A ARTE DE CALAR

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Esta é uma reflexão delicada em contraste com as letras garrafais do título. Expressar o que sentimos é muito bom e saudável, principalmente quando desentupimos a garganta, abrimos o peito e aliviamos o coração! Podemos evitar com isso adoecer de formas tão diversas. Até mesmo câncer, pneumonia e úlceras ficam mais distantes de pessoas com facilidade de se expressarem. Mas às vezes é preciso calar para um efeito contrário. Calar para não se expor, para não se arrepender, para não engrossar a situação.

No dia a dia vejo com facilidade o quanto por vezes ganharíamos mais se falássemos bem menos. E quando é que falar menos é o mais indicado?

(Bem, é um treino e temos que ser rápidos no gatilho da mente e das palavras para mudarmos de direção.)

Falar menos sempre é indicado quando a comunicação entre as partes tende para a disputa da verdade. Veja bem, a verdade, sendo verdade dispensa qualquer disputa e não teme a difamação.

Sentiu-se desrespeitado por alguém?

Sentiu-se marginalizado ou maltratado?

Sentiu-se com os direitos roubados?

Tudo bem… te maltrataram… mas a diferença é que necessariamente você não precisa se sentir maltratado… vamos compreender:

Jamais tente provar suas certezas e preserve sua autoconfiança. E isso não se faz reagindo, falando mais alto, exigindo respeito. Afinal, quem tem respeito se respeita, mesmo sendo desrespeitado.

E ficar magoado com os outros ou “qualquer bobagem” não seria se desrespeitar? Você ficou magoado, mesmo o outro tendo também ficado ou (pior ainda) ele pode estar “nem aí” para o que aconteceu…

(Como você deixou isso entrar no seu coração? Não fechou a porta direito? Não tomou cuidado com o ladrão?”)

xiiiii…. foi roubado de si mesmo!

       

Para não reagir de forma negativa às situações negativas e assim colocar mais lenha na fogueira, o jeito é ser um exemplo e afirmar sua autoridade no maior fino trato.

Às vezes palavras podem ser desnecessárias cedendo lugar para o tom de voz, o semblante, o ritmo, os movimentos de quem não precisa se provar.

Tanto jeito diferente de proteger você mesmo!

É por isso que às vezes reconhecemos que um sorriso honesto muda tudo! Ou o jeito de falar… ou chegar…

Dar satisfação quando há um aborrecimento é puro jogo de poder, onde um tenta se provar mais do que o outro. Puro gasto de energia entre egos já feridos.

Deve ser por isso que a arte de calar seria tão fácil se não fosse tãaaao difícil… Os egos podem não deixar de fato.

O que sobrará deste “conflito”? Almas amarrotadas que poderão ficar assim por dias!

Recolha-se no momento exato sem se sentir magoado, mas orgulhoso de ser capaz de se “auto-resolver”. Leve o ego para um cantinho e converse com ele: “que sentimento é esse, o qual me permito invadir?”

Converse sem braveza mas com a serenidade dos sábios. E com cabeça erguida, olhando a linha do horizonte. Ofensa de verdade é aquela que trapaceia sobre você mesmo e em segundos te faz arrepender do que fez, numa dor incalculável!

Sendo assim, devolva para o outro o presente que não te serviu. E silenciosamente (se der conta!) agradeça-lhe por mais uma chance de aprender.

Abraços

Gal Rosa

 

 

       

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