Ácido Úrico: Alto, Baixo, Dieta, Exame e Muito Mais!

0 1.084

O ácido úrico surge como resultado da quebra de moléculas de purina (proteína contida alimentos) por ação de uma enzima chamada xantina oxidase. Depois de utilizadas, as purinas são degradadas e transformadas em ácido úrico. Uma parte fica no sangue e o restante é eliminado pelos rins, através da urina. É uma substância produzida naturalmente pelo organismo.

Geralmente, a maior parte do ácido úrico contido no corpo humano se dissolve no sangue e nos rins, sendo eliminado pela urina. Mas em alguns casos, o organismo produz um excesso de ácido úrico ou não consegue eliminá-lo.

Existe um equilíbrio entre a origem e a eliminação do ácido úrico a fim que o organismo preserve uma taxa normal de ácido úrico.

Em condições normais, um terço do ácido úrico vem da alimentação e os outros dois terços pelo metabolismo interno.

Como o ácido úrico não se dissolve com facilidade, é necessário que seus níveis no sangue estejam abaixo de 6,8mg/dL para que ele se dilua por completo. E quanto mais alto seu nível estiver, maiores são as chances de desenvolver cristais de urato, os quais se depositarão nas articulações.

Conforme algumas circunstâncias fisiológicas, a taxa de ácido úrico pode variar dentro de valores considerados normais:

  • É mais alta no nascimento, depois diminui ao longo da infância para aumentar na adolescência, principalmente nos meninos.
  • É mais elevada nos homens.
  • Aumenta com o peso.
  • Diminui nos primeiros meses de gravidez.

Hiperuricemia

O ácido úrico é uma substância vinda da destruição de células mortas e da digestão. Uma eliminação normal é quando o organismo consegue transformá-lo e o eliminar pela urina. Senão, ele se acumula e ocasiona uma hiperuricemia. Está presente em cerca de 5 a 15% da população, na sua maioria homens.

A hiperuricemia nada mais é do que quando há um aumento do ácido úrico no sangue, podendo ocasionar gota, litíase e falência renal.

  • Gota:

 Ocorre quando os microcristais de ácido úrico dissolvidos no sangue são em alta concentração, sendo responsável por dores articulares de tipo inflamatório e apresenta inchaço, calor e sensibilidade. Durante os ataques de gota, o paciente pode ter uma sensação de queimação ao nível da articulação afetada. E pode acarretar uma limitação dos movimentos.

Afeta principalmente os punhos, cotovelos, tornozelos, joelhos e pés. É mais comum em homens de 30 a 60 anos e em mulheres, há um aumento após a menopausa.

E, algumas condições contribuem para o aparecimento da gota: alto consumo de bebidas alcóolicas, estar com sobrepeso, ter diabetes, medicamentos diuréticos ou anti-hipertensivos e ter uma alimentação rica em carnes.

Observa-se que, se a hiperuricemia não for adequadamente tratada, há a possibilidade de o paciente desenvolver tofos nas articulações, ou seja, uma inflamação e acúmulo de cristais de urato nestes locais. Geralmente, provocam deformidades nas mãos, cotovelos ou pés.

  • Litíases urinárias:

 São devidas a um ou vários cálculos renais nas vias urinárias. Os principais sintomas de cálculos renais são: dor intensa no abdômen e na região da virilha, dor ao urinar, sangue na urina e se houver alguma infecção, pode ocorrer febre.

Quando há um acúmulo de ácido úrico no sangue, ele se cristaliza e forma pedras e estas podem sair pela uretra e é isso que causa dor.

Em algumas pessoas, esses cálculos renais podem não apresentar quaisquer sintomas mas caso fiquem presos na uretra podem causar uma dor muito intensa.

  • Falência renal:

 Este é o sintoma mais grave ocasionado por um nível elevado de ácido úrico, podendo ser observada através de uma diminuição da micção, falta de ar, inchaço nos membros, fadiga, etc.

Geralmente, isso só ocorre em pacientes que possuam valores acima de 13mg/dL nos homens ou 10mg/dL nas mulheres.

Alguns pacientes que podem ter a falência renal são os que têm leucemia, linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin e como consequência da quimioterapia.

Tenha em mente que nem todos os indivíduos que apresentem altos níveis de ácido úrico apresentarão gota, por exemplo.

Alguns estudos vêm sendo realizados a fim de verificar uma correlação entre as taxas de ácido úrico e a ocorrência de doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Sabe-se que alguns pacientes hipertensos também apresentam níveis altos de ácido úrico, mas não se pode afirmar que a hiperuricemia seja a causa da hipertensão.

O que pode aumentar a taxa de ácido úrico

  • Excesso de alimentos que contêm purina, como por exemplo, carnes vermelhas, peixes (atum, sardinha, salmão, bacalhau), miúdos, mariscos, etc;
  • Consumo de álcool pois as bebidas alcóolicas aumentam a produção de ácido úrico. A cerveja é uma das bebidas que mais aumenta a taxa de ácido úrico;
  • Vitela, bacon e embutidos;
  • Anomalia enzimática;
  • Doença hereditária;
  • Uso de alguns medicamentos como os diuréticos;
  • Esforço muito intenso;
  • Outras doenças associadas, como por exemplo, insuficiência renal e leucemia.

As taxas elevadas de ácido úrico podem se explicar por:

  • Hiperuricemias idiopáticas ou primárias: Representam a maioria dos casos. As predisposições hereditárias são encontradas em 30% das pessoas. Mas são muitas vezes associadas à obesidade, a uma superalimentação, hipertensão arterial, o excesso de álcool e diabetes.
  • Anomalias enzimáticas raras: São encontradas principalmente na doença de Van Gierki e de Lesch-Nyhan. Essas anomalias têm por característica ocasionar crises de gota muito cedo, isto é, nos vinte primeiros anos de vida;
  • Hiperuricemias secundárias a uma doença ou a um tratamento medicamentoso.

Podem ser causadas por:

  • Falta de eliminação do ácido úrico, que é o caso dos que sofrem de insuficiência renal, mas também aqueles que fazem uso de medicamentos como o diurético;
  • Aumento da degradação dos ácidos nucleicos. Vê-se isso nas leucemias, por exemplo e em razão de algumas quimioterapias.

Dizemos que o ácido úrico está alto quando é superior a 8,0mg/dL. Isto pode acontecer em casos de gravidez, obesidade, alcoolismo, consumo de certos medicamentos (diuréticos, anticancerígenos), uma dieta super proteica, esforço muscular intenso, menopausa ou diabetes.

Muitos indivíduos com mais de 65 anos apresentam uma taxa de ácido úrico alto.

Veja também: Tudo sobre Hipertensão

Ácido úrico baixo – Hipouricemia

Podemos chamar também de Hipouricemia quando a taxa de ácido úrico é inferior a 20mg/l. Pode acontecer na gravidez, insuficiência hepática grave, aumento da frequência de eliminação da urina ou o consumo de alguns medicamentos.

A causa mais comum é o fator genético e hereditário e é mais rara que a hiperuricemia. A Hipouricemia pode, em alguns casos, ocasionar cálculos renais e uma insuficiência renal.

Taxas normais de concentração de ácido úrico no sangue

  • 2,5 a 7,0mg/dL para homens;
  • 1,5 a 6,0mg/dL para mulheres;
  • 0,9 a 5,5mg/dL para crianças;

Agora, as taxas abaixo do normal podem estar associadas a uma série de fatores: alimentação pobre em purinas, doença de Wilson (doença genética caracterizada por um acúmulo de cobre no organismo), insuficiência renal ou hepática e exposição a elementos tóxicos, como o chumbo.

Os valores normais do ácido úrico no sangue podem variar de um dia para o outro e mesmo no mesmo dia, sendo geralmente mais altos pela manhã.

 Taxas de referência de concentração de ácido úrico na urina

No exame de urina, o ácido úrico deve estar compreendido entre 250 mg e 750 mg em um período de 24 horas.

Vale ressaltar que, no início da gravidez, a taxa sanguínea de ácido úrico diminui para aumentar novamente de forma progressiva a partir do quinto mês. Em 90% dos casos, as mulheres que sofrem de pré-eclâmpsia no final da gravidez, apresentam uma taxa elevada de ácido úrico no sangue.

Tratamento para ácido úrico alto

Caso você seja diagnosticado com hiperuricemia, seu médico poderá lhe prescrever alguns medicamentos e é bem provável que terá que modificar sua dieta. Alguns medicamentos, como por exemplo, o Allupurinol, febuxostate e sulfinpirazona são indicados porque bloqueiam a produção do ácido úrico e favorecem a sua eliminação.

Muitas vezes, uma taxa levemente aumentada de ácido úrico pode ser tratada simplesmente modificando sua alimentação. Os alimentos ricos em fibras alimentares reduzem as taxas de ácido úrico no sangue. As fibras favorecem a absorção do ácido úrico no intestino.

O médico vai analisar se existe alguma outra condição que possa estar promovendo o aumento do ácido úrico e iniciar o tratamento adequado. Por isso, é muito importante relatar todos os medicamentos que faz uso ou se apresenta alguma outra doença.

Muitas vezes, seus sintomas são tão assintomáticos que são descobertos quando da realização de um exame de sangue ou de urina de rotina.

Alimentos para reduzir o ácido úrico

As frutas e legumes são ricos em vitaminas e antioxidantes. Os antioxidantes são as vitaminas que lutam contra os radicais livres, melhoram o metabolismo muscular e reduzem a taxa de ácido úrico

A cenoura, por exemplo, tem efeitos alcalinos muito eficazes para eliminar o excesso de purinas e os cristais que se acumulam nas articulações.

O ideal é consumir alimentos que são diuréticos naturais, tais como: melancia, cebola, berinjela, beterraba, tomate, limão, melão, pera, alho, maçã, etc.

Ácido úrico alto e gravidez

Como já foi dito, geralmente o ácido úrico diminui nos primeiros meses de gravidez e aumenta durante o terceiro trimestre.

Mas um fator muito importante a ser levado em consideração é que se há o aumento no primeiro trimestre ou a partir das 22 semanas, há uma maior probabilidade da gestante desenvolver pré-eclâmpsia e isso se tornará mais agravante se tiver pressão alta.

Na maioria das vezes, o médico diante de tais condições recomenda a diminuição do sal na alimentação e uma maior ingestão de água, cerca de 2 a 3 litros por dia.

Outro problema que pode ocorrer é o cálculo renal, mas não é tão frequente na gravidez mas merece uma atenção especial pois não poderá ser ministrado à gestante certos medicamentos bem como aumenta o risco de um parto prematuro.

Potássio

O potássio representa um papel importante em nosso organismo, sua alta ou baixa no sangue podem ter consequências sobre a saúde. Ele está presente em diversos alimentos do nosso dia a dia, como a banana e o iogurte desnatado.

Pode apresentar vários níveis no nosso organismo. Se estes níveis estão muito alterados, pode causar problemas cardíacos e desmaios. Isto acontece pois o potássio é muito importante para o nosso organismo.

Ele age juntamente com o sódio. Todos os dois são encarregados de manter o equilíbrio acidobásico do corpo e líquidos.

O potássio sozinho permite a transmissão dos impulsos nervosos, a contração muscular e o bom funcionamento dos rins. Está presente principalmente nas células, mas também no sangue, onde exerce papéis importantes. Um excesso ou carência de potássio no plasma sanguíneo pode ocasionar alguns problemas, principalmente os cardíacos.

Uma diminuição da taxa de potássio pode ser causada por problemas digestivos e poderá provocar fadiga, náuseas e câimbras musculares.

Potássio alto

É bom saber que o valor de referência do potássio no sangue varia de 3,5 mEq/L a 5,5 mEq/L e quando há uma alteração nessas taxas, pode ocasionar sérios problemas de saúde.

Na maioria das vezes, essa alteração passa desapercebida e é descoberta quando na realização de um exame.

Quando o nível de potássio no sangue está elevado, chama-se de hipercalemia e apresenta os seguintes sintomas:

  • Redução da pressão arterial;
  • Palpitações cardíaca;
  • Fraqueza;
  • Dores no peito;
  • Diminuição da frequência cardíaca, arritmia cardíaca;

É muito importante realizar um ECG (eletrocardiograma) se houver uma suspeita de alta de potássio devido ao risco do aparecimento de arritmia cardíaca e isso pode gerar inclusive a morte.

Causas da hipercalemia (potássio alto)

  • Diabetes tipo 1;
  • Insuficiência renal;
  • Desidratação;
  • Atividade física intensa;
  • Uso de medicamentos como os diuréticos e anti-inflamatórios;

Qual o tratamento para hipercalemia?

Na realidade, ao retirar os alimentos ricos em potássio geralmente há uma redução de seu nível, mas em outros casos, talvez seja necessário a administração de alguns medicamentos orais ou por via venosa.

Vale ressaltar que o nível de potássio também pode estar baixo e é o que chamamos de hipocalemia. Os principais sintomas são:

  • Fraqueza;
  • Câimbras;
  • Náuseas e vômitos;
  • Aumento de açúcar no sangue;
  • Prisão de ventre;
  • Dificuldade para respirar.

A hipocalemia pode ser acarretada por uma série de condições: uso de diuréticos, insuficiência renal, vômitos ou diarreia, carência do ácido fólico, uso do álcool e laxantes.

É fácil de ser tratada, basta incluir na dieta alimentos ricos em potássio ou fazer algum tipo de suplementação. Em casos mais graves, pode-se administrar potássio diretamente na veia.

Alimentos ricos em potássio

  • Lentilhas;
  • Espinafre, cenoura;
  • Batatas cozidas com casca;
  • Maracujá;
  • Ervilhas e grão-de-bico;
  • Banana;
  • Molho de tomate;
  • Feijão;
  • Atum, salmão.

Exame de ácido úrico

Vale saber que o exame de sangue é pedido pelo médico quando há a suspeita de gota, apresentando dor, edema e vermelhidão de alguma articulação ou para monitorar pacientes que estão sendo submetidas à quimioterapia ou radioterapia. E o de urina, é para avaliar a causa de cálculos renais.

Pode ser solicitado também para avaliar o bom funcionamento dos rins, em caso de gravidez e obesidade.

O ideal é que se faça um jejum de 3 horas antes da coleta do sangue e é muito importante informar ao médico caso faça uso de algum medicamento de forma contínua.

A partir de uma análise da concentração de ácido úrico, será possível compreender a origem da uma taxa elevada no sangue.

O exame de sangue é indicado para:

  • Detectar as taxas de ácido úrico no sangue que servem para detectar gota e para monitorar os níveis durante quimioterapias e radioterapias.

O exame de urina é indicado para:

  • Detectar as taxas de ácido úrico na urina que servem para detectar cálculos renais, monitorar pacientes com gota ou aqueles que têm um maior risco de desenvolver gota.

O exame é feito a partir de uma amostra de sangue ou de urina, no período de 24 horas. Existe um exame que é feito para verificar os cristais que se acumulam nas articulações. É o exame do líquido sinovial, e pode ser solicitado pelo médico caso ache necessário.

Há a retirada do líquido sinovial de articulações grandes, como o joelho por exemplo. Geralmente, esse líquido é incolor, mas se houver inflamação, sua cor pode variar do amarelo palha ao amarelo ouro.

Prevenção

Caso você esteja inserido em algum grupo de risco, o mais importante é a prevenção. E, para todos os indivíduos que sejam mais propensos a ter cálculos renais, o ideal é manter uma dieta balanceada, evitar alimentos com purina, açúcar dos refrigerantes, gorduras saturadas e bebidas alcóolicas.

A principal forma de combater o aparecimento de cristais de ácido úrico na urina é bebendo muita água. A partir do momento em que o corpo está hidratado, permite aos rins eliminarem com mais facilidade o ácido úrico. Lembrando que a vitamina C, contida na laranja e na tangerina, é recomendada no auxílio no combate aos cristais.

Muito importante é a prática de atividades físicas pois ajuda a regular as taxas de insulina no sangue e, dessa forma diminui os níveis de ácido úrico.

É sempre aconselhável controlar o peso, e dependendo do caso, controlar o diabetes, a hipertensão arterial e os níveis de colesterol do sangue.

Caso perceba algum sintoma anormal, procure logo um médico. Ele poderá avaliar sua condição e prescrever o tratamento adequado.

O melhor a fazer é mudar o estilo de vida e alguns hábitos alimentares que estão prejudicando a sua saúde. Ao optar por uma dieta mais saudável, e evitar alimentos que favoreçam o aumento do nível de ácido úrico, fará com que sua saúde seja restabelecida, impedindo o aparecimento de uma série de doenças.

E nunca faça uso de qualquer medicamento sem orientação médica. Sua saúde deve estar sempre em mãos confiáveis!

       

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.