SOLIDÃO OU ISOLAMENTO SOCIAL?

uma reflexão para podermos compreender e ajudar pessoas que envelhecem sozinhas

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Este é um tema que encontrei ao me questionar como é que a gente se refere a pessoas que por um motivo ou outro envelhecem sozinhas. Podem estar em solidão como podem estar em isolamento social.

Por ora podem contar com auxílio de algum bom ser humano que lhe faça algumas visitas ou lhe convide para sair um pouco. E só.

Parece a mesma coisa mas não é! A solidão pode levar ao isolamento em algum momento. Mas ela tem como princípio, aspectos psicológicos. Já o isolamento social é o afastamento do contato social, qualquer que seja o nível, e pode ser por desejo próprio ou não.

Observar tais aspectos me faz desenvolver sentimentos de empatia e assim contribuir com os “diversos tipos de minha presença”, caso seja possível e permissível.

Muito provavelmente, ao ler até aqui este texto, de forma suficiente, já sentimos uma inquietação e rapidamente avaliamos se a nossa vida caminha pra isso.

A solidão, segundo o mais buscado dicionário de todos os tempos (wikipedia):

“não é o mesmo que estar desacompanhado. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria.”

Em termos psicológicos, a solidão trás sentimentos de falta de significado e objetivo de vida.

A solidão pode ocorrer enquanto estando junto de outras pessoas. Geralmente quando há rancores ou sentimentos de raiva, levando o indivíduo a se isolar e, assim, ter dificuldade de encontrar caminhos para solucionar seus problemas pessoais.

Somos essencialmente seres relacionáveis e comunitários. É isso que nos possibilita viver. Precisamos sempre de um outro ser humano para nos apontar as trilhas da grande jornada da vida, ao nascermos. E enquanto adultos e maduros contamos uns com os outros para continuarmos nosso trajeto.

A vida é complexa e cheia de novidades, imprevistos, possibilidades. É por isso que precisamos estar juntos até o nosso último dia. E colaborar com tal sentimento faz parte da grandeza humana.

Há uma teoria sobre a atividade que diz sobre o “desengajamento social e a inatividade”, onde o sentimento de finitude se aproxima de tal forma, nos fazendo naturalmente compreender que a morte está próxima. Vamos naturalmente nos desinteressando do mundo e das coisas.  N a t u r a l m e n t e !

Esta teoria se aplica à percepção real e sensata de que a vida chega ao fim. Há uma tendência natural ao isolamento e sentimento de solidão, pois o processo é muito particular. Portanto, verificar o tipo de solidão, é importante, caso desejamos ajudar uns aos outros a concluir a jornada. Compreender, aceitar, respeitar e ser solidário à solidão do outro, ou… aproximar e oferecer sua presença, sua escuta, o calor de sua colaboração para que o outro sinta-se pertencente à vida, importante para o outro, enfim, sinta-se digno.

O fato é que nunca sabemos quando vamos morrer. Assim, para quê antecipar a morte? Quem antecipa poderá experimentar enorme sentimento de solidão e então, isolamento.

Porém, isolamento social é “um comportamento no qual o indivíduo deixa de participar – voluntariamente ou não – de atividades sociais em grupo como trabalho e entretenimento. É um fenômeno geralmente observado na população idosa, sem-teto ou grupos com pouca mobilidade entretanto não é limitado a estes(…)”.

Podemos observar que o isolamento social muitas vezes pode acontecer, não somente pelo desejo da pessoa em se afastar, mas pelo nosso preconceito.

E é sobre isso que recai a necessidade de tornar consciente que todo ser humano tem o mesmo mundo pra viver mesmo cada um tendo histórias diferentes. E que esse mundo pertence a todos independente de crença, raça, idade ou cultura. E que as diferenças geradas entre os povos, sociedades, comunidade, grupos e indivíduos nunca será suficiente para dizer que uns são melhores do que os outros. Pessoas presas por crimes também estão em isolamento social.

Tais diferenças são originadas com base em julgamentos de valores equivocados dos seres humanos. E mais ainda, pela consciência adormecida que pode me fazer sentir melhor do que o outro – (afinal de contas é muito difícil aceitar convivência com algum prisioneiro, verdade? Vamos colocar toda culpa no ato criminoso e sua “feiúra”, sendo quase impossível me conectar com alguma virtude daquela pessoa).

Acredito que o isolamento social, em sua grande parte, se deve a esse preconceito que alimenta enormes rachaduras em todos os níveis de relacionamentos sociais. E que pode ser resolvido pelo poder da empatia e pela prática de que todos SOMOS SERES. E portanto enquanto seres, SOMOS IMATERIAIS.

Em ambos os casos, solidão ou isolamento, a correção se faz com a presença e a prática da empatia. Estou cada dia mais convicta disso ao ouvir tantas pessoas com visões incríveis refletindo sobre, e praticando também.

Verificar e vivenciar que há chances de um mundo bem melhor pra todos e pra toda diversidade, não tem preço. É uma alegria que me contagia e me faz sentir viva, com sangue na veia. E você?

 

 

gal

Gal Rosa

Terapeuta Ocupacional Gerontóloga

social media do www.aterceiraidade.net

email: gal@aterceiraidade.com

Youtube: A Terceira Idade com Gal Rosa

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2 Comentários

  1. Lilia Diz

    como Vai Gal prazer. Meu nome é Lilia Porto tbm sou Terapeuta Ocupacional, só que na AUSTRALIA. Estou de visita ao Brasil , à procura de apoio para minha mãe início de demência mas ainda muito bem. Ela e semi dependente, mas precisa de estar fora de casa , por um período , para atividades que a estimulem com divertimento e socialização e um descanso para meu pai poder se refazer, ouve outros traumas anterior com mamãe sofreu acidente automobilístico a quase 2 anos atrás e as sequelas ficaram para os dois.
    Estamos em dois estados( duas cidades) e gostaria de saber se você saberia me indicar algum centro/clínica que ofereça esse tipo de serviço no Rio e Janeiro( cabofrio se possível ) e Belo Horizonte.
    Muito obrigada Lilia

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