Resistência à tecnologia?

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Sempre encontro pessoas acima dos 60 muito bravas ou resistentes à tecnologia. E a fala é quase sempre a mesma: “não preciso, não me faz falta, não tem espaço em minha vida, gosto de conversar no olho ou … tenho medo de queimar o computador, de ser perseguido pela internet…” enfim.

É! Temos sim, um problema aí.

E se você está aqui lendo esse texto, provavelmente ele não servirá pra você mas poderá servir para um amigo seu. Porém… como seu amigo desconectado não deve acessar nosso site então… você terá que ler para ele ou imprimir ou puxar conversa sobre esse assunto.

E isso é sério!

O fato é que estamos vivenciando uma era de inúmeras mudanças simultâneas: sociais, políticas, religiosas, culturais, familiares… mudanças na educação, nos hábitos, costumes, crenças, modas, comunicação… uma era de mudanças interplanetárias jamais experienciada pela humanidade. E tais mudanças são centuplicadas pois todas elas acontecem ao mesmo tempo com cada 1 dos 7 bilhões de seres viventes na terra. Imaginem a complexidade disso!

E estamos vivendo isso juntos! Mesmo com círculos sociais pequenos, mesmo as pessoas mais isoladas. Não tem como fugir.

O que fazer? Como viver, então? Como viver mesmo não concordando com a forma como os jovens se comunicam ou namoram? Como viver mesmo não concordando com as mudanças sexuais e decisões religiosas?

A principal característica da era tecnológica é a globalização de saberes e conteúdos sobre tudo.

A tecnologia abriu a porta do mundo para entrar e sair quem quer que queira. Mas uma coisa é fato: todos dependem dela pra existir nesta era do tempo. Ou… tem-se que ficar trancado em casa sem conversar com ninguém.

E é justamente aí que está o problema. Trancar-se!

Imaginem isso para a terceira idade? Que muitas vezes vem cheia de insegurança, medo das perdas, sensação de descontrole sobre a vida, conflitos na família, uma tendência para baixa autoestima por um cansaço dos fracassos.

Imaginem o que é deixar de socializar por que a tecnologia invadiu o mundo?

Sim! Adoecimento levando ao fim de vida indesejável. No mínimo depressão. E viver uma vida INTEIRA, no sentido literal da palavra, para no fim morrer de depressão… inadmissível!

Pois bem, se é questão de gosto ou desgosto digo que isso não alterará em nada esta era de mudanças devido a tecnologia, que com todo vigor arrebenta qualquer barreira, qualquer um que vai contra e que num orgulho desnecessário diz “celular não faz a mínima diferença em minha vida”.

A tecnologia não está nem aí para isso. Eu também já desejei que estivesse. Era uma das resistentes a esse “mundo líquido”. Onde as identidades se misturam e sua vida (privada de forma inútil) torna-se pública sem mesmo você saber.

Quer fazer um teste? Digite seu nome completo no Google e faça uma busca. Como disse uma amigo meu: “tem hora que dá vontade até de fazer reverência para o Google, pois ele é capaz de saber mais da minha vida do que eu mesmo”. Não se preocupem, nesse caso meu amigo é famoso.

Acabo de passar por uma experiência incrível sobre esta resistência que pôs em risco uma de minhas alunas. Com uma viagem marcada em um grupo de 35 pessoas, ela resistentemente desconectada nos dá um “oi” e diz “até semana que vem no dia da viagem”. Meu Deus! Dependendo da forma como observamos o tempo, hoje em dia 1 hora é muito tempo. Milhares de coisas acontecem em 1 hora. Imaginem em 1 semana!

Na véspera, houveram alguns cancelamentos que obrigou a mudança de horário da turma. Todos inseridos no whatsapp se comunicando sobre o ocorrido inclusive ligando para os celulares daqueles que ainda não tinham o tal aplicativo. Uma ajuda mútua muito rápida. Em pouco tempo todos estavam cientes do novo horário. Todos! Exceto… ela, minha aluna que nem celular tinha.

Tudo seria mais tranquilo se a viagem não fosse em dia de feriado. E o horário não seria mais 6h da manhã mas… 21h. Ou seja… o pior ocorreu: ela chegou no local 6h da manhã, sozinha de táxi, sem entender porque a rua estava vazia e principalmente sem os companheiros de viagem e mais ainda SEM ENTENDER PORQUE NÃO TINHA NINGUÉM. Sozinha. Pois é.

O que fazer? Um diálogo interno infernal se inicia: “Será que foram embora e me deixaram? Mas iriam fazer isso comigo? Paguei caro! Uai! Errei o dia? Estou com problemas de memória?”

Em seguida uma inevitável dor de cabeça! E o jeito foi pedir o celular do vigia emprestado (além de sua proteção) para ligar para neta depois de 45min de espera, numa rua deserta.

Não teve jeito! Teve que usar a tecnologia alheia.

Esse texto não é uma apologia à tecnologia mas sim um convite à reflexão do motivo da resistência ao seu uso sendo que é impossível nos dias de hoje vivermos totalmente sem ela.

Não tenha medo de uma máquina construída pela mente humana. Ela é nossa criação, somos mais inteligentes.

E não subjugue a mente humana pensando no que deve haver nos seus negros porões. Não pense nos porões da mente. Não pense na maldade dos outros. Mas suba até o seu sótão e confie no raio de sol que passa pela fresta do telhado e então, ilumine-se!

Tenho certeza que você será sábio o suficiente para utilizar a tecnologia somente para o bem da humanidade, para sua segurança, sua socialização e a seu favor.

 

Até a próxima

Gal Rosa