Luto no processo de envelhecimento parte II

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Os casais que permanecem juntos durante muito tempo, frequentemente, cuidam um do outro num oferecer recíproco de suporte físico e emocional, compartilham inúmeras experiências como o nascimento dos filhos e netos, dividem angústias, sofrimentos e sonhos.

Portanto a perda de um parceiro é um processo extremamente doloroso, pois a pessoa vivencia dois sofríveis acontecimentos simultaneamente: a separação do cônjuge e o confronto com o fim da vida. Após a perda há o enfrentamento de processos de readaptações, os quais, geralmente, são atrelados a um sentimento de pesar e tristeza.

Solidão na viuvez
A solidão, muitas vezes, pode surgir após a perda do parceiro, pois é uma vivência decorrente da separação de um ser humano; um sentimento que só deixa de existir por meio do estabelecimento de uma relação de reciprocidade, segurança e dedicação. Estudiosos constataram que a solidão possui diversos significados, como aflição emocional; momentos de revisão de vida; vazio deixado pelas perdas; sentir-se só mesmo acompanhado; é não ter sonhos; não ter propósitos, é um desejo de estabelecer interação impossível com uma pessoa específica e a inexistência de alguém que possa cuidar, amar e dividir suas experiências e atividades rotineiras.

Fases de ajustamento da viuvez
Essas fases de ajustamento foram descritas por Lopata em seus estudos sociais.
– A primeira fase consiste na desintegração dos laços com o cônjuge e em aceitar seu falecimento, transformando as experiências vividas em lembranças.
– Já a fase seguinte ocorre, aproximadamente, um ano após o falecimento do cônjuge; é o momento no qual a pessoa viúva irá se voltar para as demandas de sua vida real como as atividades rotineiras.
-Dentre um ou dois anos a pessoa viúva passa a enfrentar a terceira fase, onde poderá haver o interesse por novas atividades e por outras pessoas.

Ressignificação de vida
Após passar pelo período mais difícil da perda do cônjuge, muitas pessoas podem descobrir que possuem capacidade de crescer emocionalmente e se desenvolver, estabelecendo e criando novos significados para suas vidas.
Alguns retomam seus sonhos passados; desenvolvem novas habilidades e redescobrem partes de si mesmas. Dessa forma, passam a desempenhar papéis diferentes daqueles que exerciam anteriormente; algumas pessoas até passam a cuidar mais de si mesmas e aproveitar mais a vida.

Espaços de Convivência e Universidades Abertas à Terceira Idade
Esses locais são propícios para os relacionamentos sociais e do contato com outras pessoas. São realizadas atividades culturais, artesanais, educacionais e turísticas; as quais promovem o bem-estar psicológico e social, evitando que a pessoa permaneça isolada em seu ambiente doméstico.

Os passeios, contatos com os vizinhos e participação de grupos de excursões possibilita uma manutenção do contato social e entretenimento. Além disso, a inclusão social diminui o sentimento de solidão e evita que a depressão se instale.
Texto por Milena Yuri Suzuki – Gerontóloga pela USP e diretora de Suporte à Profissão da Associação Brasileira de Gerontologia.

 

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