Alergia ao Leite: Sintomas, Tratamento, Remédios e Alimentos Permitidos

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Antes de mais nada, seria interessante entender o que é uma alergia alimentar, isto é, é a manifestação de uma reação anormal do sistema imunológico de nosso corpo às proteínas dos alimentos. Isso é o que acontece em relação à alergia ao leite, ou seja, provém de uma hipersensibilidade do sistema imunológico às proteínas do leite de vaca.

Os sintomas podem surgir alguns minutos ou horas após sua ingestão, podendo variar de leves a mais sérios. Felizmente, a maioria desaparece com a idade. Apenas 15% das crianças alérgicas ao leite mantêm essa alergia quando adultas.

A alergia ao leite é também chamada de APLV, onde a criança não reconhece uma ou mais proteínas do leite: caseína, alfa-lacto albumina e beta-lacto globulina, reagindo a elas.

É muito comum haver a associação da alergia ao leite a outros tipos de alergia às proteínas de outros alimentos, como por exemplo, ovos, chocolate, amendoim e trigo.

Em torno de 50 a 80% dos indivíduos que apresentam alergia ao leite, podem também apresentar alergia a mofo, pelos de animais, poeira, ácaro, etc.

A alergia ao leite representa cerca de 13% das alergias alimentares nas crianças e atinge de 2 a 3% de crianças com menos de 2 anos de idade.

Os diferentes tipos de alergia às proteínas do leite

 A reação alérgica pode ter manifestações diversas, conforme a importância do problemas. Existem 3 tipos:

Reações mediadas por IgE ou Imediatas

 Aparece no período de até duas horas após a ingestão do leite, podendo apresentar urticaria, vômitos em jato, inchaço dos lábios e dos olhos, anafilaxia, choque anafilático, chiado no peito e dificuldade de respirar.

O organismo produz anticorpos do tipo IgE (imunoglobulinas E) para as proteínas do leite. Atinge principalmente crianças abaixo dos 5 anos. Nesse caso, o médico pode solicitar exames de sangue e testes cutâneos a fim de elaborar um diagnóstico.

Reações não mediadas por IgE ou tardias

 Aparece após muitas horas ou dias depois da ingestão do leite. Ela não está ligada à presença do anticorpo mas à estimulação de células imunológicas e onde o organismo não produz os anticorpos IgE.

As manifestações mais comuns são aquelas do sistema digestivo, como o refluxo, a constipação, a esofagite, a gastroenterite, sangue nas fezes, diarreia com ou sem muco, vômitos tardios, cólicas, baixo ganho de peso, etc.

Não é possível a realização de exames de sangue nem cutâneos para auxiliar no diagnóstico pois não há a presença dos anticorpos IgE. Assim, o diagnóstico será elaborado com base na história clínica, em uma dieta livre de proteínas de leite e um teste de provocação oral.

 Reações Mistas

 Os sintomas aparecem cerca de 20 horas ou mesmo imediatos. Por isso, é chamada de mista.Podem apresentar diarreia, vômito, esofagite, dermatite atópica, asma, refluxo, baixo ganho de peso, gastrite eosinofílica, etc.

A fim de elaborar um diagnóstico mais preciso, testes alérgicos podem ser solicitados para verificar as causas da dermatite atópica, por exemplo, e em relação aos problemas do sistema digestivo, recomenda-se a consulta a um gastropediatra.

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Aparecimento da alergia ao leite

 Geralmente, a alergia ao leite aparece nos bebês e desparece em 90% dos casos em torno dos 3 anos de idade, depois de ter sido eliminado o leite e seus derivados da alimentação da criança.

Sintomas da alergia ao leite

 Os sintomas podem originar problemas digestivos, nas vias respiratórias e na pele.

Sistema digestivo

  • Dor abdominal;
  • Vômitos;
  • Diarreia;
  • Náuseas;

Esses sintomas representam cerca de 50% dos sintomas da alergia ao leite. Os vômitos aparecem frequentemente após as refeições, uma diarreia crônica acompanhada de fezes líquidas e cólicas. As dores abdominais são observadas em crianças mais velhas.

Vias respiratórias

  • Congestão nasal;
  • Tosse;
  • Asma;
  • Espirros;

As crianças apresentam dificuldades respiratórias e isso é facilmente observado durante o sono. Algumas vezes, há a presença de tosse associada a um corrimento nasal ou a um barulho respiratório e do muco na garganta. Representam cerca de 20 a 30% dos sintomas.

Pele

  • Afecções cutâneas como urticária e eczema;
  • Vermelhidão;

Muitas vezes, referimos-nos a esses sintomas como dermatite atópica. Representam cerca de 30% dos sintomas.

O choque anafilático, onde observa-se o inchaço dos lábios, da laringe, o edema de glote onde a criança tem dificuldade de respirar, não é muito frequente acontecer em relação à alergia ao leite.

Uma vez que foi desenvolvida a alergia ao leite, não existe que uma forma de evitar uma reação: eliminar da alimentação tudo o que contém proteínas do leite. Lembrando que mesmo uma pouca quantidade pode desencadear a alergia.

Causas possíveis de alergia ao leite

  • Fator genético

Indivíduos com antecedentes familiares de alergias, e entre elas, ao leite, possuem mais chances de apresentar a alergia.

Mas mesmo indivíduos sem histórico familiar, podem desenvolver a alergia.

  • Uso de antibióticos, vacinas e hábitos de limpeza

A criança pode estar mais vulnerável, pois há uma alteração no seu sistema imunológico.

  • Consumo precoce das proteínas do leite

Muitas vezes, algumas mães oferecem desde cedo o leite de vaca aos seus filhos e isso pode desencadear uma APLV. Isso ocorre porque o sistema digestivo da criança ainda está em formação e pode apresentar dificuldades na sua absorção.

 Alergia ao leite x Intolerância à lactose

 Muitas pessoas confundem alergia ao leite com intolerância à lactose, em razão de seus sintomas serem bem parecidos, como por exemplo, diarreia e cólicas intestinais, mas é só isso.

A alergia ao leite acontece quase exclusivamente em crianças e geralmente desaparece antes dos 6 anos de idade.

Já a intolerância à lactose se dá principalmente em adultos e provém de uma deficiência da enzima, a lactasse, necessária ao sistema digestivo para degradar a lactose e esta não é absorvida pelo organismo.

       

Veja alguns sintomas da intolerância à lactose:

  • Gases;
  • Diarreia ou constipação;
  • Dores ou cólicas abdominais;
  • Vômitos nas crianças;
  • Fadiga crônica, tendência depressiva, membros doloridos, dor de cabeça, problemas de concentração.

Os sintomas da intolerância podem aparecer de 20 minutos até mesmo no outro dia. Seu efeito é um pouco mais longo do que a alergia ao leite.

Diagnóstico

 Hoje em dia, quando há a suspeita de alergia às proteínas do leite, ferramentas existem para confirmar o diagnóstico.

Na maioria das alergias, pesquisa-se a presença de anticorpos específicos , os quais demonstram um desequilíbrio do sistema imunológico. Pode ser feito através de testes cutâneos e um exame de sangue também pode ser realizado.

O médico pode solicitar um exame de sangue, a fim de verificar a presença de IgE (RAST, ImmunoCap) e um teste cutâneo chamado de prick test.

O teste de provocação oral baseia-se na reintrodução progressiva do leite na dieta, sob a supervisão de um médico e geralmente é em ambiente ambulatorial ou hospitalar. Isso em razão que se a criança apresentar alguma reação mais séria, o médico pode medicá-la de imediato.

Na verdade, nenhum exame pode confirmar com 100% certeza a alergia ao leite. Por isso, é necessário fazer uma análise conjunta de fatores: exames, história clínica e a reação da criança à dieta.

Tratamento para alergia ao leite

 Na verdade, o tratamento consiste basicamente na retirada por completo do leite e seus derivados da alimentação diária e somente um médico alergista pode efetuar um diagnóstico preciso.

Muitas vezes, há a substituição dos produtos lácteos por um leite modificado, o qual contém proteínas que são toleradas na maior parte dos casos.

O médico alergista fará a reintrodução progressiva do leite e seus derivados. Lembrando que essa reintrodução deve ser feita sob supervisão médica.

Os pais precisam estar atentos e reconhecer os primeiros sinais de uma reação sistêmica, pois em determinados casos faz-se necessário a adrenalina intramuscular. E caso haja demora nesta intervenção, pode causar a morte porque a criança para de respirar.

A partir do momento que não houver mais a ingestão da proteína do leite, não haverá mais a produção de células e anticorpos responsáveis pela reação alérgica.

Remédios

 Dependendo da manifestação alérgica, e em determinados momentos de crise, podem ser ministrados anti-histamínicos e corticoides. Mas sempre sob orientação médica.

Nos casos de alergias imediatas e intensas, é recomendável que se tenha fácil acesso a uma caneta auto-injetável de adrenalina. Seu objetivo é que sejam tomadas as devidas medidas antes de chegar ao hospital.

Na verdade, o melhor remédio é eliminar da dieta qualquer produto do leite ou seus derivados.

Alimentos permitidos

Vale ressaltar que a partir do momento em que o leite é retirado da dieta, faz-se necessário obter todos os nutrientes fornecidos pelo leite através de outros alimentos ou suplementação.

Se não houver uma substituição adequada ao leite de vaca, isso pode prejudicar o crescimento assim como o surgimento de uma série de doenças.

Em bebês que não estão sendo amamentados, os médicos podem prescrever fórmulas ou dietas específicas para crianças com alergia.

Essas fórmulas não contêm as proteínas do leite. Temos à disposição algumas fórmulas: à base de aminoácidos, à base de proteína do soro de leite, caseína ou soja e à base de soja. Mas é importante analisar se a criança também não é alérgica à soja.

É sempre bom lembrar que algumas pessoas acreditam que podem fazer uso do leite de cabra, por exemplo, mas este leite possui proteínas muito semelhantes às do leite de vaca, logo e não é recomendado sua ingestão em caso de alergia ao leite de vaca.

É de extrema importância verificar com muita atenção os rótulos dos produtos. Se houver a indicação que o produto é isento de proteínas do leite, pode ser consumido.

Alimentos permitidos:

  • Frutas;
  • Verduras;
  • Folhas verdes;
  • Legumes;
  • Feijão;
  • Carnes;
  • Peixes;
  • Arroz;
  • Fubá;
  • Ovos;
  • Farinha de linhaça;
  • Óleos vegetais;
  • Aveia;
  • Castanha e nozes;
  • Sucos de frutas;
  • Margarina sem leite;
  • Farinha de arroz;
  • Frango;
  • Leite de arroz;

Caso esses ingredientes estejam listados nos produtos, o consumo é permitido para os alérgicos ao leite:

  • Lactato de cálcio;
  • Lactato de sódio;
  • Esteraoil Lactilato de Sódio;
  • Esteraoil Lactilato de Cálcio;
  • Cremor de Tártaro;
  • Manteiga de cacau;
  • Leite de coco.

Quais alimentos evitar (contêm ou podem conter leite e derivados)

  • Todos os tipos de leite;
  • Queijos;
  • Iogurtes;
  • Manteiga e margarina;
  • Sobremesas lácteas;
  • Biscoitos;
  • Pães;
  • Maionese;
  • Leite condensado e creme de leite;
  • Requeijão;
  • Chocolate ao leite;
  • Creme para café;
  • Bolos;
  • Purê de batatas/aipim;
  • Pizzas;
  • Coalhada;
  • Sorvete;
  • Manjar;
  • Sopas instantâneas cremosas;
  • Molhos cremosos para salada;
  • Empanados;
  • Achocolatados;
  • Cereais matinais;
  • Barra de cereais;
  • Salgadinhos industrializados;
  • Salsicha;

O ideal é ler com bastante atenção o rótulo dos ingredientes do produto, pois mesmo os derivados podem conter proteínas do leite e desencadear uma reação alérgica.

Lembrando que o leite é uma fonte de cálcio, fósforo, vitamina D e tiamina, muito importantes para o organismo, logo, o médico vai introduzir na dieta alimentos ricos nestas vitaminas e nutrientes para suprir sua falta.

Outro ponto que deve ser observado é a contaminação cruzada, ou seja, fontes escondidas de ingredientes lácteos. Por isso, é importante ver no rótulo do produto se está escrito “Contém traços de leite”.

Algumas vezes pode haver a simples manipulação ou mesmo produzidos no mesmo local que produtos lácteos e isso pode ser também perigoso.

Um exemplo disso é quando os frios são fatiados na mesma máquina onde foi cortado o queijo, por exemplo. Preferencialmente, seria bom evitar os produtos que não contêm rótulos.

Como prevenir a alergia ao leite?

 Dizemos que alguns recém-nascidos possuem um maior risco quando há um histórico familiar de alergia ao leite ou outras alergias. Isso pode bastante útil para se fazer uma prevenção.

Crianças submetidas ao aleitamento materno até os 4 meses de vida, correm um menor risco de desenvolverem alergia ao leite de vaca nos dois próximos anos.

Ainda não há comprovação que uma dieta feita pela mãe durante a gestação ou durante o período de amamentação tenha alguma relação com o aparecimento da alergia ou não.

É claro que uma dieta sem o leite e seus derivados é um pouco complicada, mas tenha em mente que somente dessa maneira é que se vai alcançar uma boa condição de saúde e dessa forma evitará o aparecimento de sintomas um tanto desagradáveis, principalmente em se tratando de crianças.

O ideal é que assim que for verificado um sintoma mais duradouro, procurar logo uma ajuda médica a fim de evitar uma piora no estado geral.

O alergista é o profissional mais habilitado para tratar de pessoas com alergia ao leite e, possivelmente fará o encaminhamento a um nutricionista para elaborar uma dieta compatível com tal condição.

Como já foi dito, em adultos é bem raro de acontecer e em crianças, na maioria das vezes, tende a desaparecer em torno dos 3 anos de idade.

Qualquer sintoma mais sério, não hesite em procurar imediatamente um médico.

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