conhecida craniotomia).

No entanto, não há um corte cerebral no momento da cirurgia. O mesmo é apenas dissecado e separado para que seja possível dar continuidade ao procedimento.

Além do mais, normalmente o problema está situado por baixo do cérebro e é preciso, dessa forma, que se chegue até esse local sem cortar ou ferir a massa cerebral. Normalmente esta cirurgia dura, no máximo, 4 horas. O resultado é, em quase todos os casos, positivos.

Mola de platina

Há ainda outra forma de tratar o problema do aneurisma cerebral, também caracterizado como urgência e emergência. Utiliza-se, nesses casos, uma mola delicada de platina, ocasionando o tratamento a partir do conhecido tratamento de embolização endovascular.

A partir da virilha, é posto um micro cateter, que é capaz de levar esta “mola” até a região afetada e, assim, preenche-se a região afetada (o aneurisma em si) com esses aspirais de platina. Estes, por sua vez, extinguiram a corrente de sangue na região.

A partir disso, a “bexiga” para de crescer e o risco de estourar é igual a zero.

Quando o lóbulo é reconhecido antes do seu rompimento, o acompanhamento deve ser severo, a fim de extinguir o problema da mesma maneira que mencionamos anteriormente.

Aneurisma cerebral tem cura?

Existe cura para aneurisma cerebral sim. No entanto, o mesmo só poderá ser tratado e extinto da vida do paciente quando for diagnosticado antes do lóbulo estourar. Ou seja, caso haja a hemorragia, a pessoa infelizmente será acometida de sequelas.

Caso contrário, quando se há a possibilidade de reconhecer o quadro do problema quando o mesmo ainda não avançou, é possível restabelecer a saúde do paciente.

Para isso, é necessário fazer exames de rotina preventivos, sendo que esta é a única forma de reconhecer a presença do problema para buscar a ajuda necessária.

A seguir, falamos um pouco mais sobre os procedimentos necessários para diagnosticar o problema precocemente.

Como diagnosticar precocemente?

Para que o aneurisma cerebral seja curado a partir de um tratamento enquanto o lóbulo ainda não estourou, é necessário o diagnóstico precoce. Para isso, os seguintes procedimentos são necessários:

  • Angio-ressonância magnética: esta é uma das técnicas utilizadas para reconhecer o problema quando o mesmo ainda está no início. Pauta-se em uma ressonância magnética capaz de detectar a presença das “bexigas” características do problema. Dessa forma, lembre-se de incluir este exame no seu check-up semestral ou anual.
  • Exame ocular: este, por sua vez, poderá mostrar a presença (ou não) de pressão cerebral, visto que a mesma aparece a partir da pressão ocular.
  • Exame neurológico: o exame neurológico é capaz de detectar qualquer questão que ressalte confusão motora ou na fala. Estes sintomas, por sua vez, podem caracterizar uma pressão em determinadas regiões cerebrais.
  • Tomografia computadorizada e ressonância magnética da cabeça: são outras possibilidades plausíveis para reconhecimento do problema.
  • Angiografia cerebral: por fim, está é a última alternativa para detecção da presença dos lóbulos do aneurisma secular.

Fatores de risco do aneurisma cerebral

Existem ainda pessoas que fazem parte dos fatores de risco do aneurisma secular. Dentre elas, podemos encontrar:

  • Fumantes (essas pessoas têm 8 vezes mais chances de desencadear o aneurisma cerebral);
  • Mulheres (na maioria dos casos, o aneurisma acomete mulheres);
  • Usuários de drogas entorpecentes, como a cocaína;
  • Pessoas que sofreram traumas cranianos;
  • Pessoas que sofreram ou sofrem com tumores cerebrais;
  • Sujeitos que têm a hipertensão arterial descontrolada;
  • Indivíduos que tenham quadros de aneurisma secular diagnosticado na família.

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