Alzheimer – Sintomas, Tratamentos e Causas

Pesquisas científicas vem avançando nas descobertas e soluções para a doença.

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Conforme a idade avança, é comum que o indivíduo perca algumas funções cognitivas e da memória. Afinal, ao longo dos anos o corpo se desgasta naturalmente, devido a seu uso durante toda a vida. Entretanto, nem sempre estes efeitos são resultado apenas do tempo: eles podem indicar problemas mais sérios, como a doença de Alzheimer. Conheça o distúrbio e os avanços da pesquisa sobre o problema!

Mal de Alzheimer?

O mal de Alzheimer, ou melhor, a doença de Alzheimer, é a principal causa da demência no mundo. Conhecida por muitos como Mal de Alzheimer, o distúrbio não deve ser chamada com esta denominação. Segundo especialistas. Isso porque a palavra ”mal” estigmatiza o paciente, ao mesmo tempo em que reforça os aspectos devastadores da condição para a saúde do afetado e família – algo que pode ser bastante prejudicial no convívio com a doença.

A doença de Alzheimer ficou conhecida por este nome em referência ao médico Alois Alzheimer, que descreveu o problema pela primeira vez, em 1906. Na época, o médico tratou uma paciente que aos 51 anos começou a apresentar sinais de demência, perda progressiva da memória, dificuldade em compreender a linguagem e de se expressar.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 36 milhões de pessoas no mundo sofrem com a doença. Até 2030, o número de afetados deve chegar a 72 milhões, e a 108 milhões até 2050.

O que é o Alzheimer?

O Alzheimer é caracterizado pelo declínio gradual das capacidades cognitivas de um paciente. Isso quer dizer que, ao longo do tempo, o indivíduo tem sua capacidade de pensar diminuída, sua memória falha e o comportamento diário é modificado. As alterações ainda dificultam a capacidade de interação social.

O problema ocorre quando há deficiência de conexão na comunicação dos neurotransmissores. As substâncias químicas estão presentes nos neurônios e são responsáveis pela transmissão dos pulsos elétricos. Ou seja, as substâncias coordenam a da ação-reação do cérebro, o comando das células e funcionamento de cada uma.

Os reflexos da deficiência, então, começam a aparecer ao longo dos anos. De início, o indivíduo apresenta perdas de memória recente. Depois, fatos mais antigos “desaparecem” de seu consciente, e em seguida ações realizadas há poucas horas não ficam mais registradas. Os impactos no cotidiano são grandes, e tendem a pioram de acordo com a evolução da doença.

Mas qual a causa do problema?

Dia após dia, os cientistas de todo o mundo vem desenvolvendo estudos que buscam entender o Alzheimer. A causa real do distúrbio ainda é desconhecida. O que se conhece atualmente são fatores percebidos em muitos dos pacientes afetados, e por são considerados relacionados ao problema.

Entre estes fatores estão o acúmulo de duas proteínas: a chamada beta amilóide e a Tau. Ambos os componentes formam placas no cérebro e causam inflamação, desorganização e, principalmente, a destruição das células nervosas. As alterações são percebidas mais comumente no hipocampo e no córtex cerebral. O hipocampo é importante na formação de novas memórias e na aprendizagem, e o córtex responsável pelas atividades psíquicas e psicomotoras do ser humano.

Outra anomalia comum são tranças neurofibrilares, que consistem em fios de proteínas trançados na célula nervosa.

Há ainda a diminuição do neurotransmissor acetilcolina, componente liberado pelos neurônios. A substância permite que os impulsos nervosos sejam transmitidos adequadamente pelo cérebro, deixando-o funcionar da melhor forma.

De qualquer forma, estas alterações nas estruturas cerebrais acontecem naturalmente, com o envelhecimento do corpo. Nos afetados por Alzheimer, entretanto, as mudanças são percebidas em maior grau. As causas das alterações ainda não foram especificadas.

Fatores de risco

Apesar de não se conhecer as reais causas do Alzheimer, especialistas conseguem apontar condições de risco muito comuns ao pacientes afetados. O primeiro deles é a genética. Segundo alguns estudos, alterações em genes específicos, como o APP, apoE, PSEN1 e PSEN2, estão relacionados ao distúrbio.

Por isso, quando há casos da doença na família, o indivíduo está mais suscetível ao desenvolvimento da condição. O que, entretanto, não torna a demência “obrigatória”.

Quando este é o caso, o Alzheimer é chamado familiar. Ele costuma ocorrer em sujeitos mais novos, com idade entre 40 e 50 anos, e tem evolução mais rápida. Das pessoas afetadas pela doença, 50% delas tem chance de transmitir os genes para seus filhos.

O tipo mais comum da demência, entretanto, não tem ligação com a família, e acontece em pessoas acima de 60 anos. A idade, aliás, é considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do transtorno. Após os 65 anos, a chance de desenvolvimento do problema dobra a cada cinco anos, o que leva 40% da população acima de 85 anos a conviver com o distúrbio.

Hábitos diários também influenciam no surgimento da doença. A alimentação inadequada, por exemplo, pode causar o excesso de radicais livres e colesterol no corpo. As substâncias são bastante prejudiciais ao organismo.

Outros fatores que parecem aumentar os riscos de Alzheimer são o tabagismo, a diabetes mellitus, hipertensão arterial e depressão. Em situações de histórico de lesões na cabeça, seja por quedas ou por Acidente Vascular Cerebral (AVC), o progresso da doença foi percebido mais frequentemente.

A exposição rotineira a metais pesados, como o alumínio e o mercúrio, também pode estar associada a lesões, pois as substâncias são altamente tóxicas. De qualquer forma, percebe-se maior incidência da perturbação entre negros e mulheres.

Pesquisas buscam respostas

Assim como acontecem com doenças ainda sem solução, como a Aids, cientistas pelo mundo se dedicam à pesquisas que possam definir as causas do Alzheimer e o tratamento para tal. Assim, a cada ano surgem resultados de estudos importantes.

Recentemente, uma pesquisa revelou dados mais específicos sobre a beta amilóide, já percebida em maior concentração nos pacientes afetados. A beta amilóide é produzida no cérebro e outras partes do corpo. Os cientistas perceberam que a amilóide produzida em qualquer parte do organismo pode influenciar o desenvolvimento da doença. O estudo foi divulgado no periódico Molecular Psychiatry e produzido na Universidade da Colúmbia Britânica no Canadá.

A técnica utilizada para o estudo é chamada parabiose. Nela, os pesquisadores realizam a junção cirúrgica de dois conjuntos de camundongos. Animais saudáveis e animais modificados geneticamente para produzirem níveis elevados de beta amilóide. Após alguns meses destas cirurgias, os ratos antes saudáveis tornaram-se afetados pelo Alzheimer.

Até aí, nenhuma novidade: alterações da proteína já foram percebidas em humanos. Na continuidade da pesquisa, entretanto, os especialistas descobriram que beta amilóide produzida fora do cérebro pode se infiltrar no órgão.

Isso porque, à medida que envelhece, a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro, enfraquece. Como resultado, a proteína gerada em órgãos como rim e fígado se infiltra na área cerebral, complementa a amilóide que já existia lá, e assim acelera o processo de deterioração que dá origem ao Alzheimer.

Metabolismo e Alzheimer

Noutro estudo, pesquisadores da Harvard Medical School e do McLean Hospital, nos Estados Unidos constataram a relação do metabolismo com o transtorno. Segundo a avaliação, alterações na forma de trabalho das mitocôndrias, células responsáveis pela produção de energia do corpo, afetam o progresso da doença.

Os cientistas chegaram à conclusão ao avaliar as células da pele de pacientes com Alzheimer. Nesta análise, foi percebida a diminuição da presença de moléculas importantes na produção de energia, como o NDA (Dinucleótido de Nicotinamida Adenina).

Como, com a idade, o corpo humano vai perdendo a eficácia do metabolismo, a atividade está associada à disfunção no cérebro. Afinal, as células nervosas dependem bastante da ação mitocondrial, e se falha, a atividade prejudica o funcionamento do órgão “pensante”.

Sintomas do distúrbio

Habitualmente, os sintomas do Alzheimer são percebidos por pessoas próximas do paciente, e não por ele próprio. A doença passa por estágios, e em cada um deles leva o indivíduo à progressão dos sinais.

O estágio 1 do transtorno é assintomático. Ele se inicia com o acúmulo das proteínas já citadas no cérebro, mas não costuma afetar nem memória, nem comportamento do indivíduo. Esta fase pode durar entre dez e vinte anos sem que o paciente sequer perceba a evolução do futuro problema.

Em seguida, começam a aparecer sintomas leves de alteração na memória. Nesta etapa da doença, o sujeito percebe alguns lapsos, “brancos” de números de telefones ou do local onde um objeto foi deixado. Estas perdas de memória vão evoluindo ao longo do tempo, e aumentando.

O sintoma é um dos principais pontos de confusão quanto à existência ou não do Alzheimer. Normalmente, os lapsos de memória são associados ao envelhecimento natural do corpo, ou então à desatenção e rotina estressante. Afinal, o esquecimento em si é realmente comum entre todas as pessoas.

No entanto, a memória do afetado pela doença de Alzheimer apresenta particularidades. As lacunas na memória tornam-se cada vez mais comuns, e referem-se a informações básicas, como o endereço de casa ou esquecimento de nomes de pessoas próximas. No esquecimento do distúrbio, a pessoa nem sequer se lembra de ter feito algo, mesmo que alguém retome o assunto com detalhes.

É o que ocorre, por exemplo, no agendamento de um compromisso. Numa situação comum, o indivíduo pode ser esquecer de comparecer, mas quando questionado lembra-se de ter prometido ir ao evento. Com a doença, ele não se lembra nem mesmo de ter marcado de participar do encontro.

Estágios quatro e cinco

No estágio três da doença, as falhas na memória tornam-se ainda mais agudas. Torna-se difícil ao indivíduo lembra o nome de pessoas conhecidas recentemente e de informações lidas ou ouvidas no rádio ou televisão. Realizar tarefas mais complexas também vira algo mais trabalhoso, e a repetição da mesma pergunta ou mesmo história por várias vezes, mesmo que contadas há poucos dias, é comum.

Esquecer o local em que objetos maiores e mais caros foram deixados, o que normalmente não aconteceria justamente graças a estas características é outro reflexo do transtorno. Orientar-se seguindo em uma determinada direção é ainda um problema, eliminando a possibilidade de dirigir.

Na fase seguinte, eventos vividos recentemente “somem” da memória, assim como as histórias pessoais de indivíduos próximos ao paciente. Realizar atividades simples, como uma pequena operação matemática, ou mesmo complexas, como planejar um evento ou organizar o orçamento doméstico, transformam-se em atividades mais árduas. O comportamento apático em eventos sociais ou em casa também é sintoma do problema.

Cegando ao estágio cinco, os sinais tornam-se ainda mais perceptíveis. O que antes eram lapsos de memória, agora acontecem de forma muito mais freqüente. O indivíduo passa a demandar ajuda na realização de atividades básicas do dia a dia.

A confusão, aliás, é a palavra chave desta etapa mais crítica de sintomas. O paciente tem dificuldade em escolher roupas adequadas ao clima e torna-se desorientado em relação à passagem do tempo (que dia é, em que semana ou mês estamos). Aqui, entretanto, o sujeito ainda consegue lembrar fatos mais antigos de sua vida, como a infância ou adolescência.

Fases mais graves da doença

No estágio seis, mais grave, começam a surgir mudanças de humor e comportamento. A desatenção fica contínua, a história pessoal vai sendo esquecida, nomes de objetos e parentes são “deletados” do cérebro. Se antes os lapsos eram de esquecimento, nesta fase acontecerão lapsos de momentos lúcidos, em que as informações são lembradas, mas logo “apagadas” novamente.

O indivíduo com Alzheimer também passa a demandar ajuda para vestir-se e colocar o sapato no pé correto. Há também problemas no sono, de higiene pessoal, incontinência urinária ou intestinal esporádicas e problemas de mobilidade. Os transtornos de comportamento também se intensificam, provocando delírios, sensação de perseguição, agressividade e agitação.

Na fase mais grave da doença, o estágio sete, todos os sintomas já citados se agravam. O paciente perde a capacidade de manter a continuidade de uma conversa, de formular frases e de sentar-se sozinho. A deglutição vira igualmente um problema, e as atividades diárias, como comer, só são realizadas com auxílio.

Os pacientes com doença de Alzheimer ainda podem apresentar depressão e perda das inibições. Neste último caso, podem ocorrer situações em que o indivíduo mostra o corpo em público, fala obscenidades de forma indiscriminada ou mesmo acusar pessoas de roubarem seus bens.

Alzheimer e demência

Todos estes sintomas são indicativos da demência causada pelo Alzheimer. No meio popular, quando se diz “demência”, as pessoas tendem a pensar na loucura. A palavra, entretanto, tem outro significado médico.

A demência é uma síndrome que deteriora as capacidades intelectuais de um indivíduo. Ela pode ocorrer, além de por Alzheimer, por distúrbios como a doença de Parkinson, AVC e alcoolismo crônico. Traumas na cabeça, doenças neurológicas,  deficiência de vitaminas, tumor cerebral e hipotireoidismo grave podem da mesma forma levar à condição.

A síndrome demencial causa três características conseqüências básicas: alterações na memória, na capacidade de raciocínio lógico, e alterações no comportamento. O desenvolvimento do problema é lento e progressivo.

Outros reflexos da doença

Estudos recentes, além de procurarem respostas para as causas do Alzheimer, buscam entender os reflexos do distúrbio para o corpo. Em estudo da Universidade de São Paulo, os pesquisadores analisaram o paladar de um grupo de pessoas com Alzheimer e de não afetados pelo problema.

Todos os indivíduos experimentaram tiras alimentícias, um “papel” com sabores diversos. Após a avaliação, os cientistas perceberam que 26% dos pacientes afetados pela doença não sentiram o sabor das tiras muito bem. Por outro lado, apenas 3% dos sujeitos saudáveis não conseguiram identificar os gostos. O paladar, então, também é afetado pelo distúrbio.

Alzheimer em jovens

Mesmo que seja muito mais comum em idosos, o Alzheimer não exclui o público mais jovem. Quando ocorre, o distúrbio é conhecido como Alzheimer precoce, e pode surgir a partir dos 35 anos de idade. A condição, aliás, é a mesma já citada como Alzheimer familiar, e ocorre devido à herança genética.

Os sintomas nesta época da vida são iguais ao que aparecem em idades mais avançadas. O problema, entretanto, tende a evoluir mais rapidamente, passando de forma gradual mas mais veloz.

Importância do diagnóstico

O diagnóstico do Alzheimer deve ser realizado de forma mais precoce possível. Isso porque o tratamento do distúrbio, quando iniciado rapidamente, pode melhorar bastante a qualidade de vida do paciente afetado.

Além disso, outras doenças podem provocar os mesmos sintomas que a doença e, se esta for a situação, devem ser logo descobertas e tratadas adequadamente. A hipertensão, por exemplo, pode levar a problemas na memória, enquanto o hipotireoidismo provoca demência que pode ser tratada.

A hora correta de visitar o médico pode ser percebida observando alguns fatores. Primeiro, a ocorrência do Alzheimer na família. Caso já tenha havido parente com o distúrbio, o indivíduo deve ficar mais atento os lapsos de memória e dificuldade intelectual para realizar atividades simples. Isso em qualquer idade, pois, como já foi dito, a hereditariedade pode levar ao aparecimento do transtorno em público mais jovem.

Na melhor idade, as dificuldades da memória constantes também não devem ser classificadas como algo natural. Em circunstâncias repetitivas de lapsos no idoso, repetição das mesmas perguntas e histórias, e esquecimento de nomes de coisas e pessoas, é interessante encaminhar o sujeito ao consultório.

No Brasil, existe desde 2002 o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer, instituído no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo Ministério da Saúde. A iniciativa funciona em Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso, e é responsável pelo diagnóstico, acompanhamento dos pacientes, tratamento e auxílio aos familiares do indivíduo. O atendimento é mais especializado nestes ambientes, mas de início pode ser realizado em qualquer unidade básica de saúde.

Diagnóstico do Alzheimer

Para o diagnóstico do Alzheimer, o médico primeiro avalia o histórico do paciente. Quais são os sintomas percebidos? Com que frequência eles vem acontecendo? Já houve ocorrências do problema na família?

Em seguida, o especialista realiza uma série de testes psicológicos. O exame mais famosos deste grupo é conhecido como mini-mental, em que o sujeito responde trinta questões. Nele, o médico avalia a capacidade do paciente em reconhecer o local em que ele está, a data do momento, a capacidade de concentração e memória, percepção espacial e a capacidade de seguir instruções simples.

Outros exames realizados são o “desenho do relógio”, em que o usuário é solicitado a desenhar os ponteiros em uma determinada hora. O teste da fluência verbal, por outro lado, avalia a habilitação em nomear objetos e repetir palavras.

Associados aos exames psicológicos pode ser solicitada a como ressonância magnética do encéfalo, que consegue detectar alterações no cérebro. Exames clínicos, como de sangue e urina, ainda são utilizados, para eliminação de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes ao do Alzheimer, como as hepatites, deficiência de vitamina B12 e infecção por HIV.

Podem, ainda, ser solicitados exames como ressonância magnética do encéfalo para detectar alterações cerebrais, além de exames clínicos e de sangue, que podem descartar outras doenças que causam alterações da memória, como hipotireoidismo, depressão, deficiência de vitamina B12, hepatites ou HIV, por exemplo.

O diagnóstico definitivo da doença pode ser realizado por meio da biópsia do tecido cerebral, que consiste na retirada de uma porção do cérebro e análise em laboratório. Como o procedimento é perigoso, entretanto, ele é raramente utilizado em vida. Quando o paciente falece, a família pode solicitar a análise para verificação se o problema era mesmo o transtorno demencial.

Alzheimer tem cura?

A pergunta deste subtítulo é dúvida de muitos, e infelizmente a resposta é negativa. Como ainda não se conhecem nem mesmo as reais causas do Alzheimer, não é possível apontar tratamento eficaz para a eliminação total, a cura do distúrbio. Por outro lado, existem tratamentos que melhoram a qualidade de vida do acometido pelo problema.

O tratamento adequado do transtorno faz a associação de remédios, mudança de hábitos e procedimentos caseiros. Os meios são acompanhados por profissionais diversos, incluindo o neurologista, psiquiatra, geriatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e outros.

Remédios para o Alzheimer

A forma inaugural de tratamento do distúrbio ocorre por meio de medicamentos. Após a visita ao médico e o correto diagnóstico, o especialista receita farmacológicos que farão o controle dos sintomas da doença.

O Sistema único de Saúde Brasileiro (SUS) oferece gratuitamente remédios como, a Galantamina, a Rivastigmina e o Donepezil. Os fármacos são os mais utilizados na terapia do distúrbio, e amenizar os efeitos do Alzheimer, principalmente na memória.

Para controlar os distúrbios de comportamento, como a agressividade, o médico recomenda a administração de medicamentos neurolépticos atípicos. Transtornos do sono e depressão também podem ser cuidados com medicamentos específicos.

Já a Memantina costuma ser utilizada com o objetivo de proteger o cérebro dos danos causados pelo Alzheimer, diminuindo a velocidade de progressão dos sintomas. A substância age desta forma pois inibe a degradação da chamada acetilcolina, já percebida em menor quantidade nos pacientes afetados pelo transtorno demencial.

Cada uma destas drogas pode apresentar efeitos colaterais, sendo estes percebidos especialmente no sistema gástrico, cardíaco e outras alterações do sistema nervoso. Os efeitos, em geral, são passageiros, e podem ser controlados com o reajuste das doses. A utilização correta dos fármacos, aliás, é essencial, pois apenas a manutenção das doses e horários terá os resultados corretos.

Os efeitos adversos e qualquer alteração imprevista devem ser comunicados ao médico rapidamente, para que ele reavalie os remédios e quantidades indicadas anteriormente. Qualquer modificação deve ser avaliada primeiro com o médico. Por isso, não é indicada a interrupção do medicamento ou qualquer outro tipo de alteração por conta própria.

Tratamento não farmacológico

A terapia sem o uso medicamentoso deve ser também utilizada, associado ao primeiro tratamento citado. A técnica inclui atividades de estimulação do cognitivo do indivíduo, como da memória e linguagem. Aspectos sociais e físicos também são trabalhados neste método, pois auxiliam na manutenção das capacidades do cérebro.

Entre as atividades recomendadas para a melhora do cognitivo estão exercícios que estimulem as funções cerebrais. Entre eles, é possível citar a leitura, o estudo, busca por aprendizado, o tocar instrumento musical e aprender um novo idioma. Realizar atividades manuais é igualmente interessante, principalmente as que demandam maior atenção, como a escrita, o tricô o artesanato.

Trabalhando o uso do raciocínio lógico, memória, planejamento e linguagem, as atividades cognitivas ajudam a minimizar as dificuldades do indivíduo em relação a estes aspectos do dia a dia. As ações precisam propor a autonomia e a necessidade do sujeito tomar decisões por si próprio, mesmo que elas sejam pequenas.

Resgatar memórias antigas e nome de pessoas, em conversas diárias também é importante. Assim, um familiar ou cuidador pode instigar no paciente as memórias de épocas passadas. Nesta situação, porém, é essencial que o interlocutor não se irrite ou demonstre tristeza com a falha da memória do paciente. Caso contrário, o indivíduo pode ser tornar avesso aos momentos.

Desafios mentais, jogos lúdicos e treinos específicos, como manter a percepção de que horas são no relógio, são métodos tal qual importantes.

Incentivar o afetado pelo Alzheimer a conviver e se comunicar são passos fundamentais. Visitas, conversas, a inserção do indivíduo em atividades em grupo, como a dança ou artesanato em uma instituição com programa social, por exemplo, são boas pedidas.

Estimulação social

Estimular o afeto, mostrando sempre o quanto o sujeito é querido pela família e amigos também ajuda a diminuir a progressão da doença. Quando for o caso, ajuda que o paciente confie naqueles que estão à sua volta e o ajudarão no dia a dia.

Manter a freqüência em atividades culturais, de lazer, celebrações e comemorações de aniversários são identicamente eficazes. O ideal, entretanto, é que o sujeito não seja inserido em espaços com muitos estímulos simultâneos, como no meio de grandes multidões, pois isso pode deixá-los confusos e irritados. Caso o idoso demonstre incômodo com o local em que está, é interessante encaminhá-lo para um ambiente mais silencioso, com menos pessoas, e estimulá-lo a conversar apenas com um ou dois colegas por vez.

Estimulação física

Ao mesmo tempo, a prática de atividades físicas auxilia o paciente a manter a força muscular, o equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora. Estas características são importantes para que a pessoa sinta-se independente e consiga por tempo maior realizar as atividades básicas diárias.

Como a maioria dos afetados pelo Alzheimer são idosos, é interessante que as atividades sejam acompanhadas de perto por um médico e por profissional de Educação Física. Afinal, na melhor idade é preciso limitar alguns movimentos, para que não ocorram torções ou fraturas que terão maior dificuldade de se curar. Por este motivo, a prática com fisioterapeutas costuma ser a melhor alternativa.

Qualquer atividade e sua freqüência de realização, deve ser decidida junto ao médico. Isso porque o exagero de aços, como incitar o paciente a ler continuamente durante o dia e realizar atividades que não gosta pode provocar efeitos contrários que o desejado. Nestes casos, o indivíduo cria resistência às práticas, e o ambiente torna-se desagradável à recuperação. Por isso também, os resultados das atividades precisam ser observados por especialistas e familiares, para que adaptações sejam realizadas ao longo do percurso.

Tratamentos caseiros

Manter uma alimentação saudável é fundamental em qualquer época da vida, e principalmente por aqueles afetados pelo Alzheimer. Garantir o consumo contínuo de frutas, verduras, cereais, proteínas e vitaminas é, assim, passo importante para o tratamento e manutenção da qualidade de vida do paciente.

Alguns alimentos, ao mesmo tempo, podem ter ótimos efeitos se consumidos de formas específicas. Criar, por exemplo, o hábito de consumo de  chá de baunilha, pode auxiliar na proteção das células do cérebro, pois o alimento é rico em antioxidantes e componente anti-inflamatório.

Inserir a canela na alimentação, por outro lado, inibe o acumulo de toxinas no tecido cerebral. Simultaneamente, o consumo de alimentos ricos em acetilcolina, como o ovo, salmão e leite, pode melhorar a capacidade da memória.

Preparar suco de maça, numa proporção de quatro maças por um litro de água, é igualmente eficaz. O remédio caseiro ajuda a aumentar os níveis de acetilcolina no cérebro, combatendo a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. O recomendado é consumir dois copos deste suco diariamente.

Comer lecitina de soja, 2 a 3 g de geleia real pura por dia, e até doze comprimidos de lêvedo de cerveja também é uma maneira popular de combater os efeitos do problema. Alimentos com vitamina E, vegetais verde-escuros e extrato de ginkgo são do mesmo modo eficientes.

Como conviver com o problema?

O Alzheimer é uma doença que não tem tempo específico de progressão. Alguns indivíduos levam década para chegar ao estágio mais avançado do distúrbio, enquanto outros fazem isso em trinta e seis meses.

De qualquer forma, após estabelecido o diagnóstico do transtorno, a expectativa de vida do paciente gira em torno dos dez anos. O que leva o indivíduo ao falecimento não é a doença em si, mas o surgimento de problemas no organismo em decorrência de quedas, desnutrição, infecções e outros problemas que o Alzheimer pode gerar. A infecção urinária e pneumonia são os problemas mais comuns nestes pacientes.

Para conviver com o transtorno, a família do indivíduo precisa se adaptar, assim como o ambiente residencial. É preciso primeiro trabalhar o cuidado e a paciência, pois ao longo do progresso do distúrbio tornam-se mais recorrentes as perdas de memória e a necessidade de auxílio em atividades básicas.

Pacientes com Alzheimer não devem mais dirigir, cozinhar ou andar sozinhos na rua, pois correm o risco de sofrer acidentes. Por este mesmo motivo, a casa deve ser adaptada, tendo corrimões instalados e fios elétricos fixados de modo a não provocarem quedas. Também é interessante, neste caso, nivelar o piso e aplicar materiais antiderrapantes, que dificultarão a ocorrência de quedas.

Criar uma rotina, planejando o dia do indivíduo é igualmente proveitoso. Com uma agenda bem estruturada, o paciente tem maior facilidade em manter atividades por conta própria.

Realizar atividades que o sujeito goste é também importante, pois assim ele se sentirá estimulado. Criar uma disposição segura de objetos, de modo que eles possam permanecer no mesmo local, ainda cria um senso de organização no idoso, e o ajuda a se localizar melhor no espaço.

Cuidado com você

De qualquer modo, o Alzheimer também impacta as pessoas ao redor do indivíduo afetado. É comum que familiares demonstrem tristeza quando o indivíduo demonstra os sintomas, e mesmo situações de descontrole emocional, como a irritação, podem ocorrer. Por isso, é primordial que cuidadores e parentes trabalhem estes aspectos ao longo do temo e, infelizmente, se adaptem à piora progressiva dos sintomas.

Se você hoje convive com um paciente afetado pelo Alzheimer, tire alguns dias de folga e dedique-se a si mesmo. Apenas Contar com auxílio psicológico, para você e o doente, pode ainda ter diversos efeitos benéficos.

O que não fazer

Muitas vezes, a família ou cuidador de um paciente com Alzheimer se sente tentado a mudar seu modo de conversar, tratando o indivíduo como uma criança que ainda não compreende muito bem a fala. Esta, porém, é a primeira ação que deve ser evitada. Um idoso precisa ser estimulado, e não sofrer com a falta de objetividade da comunicação dos outros.

Quando for conversar com o indivíduo, é importante que a pessoa chame sua atenção, fale de forma pausada e aguarde um tempo para resposta, sem interrupção. Se após alguns minutos o paciente não oferecer resposta, pode ser útil repetir a questão mais uma vez. Caso haja demonstração de confusão, melhor não insistir no assunto, pois a insistência pode gerar irritação ou tristeza do sujeito.

Também não é bom provocar discussões ou corrigir o idoso. Como está sujeito a mudanças mais rápidas de humor, o diálogo pode ser prejudicial ao humor e ao convívio.

Incitar a memória de eventos mais recentes também pode ser ruim ao paciente. Nas fases mais graves da doença, ele dificilmente se lembrará dos eventos, e poderá se sentir frustrado com a situação. Assim, na hora de relembrar épocas passadas ou qualquer outra ocorrência, é mai interessante apenas contar a história, e não questionar a pessoa se ela se lembra do acontecido.

Por último, temas que possam perturbar o idoso, como a morte de um ente querido de um amigo devem definitivamente ser evitados. Apenas forneça este tipo de informação se o paciente perguntar especificamente por ela.

Existe prevenção?

Segundo pesquisas recentes, alguns fatores relacionados à estimulação do cérebro estão ligados à menor incidência do Alzheimer. Assim, ao longo da vida, é interessante realizar atividades como a leitura freqüente, o estudo e aprendizado de coisas novas, e a realização de trabalhos intelectuais estimulantes.

Para os médicos, também é importante manter uma vida social ativa, estimular a memória lembrando de eventos do passado, e participar de atividades em grupo e resolução de jogos de raciocínio.

Manter uma alimentação saudável e prática de atividades físicas é também eficaz como medida de cautela.

O consumo moderado de álcool é tal qual indicado, pois o exagero da bebida Poe até mesmo acelerar na degeneração do sistema nervoso. Tomar uma taça de vinho diariamente pode ser uma boa pedida, uma vez que a bebida ajuda a proteger o cérebro e prevenir lesões cerebrais.

Pesquisas trazem esperança

Além, claro, da busca pelas causas do Alzheimer, os cientistas buscam a cura para o problema. Uma publicação na revista Nature mostra que eles estão no caminho certo: em pesquisa por ensaio clínico, os especialistas desenvolveram uma droga. Criada a partir de anticorpos do organismo humano, o composto eliminou, em doze meses, uma parte considerável das placas de proteína beta amilóide comuns no cérebro de pacientes com o transtorno.

Os efeitos foram visíveis nos exames de imagem e também na percepção cognitiva, pois os doentes submetidos ao tratamento tiveram a degradação das capacidades cognitivas estabilizada. O estudo foi coordenado pela Universidade de Zurique, na Suíça, em conjunto com a empresa farmacêutica Biogen.

Outro método de tratamento, ainda em pesquisa, mas bastante promissor, é a cirurgia de estimulação cerebral profunda. A terapia é realizada por meio do implante de um pequeno eletrodo no cérebro, eletrodo este com características neuroestimulantes. O método pode estabilizar os sintomas e, quem sabe, levar à cura.

Outros pesquisadores investem na utilização das células-tronco. Retiradas do cordão umbilical de bebês recém-nascidos, as células já foram implantadas no cérebro de ratos com Alzheimer e mostraram resultados positivos.

Todos os estudos, apesar de demandarem anos para um resultado concreto e posterior aplicação no tratamento do transtorno demencial, são a esperança da ciência de que, em breve, o ser humano não mais sofrerá as consequências de uma doença como o Alzheimer.

       

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